Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Alguns Impérios Africanos da Antiguidade

No description
by

Julio do Carmo

on 2 December 2013

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Alguns Impérios Africanos da Antiguidade

Impérios Africanos da Antiguidade
Objetivos do trabalho
Nosso trabalho tem como objetivo realizar um apanhado geral sobre alguns dos principais impérios e povos que compuseram a África de séculos passados. Tendo isso definido, procuramos, a partir dele, identificar e criar uma percepção para o aluno que utilize essa ferramente de uma África plural e multi-identitária, e dar a ele ferramentas e alguns dados para identificar os diferentes povos que a compuseram
Esperamos que aproveitem!
Nosso objetivo principal nesse trabalho é cristalizar uma identidade de África plural e multicultural, explicando de maneira objetiva os Impérios africanos que o grupo considerou relevantes e quais foram suas trajetórias.
Nossa abordagem se deu da seguinte maneira:
Os três grandes Impérios do Sudão Ocidental: Ghana, Mali e Songhai
Os Haussás
Os Impérios florestais
Os reinos cristãos da África Oriental.
O reino de Ghana











Vamos falar de um dos grandes reinos mais antigos e ricos da África

"Nos três primeiros séculos de nossa era, o camelo espalha-se pelo Saara. Vai passando de uma tribo nômade a outra, desde os desertos que ladeiam o vale do Nilo até os litoriais atlânticos. Os que o adotam tornam-se senhores das vastas extensões de areia e pedra, e de escassas e rudes pastagens que as interrompem
(...)
A posse do dromedário alteraria completamente a vida dos Berberes¹

do deserto, permitindo que eles, de certa forma, o ocupassem. Deixava o Saara de ser uma espécie de terra de ninguém, para vêr-se apossado pelas tribos nômades que conheciam seus caminhos - marcado pela existência de poços d'água e de Oasis - e deles cuidavam, desde os litorais nortenhos até as praias do Sael. O deserto tornava-se, assim, um mar interior, um mar de aridez que, graças ao dromedário, podia ser percorrido pelo homem. A partir de então, ligaria também o mundo mediterrâneo ao país dos negros, em vez de apenas separá-lo.
É verdade que os Berberes continuaram a morar em tendas e a levar de estepe em estepe os seus rebanhos. Mas passaram a ter na pilhagem, na proteção das caravanas e no comércio novos meios de acumulação de riqueza."
(COSTA E SILVA - A enxada e a lança)
¹ Os berberes são um povo muito antigo do norte da África, principalmente da região denominada Magreb, são falantes de uma língua em comum e deles descendem o grupo muçulmano responsável pelas grandes conquistas que ocorreram no Norte da África, através do deserto, e na Península Ibérica.

O reino de Gana tem sua origem provavelmente em povos que se sedentarizaram na região e que praticavam a agricultura. Por ser uma região com condições geográficas mais propícias, os povos daquela região conseguiram se expandir e se unificar. O aumento da população e o desenvolvimento dos meios para se expandir sua influência possibilitou a formação do que é considerado o primeiro império comerciante e tributário da região do Sudão Ocidental.
O nome deriva do título que o rei deles possuia, o ghana - Senhor da Guerra, esse rei afirmava sua influência sobre as famílias e comunidades que viviam próxima dele, oferecendo proteção e reconhecimento àquelas famílias, sendo responsável também pela distribuição das minas de ouro e terras férteis para essas famílias minerarem e plantarem. Em troca, ele recolhia tributos sobre o que elas produziam. A lógica funcionava de maneira um pouco parecida com a dos Senhores Feudais da Europa, uma vez que as lideranças locais dos clãs não eram ignoradas pelo rei e eram reconhecidas e representadas frente a ele.
Porém, as fronteiras do mundo africano estavam se expandidndo. E o isolamento que o reino de Ghana possuia estava diminuindo como o trecho acima demonstrou. No século XI, a vinda de povos saqueadores do norte, os berberes, causou uma crise e talvez tenha acabado com a autonomia do ghana da região. O império tornou-se submisso à dinastia muçulmana que se expandia por todo o norte da África, através do Saara e pela Europa através da península ibérica. Os temidos Almorávidas dominaram Ghana e o submeteram ao seu poder e a religião muçulmana. O império continuou existindo, mas esse enfraquecimento tornou-o mais vulnerável a ataques de outros povos. O Ghana não era mais o importante centro político e comercial de outrora.

Impérios Abordados:
Kunbi Saleh - Capital do reino de Ghana
Imperio de Mali

De acordo com fontes orais, o Imperio de Mali começou a ser construido a partir da vitória de Sundiata sobre seu irmão,Sumanguru Kante, em 1235, quando Mali era reinado pela dinastia keita sob a suserania dos sossos. O mito de Sundiata atravessou os séculos nos relatos dos 'Griots', uma classe de pessoas especializada em cantar os feitos do Grande império do Mali. Esses homens cujo conhecimento é passado por gerações são uma fonte importantíssima para o estudo do que foram as sociedades antigas.

A economia no Império de Mali foi semelhante ao do Reino de Gana, isto é, funcionava em torno da tributação das aldeias africanas e do comércio internacional seja através dos escravos, do ouro e de outros produtos. Um ponto importante de se comentar é que além de manter acordos comerciais com o sul do Marrocos, prática já utilizada pelo Reino de Gana, o Imperio de Mali tambem realizou práticas comerciais com a Tripolânia ( atual região da Líbia ) e com o Egito. Aproveitando-se da já comentada rota transaariana, o Mali praticava um ostensivo comércio com o Norte da África.
Além de ser um grande polo econômico, o Mali também não ficava atrás em questões culturais e religiosas. A cidade de Timbuktu, uma das principais cidades do Império, foi um dos centros que divulgaram a religião muçulmana ao sul da África Ocidental. A cidade hoje é tombada como patrimônio da humanidade devido à importância incalculável que ela teve na história daquele continente.
O Império de Mali entrou em declínio a partir do início do século XV, onde o crescimento e fortalecimento do Império de Songai fez com que Mali fosse pressionado, sofrendo invasões e saques em seu território.

Quando os europeus (portugueses) chegaram na região, o território de Mali já estava bastante reduzido e com isso, os senhores do Império de Mali ofereceram troca com os lusos que consistia no apoio político e militar e na reconquista dos territórios perdidos por parte do Imperio de Mali.
No entanto, Mali já não contava com grandes poderes e territórios no final do século XVII.

A história de Sundiata é bastante popular e existe em diversas mídias: quadrinhos, ilustrações e até musicais existem sobre a história do mito de formação do grande Império do Mali.
As imponentes construções da cidade de Timbuktu atravessam os séculos.
O Daomé

O Reino de Daomé foi fundado no início do século XVII por Do Aklim e diferente do Reino de Oio, foi conhecido por ter um rei com poder absoluto e por ser um Estado centralizado , o que dificultou a escravização da população dessa região, criando-se algo parecido com uma identidade local entre seus habitantes. Com as conquistas de territórios como do Reino de Alada, em 1724, Savi (1727) e outros, o Daomé tornou-se um dos reinos que talvez tenha melhor se aproveitado da conjuntura do escravismo no mundo atlântico. Uma vez que era um povo guerreiro que submeteu diversos outros povos e escravizou muitos deles, e que manteve contato com europeus que formaram entrepostos comerciais que fervilhavam na troca de mercadorias por escravos na região.
Um ponto importante e que diverge dos outros Reinos é que Daomé além de contar com um forte exército munido de armas de fogo, fruto do contato com esses povos europeus, esse reino é conhecido também por ter mulheres guerreiras nas suas frentes. Através disso, a utilização na expansão das fronteiras e na organização da capturas de novos cativos era algo frequente em Daomé.
Um dos fatores que mostram o quanto o Daomé era um reino ativamente escravista, embora essa não fosse a única atividade que eles praticavam foi o seu declínio. Com o fim do comércio escravista, na segunda metade século XIX, o Daomé se enfraqueceu comercialmente. Acabando por ser conquistado pelos franceses na partilha da África.

Imperio de Songai (Gao)

O Imperio de Songai, assim como o Reino de Gana e o Imperio de Mali, tem informações escassas em torno de suas origens, sabe-se que esse foi o maior dos três impérios. De acordo com a tradição oral, na região de Kukia – atual afluente do Níger – populações songais eram divididas em sorkos, formado por pescadores e pelos gous, formado por caçadores. A lenda conta que os povos que viviam nessa região eram comandados por um chefe sacerdote (kanta) e amedrontados por um monstro marinho, até a chegada de um estrangeiro vindo do Iêmen que conseguiu matar o peixe e fundar a dinastia 'dia', que a partir de então passou a controlar a região.
A cidade de Gao foi a capital do Imperio de Songai pela importância comercial devido às rotas saarianas do Oriente. É importante frisar que a cidade era habitada pelos comerciantes islamizados, também um dos motivos pela conversão do Imperio de Songai à religião muçulmana.

Podemos dizer que o grande momento do Imperio de Songai ocorreu no final de século XV sob a dinastia áskia, onde um ex-general do soni Ali, chamado Mohammed, tomou o poder e além de conquistar territórios, dividiu o Imperio em quatro vice reinos, organizando um sistema regular de arrecadação de tributos, formar um exército regular formado por escravos e prisioneiros de Songai, entre outros feitos.

Entre os Reinos ou Imperio na região do Sudão Ocidental, Songai se diferenciou de Mali e do Reino do Gana por alguns pontos como a restrição ao território do povo Sarakolê (os outros imperios tinham etnias e povos mais complexos), o organização política e administrativa e por último podemos mencionar a formação de um exército profissional e o sistema de arrecadação de impostos sob os outros territórios.

O economia do Imperio de Songai tinha como base o comércio do ouro e de escravos.

Com a chegada dos europeus – mais precisamente os lusos - pelo controle do comércio e as tentativas de invasões sobre os seus territórios iniciaram a decadência do último Imperio do Sudão Ocidental, que teve o seu fim no ano de 1591 na batalha de Tondibi, onde o Marrocos lançou expedições para a conquista do Império de Songai para dominar o comércio do ouro e de escravos ( principais bases da economia, como dito anteriormente) e contando com a ineficácia estratégica do então imperador de Songai, o áskia Ishaq II, venceu a guerra.

Os limites do Império do Songai no seu apogeu.
Zulu: os pastores guerreiros

O povo nguni, falante de uma língua própria e de uma antiga tradição de pastores ocupou o território do que hoje é a África do Sul a bastante tempo. Esse povo de diferentes tribos e de vários chefes distintos levava uma vida de relativo pacifismo e resolviam suas disputas através de guerras que não eram levadas até os últimos homens. Como aconteciam nas sociedades mais antigas, o resultado das guerras não era mortandade e sim o deslocamento dos perdedores para uma área nova e mais pobre do que eles abandonavam. As terras na região inicialmente eram extensas e desocupadas, mas é claro que isso chega a um limite, ainda mais quando falamos de comunidades pastoras, as quais necessitam de grandes extensões de território para criar seu gado.

O trecho abaixo explica bem a situação da região antes da expansão zulu:
"Os rebanhos pelos quais os nguni mediam sua riqueza tinham crescido demais para a quantidade de pastagem "doce" existente. A oeste erguia-se a imensa barreira de Drakensberg, em cujas proximidades havia pastagens "amargas" inadeequadas para uma economia pastoril. Ao Norte o cinturão da mosca tsé-tsé¹ sobre o rio Limpopo impedia a expansão naquela direção. A introdução do milho, trazido da América no século XVI, levara a um aumento da população dos ngunis do Sul, ainda mais ao sul, os bôeres² da Cidade do Cabo bloqueavam, com armas de fogo (...) qualquer oportunidade de avanças naquela direção. A leste estava o mar."
(KEEGAN - Sobre a Guerra)

Em uma pequena aldeia nguni, na tribo dos zulu, ascendeu como chefe Shaka, que institucionalizou mudanças na sua tribo: criou um exército permanente, aumentou os tributos cobrados na sua tribo (gado, produtos agrícolas e caça principalmente) e desenvolveu táticas de guerra que submeteu inúmeras tribos da região ao seu poder. Sua tática consistia em dividir o seu exército em duas linhas, enquanto uma linha combatia os inimigos frente a frente, uma segunda deslocava-se para o outro lado com o objetivo de flanquear o inimigo e atingir sua guarnição onde as suas defesas eram mais fracas. Shaka submeteu toda a região ao seu poder, e fez frente ao próprio império britânico quando esse se expandia pela região sul do continente no século XIX. O império zulu durou algum tempo nos seus costumes militares após a morte de Shaka, porém essa tradição acabou por se perder quando o império se enfraqueceu frente as mudanças que aconteceram posteriormente.

"A ascensão do reino zulu teve repercussões da fronteira colonial do Cabo até o lago Tanganica. Todas as comunidades de aproximadamente um quinto do continente africano foram profundamente afetadas e muitas foram completamente desintegradas"
(KEEGAN)

¹ Principal vetor da doença do sono. Uma doença mortal tanto para homens quanto para o rebanho
² Bôeres são os descendentes de holandeses que ocuparam a região da África nos séculos XVII e XVIII

Shaka Zulu, interpretado por Henry Cele na série de mesmo nome.
GHANA
MALI
SONGHAI
ZULU
Tombuctu: a cidade dos livros
DAOMÉ
Amazonas do Daomé: pintura sobre foto do século XIX
REINO DO CONGO
Kongo

Os relatos contam que em 1483 Diogo Cão, um navegante portugues navegou pela foz do Rio Zaire e encontrou no interior do continente um reino fortemente estruturado, e comercialmente fervilhante, esse era o reino do Kongo

As pesquisas apontam que este foi formado quando o chefe kokongo Ntinu-wene, vindo do norte, conquistou terras localizadas perto do Rio Zaire. Cabe ressaltar que Ntinu acabou se tornando “manikongo”, título do governante supremo do kongo, por um casamento com uma nobre provinda de uma família dos detentores da terra. Assim, os seguintes manikongos aumentaram o território do reino lançando mão de conquistas e alianças matrimoniais. (estendendo o poder às províncias de mpemba, nsundi, mbamba, soyo, mbata e mpangu, além dos reinos tributários de mtamba e okongo.)

Do ponto de vista político-social o manikongo era a autoridade máxima do reino e o responsável por nomear os governadores das províncias que, por sua vez, nomeavam os chefes dos distritos. Além disso, o chefe maior tinha um caráter sacro, era detentor de diversos monopólios comerciais, e quando a questão era sucessão política, esta não seguia um padrão hereditário direto, já que todos os descendentes masculinos do fundador do reino estariam aptos para se tornarem um manikongo.

Do lado econômico, podemos perceber que a agricultura era a base. Muito embora a região não seja exatamente muito fértil, a agricultura conseguiu desenvolver técnicas e praticas complexas que permitiam tirar o máximo proveito da terra. Eram plantados, basicamente, culturas cerealísticas. (além de, obviamente, outros vegetais só que o texto não especifica).

Mas, nem só de agricultura vivia a o reino do Kongo. Também existia um comércio movimentado de ferro e sal, principalmente. E aqui cabe ressaltar que a cidade Mbanza Kongo, a capital, tinha um papel chave, pois de lá saiam as caravanas que estavam envolvidas neste comércio. Outras atividades importantes eram a coleta, caça e pesca, que complementavam a agricultura, e a atividade dos artesãos.

Ou seja, com toda essa caracterização podemos tirar aquela imagem de aldeia, e podemos começar a construir uma imagem de sociedade complexa, com questões, políticas, sociais e econômicas próprias. Contudo, a partir deste ponto ele começa a tratar do tráfico escravo e, mesmo apontando a importância deste para os próprios africanos, trata o tema como uma divisão entre o “o reino antes e o reino depois” do tráfico, mostra a mudança social, política e econômica do Kongo, o declínio do Reino. Importante a se ressaltar é a evangelização dos manikongos como forma vista por estes para conseguir obter uma boa relação com os portugueses. (não sei se vale a pena usar essa parte.) Enfim, o primeiro governante cristão foi Afonso (1505 – 1543) filho de Afonso I que se converteu mas depois voltou à religião original.


Bakongos e portugueses
Ilustração de Ntinu-Wene
Reino de Oio:

A cidade de Oio teria sido fundada no início do sec XIII e as suas origens ainda não são concretas, possuindo duas versões:

A primeira, segundo as tradições orais, afirmam que Oio foi fundada pelo filho e sucessor do Deus rei Odudua, chamada Oraian. Já a segunda diz que o mesmo, derrotado em uma guerra entre os nupes, teria se dirigido para o oeste e fundado a cidade com a ajuda de um rei do mesmo povo.

A grande força do Reino de Oio veio da força militar, possuindo os iorubás a frente da aristocracia militar com os monopólios bélicos e da cavalaria, tanto que no apogeu do Reino, essa aristocracia se dedicava na obtenção de cativos.

Apesar do poder vir através do chamado alafin, este não tinha plenos poderes, pois havia um conselho (oio missi), que tinha como função a votação de paz e de guerras, a supervisão da justiça e o direito de eleger ou destituir o alafin.

A economia de Oio se baseava nas produções agrícola, artesanal e como a grande maioria dos reinos florestais da região do Golfo do Benin, no comércio de escravos. Com o desenvolvimento do comércio escravocrata, o Reino teve que se reorganizar em função dessa prática, ocorrendo um decréscimo na agricultura e no artesanato de Oio. À medida que o Reino desenvolvia essas práticas escravizadoras, houve a organização de um exército profissional dedicado à captura, transporte e à comercialização desses cativos.

O reino de Oio não era centralizado, tendo suas províncias e periferias certa autonomia mesmo com o pagamento de tributos. Com essa independência, os territórios poderiam participar diretamente no comércio de escravos e de produtos, fazendo com que o Reino perdesse poder e fazendo com que na segunda década do século XIX, cidades tributárias como Benin e IIlorin se tornam independentes e arruinando Oio, que deixou de existir.

OYO
A rica mitologia Iorubá povoa o Candomblé e a Umbanda, religiões praticadas no Brasil
1
2
3
4
3
Um esquema bastante simplificado da tática de guerra desenvolvida por Shaka na conquista das tribos nguni, conhecida como "Chifres de Búfalo":
o 1 e o 2 representam o corpo do exército Zulu, o 3 representa os exércitos que se deslocam contra a parte mais fraca da defesa inimiga, e o 4 representa o exército inimigo
Reino do Ndongo (Angola)

O Reino de Ndongo foi fundado no início do séc. XVI e tinha como governante máximo o “Ngola”. Estes, possivelmente, tomando proveito da sua ligação com ferro, comandavam os sobas (chefes locais) próximos, ocupando as terras entre os rios Dande, Lucala e Cuaza. No início estavam em uma relação de tributário do reino do Kongo, mas logo em 1556, o ngola Iene, com a ajuda de alguns portugueses, conseguiu tornar seu reino independente.

Até onde se conhece, Ndong era um reino com uma estrutura política econômica similar com o Kongo. Por outro lado, um contato com os portugueses mais prematuro mudou alguns rumos na história desse reino.

O chefe político de ngola pretendia negociar produtos que os colonizadores portugueses descrevem em seu relato como “produtos imprescindíveis aos chefes políticos que quisessem manter o seu poder” imagina-se que isso sejam armamentos e mercadorias atrativas aos povos da região. Outra característica interessante é que as feitorias (fortalezas) portuguesas colidiram com os ínteresses do Ndongo muito cedo, principalmente em disputas por territórios e em ínteresses do governante local. É mencionada em relatos de colonizadores uma aliança entre o reino de Mtamba e o Ndongo contra os portugueses, em 1590.

Uma governante Ndongo da época é até hoje um dos heróis nacionais do país Angola. A Rainha Zinga, Nzinga Mbumdi, que foi uma importante governante africana que impressionou e incomodou os portugueses por sua capacidade e inflexibilidade nas negociações entre Ndongo e lusitanos, tendo se convertido ao catolicismo para estreitar as relações com aqueles europeus, ela desempenhou um papel importantíssimo na afirmação do Ndongo como um importante reino do século XVI.

Rainha Nzinga, uma hábil governante do seu povo e uma dor de cabeça para os colonizadores portugueses.
NDONGO (Angola)
Os Haussas

A origem dos Haussa é incerta, repleta de mistérios e histórias fantásticas. Alguns acreditam que os Haussa foram originariamente árabes de Bagdá, no Iraque, como diz a lenda Bayajida. Segundo a lenda, o príncipe Bayajida de Bagdá parte rumo ao oeste, em direção ao Kanem-Bornu. Ali, o mai( rei) deu-lhe a mão de sua filha, mas privou-o da escolta. Com medo do mai, Bayajida fugiu para oeste, chegando a uma cidade cujos habitantes eram impedidos de alcançar a água por uma serpente chamada sarki (chefe). Com sua espada, o príncipe matou a serpente e como recompensa, Daura, a rainha local, casou-se com ele e também deu-lhe uma concubina gwari.
Do casamento com Daura, nasceu-lhe um filho chamado Bawogari, a concubina deu-lhe outro menino, que foi denominado Karbogari (conquistador de cidades). A cidade passou a se chamar Daura. Bawogari, que sucedeu ao pai, teve seis filhos, três pares de gêmeos, que se tornaram chefes de Kano e Daura, Gobir e Zazzau (Zegzeg ou Zaria), Katsina e Rano; juntamente com Biram, governado pelo filho que Bayajida teve com a princesa de Bornu, estes Estados formaram os hawsa bakwai, os sete (Estados) haussa.
A organização social e econômica dos Haussa era muito particular. A sociedade era profundamente urbanizada e a vida econômica estruturava-se em torno das cidades, em geral fortificadas. A atividade comercial nas cidades eram intensas, nelas moravam os comerciantes, os letrados islamizados, artesãos e camponeses.
Devido ao grande comércio com os povos vizinhos, o islamismo difundiu-se nas cidades Haussas, possibilitando as então pequenas cidades a tornar-se ricas cidades-estados. No entanto, o islã praticado nessa região mesclava-se com os cultos africanos locais, diferente do que acontecia nas terras do profeta.
O apogeu do Império Haussa aconteceu com a decadência do império do Songai. A insegurança das rotas comerciais do Ocidente evidenciaram os caminhos pelo Oriente. O que tornou possível as cidades de Kano e Katsena, substituírem Gao e Tombuctu como terminais das caravanas transaarianas.
A nova importância assumida pelos caminhos orientais fortaleceu o tráfico de cativos nas terras haussas que abasteciam os mercados do norte da África. Fortaleceu, também, a produção artesanal, principalmente os panos de algodão, tingidos com índigo e bordados com seda e o artesanato em couro, principalmente, sandálias, eram extremamente apreciados no Norte da África.

O príncipe Bayajida mata a serpente Sarki. Um dos mitos da formação do Império Haussa.
HAUSSA
A Etiópia

A história da Etiópia, até é considerada, com base nos estudos feitos até hoje em arqueologia e história como uma das mais antigas do mundo. Muitas pessoas acreditam que o homo sapiens tenha se originado nessa região. E o país da Etiópia é um dos países que tem mais locais tombados pela UNESCO como patrimônios da humanidade no mundo. Para se ter uma idéia, o reino de Axum, que é um dos principais reinos da região na antiguidade, remonta suas origens ao reino do Sabá, na Península Arábica, que é descrito na Bíblia!
A história da Etiópia dialoga bastante com o mundo antigo ocidental. Desde aproximadamente o século IV a.C, muito embora os historiadores gregos usassem a palavra "etiópia" para grafar todos os países de população negra.
Essa região banhada pelo Oceano Índico sempre manteve um intenso comércio com o extremo oriente, por isso, estudos arqueológicos acharam desde contas de vidro da Índia até porcelanas chinesas em escavações e construções nessa região.
Fontes gregas mencionam o reino de Axum, que compôs a Etiópia antiga um rico e próspero reino. O porto de Adúlis, era dito ser o mais próspero e fervilhante da África no século I d.C.
Falando da história mais recente da região, no século XVI eles formaram uma aliança com navegantes portugueses, que fez surgir acordos comerciais importantes entre os dois reinos. A Etiópia tornou-se oficialmente católica, muito embora, pela sua origem bastante antiga, várias religiões fossem praticadas lá.


Moedas de ouro do Reino de Axum, provavelmente dos séculos III e IV.
Ruínas na região do que teria sido o porto de Adúlis
A cultura Rastafári, tão difundida nos dias de hoje através do Caribe por ícones da música como Bob Marley, tem sua religião baseada em apropriações do catolicismo na Etiópia...
ETIÓPIA
Segundo os Rastafári, Hailê Selassiê, Imperador da Etiópia no começo do século XX seria a encarnação de Jah (o Javé mencionado na Bíblia) na terra. A religião conquistou adeptos principalmente nas regiões de população negra no mundo.
Reino do Benin.

O Reino do Benin, localizava-se a leste do Níger, rodeado florestas densas e de difícil acesso. Muitas histórias relatam a origem desse reino, lendas contadas de geração em geração, segundo uma versão: Oraian, filho do deus-rei dos iorubás teria se casado com uma mulher da tribo dos edos, e seu filho teria dado inicio a dinastia dirigente do Benin.

A capital do Benin levava o nome do reino e foi fundada no século XII, tendo um importante atividade o artesanato. Trabalhava-se com perfeição com madeira, marfim e tecidos, além da grande produção de artefatos em terracota e bronze. As tradições artísticas de Benin era mais recente e profundamente influenciadas pela tradição iorubá. O cobre era um dos principais produtos que obtinham no comércio do Níger. A cola guineense era tradicionalmente trocada pelo cobre e o algodão sudanês.

Quando os portugueses entram em contato com Benin, por volta de 1480, o reino se encontrava em plena expansão. Benin vivia em intermináveis guerras em seu processo de expansão. Nos últimos anos do século XV, uma expedição portuguesa foi à capital do reino para estabelecer os primeiros contatos com Evaré, o Grande, o Oba em exercício. O Oba recebeu os portugueses de braços abertos, estabelecendo um comércio que envolvia escravos, pimentas, vestimentas e marfim. Contudo, diferentemente do Kongo, não converteram-se ao cristianismo.

Artesanato em marfim do reino do Benin, século XVI
(Metropolitan Museum of Art)
BENIN
Full transcript