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Semiótica da Comunicação

Disciplina do Curso de Comunicação Social, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
by

Antonino Condorelli

on 4 September 2016

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Transcript of Semiótica da Comunicação

Semiótica da Comunicação
O mundo se constitui para nós na forma de diferentes linguagens que nós mesmos produzimos e que, por sua vez, nos constituem, pois configuram a imagem que construímos do mundo e de nós.
O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu.
A ciência que estuda as
cadeias produtivas da construção de sentidos
, os processos por meio dos quais se constituem e operam as linguagens, as mensagens e as atividades de codificação e recodificação da informação foi batizada de
semiótica
(do grego
sêmeiotikê
, ciência dos signos; de
semion
, signo).
Primeira sistematização de uma
teoria geral dos signos
O que é um
signo
?
Qualquer coisa de qualquer espécie que representa outra coisa, chamada de
objeto
do signo, e que produz um
efeito de sentido
para uma mente real ou potencial ou para um organismo, efeito que é chamado
interpretante
do signo.
1. A ação de
representar
alguma coisa (Pierce usa também o termo
representamen
).

2. O fato de representar alguma coisa
para alguém
: o que é signo para um organismo, uma máquina, uma mente artificial, uma pessoa, um coletivo ou uma cultura não o é necessariamente para outros.
Interdependência entre
comunicação
significação
Todo signo e toda linguagem (sistema de signos) visam produzir um
efeito comunicativo
- a interpretação (que implica numa mudança cognitiva) por parte do receptor - e pressupõem
transmissão de informação
(codificada em uma mensagem) por parte de um emissor e tradução/interpretação/recodificação da mesma por parte de um receptor.
Toda troca comunicativa envolve
signos
,
linguagens
(códigos de organização de signos) e
processos de construção de significado
na interação entre as propriedades dos signos organizados em uma mensagem, os códigos do emissor e os do receptor.
Ao invés de pressupor na mensagem uma codificação comum entre o pólo emissor e o receptor e uma seqüência linear emissão-mensagem-recepção, a abordagem semiótica da comunicação opera com o conceito de
mensagem como sistema suscetível de codificações
, isto é, um sistema organizado de signos que uma vez posto em circulação provoca
respostas
que não são necessariamente descodificações, mas
recodificações
ou
traduções interativas
, pois acionam outros sistemas de signos.
Na abordagem semiótica a
comunicação é, fundamentalmente, semiose
: processo de construção de sentido necessariamente interativo, cujos efeitos nunca são dados a priori.
Podemos conceber as mídias são
meios de produção, circulação e armazenamento de linguagens
. Seus processos comunicacionais criam códigos e misturas de códigos específicos, signos com características peculiares e produzem efeitos de percepção e processos de recepção (psicofísicos e cognitivos) que lhes são próprios. Neste sentido, quaisquer mídias - em todas suas possíveis configurações - se constituem como
agentes desencadeadores de semioses
com características específicas, que podem ser interpretadas a partir de abordagens semióticas.
Suas propriedades internas
Relação com seu objeto
Tipos de efeitos interpretativos que está apto a produzir em seus receptores.
Qualidade - Qualissigno
Existência - Sinsigno
Caráter de lei: conformidade a uma regra geral, socioculturalmente determinada - Legissigno
Qualidade - Ícone
Existência - Índice
Lei - Símbolo
Rema - Signo de possibilidade qualitativa para seu interpretante
Dicente - Interpretante de um signo indicial; signo de uma existência real.
Argumento - Apresenta para seu interpretante a possibilidade de uma lei
Todo processo sígnico pode ser analisado em três níveis:

-
Sintático
–Se refere às relações formais dos signos entre si, às suas regras de composição e organização. Ex. As regras de composição fotográfica; a gramática de uma língua, etc.

-
Semântico
– Se refere às relações entre signo e objeto ou referente; também chamado de nível denotativo, referente ao primeiro significado convencionalmente estabelecido de um signo.

-
Pragmático
– Se refere à relação do signo com seu intérprete; é o nível conotativo, o “dos significados deflagrados pelo uso efetivo do signo” (Décio Pignatari)
O signo como
enciclopédia
; é um conjunto de possibilidades de significação que se atualizam no processo do interpretante.
O código é uma
organização de caráter genérico e convencional
, uma
potencialidade geradora de signos
. Não é algo monolítico e fechado, é mais um
potencial que se atualiza a cada uso
. Portanto, cada mensagem representa uma
atualização
e
possibilidade de alteração
do código.

O código é uma estrutura
pluridimensional
e
rizomática:
é o que torna possível a linguagem, sem aprisioná-la.

SEMIOSE
Códigos
(múltiplos e, não raro, entrelaçados)

Modos de percepção sensória
Canais físicos
Quando os códigos se hibridam, falamos em
intersemiose
.

Todas as mídias, desde o jornal até as mídias digitais interativas, são – em maior ou menos grau, intensidade e complexidade - por sua própria natureza
intermídias
e
multimídias
: suas mensagens se organizam no entrecruzamento e a interrelação entre códigos e signos de naturezas diferentes, configurando estruturas híbridas.
Tanto na formação das mensagens midiáticas como em seus efeitos de interpretação se produz uma complexa
cooperação intercódigos
e
interlinguagens
e um
entrecruzamento de sentidos
.
Os meios são lugar de convergência de diferentes ordens sensoriais, ou seja, de encontro dos sentidos.
Uma análise semiótica de mensagens midiática não se focará apenas nas sintaxes específicas de cada código envolvido, no funcionamento específico de cada aparelho sensorial (visual, auditivo, etc.) e de cada canal de transmissão, mas nas
novas formas de codificação
(que não são somas das partes, mas
gestalt
específicas) e nos
efeitos de sentido
provocados pela
interação complexa
entre eles.
Texto

Em uma perspectiva semiótica, é uma unidade de sentido produzida por uma ou mais linguagens dentro de uma interação comunicativa.
Todas as mensagens midiáticas podem ser analisadas como
textos
, explorando as dimensões internas que contribuem para as semioses que desencadeiam e relacionando-as com as dimensões contextuais: lugar, momento histórico, ideologia do meio, condições de produção, potencialidades tecnológicas, etc.
Em um primeiro momento, a semiótica estudava os processos de significação no contexto da linguagem humana ou de sistemas culturais consolidados, como as artes visuais.

Em seguida, a descoberta de que a interação entre determinados códigos - sonoros, cinéticos, visuais, etc. - produz sentido nos contextos específicos de suas enunciações, complexificou a ciência dos signos e fez surgir a noção de
EFEITO DE SENTIDO
(Algirdas Julien Greimas).
Produzir sentido não é transmitir algo já dado, mas
construir uma experiência
- cognitiva e sensível - em um
processo interativo
.
As mensagens não apenas
TEM
SENTIDO elas
SÃO SENTIDAS
.
As mensagens produzem sentido na interação entre sistemas semióticos - seus códigos e os de recodificação dos receptores - e, no contexto específico de cada enunciação e em relação a cada receptor(a) individual,
SÃO SENTIDAS
de formas diferentes (isso é o
EFEITO DE SENTIDO
).
Se trata de "valorizar o papel do interpretante, da recodificação ou, se quisermos, da modelização semiótica entre meios e processos enunciativos no redimensionamento das significações, o
ter
sentido e o
ser
sentido"
(Irene Machado).
Todas as mensagens são SENTIDAS de maneira diferente. Os EFEITOS DE SENTIDO na comunicação mediada são produto tanto da natureza específica de cada mídia - o que é possível ver, ouvir e dizer em uma mídia não é válido para todas as demais - como, sobretudo, das relações que os diferentes sistemas semióticos travam entre si e das condições ao ato de enunciação.

SIGNIFICAÇÃO NÃO É TRANSMISSÃO DE UM SENTIDO JÁ DADO A PARTIR DA UNICIDADE DE UM CÓDIGO, MAS CONSTRUÇÃO INTERATIVA QUE ENVOLVE DIFERENTES POSSIBILIDADES DE SENTIDO - ATIVADOS POR CADA MÍDIA ESPECÍFICA - E

RE
CODIFICAÇÃO.

"A
produção de sentido
se situa na esfera do
ter
ao passo que a
transmissão
ativa o domínio do
ser
sentido" (Irene Machado).
O SENTIDO NÃO PODE SER PENSADO APENAS COMO CONTEÚDO INTELECTUAL
Nessa perspectiva, a semiose não consiste na associação de um significante (objeto, fenômeno, propriedades) e um significado (ideia, representação mental), mas em um processo relacional que atualiza/revela o potencial do signo. Pressupõe e implica
INFORMAÇÃO
e
COMUNICAÇÃO.

- A
INFORMAÇÃO
é o que torna possível a significação e se efetiva fora do processo de comunicação.

- Na
INTERAÇÃO COMUNICATIVA
a informação se torna
SENTIDO
e
SIGNIFICADO.

- A
SIGNIFICAÇÃO
envolve a maneira como a
INFORMAÇÃO
é
CODIFICADA,

RE
CODIFICADA
e
ENUNCIADA.
OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA SEMIOSE

Informação

-
Propriedade
das mensagens definida por uma
variação potencialmente significativa
no ruído do ambiente. É a
agenciadora potencial
da semiose.

Comunicação
-
Princípio organizador
das trocas interativas entre moléculas, células, organismos, seres humanos, máquinas. É o que torna possível a transformação da informação em sentido e significado.

Significação
- Processo de
produção de sentido e de significado
que envolve o modo como a informação é
codificada
e
re
codificada
em contextos enunciativos.

Mensagem
-
Configuração
da informação organizada a partir de uma determinada
codificação
ou
linguagem.
É
produtora de enunciação
e, conseqüentemente, de sentido e de significado.
No processo de significação - codifocação-recodificação - a informação se transforma em LINGUAGEM, possibilitando as MENSAGENS.
Transformar informação em linguagem
é parte do processo de significação.
Imagem
Semelhança com o objeto
Diagrama
Similaridade entre as relações internas do objeto
Metáfora
Similaridade no sentido ou em possíveis significados do
representante e do representado
"O objeto dinâmico dos símbolos é a referência última que engloba todo o contexto a que o signo se refere ou se aplica" (Lúcia Santaella). Todo símbolo se liga a múltiplas cadeias de outros símbolos.
Objeto dinâmico
A referência última do signo
Objeto imediato
O modo como o signo representa seu objeto dinâmico; a configuração específica que um signo assume
INTERPRETANTE
"o efeito interpretativo que o signo produz em uma mente real ou meramente potencial"

(Lúcia Santaella)
INTERPRETANTE IMEDIATO
O
potencial interpretativo
do signo, sua interpretabilidade no nível abstrato, antes de encontrar um intérprete que efetive esse potencial.
INTERPRETANTE DINÂMICO
O efeito que o signo efetivamente produz em um intérprete - O efeito singular que produz em cada intérprete particular.
Interpretante emocional
Os sentimentos e emoções que um signo
provoca em um intérprete.
Interpretante energético
O dispêndio de energia física ou mental que um signo provoca em um intérprete - Exemplos: chamar nossa atenção (olhar, ouvidos, etc.); nos movimentar em uma determinada direção; etc.
Interpretante lógico
A associação de um signo ao objeto que representa em virtude de uma regra interpretativa internalizada pelo intérprete.
Quando uma qualidade é tomada como signo de uma outra qualidade por um intérprete, como possibilidade de representar outra qualidade.
O que define signo, objeto e interpretante é a
POSIÇÃO
que cada um desses elementos ocupa no processo interpretativo.
O signo é
PRODUTO DE UMA RELAÇÃO TRIÁDICA
: é determinado pela
interrelação
entre suas
QUALIDADES INTERNAS
, seu
OBJETO
e seu
INTERPRETANTE.
Não existe por si só, mas só na
RELAÇÃO
.
Denotação
Conotação
O código de uma codificação nunca é exatamente o mesmo de uma recodificação.
Conjunto de regras
Código como
REPRESENTAÇÃO
: conjunto de regras para a conversão das mensagens de um sistema de signos a outro.

Código como
SISTEMA DE PROBABILIDADES
:
a codificação/recodificação implica um poder de seleção e de combinação entre diversas possibilidades de sentido e significado.
Código como
EXPLICITAÇÃO:
sistema que permite traduzir e compartilhar experiências.
Código como
MODELIZAÇÃO
:
mecanismo de codificação, armazenamento e divulgação de informação
. Toda
INFORMAÇÃO
é suscetível de ser modelizada por diferentes linguagens. A
CULTURA
é uma
rede de linguagens que codificam, armazenam e divulgam informação
.
Cremúsculo. O sol, a só, despe de si, digo, depede-se, desce pé ante pele, descalço, dá-se e sobe, digo, sob, ou melhor, sobre as bandas cremoças das mulheres alfíssimas do hemisferno nhorte. Kolinas sonrisam no horizonte. Mastros desde senham-se no ocidonte. Acapulcos e havaís tampouco. Tranquislidade. Noite. Não há dúvidas: é chegada a hera dos maiares desgrossos. (Caetano Veloso)
A
SEMIOSE
acontece não a partir de um único sistema ou código, mas no
ENTRECRUZAMENTO DE CÓDIGOS
.
UMBERTO ECO: Um texto, usualmente, remete para diversos referentes interligados.

DÉCIO PIGNATARI: Um texto é um "processo de signos que tendem a eludir seus referentes, tornando-se referentes de si mesmos e criando um campo referencial próprio".
UGO VOLLI: "
Os signos estão sempre em relação com outros signos, nunca existem sozinhos
, senão de um ponto de vista puramente teórico. Em suma, uma semiótica do signo não justifica a complexidade das mensagens reais. É necessário ampliá-la para obter um objeto de análise mais realista. Essa noção ampliada do objeto da semiótica é o
texto,
que pode ser considerado
o objeto concreto de uma comunicação
, uma mensagem que efetivamente é produzida ou reconhecida como tal [...]".
A constituição de
um
TEXTO no continuum de um processo comunicativo é fruto de uma NEGOCIAÇÃO entre quem prepara mensagens e quem as recebe (Ugo Volli).
O TEXTO É PRODUTO DE UMA RELAÇÃO E SÓ EXISTE NELA
.

Exemplos: 1. A grade de programação de uma emissora no horário nobre e os fragmentos efetivos de programas que o telespectador escolhe assistir; 2. A seqüencia das notícias e outras informações em um jornal e as partes do mesmo jornal efetivamente lidas por um leitor.
UGO VOLLI: Um texto, geralmente, é composto de outros textos menores, cercado de outros textos maiores e está no lugar de outros textos possíveis. Sua capacidade de significação é influenciada pelo conhecimento de mundo e os sistemas de significados de seu leitor, assim como pelo conhecimento de outros textos por parte deste (ex. reconhecer um personagem em uma matéria jornalística pressupõe o conhecimento de textos anteriores nos quais tal personagem aparece).
Essa dimensão
COTEXTUAL
de um texto determina o seu funcionamento:
podemos chamá-la de
INTERTEXTUALIDADE.

Todo texto produz significação de forma intertextual
.
"Por texto entendemos não
cada concreto
manifestar-se de umka comunicação ou significação, mas
o seu modelo geral
: não, por exemplo, cada cópia de um jornal ou de um livro, com as suas manchas ou destaques, mas o tipo abstrato do qual foram extraídos todos os exemplares concretos, aquele número do jornal ou aquele programa, o modo como foram produzidos" (Ugo Volli)

No caso de um livro, entendemos algo ainda mais abstrato:
o conjunto de signos lingüísticos que compõem o livro
. O
Dom Casmurro
publicado pela editora X ou pela editora Y, independentemente da divisão das páginas, o corpo e o tamanho dos caracteres, etc. nos parece
o mesmo texto
.
"Por texto entendemos não
cada concreto
manifestar-se de uma comunicação ou uma significação, mas
o seu modelo geral
: não, por exemplo, cada cópia de um jornal ou de um livro, com as suas manchas e destaques, mas o tipo abstrato do qual foram extraídos todos os exemplares concretos, aquele
número
do jornal ou aquele programa, o modo como foram produzidos" (Ugo Volli)

No caso de um livro, entendemos algo ainda mais abstrato:
o conjunto de signos lingüísticos que o compõem
. O
Dom Casmurro
publicado pela editora X e o publicado pela editora Y, independentemente da divisão das páginas, a diagramação e o corpo e tamanho dos caracteres, nos parece
o mesmo texto
.
TEXTO:
Processo de signos que abstrai de todos os usos concretos que dele são feitos.

DISCURSO:
Conteúdo de um texto, cuja singificação funciona na interação concreta de quem o enuncia, quem o recebe e o tempo e lugar em que a comunicação acontece.
ENUNCIADO:
O conteúdo concreto de um ato comunicativo, situado no nível do discurso.
ENUNCIAÇÃO:
O ato pelo qual é produzido um enunciado. A enunciação pode ou não deixar
MARCAS
no enunciado.
TOPIC
:
O tema que um texto apresenta para quem o interpreta. Responde à pergunta: "a respeito de que é este texto?". É uma
ESCOLHA
do receptor, que
PODE
- mas não necessariamente é - ser direcionada ou guiada pelo próprio texto. Ex. É o leitor que
escolhe
ver em um poema um determinado sentimento ou a biografia do autor; é o telespectador que
escolhe
ver em uma novela uma história familiar ou a representação dos valores de uma emissora; etc.

ENCICLOPÉDIA
: O conhecimento de mundo
mais ou menos compartilhado
em certo tempo e lugar. Na interpretação de um texto não intervém apenas o conhecimento de um léxico e de uma sintaxe, isto é, das
formas puras de expressão
de um determinado código comunicativo, mas também um
complexo de crenças e de conhecimentos sobre o mundo compartilhado
. Ex. A interpretação de uma pintura, de um filme, de uma peça teatral, de um romance, de uma novela; etc.

ISOTOPIA
:

A "
coerência de um percurso de leitura
" (Umberto Eco). Conjunto de elementos que criam
REDUNCÂNCIAS
- riqueza de detalhes sintáticos na comunicação, que remetem para um mesmo campo semântico - que autorizam a escolha de um percurso de interpretação uniforme. Ex. O personagem de uma novela é considerado uma pessoa "traidora", pouco confiável por outros personagens, e em certo momento da trama ele comete um ato de traição: a interpretação de que esse ato se funda na índole pouco confiável do personagem é uma isotopia.
A construção de sentido de um texto se opera a partir de sua constituição interna – que Greimas divide em três níveis:

Nível fundamental
: as oposições/estruturas semânticas mínimas em torno das quais se constrói o processo sígnico;

Nível narrativo
: onde se processam operações abstratas elementares;

Nível do discurso
: no qual as formas abstratas do nível narrativo se revestem de concretude.

Além desses três níveis, existem aspectos externos ao texto ou condições de produção: ideias circulantes em uma determinada sociedade e momento histórico, ideologias, valores, etc. Esses últimos representam o seu
contexto
, que participa de forma indissociável da construção de seus efeitos de sentido.
Segundo Greimas, cada
texto narrativo
- isto é, que conta uma história - está organizado ao redor de uma
ESTRUTURA SINTAGMÁTICA
(modelo de organização interna de seus elementos semânticos, que produz significação) abstrata, geral e extremamente simples.
No centro de cada narrativa há sempre um
valor
a ser assumido. Ex. uma tarefa a ser desenvolvida; uma ação a ser realizada; um objeto material ou simbólico a ser atingido, evitado ou afastado. Essa etapa central de toda narrativa é a
PERFORMANCE.
Para a performance ser realizada, é sempre necessário que quem a efetiva se aproprie dos
meios materiais ou conceituais
para fazê-lo. Ex. acumular saber; buscar aliados; demonstrar valor; derrotar alguém; abordar o objeto; etc. Essa etapa da narrativa é a
COMPETÊNCIA.
Ela pode gerar
percursos narrativos menores
dentro da narrativa principal, com suas próprias performances.
Antes de se acumular a competência necessária, o objetivo da narrativa - a performance - deve ser estabelecido. Alguém - que pode ser o mesmo personagem que irá realizar a performance ou outro - precisa definir o que deverá ser feito e quais as conseqüências disso. Essa etapa é o
CONTRATO
.
Por último, a narrativa pode ser considerada concluída não quando a performance for realizada, mas quando a realização for
reconhecida
por quem deu início à ação, ou seja, pelo personagem que estipulou o contrato inicial. Essa etapa conclusiva de uma narrativa é a
SANÇÃO,
que pode ser
positiva
(reconhecer o cumprimento do contrato) ou
negativa
(negar que o contrato tenha sido realizado).
A
sanção

PRESSUPÕE
a
perfomance.
A
performance

PRESSUPÕE
a
compertência
e o
contrato.
Em determinada narrativa podemos
NÃO
encontrar a
expressão explícita
de algumas dessas etapas, mas todas elas estão sempre presentes.
A competência a ser atingida pode ser múltipla (uma pluralidade de instrumentos e conhecimentos a serem acumulados). A perfomance também pode ser múltipla, implicando uma pluralidade de objetos a serem conseguidos, e pode ter que se repetir. Em todo caso,
a grande

ESTRUTURA SITNAGMÁTICA

permanece a mesma
.
Se os elementos semânticos fundamentais de toda narrativa são
ações,
elas pressupõem
sujeitos
que as realizam. Esses
tipos de sujeitos
são os
ACTANTES.
Não coincidem com os atores ou personagens de uma narrativa: são
estruturas formais abstratas
, que os personagens efetivos de uma narrativa encarnam.
DESTINADOR
:
Aquele que
estabelece
a performance.

DESTINATÁRIO
:
Aquele que
realiza
a performance.
Os dois papéis podem ser desempenhados pelo mesmo personagem.
SUJEITO
:
Aquele para quem o
objeto
central da narrativa tem valor. Pode coincidir com o
destinatário.

OBJETO
:

Valor
concreto ou abstrato que tem que ser
comunicado
(obtido e feito circular).
ADJUVANTES
:
C
i
rcunstâncias favoráveis e elementos animados ou inanimados que
colaboram com a realização da performance
por parte do destinatário.

OPONENTE
:
Dificuldades, forças adversas que
se opõem à realização da performance
.
PAPEL ACTANCIAL
é o
cumprimento da função de um actante
específico por parte de um personagem real da narrativa.

Cada personagem pode desempenhar ao mesmo tempo
mais de um papel actancial
. Do mesmo modo,
um mesmo papel actancial
pode ser desempenhado em momentos sucessivos da narrativa
por diversos personagens
reais.
ACTANTES NARRATIVOS
P1 P2 P3 P4 P5
PA1 PA2 PA3 PA4 PA5
RELAÇÕES ENTRE PERSONAGENS E PAPÉIS ACTANCIAIS
GRAMÁTICA ELEMENTAR DE UMA NARRATIVA

Enunciados de estado
- Descrevem uma situação estável, um
estado de fato
. No plano sintático elementar, a relação entre sujeito e objeto se reduz à
conjunção
ou à
disjunção.

Enunciados de ação
-
Transformações de estados de fato
. No plano sintático elementar de uma narrativa, um enunciado de fato
provoca
a conjunção ou a disjunção de um sujeito (o próprio sujeito do enunciado ou outro) com um objeto (cria um novo estado de fato).
É o nível em que as
estruturas formais abstratas
do sistema semiótico representado por uma narrativa são assumidas pelo
sujeito da enunciação
e traduzidas em um
enunciado,
produto de sua atividade.
Se realiza por meio de três procedimentos fundamentais:

Atorialização
- O processo pelo qual papéis actanciais se traduzem em personagens definidos, que são diferentes dos sujeitos reais que produzem e recebem as narrativas, ainda que eventualmente os representem;

Espacialização
- A criação de um espaço interno para a narração, no qual se desenvolvem os elementos narrados. Esse espaço é diferente do espaço real onde a narrativa é narrada, ainda que se esforce para assemelhar-se a ele.

Temporalização
- O processo pelo qual se cria um tempo interno à narrativa, independente do de sua execução.
Há uma
semántica fundamental
na qual se desenvolvem as categorias semánticas produzidas pela narrativa. Esse eixo fundante se expressa na forma do
QUADRADO SEMIÓTICO
de Greimas.
“Compreende-se por quadrado semiótico a representação visual da articulação lógica de uma categoria semântica qualquer. A
estrutura elementar da significação
, quando definida - num primeiro momento - como uma relação entre ao menos dois termos, repousa apenas sobre a
distinção de oposição
que caracteriza o eixo paradigmático da linguagem”. GREIMAS, A. J. e COURTÉS, J., Dicionário da Semiótica.
"a semiótica percebe os processos comunicativos das mídias também como atividades e
processos culturais que criam seus próprios sistemas modelares secundários
, gerando códigos específicos e signos de estatutos semióticos peculiares, além de produzirem efeitos de percepção, processos de recepção e comportamentos sociais que também lhes são próprios" (Lúcia Santaella)
RESÍDUO INFORMATIVO: Margem de conteúdo informativo que escapa ao controle e intencionalidade dos agentes envolvidos na comunicação.

"os processos de comunicação através das mídias [de massa e as novas mídias, n. d. e.] tendem a acentuar e a aumentar a margem de informação que é transmitida à revelia dasintencionalidade dos atos comunicativos" (L. Santaella)
Isso acontece porque "as mídias inauguraram, antes de tudo,
a
mistura de códigos e de processos sígnicos numa mesma mensagem
, isto é, a
simultaneidade semiótica das mensagens
" (L. Santaella)
.

"Isso tende a aumentar a imponderabilidade da informação transmitida e a diminuir a possibilidade de controle do emissor sobre aquilo que os receptores poderão proventura captar como informação na mensagem" (L. Santaella)
"As mídias tendem a criar redes intercomplementares"

"as mídias tendem a gerar redes que se interligam e, nessas redes, cada mídia particular tem uma função que lhe é específica"

"
a mensagem não se compõe em cada uma das mídias em particular, mas através da funcionalidade diferencial de cada mídia na sua inter-relação com a totalidade das mídias
"

L. Santaella
As mensagens midiáticas têm um caráter intrinsecamente
INTERTEXTUAL,

INTERMIDIÁTICO
e
MULTIMIDIÁTICO.
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