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Reflexão Canto X d'Os Lusíadas

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Ana Andrade

on 20 March 2015

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Transcript of Reflexão Canto X d'Os Lusíadas

Assi foram cortando o
mar sereno
,
Com
vento sempre manso
e
nunca irado
,
Até que houveram vista do terreno
Em que nasceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E à sua pátria e Rei temido e amado
O prémio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou.
144

CANTO X d'Os Lusíadas
Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho
Destemperada e a
voz enrouquecida
,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dua
austera
,
apagada
e
vil tristeza
.

145 e 146

147

Os Cavaleiros tende em muita estima,
Pois com seu sangue intrépido e fervente
Estendem não sòmente a Lei de cima,
Mas inda vosso Império preminente.
Pois aqueles que a tão remoto clima
Vos vão servir, com passo diligente,
Dous inimigos vencem: uns, os vivos,
E
(o que é mais
) os trabalhos excessivos.



De Formião, filósofo elegante,
Vereis como Anibal escarnceia,
Quando das artes bélicas, diante
Dele, com larga voz tratava e lia.
A disciplina militar prestante
Não se aprende, Senhor, na fantasia,
Sonhando, imaginando ou estudando,
Senão vendo, tratando e pelejando.


153

Pera servir-vos, braço às armas feito,
Pera cantar-vos, mente às Musas dada;
Só me falece a vós aceito,
De quem virtude deve ser prezada.
Se me isto o Céu concede,
e o vosso peito
Dina empresa tomar de ser cantada
,
Como o pressaga mente vaticina
Olhando a vossa inclinação divina.
155 e 156

154

Mas eu que falo, humilde, baxo e rudo
De vós não conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo,
Que o louvor sai às vezes acabado.
Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado,
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Causas que juntas se acham raramente.
156

Ou fazendo que, mais que a de Medusa,
A vista vossa tema o monte Atlante,
Ou rompendo nos campos de Ampelusa
Os murosde Marrocos e Trudante,
A minha já estimada e leda Musa
Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja.
E não sei porque influxo do Destino
Não tem um ledo orgulho e geral gosto,
Que os ânimos levanta de contino
A ter pera trabalhos ledo o rosto.
Por isso
vós, ó Rei, que por divino
Conselho estais no régio sólio posto,
Olhai que sois (e vede as outras gentes)
Senhor só de

vassalos excelentes
.
Olhai que ledos vão, por várias vias,
Quais rompentes liões e bravos touros
,
Dando os corpos a fomes e vigias,
A
ferro, a fogo, a setas e pelouros,
A
quentes regiões, a plagas frias,
A
golpes de Idolátras e de Mouros,
A
perigos incógnitos do mundo,
A
naufrágios, a pexes, ao profundo.
Por vos servir, a tudo
aparelhados
;
De vós tão longe, sempre
obedientes
;
A quaisquer vossos
ásperos mandados
,
Sem dar resposta
, prontos e contentes.
Só com saber que são de vós olhados,
Demónios infernais, negros e ardentes,
Cometerão convosco, e não duvido
Que vencedor vos façam, não vencido.
149

150

Fazei,
Senhor
, que nunca os admirados
Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses,
Possam dizer que pera mandados,
Mais que pera mandar, os Portugueses.
Tomai conselho só d' experimentados,
Que viram largos anos, largos meses,
Que, posto que em cientes muito cabe,
Mais em particular o experto sabe.
152

Mas eu que falo,
humilde
,
baxo
e
rudo
,
De vós nao conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo,
Que o louvor sai às vezes acabado.
Nem me falta na vida
honesto estudo
,
Com
longa experiência
misturado,
Nem
engenho
, que aqui vereis presente,
Causas que juntas se acham raramente.
154

Ou fazendo que, mais que a de Medusa,
A vista vossa tema o monte Atlante,
Ou rompendo nos campos de Ampelusa
Os muros de Marrocos e Trudante,
A minha já estimada e leda Musia
Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiloes ter enveja.
148

Favorecei-os
logo, e
alegrai-os
Com a presença e leda humanidade;
De rigorosas leis
desalivai-os
,
Que assi se abre o caminho à santidade.
Os mais experimentados
levantai-os
,
Se, com a experiência, têm bondade
Pera vosso conselho, pois que sabem
O como, o quando e onde as cousas cabem.
Todos favorecei em seus ofícios,
Segundo têm das vidas o talento;
Tenham Religiosos exercícios
De rogarem, por vosso regimento,
Com jejuns, disciplina, pelos vícios
Comuns; toda ambição terão por vento
Que o bom Religioso verdadeiro
Glória vã n
ão pretende nem dinheiro
.
151

«Em "Os Lusíadas", nas considerações do poeta, por diversas vezes, somos confrontados com o ideal do homem renascentista, que Camões, indubitavelmente, defendia.»
O homem renascentista é aquele que é culto, erudito, letrado, mas ao mesmo, muito experiente. Camões apresenta-se ao rei sendo poeta, contudo não só tem saber libresco como também experiência, experiência esta adquirida através de expedições militares em que participou. Camões considera-se um verdadeiro homem renascentista (" Nem me falta na vida honesto estudo/ Com longa experiência, misturado") e como tal ao longo da sua obra faz várias vezes referência a este homem ideal.
Pretende assim, ser aceite e reconhecido pelo rei como sendo um homem "de quem virtude pode ser prezada".
Relacione o conteúdo das estrofes da refelxão final do Canto I com o conteúdo das estâncias deste Canto.

Da reflexão final do Conto I podemos concluir que Camões se refere apropósito das emboscadas preparadas aos portugueses. O poeta reflete sobre a insegurança da vida humana e a sua fragilidade face aos pengos que continuadamente a ameaçam. Tais reflexões provocam-lhe sentimentos de angústia e de desilusão mas igualmente de admiração de força do Homem, pois apesar de sermos " um bixo da terra tão pequena " conseguimos fazer feitos gloriosos. Já no Conto X, reparamos que Camões faz alusão a todas as adversidades pelas quais os portugueses passaram evidenciando a bravura deste povo. Ao mesmo tempo somos confrontados com vários conselhos que o poeta dá ao seu rei para que este consiga reencaminhar a pátria, para a glória.
Deste modo, tanto no final do Conto I , como no Conto X, existe um reconhecimento por parte do poeta das capacidades que caracterizam a essência para o Lusitano.
Compare os versos da estrofe 145 com a 1ª estrofe do poema "Nevoeiro" de "Mensagem".

Na 1ª estrofe do poema "Nevoeiro", Pessoa caracteriza o estado decadente de Portugal, é um estado que ( " Nem rei nem lei, nem paz nem guerra ") o definem, ou seja, o país está tão sem alma, sem rumo, que nenhum governante, nenhuma mudança pela força o poderá voltar a erguer verdadeiramente. Portugal é assim definido como um fulgor triste, um país pobre, sem esperança, entristecido. Podemos ver que apesar existir vida, essa vida é como "brilho sem luz e sem arder". Comparando a primeira estrofe desde poema com os versos da estrofe 145 podemos concluir que já na época de Camões o povo português se encontrava desanimado, desinteressado pelo saber, ganancioso e oportunista, tanto que Camões se recusava continuar a "cantar a sente surda e endurecida".
Existe assim, uma relação entre o século XVI (Camões) e o século XX (Pessoa), o mesmo se pode dizer tendo em conta o poema "Nevoeiro" da "Mensagem" e a estrofe 145 do Canto X d´"Os Lusíadas".
«Somos levados a perguntar se afinal de contas "Os Lusíadas" são um poema de satisfação e glória ou de deceção e de descrença.»
(Maria Vitalina Leal de Matos)
Analisando os quatro últimos versos da estrofe 145 podemos reparar que Camões critíca os contemporâneos da sua época pelo facto de se mostrarem ser um povo ganancioso, rude e sem cultura, o que faz com que este se sinta desmotivado para continuar a cantar.
Assim, no meio de um vasto rol de elogios também estão presentes críticas, que apesar de não serem dirigidas ao povo lusitano da época dos Descobrimentos, são dirigidas aos contemporâneos de Camões. Como diz Maria de Matos: "Somos levados a perguntar se, afinal de contas, "Os Lusíadas" são um poema de satisfação e glória ou de deceção e descrença".
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