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Modernismo - 2a. geração

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by

Eliane Teixeira

on 18 August 2013

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Transcript of Modernismo - 2a. geração

Modernismo
Os modernistas brasileiros
da segunda geração
Carlos Drummond de Andrade
Itabira 1902 - Rio de Janeiro 1987
Alguma poesia (1930)
Brejo das Almas (1934)
José (1942)
A rosa do povo (1945)
Claro Enigma (1951)
Fazendeiro do ar & Poesia até agora (1959)
Boitempo (1968)
No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
Nunca esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Congresso internacional do medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carta
Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: olha, em relevo, estes sinais em mm, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
peerde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
"Deus te abençoe", e a noite abria em sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou
e agora, José?
E agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
E agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o riso não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse.
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope
você marcha, José?
José, para onde?
Campo de flores

Deus me deu um amor no tempo de madureza,quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.Deus ou foi talvez o Diabo deu-me este amor maduro, e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.
Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos e outros acrescento aos que amor já criou.Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.
Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia e cansado de mim julgava que era o mundo um vácuo atormentado, um sistema de erros.Amanhecem de novo as antigas manhãs que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.
Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra imensa e contraída como letra no muro e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.De tantos que já tive ou tiveram em mim,o sumo se espremeu para fazer vinho ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.
E o tempo que levou uma rosa indecisa a tirar sua cor dessas chamas extintas era o tempo mais justo. Era tempo de terra.Onde não há jardim, as flores nascem de um secreto investimento em formas improváveis.
Hoje tenho um amor e me faço espaçoso para arrecadar as alfaias de muitos amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,e ao vê-los amorosos e transidos em torno,o sagrado terror converto em jubilação.
Seu grão de angústia amor já me oferece na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura e o mistério que além faz os seres preciosos à visão extasiada.
Mas, porque me tocou um amor crepuscular, há que amar diferente. De uma grave paciência ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia tenha dilacerado a melhor doação.Há que amar e calar.Para fora do tempo arrasto meus despojos e estou vivo na luz que baixa e me confunde.
Cecília Meireles
Rio de Janeiro 1901 - 1964
Baladas para El-rei (1925)
Vaga música (1942)
Romanceiro da Inconfidência (1953)
Romance de Santa Cecília (1957)
Poemas escritos na Índia (1961)
Solombra (1963)
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre, nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
mais nada
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Epigrama
A serviço da Vida fui,
a serviço da Vida vim;
só meu sofrimento me instrui,
quando me recordo de mim.
(Mas toda mágoa se dilui:
permanece a Vida sem fim.)
Murilo Rubião
Juiz de Fora 1901 - Lisboa 1975
Tempo e Eternidade (1935)
O Visionário (1941)
As metamorfoses (1945)
Poesia Liberdade (1947)
Sonetos Brancos (1946-48)
Tempo espanhol (1959)
O discípulo de Emaús (1944)
O pastor pianista
Soltaram os pianos na planície deserta
Onde as sombras dos pássaros vêm beber.
Eu sou o pastor pianista,
Vejo ao longe com alegria meus pianos
Recortarem os vultos monumentais
Contra a lua.

Acompanhado pelas rosas migradoras
Apascento os pianos que gritam
E transmitem o antigo clamor do homem.

Que reclamado a contemplação
Sonha e provoca a harmonia,
Trabalha mesmo à força,
E pelo vento nas folhagens,
Pelos planetas, pelo andar das mulheres,
Pelo amor e seus contrastes,
Comunica-se com os deuses.
Mulher dormindo
No teu leito de silfos e de sonho
Dormes, pendida a máquina do braço.
Uma vasta arquitetura de montanhas
Ergue defronte a sua construção.
Acerco-me de ti a passos lentos,
Medindo o gozo do teu respirar.
Súbito, feroz, de mim se aparta
A forma com que antigamente fui.
Na verdade inda ignoro tua essência:
Uma nuvem de códigos nos envolve
Que tento decifrar nesse abandono
Do teu corpo, camélias e coral.
Já que dormes, irei me revelar
O início do teu ser, íntimo a ti
"O início do século XX se caracterizou, na Europa e no Brasil, pela tentativa de renovação de valores artísticos e culturais, num mundo marcado por violenta crise, que desencadeou não só duas grandes guerras como também profundas transformações na vida política e econômica das sociedades."
Lucia Helena
Vinicius de Moraes
Rio de Janeiro 1913 - 1980
Ariana, a mulher (1936)
Poemas, soneto e baladas (1946)
Pátria minha (1949)
Novos poemas (1959)
Cordélia e o peregrino (1965)
Embora poeta de altitude e originalidade, grande
parte de seu prestígio decorreu das músicas
populares e do Orfeu da Conceição
Soneto da separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o presentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplismente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Jorge Amado
Itabuna 1912 - Salvador 2001
O país do Carnaval (1931)
Jubiabá (1935)
Mar morto (1936)
Capitães da areia (1937)
Terras do Sem-fim (1942)
Os subterrâneos da liberdade (1952)
Gabriela, carvo e canela (1958)
Dona Flor e seus dois maridos (1966)
Tenda dos milagres (1969)
Tieta do Agreste (1977)
“Resta uma palavra acerca da linguagem para completar o quadro e compreender-se o duradouro êxito de Jorge Amado; fácil, espontânea, aparentemente sem maior elaboração, comunicando-se rápido com o leitor ainda o menos dotado ou menos exigente.” Massaud Moisés

“Avô, mesmo que a gente morra, é melhor morrer de repetição na mão,brigando com o coronel, que morrer em cima da terra, debaixo de relho,sem reagir. Mesmo que seja pra morrer nós deve dividir essas terras,tomar elas para gente.Mesmo que seja um dia sóque a gentetenha elas, paga a pena de morrer".
(Os Subterrâneos da Liberdade - Agonia da Noite)
Graciliano Ramos
Alagoas 1892 - Tchecoslováquia 1953
Caetés (1933)
São Bernardo (1934)
Angústia (1936)
Vidas Secas (1938)
Insônia (1947)
Memórias do Cárcere (1953)
"Cangaço, misticismo carismático, secas,
código primitivo de honra, - eis aspectos infra-
estruturais de que arranca a ficção de Graciliano Ramos. (...) Com efeito, a temática regionalista ganha desde cedo em sua pena fortes acentos introspectivos, que alcançam o clímax precisamente em Ang´sutia, a meu ver sua obra principal e das mais importantes dentre as surgidas com o Modernismo. (...) A essas observações falta acrescentar um pormenor, e estará delineado o panorama em que se difunde a grandeza de Angústia e de seu autor: o já decantado estilo enxuto, vocabularmente econômico, sintaticamente rigoroso,
vernacular, que, remontando a Machado de Assis, aponta uma das mais sólidas aparelahgens ficcionais de nossos
dias."
Massaud Moisés
Érico Veríssimo
Rio Grande do Sul 1905 - Porto Alegre 1975
Música ao longe (1935)
Um lugar ao sol (1936)
Olhai os lírios do campo (1938)
O resto é silêncio (1943)
O tempo e o vento (1949-61)
Incidente em Antares (1971)
O tempo e o vento
Dono de um estilo simples, Érico Veríssimo é um grande contador de estórias e uma das grandes expressões da ficção moderna no Brasil. Sua maneira de apresentar as estórias é cinematográfica e ele ampliou o romance, focalizando o homem do nosso tempo, alijando-o da religião e buscando uma solução algumas vezes pessimista. Sua temática é regional do Rio Grande do Sul, o que o torna um regionalista gaúcho dentro do modernismo.
O continente pertence à trilogia épica O tempo e o vento, que remete ao passado histórico do Rio Grande do Sul dos séculos dezoito e dezenove e versa sobre as disputas de terra e poder de três famílias: Amaral, Terra e Cambará. No meio das narrativas, sobressaem-se algumas personagens heróicas, como Ana Terra e o Capitão Rodrigo. O tempo e o vento está dividido em três obras, sendo O continente o primeiro deles e que cobre o período histórico do século dezoito até 1895, com as lutas do início da República. O retrato é o segundo livro, que enfoca as primeiras décadas do século vinte, até 1915. O arquipélago é o terceiro e último da trilogia e engloba uma narrativa mais contemporânea, chegando até o governo de Getúlio Vargas, 1945.
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