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Jantar na Casa do Conde de Gouvarinho

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Tiago Arcanjo

on 29 April 2014

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Transcript of Jantar na Casa do Conde de Gouvarinho

Jantar na Casa do Conde de Gouvarinho
Maias, Eça de Queiros
Trabalho elaborado por:
João Rocha
Tiago Arcanjo
Personagens
Carlos da Maia
Maria Eduarda
João da Ega
Conde de Gouvarinho
Condessa de Gouvarinho
Sousa Neto
Temas e asuntos discutidos/ criticados
A educação das mulheres;
A falta de cultura dos homens que ocupam cargos políticos;
O deslumbramento pelo estrangeiro.
Marcas da prosa Queirosiana
A linguagem do romance ilustra o quanto a linguagem literária de Eça foi profundamente inovadora para a literatura portuguesa, tanto pelo impressionismo das descrições, como pelo realismo presente nos diálogos. Com efeito, Eça de Queirós, através da narração, da descrição, do diálogo e do monólogo, apropria-se da linguagem de forma inovadora, atribuindo-lhe novos valores estéticos e literários;
Hipálage:
"A condessa, um pouco corada, estendeu a Carlos a
mão amuada
(...)"
Uso expressivo do adjectivo:
" retratos de damas, da família dos Gouvarinhos, empoadas e sorumbáticas."
Uso expressivo do advérbio: “
Falou de ti constantemente, irresistivelmente, imoderadamente
!”
Uso do gerúndio:"
Que eu creio que ela vai prosperando...
"
“ Uso do diminutivo com valor pejorativo: “
(…) cumpria recolher a uma companhia de cavalinhos(…)

Uso de empréstimos (galicismos e anglicismos): “
High Life”;”dead-beat”;”handicap”;”gentleman”(anglicismos) – ;“jambom aux épinards “;”coupé”;”couté”;”cache-nez
”(glacicismos)
Discurso indirecto livre: “
Carlos encolheu os ombros. Como podia ela acreditar no Dâmaso?

Marcas de Oralidade: "fez-me o efeito de haver um cabrão na cidade"
Resumo do Capitulo XII
Este episódio do jantar na casa dos condes de Gouvarinho, relaciona-se com o título da obra. “ Os Maias”, que nos remete para a história de uma família ao longo de três gerações. Então verifica-se a relação do capítulo com a intriga principal, na declaração de Carlos da Maia a Maria Eduarda, ou seja, no desfecho do incesto (inconsciente).
É também a relação incestuosa entre Carlos da Maia e Maria Eduarda, que se vai consumar um desenvolvimento a par da crónica de costumes, de forma a “ integrar” ambos na sociedade portuguesa.
Ega regressa de Celorico, e instala-se no Hotel Espanhol mas sem desfazer a mala, vai ao Ramalhete para visitar Carlos da Maia, a fim de lhe pedir um quarto no Ramalhete, que Carlos prontamente lho concede. Ega informa o seu amigo de que se encontrara com o conde de Gouvarinho e de que este os convidara para jantar na próxima segunda-feira. Ao jantar, a Gouvarinho não consegue esconder de Carlos da Maia que tem conhecimento da sua proximidade com Maria Eduarda. O clima tenso que antes se vivia na casa do conde de Gouvarinho, com o decorrer do jantar vai suavizando-se, devido aos ditos irreverentes que Ega enunciava. A justificação de um mal-estar de Charlie, filho dos Condes de Gouvarinho, a condessa pede a Carlos que a a acompanhe ao interior da casa e aí, beija-o, numa tentativa de reconciliação, combinando um encontro na casa da “titi”.
Na terça-feira, depois desse encontro escaldante com a Gouvarinho na casa da “titi”, Carlos chega atrasado à casa de Maria Eduarda. A meio de uma conversa, Domingos, o criado, anuncia a presença de Dâmaso, mas Maria fala a Carlos sobre uma possível mudança de casa e ele pensa logo em falar-lhe na casa do Craft, decidindo comprá-la. Carlos deixa fugir a ideia de que de que a adora e, e após uma troca de olhares, beijam-se. Na quarta-feira, Carlos concluiu o negócio da casa com Craft. Maria Eduarda fica um pouco reticente com aquela pressa que Carlos tinha, mas mesmo assim acaba por concordar, e tudo fica harmonizado com um beijo.
Carlos que possui alguns segredos, faz com que Ega se sinta magoado, mas Carlos acaba por lhe confessar que se apaixonou e se envolveu com Maria Eduarda. Ao tomar conhecimento destes segredos de Carlos da Maia, Ega fica a perceber que não se trata de mais uma paixão passageira, mas sim de um “grande amor (…), absorvente, eterno, e para bem e para mal, tornando-se daí por diante, e para sempre, o seu irreparável destino”.

A educação das mulheres:
No jantar na casa dos condes de Gouvarinho, muitos são os temas que são discutidos ao jantar. Este Jantar vai ser marcado por um ambiente de ociosidade e futilidade da alta burguesia e aristocracia lisboeta; Nos diálogos que ocorreram durante este jantar é apresentado uma visão crítica relativamente à mediocridade, ignorância e superficialidade da elite social lisboeta, da segunda metade do século XIX, e à incapacidade da classe política dirigente, em particular. Onde quem se sobressai é João da Ega que de forma impiedosa, cruel, desumana, insensível, mordaz. João da Ega despreza as capacidades das mulheres, “(…) porque o dever da mulher era primeiro ser bela, e depois ser estúpida (…)” (página:403)
No jantar podemos apreciar duas concepções opostas sobre a educação das mulheres: salienta-se o facto de ser conveniente que "uma senhora seja prendada, ainda que as suas capacidades não devam permitir que ela saiba discutir, com um homem, assuntos de carácter intlectual".
A mulher só devia ter duas prendas: cozinhar bem e amar bem.” (página:404); Verifica-se que este tema leva à discórdia entre os elementos masculinos do jantar. Esta falta de abertura à possibilidade de as mulheres possuírem um grau de instrução mais elevado, que lhes conceda capacidades para falar sobre literatura, ou sobre uma revista, é mal vista pela maioria da sociedade, que descrimina ainda as mulheres, não lhe concedendo os mesmos direitos que concede aos homens.

A falta de cultura dos homens que ocupam cargos políticos:

O atraso intelectual e a falta de cultura dos indivíduos que possuem cargos que os inserem na esfera social do poder, e consequentemente do país; Verifica-se uma clara falta de cultura e de capacidade quer intelectual quer de liderança por parte dos homens que ocupam cargos políticos no país.” E foi então que Carlos percebeu que ela era a esposa de Sousa Neto, e que se tratava de um filho deles, filho único, despachado segundo-secretário para a Legação de São Petersburgo (…) É um horror de estupidez… Nem francês sabe! (…) Que a quantidade de monos, de sensaborões e de tolos que nos representam, lá fora, até nos faz chorar…” (página:402)
O conde de Gouvarinho já tinha passado por vários ministérios; Sousa Neto era oficial superior da Instituição Púbica, mas nunca tinha ouvido falar de Proudhon e punha em causa a existência de “literatura amena” em Inglaterra.

O deslumbramento pelo estrangeiro:

O deslumbramento pelo estrangeiro – Sousa Neto manifesta a sua curiosidade em relação aos países estrangeiros, interrogando Carlos, o que revela o aprisionamento cultural de Sousa Neto, confinado ás terras portuguesas. “ País de grande prosperidade, a Holanda! Em nada inferior ao nosso país (..) Já conheci mesmo um holandês que era excessivamente instruído…” (página.396)


Carlos da Maia era culto, bem-educado, de gostos requintados. Ao contrário do seu pai, é fruto de uma educação à Inglesa. É corajoso e frontal. Amigo do seu amigo e generoso. Destaca-se na sua personalidade o cosmopolitismo, a sensualidade, o gosto pelo luxo, e diletantismo (incapacidade de se fixar num projecto sério).
Todavia, apesar da educação, Carlos fracassou. Não foi devido a esta mas falhou, em parte, por causa do meio onde se instalou – uma sociedade parasita, ociosa, fútil e sem estímulos e também devido a aspectos hereditários – a fraqueza e a cobardia do pai, o egoísmo, o futilidade e o espírito boémio da mãe. Eça quis personificar em Carlos a idade da sua juventude, a que fez a questão Coimbrã e as Conferências do Casino e que acabou no grupo dos Vencidos da Vida, de que Carlos é um bom exemplo.

Carlos da Maia
Retrato Físico
Estatura alta;
Bem constituído;
Ombros largos;
Olhos negros;
Pele branca;
Cabelos negros e ondulados;
Barba fina, castanha escura, pequena na face e aguçada no queixo.
Traços psicológicos
Culto e bem educado;
. Gostos requintados;
. Corajoso e frontal;
. Amigo e generoso;
. Cosmopolita;
. Sensual;
. Diletante;
. Vítima da hereditariedade: gosto exagerado pelo luxo (mãe) e tendência para o sentimentalismo (pai).

Maria Eduarda
João da Ega
Conde de Gouvarinho

Condessa de Gouvarinho
Sousa Neto
Maria Eduarda
Ignorando a sua verdadeira identidade, entra na sociedade lisboeta pela mão de Castro Gomes, com quem partilhava a sua vida, havia três anos. É em Lisboa que se dá o infortunado encontro com Carlos que consuma a desgraça predita por Vilaça, quando Afonso resolve habitar de novo o Ramalhete, ignorando as suas lendas e agouros. A súbita revelação da verdadeira identidade da sua deusa vai provocar em Carlos estupefacção e compaixão, posteriormente o incesto consciente. A sua caracterização é feita através do contraste entre si e as outras personagens femininas, e ao mesmo tempo, chega-nos através do ponto de vista de Carlos da Maia, para quem tudo o que viesse de Maria Eduarda era perfeito.

Retrato Físico
Estatura alta;
Cabelos Loiros;
Pele branca;
Mulher bem feita;
Sensual mas delicada;
Simples.

Traços Psicológicos
Traços psicológicos:
Requintada;
Culta;
Dignidade;
Sensatez e equilíbrio;
Generosidade;
Forte consciência moral e social;
Ideologia progressiva e pragmática.
Condessa de Gouvarinho
É uma mulher fútil que despreza o marido pelo seu fraco poder económico e desenvolve uma paixão por Carlos (até este se enfastiar e resolver abandoná-la). É uma personagem-tipo, simbolizando as mulheres adúlteras. É uma aristocrata que corporiza a decadência moral e a ausência de escala de valores da alta sociedade.

Retrato Físico
Olhos escuros e finos;
Cabelos crespos e ruivos;
Nariz petulante e boca larga;
Pele clara, fina e doce;
Bem feita.

Traços psicológicos
Fútil;
Adultera;
Imoral;
Sem escrúpulos;
Sensual;
Provocante.

Objectos do espaço social
O jantar na casa dos condes de Gouvarinho, foi oferecido a Carlos da Maia pelo conde (marido da Gouvarinho , amante de Carlos) aparece num momento em que Carlos, já desinteressado da condessa, passa grande parte das manhãs na Rua de S. Francisco, em casa de Maria Eduarda.
A condessa, durante o jantar, toca múltiplos assuntos, mas destaca-se os seguintes aspectos:
. a “estreiteza” de pontos de vista do Conde de Gouvarinho –“ E era esta a vantagem de Lisboa, disse logo o conde, o conhecerem-se todos de reputação, o poder ter assim uma apreciação mais justa dos caracteres. Em Paris, por exemplo, era impossível; por isso havia tanta imoralidade, tanta relaxação …” , “- País de grande prosperidade, a Holanda!... Em nada inferior ao nosso … Já conheci mesmo um holandês que era excessivamente instruído…” - ; “ (…) Mas temos grandes glórias; o infante D. Henrique é de primeira ordem; e a tomada de Ormuz é um primor … (…) não há hoje colónias nem mais susceptíveis de riqueza, nem mais crentes no progresso , nem mais liberais que as nossas!” –
. a ignorância e a falta de inteligência de Sousa Neto – diálogo com Ega sobre as supostas teorias de Proudhon sobre o amor e sobre a literatura em Inglaterra: “ – Encontra-se por lá, em Inglaterra, desta literatura amena, como entre nós, folhetinistas, poetas de pulso?...” ; a incompetência dos políticos – O conde de Gouvarinho já tinha passado por vários ministérios; Sousa Neto era oficial superior da Instituição Pública, mas nunca tinha ouvido falar de Proudhon e punha em causa a existência de “literatura amena” em Inglaterra.

Amigo inseparável de Carlos da Maia. É o responsável pela apresentação de Carlos à sociedade lisboeta (através do jantar que organiza no Hotel Central) e tem, também, um papel fundamental na intriga principal, visto que é ele a que Guimarães entrega o cofre com a verdade. Tal como Carlos, é um dândi e um diletante, sendo, no entanto, muito mais exuberante e excêntrico. Desenvolve uma paixão avassaladora com Raquel Cohen, que termina com a sua expulsão de casa da amante, pelo seu marido.
Retrato físico:
Magro;
Pescoço esganiçado;
Tinha um monóculo;
Bigode arrebitado;
Nariz adunco.
Sousa Neto
É deputado, representa os altos funcionários públicos, ou seja é representante da Administração Pública. É um homem ignorante, desconhece o sociólogo Proudhon, defende a imitação do estrangeiro, acompanha as conversas sem intervir, acatando todas as opiniões alheias, mesmo que absurdas. É uma personagem-tipo da burocracia, tacanhez intelectual e ineficácia da Administração.

Conde de Gouvarinho conhecido como um político incompetente, retrógrado no entanto com poder, era ministro e par do reino e representa a incompetência política (essencialmente dos altos cargos). Tem lapsos de memória e revela uma enorme falta de cultura, e não compreende a ironia sarcástica de Ega.
Casou com a filha de um comerciante rico do Porto, aliando o seu título ao dinheiro dela, pelo que é um casamento de conveniência.

Retrato físico:
-Tinha um bigode encerrado e uma pêra curta;
Traços psicológicos :
Vaidoso;
Ignorante;
Incompetente;
Maçador;
Fútil.
Traços psicológicos:
Intelectual;
Irreverente;
Revolucionário;
Boémio;
Excêntrico e exagerado;
Provocador;
Sarcástico;
Crítico.
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