Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Memorial do Convento

No description
by

Ana Fernandes

on 28 March 2014

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Memorial do Convento


José de Sousa Saramago (1922 - 2010) foi um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português galardoado com o Nobel da Literatura em 1988. Ganhou também, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.
O escritor, escreveu diversas obras: romances, contos infantis, viagens entre outros.
A obra mais estudado e discutida dos romances de Saramago foi
«Memorial do convento.»
«Memorial do convento»
é conhecido internacionalmente e publicado pela primeira vez em Outubro de 19821 .
A ação decorre no início do século XVIII, durante o reinado de D. João V e da Inquisição. Este rei absolutista, graças à grande quantidade de ouro e de diamantes vindos do Brasil Colónia, mandou construir o magnânimo Palácio Nacional de Mafra, mais conhecido por convento, em resultado de uma promessa que fez para garantir a sucessão do trono.
Memorial do convento
Conclusão
José Saramago
José Saramago
Memorial do Convento
Introdução
Vida e obra
José de Sousa Saramago,
filho e neto de camponeses, nasceu na Azinhaga, aldeia ribatejana (Golegã), em 16 de novembro de 1922.


Em Lisboa, fez estudos secundários (liceal e técnico) que, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir, compensando o facto com a sua condição de assíduo leitor da Biblioteca do Palácio das Galveias, atividade a que dedicava as horas pós-laborais.


O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico nas oficinas do Hospital Civil de Lisboa, em cujos serviços administrativos viria, mais tarde, a ocupar um cargo.
Entre as diversas atividades profissionais que exerceu, contam-se as de desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor e jornalista.

Foi nomeado diretor-adjunto do jornal Diário de Notícias, vindo a ser destituído do cargo na sequência do 25 de novembro.

Na situação de desemprego, toma uma das mais importantes decisões da sua vida: dedicar-se exclusivamente à escrita, passando a viver, a partir de 1976, exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor.

Webgrafia
Ana Carolina Fernandes Nº20 12ºE
http://faroldasletras.no.sapo.pt/autor.html

http://www.infopedia.pt/$jose-saramago;jsessionid=S7mLhFIScApW0Nwp-nPD2w

http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=58

http://pensador.uol.com.br/autor/jose_saramago/biografia/

http://www.slideshare.net/12anogolega/captulo-iimemorial-do-convento


Casou com Pilar del Río.

Em fevereiro de 1993 decidiu repartir o seu tempo entre a sua residência habitual em Lisboa e a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha).
Em 1998 foi-lhe atribuído o
Prémio Nobel de Literatura.
Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.

José Saramago faleceu em 18 de junho de 2010.
Ficando apenas as pessoas que disseram:
«Não há palavras, Saramago levou-as todas».

Como crítico literário, colaborou na revista Seara Nova, pertencendo, entre 1972 e 1973, ao corpo redatorial do jornal Diário de Lisboa.

Fez parte da primeira direção da Associação Portuguesa de Escritores, tendo sido, de 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores.
Iniciou sua atividade literária em 1947, com o romance
«Terra do Pecado»
, só voltando a publicar (um livro de poemas) em 1966.



O escritor, José de Sousa Saramago, é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional.
Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento.

Na obra referida neste trabalho, «
Memorial do Convento»
, o romance histórico convive e entretece-se com o universo mágico criado pela ficção.
Romance histórico .Oferece uma minuciosa descrição da sociedade portuguesa do início do século XVIII.
A história, torna-se matéria simbólica para refletir sobre o presente, na perspetiva da denúncia, e dela extrair uma moralidade que sirva de lição para o futuro.
As personagens servem a própria intenção do autor na necessidade de repensar os acontecimentos e as figuras históricas à luz de uma nova realidade criada no presente e pressentida no futuro.



A carreira de Saramago foi acompanhada de diversas polémicas. As suas opiniões pessoais sobre religião ou sobre a luta internacional contra o terrorismo são muito discutidas e algumas resultam mesmo em acusações de diversos quadrantes.
Obras publicadas de José Saramago
Romances
Contos
Crónicas
Livros de poesia
Terra do Pecado, 1947

Manual de Pintura e Caligrafia, 1977

Levantado do Chão, 1980

Memorial do Convento, 1982

O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984

A Jangada de Pedra, 1986

História do Cerco de Lisboa, 1989

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991

Ensaio Sobre a Cegueira, 1995

Todos os Nomes, 1997

A Caverna, 2000

O Homem Duplicado, 2002

Ensaio Sobre a Lucidez, 2004

As Intermitências da Morte, 2005


Peças teatrais
A Noite, 1979

Que Farei com Este Livro?, 1980

A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987

In Nomine Dei, 1993

Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido, 2005
Objecto Quase, 1978

Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979

O Conto da Ilha Desconhecida, 1997
Os Poemas Possíveis, 1966

Provavelmente Alegria, 1970

O Ano de 1993, 1975
Deste Mundo e do Outro, 1971

A Bagagem do Viajante, 1973

As Opiniões que o DL Teve, 1974

Os Apontamentos, 1977
A Viagem do Elefante, 2008

Caim, 2009

Claraboia, 2011
Capítulo I
Capítulo III
Capítulo II
Já há dois anos que D. João V está casado com D. Maria e até agora ela ainda não engravidou. A rainha reza novenas e, duas vezes por semana, recebe o rei nos seus aposentos. Quando ambos se casaram, o rei dormia com a rainha todos os dias, mas devido ao cobertor de penas que ela trouxe da Áustria e porque com o passar do tempo, os odores de ambos faziam com que o cobertor ficasse com um cheiro insuportável, o rei deixou de dormir com a rainha.
El-rei está a montar em puzzle a Basílica de S. Pedro de Roma para se distrair e porque gosta. Mas a rainha está á espera do rei para que ele cumpra o seu dever conjugal. E para os aposentos da rainha o rei se dirige, mas entretanto chegou ao castelo D. Nuno da Cunha, bispo inquisidor, e traz consigo um franciscano velho. Afirma o bispo que o frei António de S. José assegurou que se o rei se dignasse a construir um convento em Mafra, teria descendência. Enquanto isso, a rainha conversa com a marquesa de Unhão, rezam jaculatórias e proferem nomes de santos.
Após a saída do bispo e do frei, o rei anuncia-se e, consumado o ato, D. Maria tem que "guardar o choco", a conselho dos médicos e murmura orações, pedindo ao menos um filho que seja. D. Maria sonha com o infante D. Francisco, seu cunhado e dorme em paz, adormecida, invisível sob a montanha de penas, enquanto os percevejos começam a sair das fendas, dos refegos, e se deixam cair do alto dossel, assim tornando mais rápida a viagem. D João também sonhará esta noite, nos seus aposentos. Sonhará com o filho que poderá advir da promessa da construção do convento de Mafra.
Se a conceção da rainha ocorresse, seria vista como mais um entre os vários milagres tradicionalmente relacionados à ordem de São Francisco. Diz-se, por exemplo, que um tal frei Miguel da Anunciação, mesmo depois de morto, conservara o seu corpo intacto durante dias, atraindo, desde então, uma grande quantidade de devotos para a sua igreja. Noutra ocasião, a imagem de Santo António, que vigiava uma igreja franciscana, locomovera-se até à janela, onde ladrões tentavam entrar, pregando-lhes assim um grande susto. Este caíra ao chão, tendo sido socorrido por fiéis, onde acabou por se recuperar. Outro caso, é o do furto de três lâmpadas de prata do convento de S. Francisco de Xabregas no qual entraram gatunos pela claraboia e, passando junto à capela de Santo António, nada ali roubaram.
Entrando na igreja, os frades deram com ele às escuras, e verificaram que não era o azeite que faltava, mas as lâmpadas que haviam sido levadas; os religiosos ainda puderam ver as correntes de onde pendiam as lâmpadas se balançando e saíram em patrulhas pelas estradas, atrás dos ladrões. E então, desconfiados de que os ladrões pudessem estar ainda escondidos na igreja, deram a volta, percorreram-na e só então, viram que no altar de Santo António, rico em prata, nada havia sido mexido. O frade, inflamado pelo zelo, culpou Santo António por ter deixado ali passar alguém, sem que nada lhe tirasse, e ir roubar ao altar-mor: O frade deixou que o Menino "como fiador", até que o santo se dignasse a devolver as lâmpadas.
Dormiram os frades, alguns temerosos que o santo se desforrasse do insulto...
Na manhã seguinte, apareceu na portaria do convento um estudante que, querendo falar ao prelado (bispo), revelou estarem as lâmpadas no Mosteiro da Cotovia, dos padres da Companhia de Jesus.
Desta forma, faz-nos desconfiar que o tal estudante, apesar de querer ser padre, fora o autor do furto e que, arrependido, deixara lá as lâmpadas, por não ter coragem de as devolver pessoalmente. Voltaram as lâmpadas a S. Francisco de Xabregas, e o responsável não foi descoberto.
De referir, que o narrador volta ao caso do frei António de S. José, e faz-nos de novo desconfiar de que o frei, através do confessor de D. Maria Ana, tinha sabido da gravidez da rainha muito antes do rei.

Ideias principais
Capítulo II
Ideias principais
Capítulo I

Anúncio da ida de D. João V ao quarto da rainha.


Desejo de D. Maria Ana: satisfazer o desejo do rei de ter um herdeiro para o reino.


Passatempo do rei: construção, em miniatura, da Basílica de S. Pedro de Roma.


Premonição de um franciscano: o rei terá um filho se erguer um convento franciscano em Mafra.



Promessa do rei:
mandar construir um convento se a rainha lhe der um filho no prazo de um ano.


Chegada do Rei ao quarto da rainha, decidido a ver cumprida a promessa feita a Frei António de S. José.


Referência a milagres franciscanos
que auguram a promessa real: história de Frei Miguel da Anunciação (o corpo que não corrompia e os milagres); história de Sto. António (seus milagres e castigos); os precedentes franciscanos.


Visão crítica do narrador face às promessas e milagres dos franciscanos: o mundo marcado por excesso de riqueza e extrema pobreza.

Passado o "Entrudo", como de costume, durante a Quaresma as ruas encheram-se de gente que fazia cada uma as suas penitências.
Segundo a tradição, a Quaresma era a única época em que as mulheres podiam percorrer as igrejas sozinhas e assim gozar de uma rara liberdade que lhes permitia até mesmo encontrarem-se com os seus amantes secretos. Porém, D. Maria Ana não podia gozar dessas liberdades pois, além de ser rainha, agora estava grávida. Assim, tendo ido para a cama cedo, consolou-se em sonhar outra vez com D. Francisco, o seu cunhado.
Passada a Quaresma, todas as mulheres retornaram para a reclusão das suas casas.
Ideias principais
Capítulo III

Reflexões sobre Lisboa: condições de vida; visão abjeta da cidade no Entrudo; crítica a hábitos religiosos, à procissão da penitência, à Quaresma.


O estado de gravidez da rainha (da condição de mulher comum à sua infinita religiosidade).


O sonho da rainha com o cunhado (tópico da traição).

Dimensão simbólica
Espaço simbólico
Ação
Dimensão Histórica
Visão crítica da história
Dimensão Histórica – visão crítica da história

O título Memorial sugere o relato de factos históricos, o que se justifica pela raiz histórica do romance.
Na verdade, Memorial do Convento, parte de uma base histórica que é o reinado de D. João V (séc. XVIII), mas recria a História, combinando personagens e acontecimentos historicamente verídicos, com outras personagens e acontecimentos de pura ficção.
Assim, no romance, conjugam-se duas dimensões:
A dimensão histórica
A dimensão ficcional
Personagens históricas - D. João V, D. Maria Ana de Áustria, restantes membros da família real.

A construção do Convento de Mafra, mandado edificar por D. João V.

Experiências de construção de um engenho voador pelo Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.

Outros aspetos do reinado de D. João V (a ação da Inquisição; as lições de música de Scarlatti... ).
A história de amor de Baltasar e Blimunda.

Naturalmente, muitos dos pormenores, quer da construção do convento, quer sobretudo da construção da "passa rola" também são ficcionados.
Além disso, no que diz respeito ao processo de voo da "passarola" e à capacidade de Blimunda recolher "as vontades", poderemos considerar que há uma certa dimensão fantástica.

Uma visão crítica da História
Este romance apresenta uma determinada perspetiva, uma
visão crítica da História
, propósito assumido pelo
próprio narrador,
que afirma querer contar, não a História protagonizada pelas figuras tradicionalmente nomeadas nos livros, mas a História protagonizada por um herói colectivo, o povo anónimo.

É o próprio narrador que, ao apresentar uma lista de nomes de trabalhadores, ordenada alfabeticamente de A a Z, como representação de todos os que sacrificaram as suas vidas na construção do convento de Mafra, escreve:

A visão crítica da História é, pois, observada ao longo de todo o romance, pelo destaque que é dado ao
povo anónimo
, mas também pelo retrato que é feito dos poderosos e da sociedade que eles governam.
De entre os aspetos criticados, poderemos sublinhar os seguintes:

- o contraste entre a extrema opulência dos poderosos e a extrema miséria dos pobres;

- a edificação do convento: megalomania do rei e trabalho quase escravo dos operários;

- o poder arbitrário e absolutista; as intrigas palacianas; as perseguições políticas;

- a repressão cruel levada a cabo pela Inquisição e o seu tribunal do Santo Ofício; os autos de fé;

- o fanatismo religioso, a ignorância e as superstições a ele associadas;

- o conceito de pecado;

- os casamentos de conveniência;

- a condição feminina;

- a guerra: futilidade das causas, perante a gravidade das consequências;
O sonho e a vontade do Homem.

A par da dimensão histórica e da dimensão crítica, Memorial do Convento, de José Saramago, possui uma clara dimensão simbólica, que perpassa por todo o romance e radica numa ideia que se pode dizer central:
o homem, com a sua vontade, é o construtor do sonho.
Personagens
D. João V
D. Maria Ana Josefa
Frei António de S. José
(franciscano)
D. Nuno de Cunha
(bispo inquisidor)
Existe um conjunto de elementos simbólicos que se destaca.
A trindade
(Bartolomeu – Baltasar - Blimunda) + Scarlatti


3,
o número mágico, o número da trindade divina
4,
o número da totalidade




"... e Baltasar gritou, Conseguimos, abraçou-se a Blimunda e desatou a chorar, parecia uma criança, um soldado que andou na guerra, que nos Pegões matou um homem com o seu espigão, e agora soluça de felicidade abraçado a Blimunda, que lhe beija a cara suja, então, então. O padre veio para eles e abraçou-se também, subitamente perturbado por uma analogia, assim dissera o italiano, Deus ele próprio, Baltasar seu filho, Blimunda o Espírito Santo, e estavam os três no céu, Só há um Deus, gritou, mas o vento levou-lhe as palavras da boca." (cap. XVI)
A passarola
:
a construção da obra que conduz à perseguição do sonho; o ovo inicial, a origem.


O voo, metáfora e símbolo do sonho,
da liberdade, da capacidade de ultrapassar os limites.


As vontades que fazem avançar o sonho,
que o tornam possível e o realizam.


Os sonhos do rei e da rainha (no capo 1):
a árvore de Jessé que se ergue do sexo do rei; a lama que a rainha pisa.
Os nomes Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas

(o 7, número mágico; a Lua, símbolo feminino, o Sol, símbolo masculino).


O poder mágico de Blimunda:
a capacidade de ver por dentro; os olhos de Blimunda;

O ritual do casamento de Baltasar e Blimunda
(o sangue, a cruz).
A pedra transportada pelos trabalhadores desde Pero Pinheiro até Mafra,
símbolo do esforço, do sacrifício necessário para a construção da obra; mas também símbolo do trabalho escravo e desumano a que era submetido o povo; (a "nau da índia").


A história contada por Manuel Milho:
nesta história, a grande questão que se coloca é, afinal, sobre a essência do ser humano, o que é ser homem, o que é ser mulher? Decorrente desta, como ignorar a condição social, as circunstâncias de tempo e lugar, e viver a condição humana? Para estas questões não se encontra resposta, adiada para um futuro sem data prevista.
Casa de Lisboa:
a lareira que Blimunda e Baltasar ateiam, centro do lar, fogo, calor; o alimento que partilham; a luz da candeia, a esteira no chão, o despojamento, um espaço mantido vivo quando habitado, sacralizado por nele ter tido lugar o ritual do "casamento".


Abegoaria de S. Sebastião da Pedreira:
paredes de pano, a arca com os parcos haveres, a esteira, um espaço reduzido ao essencial, que garante intimidade dos dois, também o recolhimento de Blimunda, "que às vezes até a mais aventureiras apetece" .
Palheiro:
o lugar do amor vivido em plenitude, envolvendo" almas, corpos e vontades"; espaço primitivo e natural, de harmonia e fusão dos elementos, expressa através da sensação do cheiro; a ancestralidade realçada pela referência do narrador ao gesto de Blimunda, que" dobrou a manta, era apenas uma mulher repetindo um gesto antigo"; espaço sacralizado, quando o narrador compara o amor à celebração de uma missa, afirmando que, se comparação houvesse, "a missa perderia".


A passarola:

o sonho; o ovo simbólico da génese do mundo, da totalidade e perfeição, de renovação da natureza, casa-ovo construída por ambos, na qual realizaram o voo sonhado.
A natureza:
espaço idílico, de integração, fusão entre seres e elementos, "sente na pele o suspiro do ar como outra pele ...” .


A barraca da burra
: onde a cama era" a antiga e larga manjedoura ...confortável como um leito real", que não pode deixar de associar-se ao berço da tradição cristã e, noutra dimensão, de ser posta em contraste com o luxuoso leito real de D. Maria Ana, lugar de desamor, minado por percevejos; este espaço, isolado e protector da intimidade, é o da última noite de amor entre Baltasar e Blimunda .



O olhar:
"Olharem-se era a casa de ambos", a casa entendida em toda a sua dimensão simbólica, de protecção do ser, da interioridade, de preservação do amor e da vida.
Para além da dupla dimensão, histórica e ficcional, a acção do romance organiza-se através da articulação de três planos narrativos:


1.
D. João V e a construção do Convento de Mafra.


2.
Relação de Baltasar e Blimunda.


3
. Construção e voo da "Passarela" do P. Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
- Considerando o título e o primeiro capítulo, poderemos dizer que o plano narrativo da construção do convento é o plano que vai servir de ponto de partida para a narrativa e, de certa forma, de núcleo aos outros dois. Mas o importante é constatar que os três planos estão interligados, através, sobretudo, da
personagem Baltasar.



-
Baltasar
é a personagem comum aos
três planos
: personagem principal do 2.0 plano narrativo (relação com
Blimunda)
, é igualmente personagem do 1.0 plano, como participante da construção do convento e, com Blimunda, é personagem crescentemente importante do 3.0 plano narrativo (construção da passarola)
- O plano narrativo de
D. João V e a construção do convento de Mafra
,
ligado ao título da obra,
vai s
ofrendo alterações ao nível do relevo
e, sobretudo, ao nível das
personagens que o protagonizam.

Assim, depois de abarcar totalmente os três capítulos iniciais, a intriga ligada à construção do
Convento de Mafra
vai sendo frequentemente suplantada pela(s) intriga(s) protagonizada(s) por
Baltasar.
Do mesmo modo, o
Rei (e a Nobreza e o Clero)
vão perdendo protagonismo, em favor das personagens populares (
Baltasar, Blimunda e os construtores anónimos do convento
) que se vão tornando presentes e crescentemente centrais com o desenvolvimento da narrativa.
As pesonagens
Estrutura
Narrador
Tempo
Em termo de estrutura , a obra é uma
narrativa em prosa dividida formalmente em vinte e cinco capítulos.

Na estrutura interna, os
acontecimentos desenrolam-se predominantemente segundo uma ordem cronológica linear
, embora com várias elipses narrativas («saltos» no tempo), com algumas alterações na lógica temporal dos acontecimentos (analepses, prolepses) e com pequenas narrativas encaixadas.
D. João V –
Rei de Portugal, rico e poderoso, preocupado com a falta de descendentes, promete levantar convento em Mafra se tiver filhos da rainha





Baltasar Sete-Sóis –
maneta, chega a Lisboa como pedinte, conhece Blimunda, ajuda na construção da passarola, morre num auto de fé

Blimunda Sete-Luas –
capacidades de vidente, vê entranhas e vontades, ajuda na construção da passarola, partilha a sua vida com Baltasar, o seu poder permite curar ou criar. Saramago consegue dotá-la de forças latentes e extraordinárias, que permitem ao povo a sobrevivência, mesmo quando as forças da repressão atingem requintes de sadismo.





Padre Bartolomeu de Gusmão –
evita a Inquisição devido à amizade com o Rei, apoiado por Baltasar, Blimunda e Scarlatti, morre em Toledo.

D. Ana Maria Josefa -
princesa que se tornou rainha de Portugal, casada com D. João V. A história a descreve como beata, submissa e medrosa.



Domênico Scarlatti -
músico italiano barroco, compôs inúmeras músicas para cravo e esteve realmente em Portugal por tempos, ensinando música para a infanta D. Beatriz.



O Povo –
construiu o convento em Mafra, à custa de muitos sacrifícios e até mesmo algumas mortes. Definido pelo seu trabalho e miséria física e moral, surge como o verdadeiro obreiro da realização do sonho de D. João V.



• Sentencia:
segue ou inventa provérbios.

• Dialoga:
com o Narrador.


Manipula:
as personagens.

• Apaga-se:
face às personagens.

• Ironiza / Assume-se /Compromete-se.

• Domina e Autolimita-se:
face ao conhecimento da história.


Profetiza.

• Descreve:
paisagens, situações, factos acontecidos (e a acontecer).

Antiépico.

Histórico:
c
ontrapõe-se ao discurso do poder que valoriza o empreendimentomegalómano do rei, um discurso que revela o absurdo das imposições reais, umdiscurso dessacralizador do poder régio.


Religioso:

o narrador incorpora referências religiosas, inclusivamente o texto bíblico. A originalidade ressalta das marcas transgressoras do sagrado quebalançam entre o sagrado e o profano como um jogo a explorar e a partir do qualse pretende tirar dividendos ideológicos.


Cultural
: exploração da intertextualidade e da multiplicidade de discursos referentes quer à História quer à ficção - referências a diversos outros autores,Camões e Pessoa, por exemplo; recorrência aos jogos de palavras e de conceitos identificadores do estilo da época a que o texto se reporta - o estilo barroco.
Ele é ...
No Memorial do Convento há, diversas vezes, um discurso de sobreposições narrativas com uma voz que tanto descreve como desconstrói as situações, que dialoga com o narrativo ou manuseia as personagens como títeres, que domina os conhecimentos da história ou se sente limitado, que faz ponderações ou ironiza.

Sendo um romance de raiz histórica, é fácil determinar o tempo histórico de Memorial do Convento: início do século XVIII, reinado ele D. João V.
Este é um
período caracterizado pela

ostentação e riqueza
propiciada pelo ouro do Brasil que, apesar de chegar a Portugal em fluxos de uma abundância nunca antes vista, não contribuiu para o desenvolvimento económico do país, em grande medida devido ao esbanjamento do rei e da corte.

O
Absolutismo político e a Inquisição
comandavam com mão de ferro uma sociedade de espectáculo e repressão em que os ricos tudo podiam e os pobres apenas contavam com a miséria.

O romance oferece-nos inúmeras passagens de caracterização desse tempo, desde toda a linha de acção da construção do convento de Mafra, aos quadros de época que representam a vida na corte, os autos de fé, as procissões, as touradas, o Entrudo.

Tempo histórico
Tempo da história narrada e tempo do discurso
No Memorial do Convento não são muitas as referências temporais explícitas, no entanto, através de diversas informações, poderemos situar a acção no período que decorre entre 1711 e 1739, ou seja, a acção decorre ao longo de 28 anos.
A primeira data é deduzida pelas indicações que, logo no início são dadas sobre a idade e o tempo de
casamento do rei.
Quanto à segunda, basta ter em conta
o ano em que morreu o dramaturgo António José da Silva
, queimado, segundo o romance, no mesmo auto de fé que Baltasar.
Na verdade, Memorial do Convento
é um romance no qual a passagem do tempo se faz sentir,
não apenas pelo desenvolvimento da intriga, mas sobretudo através do c
rescimento e envelhecimento das personagens.


Muitas
datas
e outros informantes
permitem-nos acompanhar o desenvolvimento temporal da acção
que, de facto, apresenta uma construção cronológica.
- "já vem de muito longe, como se observa, este gosto português pelo verde e pelo encarnado, que, em vindo a república, dará bandeira." "tem aos seus pés o mar novo e as mortas eras, o único imperador que tem, deveras, o globo mundo em sua mão, este tal foi o infante D. Henrique, consoante o louvará um poeta por ora ainda não nascido."
Exemplo:
Espaço
Espaço Físico
Espaço psicológico
São muitas as referências ao espaço físico, sobretudo aos espaços exteriores - as ruas, os campos, os inúmeros caminhos.

Com o narrador e as personagens, vemos as ruas imundas da Lisboa setecentista, o Tejo, caminho aquático de gentes e mercadorias, os deslumbrantes e temíveis caminhos do ar, os caminhos convergentes em Mafra, perigosos para quem transportou a gigantesca pedra, penosos para os milhares de homens acorrentados que para lá se arrastaram; finalmente, os longos e pedregosos caminhos que calejaram os pés de Blimunda na sua procura de nove anos por Baltasar.

De qualquer forma, não são muito longas as descrições, só contendo os elementos suficientes para enquadrar as acções humanas às quais o narrador dedica a sua atenção mais minuciosamente.
Os sonhos do rei e da rainha contrastam radicalmente com os das restantes personagens, nomeadamente pela evidência do desamor: o rei sonha com a sua própria grandeza e imortalidade, com a descendência e com o convento, a rainha sonha com o cunhado (cap.l).



Nos sonhos de Baltasar estão Blimunda, o trabalho, os animais, a terra, o ar.
Têm sonhos comuns, quer Baltasar e Blimunda, quer ambos e Bartolomeu Lourenço, o mesmo que partilham acordados, a confirmar o profundo envolvimento de todos naquela obra, ao contrário da construção do convento, executada à custa do trabalho de muitos, para realização do sonho de um só homem - o rei.
- Quanto aos espaços interiores, é gritante o contraste entre o esplendor barroco de igrejas e palácios e a pobreza das casas habitadas pelo povo, ou pior ainda, os barracões aviltantes da «ilha da Madeira».

Algumas das casas, no entanto, ganham em riqueza simbólica o que não possuem em mobiliário e ornamentos.



De entre os espaços referenciados, destacam-se:
Lisboa;
Mafra;
caminhos;
igrejas e palácios;
abegoaria em S. Sebastião da Pedreira .
Linguagem e estilo
Na verdade, a primeira impressão que se tem ao ler um texto de Saramago é que o seu estilo, a sua linguagem brotam de uma forma intempestiva, subvertendo as regras tradicionais.

Assim, podemos referir como marcas essenciais da prosa de Saramago:
A linguagem de Saramago
reinventa a escrita,
combinando
características do discurso literário com o discurso oral,
construindo uma narrativa marcada por uma cumplicidade, uma espécie de «amena cavaqueira»
entre o narrador e o narratário.
A
ausência de pontuação convencional
, sendo a vírgula o sinal de pontuação de maior relevância, marcando as intervenções das personagens, o ritmo e as pausas;

O
uso subversivo da maiúscula no interior da frase
;

O emprego de
exclamações e «apartes»;

A utilização predominante do presente – marca do fluir constante do
narrador entre o passado e o presente;
A mistura de discursos – discurso directo, indirecto, indirecto livre e monólogo interior
– que aponta para uma reminiscência da tradição oral, em que contador e ouvintes interagem;

A
coexistência de segmentos narrativos e descritivos sem delimitação clara;

A
presença constante de marcas de coloquialidade
construídas pela relação narrador/narratário;
A
intervenção frequente do narrador através de comentários
, o que
dificulta a identificação das vozes intervenientes
;

O
tom
simultaneamente
cómico, trágico e épico
;

O
discurso reflexivo
também construído pelo
emprego de aforismos, provérbios e ditados populares.
«Já que não podemos falar-lhes das vidaspor tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só por isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende.» (cap. XIX)
Full transcript