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PB

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Renato Basso

on 31 July 2015

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Renato Miguel Basso - UFSCar
O português brasileiro:
um pouco de história, um pouco do presente e um pouco do futuro

1) Pontos da história da língua portuguesa;


2) Português Brasileiro: história e formação;


3) Peculiaridades do PB e temas de pesquisa
Roteiro
Pontos da história da língua portuguesa
Português Brasileiro: história e formação
Atualmente, sabemos que o PB tem várias peculiaridades que o separam do português europeu, mas algums delas também o isolam entre as línguas românicas.
Peculiaridades do PB e temas de pesquisa
Referências
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CHIAVENATO, J. J. Genocídio Americano: A Guerra do Paraguai. São Paulo: Editora Brasiliente, 1979.
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DORATIOTO, F. Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
Fausto, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1994.
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ILARI, Rodolfo. Lingüística Românica. São Paulo: Ática, 1992.
ILARI, R. & BASSO, R. O português da gente: a língua que estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Editora Contexto, 2006.
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RAMOS, F. P. Por mares nunca dantes navegados: a aventura dos descobrimentos. São Paulo: Editora Contexto, 2008.
RAMOS, F. P.; MORAIS, M. V. de. Eles formaram o Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2009.
REIS, J. J. Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
RENZI, Lorenzo. Introducción a la Filología Románica. Versión española de Pilar García Mouton. Madrid: Editorial Gredos, 1982.
ROBINS, R. H. Pequena História da Lingüística. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1983.
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SPINA, Segismundo (Org.). História da Língua Portuguesa. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2008.
STRADELLI, E. - Vocabulário Nheengatu/Portuguez - Portuguez/Nheengatu, Ver. Inst. Geog., 1920. Encadernação, 724.
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URBAN, G. A história da cultura brasileira segundo as línguas nativas. In: CUNHA, 1992, pp. 87-102.
Obrigado!
Características sintáticas, como a colocação pronominal, e características fonológicas, como o sistema vocálico, fazem com que o PB seja nitidamente diferente do PE.
O sistema de artigos do PB, com seu amplo de uso construções sem artigo, é único entre as línguas românicas. Essas peculiaridades todas chamam a atenção para o PB e para o que essa língua pode revelar sobre os sistemas linguísticos em geral.
Fenômenos `` (provavelmente) recentes do PB
QUASE SEM ROUPA
Será que eu causei com essa apresentação?
Me vê dois pão (pães).

Me vê 20 reais de gasolina.

Vê um quilo de carne moída pra mim.

O advogado vai ver os documentos para mim.

Vê se é possível fazer isso?
Será que a gente vê tudo o que a gente vê?
João deu o presenta pra Maria.

O deu nele?

Quanto deu?

Dá pra/de fazer?

De Curitiba pra Florianópolis dá 3 horas/300 km.

João deu uma de bobo.

João deu uma cabeçada na parede/uma pensada no assunto.

Deu! Não quero mais!
O que dá pra fazer com o verbo "dar''?
Lady Gaga causou mais uma vez ao ir a restaurante em Beverly Hills com os mamilos à mostra
folha.com/no1118465
Manchete da Folha de São Paulo - 12/07/2012
http://areavipfestmusic.blogspot.com.br/2012/09/joelma-da-banda-calypso-causou-na.html
Joelma da Banda Calypso causou na Premiação do Multishow (18/09)
Qual peão você acha que mais "causou" na última festa?
http://televisao.uol.com.br/album/afazenda3_ultimafesta_181210_album.htm
Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir
http://tacausando.blogspot.com.br/
Mais fenômenos típicos do português brasileiro
Alternâncias
verbais
Orações
Relativas
Mutias vezes podemos usar uma forma reduzida de "não" em PB, realizada como "num", mas as possibilidade de seu uso são bem regradas:
não vs. num
Ainda o PB
O singular nu
Sabemos ainda pouco sobre a história do PB, e talvez sua origem e formação possa servir para explicar vários dos fenômenos aqui apresentados.
É precisa estudar muito mais a língua que falamos, do jeito que falamos, levando em conta sua história e uma posição científica sobre a linguagem.
Uma língua ainda mal compreendida....
O PB foi alvo recente de uma série de polêmicas, sobre as quais podemos falar, mas que, via de regra, são baseadas em equívocos. Como exemplo:
Polêmicas do PB
1) A TV quebrou.
2) A luz desligou.
3) A bicicleta furou o pneu.
4) Essa região chove muito.
5) Essa casa bate bastante sol;
6) O Joãozinho tá nascendo dente;
7) Esse carro cabe 60l de gasolina;
8) O jasmim amarelou as pontas;

Há muito tempo, o PB apresenta três tipos de oração relativa, exemplificadas abaixo:

a) Relativa padrão:
Maria é a menina com quem o João saiu.

b) Relativa cortadora:
Maria é a menina que o João saiu.

c) Relativa copiadora:
Maria é a menina que o João saiu com ela.
a) Eu não quero isso, não.
b) * Eu não quero isso, num.
c) Eu num quero isso, não.
d) * Eu num quero isso, num.
e) Eu não te falei!
f) Eu num te falei!
g) manobra não procedente
h) * manobra num procedente
Dentro todas as línguas românicas, o PB é a única que permite com liberdade quase irrestrita o uso do chamado "singular nu", ou seja, um substantivo singular em posição de sujeito ou objeto em sentenças com verbos episódicos:
O menino chegou.
Esse/Aquele menino chegou.
Um menino chegou.
Algum menino chegou.
Todo menino chegou.
Menino chegou.

A falta desses estudos e de uma postura científica quanto à linguagem leva não somente ao desconhecimento da origem de uma série de fenômenos, mas também a preconceitos linguísticos e ideias pelo menos mal concebidas quanto à linguagem.
a) o livro didático que "ensinava" a falar (?) errado;
b) a palavra "cigano" no dicionário Houaiss;
c) a reforma ortográfica como reforma de língua;
d) a "simplificação" de Machado de Assis;
e) o uso de "x" em palavras como "todxs"
Mas a origem do português e das demais línguas românicas encontra-se numa variedade específica de latim, conhecida como "latim vulgar". Ele era a língua das pessoas que não tinham acesso à cultura letrada, do exército, dos camponeses e dos imigrantes e conquistados (esquema abaixo, Ilari, 1992, p. 64)
O português é uma língua latina...
Expansão marítima portuguesa (1415-1572) e as primeiras gramáticas
Não é apenas a filiação histórica que liga o português ao latim, mas diversas características linguísticas, que vão do léxico à estrutura gramatical, como o sistema verbal e o sistema nominal. Apesar das várias inovações, encontramos ecos do sistema latino por toda a língua portuguesa.
Assim como qualquer língua, o latim tem diferentes períodos, em geral, conhecidos como: 1) latim arcaico ou latim antigo; 2) latim clássico (literário ou culto); 3) latim vulgar; 4) latim tardio.
Fases do latim e expansão da língua latina
MANIOS MED FHEFHAKED NVMASIOI
Em latim clássico: MANIUS ME FECIT NUMERIO
Em português “Manius me fabricou para Numerio”
Depois da queda do Império Romano (476), a Península Ibérica (PI) foi invadida por diversas etnias germânicas, principalmente a patir do século V e.C.; os principais povos germânicos invasores da PI foram os suevos e os visigodos.
Ocupação germânica
Os suevos foram os primeiros a invadir a PI e forjaram um reino próspero entre 410-584;
Resistiram à invasão dos visigodos por vários anos, até caírem em 584;
O reino dos Visigodos ia da França à Portugal (atuais) e perdurou até o século VIII E.C., quando os árabes invadiram a PI;
O reino suevo conservou-se no noroeste da PI.
Em 711, os árabes invadem a PI.
Eles eram comandados pelo governador da província da África, Tarik Ibn-Ziad, e associaram-se ao visigodo Ágila II, a pedido deste, contra seu oponente Rodrigo, último rei visigodo de Toledo, na disputa pelo trono do reino visigodo.
Com a vitória de Ágila, ele recebe o trono, mas os árabes conquistam outros territórios, e acabam por dominar grande parte da península, com exceção de uma parte das Astúrias,
A resistência ficou sob o comando do visigodo Pelágio, que iniciou, a partir de 722, o longo movimento denominado de Reconquista, que só viria a se consolidar em 1492, com a conquista de Granada.
Ocupação árabe
A permanência dos árabes de 711 a 1492 na PI teve diversos reflexos na cultura e na língua. Ao longo desses 7 séculos, várias situações foram identificadas: moçarabe, mudejar, muladi, renegados e marranos.
Significa “ao modo árabe”, “como os árabes”; termo que se refere aos cristãos que viviam sob o domínio árabe. Designa também o conjunto de dialetos falados nas regiões dominadas e com maioria árabe muçulmana na PI.
Há poucos resquícios escritos, mas há diversas obras arquitetônicas, pinturas e esculturas
Moçárabe
Significa “domesticado”; tem origem árabe. Designa o árabe muçulmano que vive em território cristão. Foi uma situação cada vez mais comum com o avanço da campanha da Reconquista. Há um grande legado de arte mudejar
Mudejar
Vayse meu corachón de mib: ya Rab, ¿si me tornarád? ¡Tan mal meu doler li-l-habib!
Meu coração se parte de mim: Oh Deus, acaso vai voltar? Esta dor pelo meu amdo dói tanto!
Mio sîdî ïbrâhîm yâ tú, uemme dolge!
Fente mib de nohte.
In non, si non keris, irey-me tib,
gari-me a ob legar-te.
Meu senhor Ibrahim, ó tu, homem doce!
Vem a mim de noite.
Se não, se não quiseres, ir-me-ei a ti,
diz-me onde encontrar-te.
Reconquista
Os primeiros documentos em português
Português arcaico: do nascimento da língua portuguesa (fins do século XII e início do século XIII), até o início das grandes navegações portuguesas (em torno de 1415, data da tomada de Ceuta, no norte da África, pelos portugueses).
Português clássico: tem início justamente por volta de 1415 e consolida-se na impressionante obra Os Lusíadas, de Camões, datada de 1572.
Português moderno (europeu): inicia-se em 1572 e segue seu curso até os dias de hoje.
Notícia de fiadores - 1175
Testamento de D. Afonso II - 1214
1 De noticia de torto que fecer a Laurcius Fernãdiz por plazo qve fece Gõcauo
2 Ramiriz antre suos filios e Lourzo Ferrnãdiz quale podedes saber: e oue auer, de erdade
3 e dauer, tãto quome uno de suos filios, daquãto podes auer de bona de seuo pater; e fiolios seu
4 pater e sua mater. E depois fecer plazo nouo e cõu uos a saber quale; in ille seem
5 taes firmamentos quales podedes saber Ramiro Gõcaluiz e Gõcaluo Gõca [luiz e]
6 Eluira Gõcaluiz for fiadores de sua irmana que o[to]rgase aqu[e]le plazo come illos
7 Super isto plazo ar fe[ce]r suo plecto. E a maior aiuda que illos hic cõnocer, que les
8 acanocese Laurzo Ferrnãdiz sa irdade per plecto que a teuese o abate de Sancto Martino
9 que, como uces , que asi les dese de ista o abade. E que nunqua illos lecxas
10 daquela irdade d[.] s seu mãdato. Se a lexar, tregar ille de octra que li plaza.
11 E dauer que ouer de seu pater, nu[n]qua le li de der parte.
Notícia de Torto - circa 1214
L1 Noticia fecit Pelagio Romeu, de fiadores: Stephano Pelaiz, XXi solidos; Lecton, XXi soldos; Pelaio Garcia, XXi soldos; Gundisaluo Mendici, XXi soldos;
L2 Egeas Anriquici, XXXta soldos; Petro Conlaco, X soldos; Gundisaluo Anriquici XXXXta soldos; Egeas Monííci XXti soldos; Ihoane Suarici, XXXta soldos;
L3 Mendo Garcia, XXti soldos; Petro Suarici, XXti soldos; Era M CC XIIItia. Istos fiadores atá V annos que se partia de isto male que li auém
1. De notícia do torto que fizeram a Lourenço Fernandes pelo pacto que fez Gonçalo2. Ramires entre seus filhos e Lourenço Fernandes, o qual podedes saber: e havia de ter, de herança3. e de haver, tanto como cada um de seus filhos de quanto pudessem ter dos bens de seu pai; e foram-lhe fiadores deles seu4. pai e sua mãe. E depois fizeram pacto novo e convém-vos saber qual: em ele constam5. tais disposições quais podedes saber. Ramiro Gonçalves e Gonçalo Gonçalves e6. Elvira Gonçalves foram fiadores de sua irmã, para que outorgasse aquele pacto com eles.7. Sobre esse pacto fizeram seu preito. E para maior prova de que eles o reconheceram, que lhes 8. Reconhecesse Lourenço Fernandes a sua herança por preito, que a detivesse o abade de São Martinho,9. que, conforme adquirissem outra, que assim lhes desse o abade parte dela. E que eles nunca alienassem 10. parte daquela herança em seu consentimento. Se a alienassem, dar-lhe-iam outra a seu prazer.11. E dos haveres que tiveram de seu pai, nunca deles lhe deram parte [...]
En’o nome de Deus. Eu rei don Afonso pela gracia de Deus rei de Portugal, seendo sano e saluo, temte o dia de mia morte, a saude de mia alma e a proe de mia molier raina dona Orraca e de me(us) filios e de me(us) uassalos e de todo meu reino fiz mia mãda p(er) q(ue) depos mia morte mia molier e me(us) filios e meu reino e me(us) uassalos e todas aq(ue)las cousasq(ue) De(us) mi deu en poder sten en paz e en folgãcia. P(ri)meiram(en)te mãdo q(ue) meu filio infante don Sancho q(ue) ei da raina dona Orraca agia meu reino enteg(ra)m(en)te e en paz. E ssi este for morto sen semmel, o maior filio q(ue) ouuer da raina dona Orraca agia o reino entegram(en)te e en paz. E ssi filio barõ nõ ouuermos, a maior filia q(ue) ouuermos agia’o. E ssi no tpo de mia morte meu filio ou mia filia q(ue) deuier a reinar no ouuer reuora, segia en poder da raina sa madre e meu reino segia en poder da raina e de me(us) uassalos ataq(uan)do agia reuora. E ssi eu for morto, rogo o apostoligo come padre e senior e beigio a t(er)ra ante seus pees q(ue) el recebia en sa comda e so seu difindemto a raina e me(us) filios e o reino. E ssi eu e a raina formos mortos, rogoli e pregoli q(ue) os me(us) filios e o reino segiã en sa comda.
Em nome de Deus. Eu, rei Dom Afonso, pela graça de Deus rei de Portugal, estando são e salvo, temendo o dia de minha morte, pela salvação de minha alma, pelo proveito de minha mulher, a rainha Dona Urraca, de meus filhos e de meus vassalos e de todo meu reino, fiz meu testamento para que, depois da minha morte, minha mulher, meus filhos, meu reino e meus vassalos, e todas as coisas que Deus me deu em poder (para governar) estejam em paz e tranquilidade. Primeiramente, mando que meu filho, infante d. Sancho, que tive de minha rainha Dona Urraca, possua meu reinado integralmente e em paz. E se ele morrer sem descendentes, que o filho mais velho de Dona Urraca possua o trono integralmente e em paz. E se não tivermos filho varão, que a filha mais velha o possua. E se no tempo de minha morte meu filho ou minha filha que dever reinar não tiver idade, que siga em poder da rainha, sua mãe, e que meu reino fique em poder da rainha e de meus vassalos até que chegue à idade. E se eu for morto, rogo ao apóstolo como padre e senhor e beijo a terra ante seus pés que ele receba sob sua proteção e sob sua defesa a rainha, meus filhos e o reino. E se eu e a rainha formos mortos, rogo-lhe e prego-lhe que meus filhos e meu reino fiquem sob sua proteção.
1536 – Gramática da linguagem portuguesa, de Fernão de Oliveira / 1540 – Gramática / Diálogo em louvor da nossa linguagem, de João de Barros / 1576 – Ortografia da língua portuguesa, Duarte Nunes de Leão.
O português fora da Europa e da América
Macau
Língu di gente antigo di Macau
lô disparecê tamên. Qui saiám!
Nga dia, mas quanto áno,
quiança lô priguntá co pai-mai
qui cuza sä afinal
dóci papiaçam di Macau?
Cabo Verde
Sim, êl há d’voltá
E cs’ é qu’ m há dzê?
Cma m’ speral?
Cma m’ sofrê?...
S’ el ca creditá?
Cs’ ê qu’ m há fazê?
M’ há mostral fidje,
ô m’ há fcá calóde?
A língua da gente antiga de Macau
vai desaparecer também. Que pena!
Um dia daqui a alguns anos
a criança vai perguntar aos pais
o que é afinal
a “língua doce” de Macau?
Sim, ele há de voltar.
E o que tenho que dizer-lhe?
Que o esperei?
Que sofri?...
E se ele não acreditar?
O que hei de fazer?
Tenho que mostrar-lhe a criança,
ou tenho que ficar calada?
Forro
Artigo 1ºTudu nguê di mundu ca nancê livli e igual ni dignidade e ni dirêtu. Punda nen ca pensá e nen tê cunxensa, selá nen fé tudu cuá cu tençón de lumón.
Artigo 2ºTudu nguê ca pô flá ni dirêtu cu liberdade cu sa ploclamadu ni Declaraçón sé, sê distinçón, mó fala di laça, di côlô, di sexo, di lungua, di religiôn, di pensamento político ô ôtlo, di natureza di téla ô di sociedade, di liqueza, di naximentu ô qualqué ôtlo situaçón.Alén di cuá sé, a na ca pô fé nê ua separaçón baseado ni estatuto político, jurídico ô di téla di qualqué nguê, mêmu xi téla sé conquistá dependenxa zá ô xi ê naxi tê fa.
Para entendermos a formação e fixação do português no Brasil, é imprescindível que entendamos também como se deu a ocupação do território, algo que está diretamente ligado aos ciclos econômicos e à urbanização progressiva do Brasil.
A chegada da língua portuguesa no Brasil e a ocupação do território nacional
Há duas grandes propostas para explicar o que é o PB, suas peculiaridades e suas diferenças com relação ao PE. Podemos chamá-las de "externalista" e "internalista".
O que é o PB? Disputas sobre a formação e a origem do PB
Cenas da formação do PB
Pelas atividades econômicas, há um português falado na costa e um português falado no interior; o português do interior dividi-se em sul (São Paulo) e norte (região amazônica), uma coincidência que também se dá com relação às duas línguas gerais faladas no país: a língua geral paulista e o nheengatu.
O português de São Paulo e o Ciclo do Ouro
O PB não é homogêneo se o reconhecimento de suas variedades se fez, e se faz, sentir de muitas maneiras, e talvez a mais comum delas seja na mídia.
As variedades do PB atual
O português da região amazônica e o Ciclo da borracha
A principal atividade econômica de São Paulo, até o início do Ciclo do Ouro (1700), era o aprisionamento de indígenas para serem vendidos como escrevos nas plantações de cana-de-açucar no litoral. Por conta disso, os paulistas (bandeirantes) sabiam a língua dos índios.
Porém, "A partir da segunda metade do século [XVII], a aquisição de mão-de-obra indígena através do apresamento tornou-se crescentemente difícil, pois as expedições passaram a enfrentar sertões pouco conhecidos, distâncias maiores e crescente resistência indígena. O declínio na rentabilidade das expedições provocou uma séria crise na economia paulista." (Monteiro, 1994, 209).
Em um relatório escrito para o Rei de Portugal Dom Pedro II, o governador Antônio Paes de Sande, em 1693, conta: Os filhos primeiro sabem a lingoa do gentio, do que aprendem a materna, sam de gentil indole e gênio para as campinhas
Isso não significou o total abandono da LGP e a adoção do português. Um episódio da Guerra dos Emboabas (1707-1709) mostra que a LGP ainda era falada: “cabos paulistas mais exaltados “começaram a falar, pela língua da terra [ou seja, o tupi], que melhor era matar” o governador. Antônio de Albuquerque percebeu a trama – tendo morado no Maranhão dos 12 aos 16 anos de idade, acompanhando o pai, funcionário da Coroa, ele dominava a línguas dos índios. Como o impasse não se dissolvia e as juras em tupi continuavam no ar, Antônio de Albuquerque resolveu por bem dar por encarrada a negociação” (Figueiredo, 2011, p. 175-176).
Um documento de 1816 mostra como a fala paulista já era rapidamente identificada:
encontramos / pelas onze horas mais ou menos da / mesma noite na Rua do Vinagre junto /à porta de um tal Fayal, bem de fronte / da travessa que toma para a Rua Augusta / uns oito vultos, dois ou trez dos quaes com / borretinas do uniforme de cavallaria /de S. Paulo, ao presente destacada nesta Vª [corroído] os mais vestidos de ponxes com chapeos /desabados, os quaes fomos reconhecer da par- / te da Justiça, como era da nossa obrigação /declarando serem soldados do Regimto / d. São Paulo – como com effeito erão, e se /conhecerão pela diferença e singularidad.e da sua voz e pronúncia – que ali se acha - /vão com licença do seu Then.e Cor.El comand.Te(Fonte: Miranda, F. G.; Saraiva, J. P. A. e Vieira, S. F. Ofícios dos Juízes de Fora para o Presidente da Província (1814-1821),
“Ponha efficaz deligencia em que os índios sejam práticos na lingua portuguesa. e vos recomendo a infallivel observancia desta minha Real ordem”. Carta Régia de 12 de setembro de 1727. (ABAPP, T.II 1902: 191, apud Freire, 2011, p. 93)
“Os moradores nascidos no Pará sabem primeiro fallar a língua dos índios, do que a portugueza; porque como não bebem, nem se crião com outro leite mais, que com o das índias, com o leite bebem também a língua (...)”. Padre Jacinto de Carvalho, 1729 (Reis, 1961, p. 495, apud Freire, 2011, p. 58).
Tinhão-se estes mizeráveis [jesuítas e moradores] habituado afallarem a referida Lingoa (geral) com todos os indios que trazião dos certões, sem de forma alguma lhes querer ensinar a Portugueza, porque [...] os indios emfalando portuguez se fazião ladinos, e em consequência desobidientes. (Mendonça Furtado, 1759 apud Freire, 2011, p. 67).
A região amazônica permanece praticamente despovoada (pelo menos com relação à portugueses, demais europeus e asiáticos) até o Ciclo da Borracha, que tem início somente na segunda metade de 1800.
Num tal ambiente, a língua geral, nheengatu, tinha muita mais circulação e papel/valor social do que o português, algo que provocou reações da Coroa Portuguesa:
Segundo os estudos de Freire (2011), somente em 1872 o português é a língua da maioria dos habitantes da região amazônica, e se isso dá por conta de três razões principais: (i) o Ciclo da Borracha, que atraiu cerca de 500 mil nordestinos (falantes de português) para a região, (ii) a Revolta da Cabanagem (1835-1840) e (iii) a Guerra do Paraguai (1864-1870); nas palavras de Freire (2011), pp. 243-244):
a Cabanagem, a Guerra do Paraguai – cujas consequências demográficas para a região foram catastróficas –, a escolarização, a mudança do sistema de transporte e comércio, a inserção da Amazônia na divisão internacional do trabalho como produtora de borracha – o que provocou a entrada de grandes contingentes de nordestinos.
A Revolta da Cabanagem foi um importante conflito que ocorreu entre 1835-1840. Há várias questões sobre essa revolta, mas aqui nos interessa olhar para três textos escritos por cabanos, que revelam um pouco de como era o português falado então:
A língua dos cabanos
Axome çem monisão que muntas vezis teno pidido. Çe uver cunfelito aqi não çei o qe soçederá. Çe não á qartuxami prontu mandi polvra i xumbo qe aqi çe imbalará. Açim dispurvido como estú não poço respunder pellos soçocos qe agão e estarei em pouçilitado de zequtar qalqer prugetu. Com esseção de farinha não á mas vivres neste pontu. Vai este purtador buscá carni ó peche. Mande o qe uver com brividade. Halguns camaradas já çairão daqi pur farta de cumer. Deos garde v. ex. Pontu da Barra 3 de otobro de 1835. – Antonho Fostino. Manjor da Artilharia.
Participu a V. Exa. q. tenho a honra Remeter novi Buis para despuzisons de V. Exa. Non repari não ter hido amais tempu o Gado foi por non terin xegado amais tempu e tãoben non aver enbargasons soficiente: Rogo a V. Exa. Q. dalguma manera nois quera quadejovar com a portesão de V. Exa. em nois envihar monisão tantu de musquitaria comum de hartilharia cendo para pessa calibri I e 3, pôs nóis estamo mointo ariscado nisti pontusigondo as nutiçia q. temus dus nósos ennimigus. Tãoben rogo a V. Exa. nois quera há-remidiar con algun çal e mesmo harmamentu q. estamos mointos faltos deles. Ex.mo Sr., nõn ce quera isquecer do pididu q. o Juis de Pais d’esta Vila feiz para os Povos q. V. Exa. bem sienti ade estar. O mais V. Exa. verá no Pidido jontu q. faz obegeto tãoben desti ufisio. Deos Garde V. Exa. pur moitos anus. Soures 13 de Dezembru de 1835. Il.mo. Ex.mo Sr. Edoardo Francisco Nugera Amgilin Prisidenti. José Antonho do Nascimento Tenenti Commandanti.
...E se V. Exa. responsave pellos mal desta provincia não sortar logo logo móhirmão e otros patrisio que saxão prezo prometo intrar na sidade comeu inzercito de sinco mil Ome i não dexar Pedra sobre Pedra.
Quem quer que frequente o teatro nacional ficará desagradavelmente ferido ante a diversidade de pronúncias que se entrechocam no ar. Essa diversidade deriva em parte de atores estaduanos que, trazendo consigo suas pronúncias regionais e não fazendo nenhum esforço para unificar essas pronúncias em benefício do equilíbrio e unidade fonética, tornam a obra-de-arte um mistifório malsoante, irregular de estilo e de sonoridade, muitas vezes, por isso, de penosa compreensão para o ouvinte. [...] E que dizer-se da quantidade de artistas, Portugueses, Espanhóis e Italianos, ou ainda mesmo Brasileiros filhos de estrangeiros, que surgem numerosamente no palco nacional, num desprezo cego do bem dizer, e que carreiam para a nossa linguagem sons espúrios, sutaques (sic) estrambóticos, desnorteando a naturalidade e a pureza da língua! (Mário de Andrade, Anteprojeto da Língua Nacional Cantada, 1936, p. 4)
O problema da língua comum [...] apresenta no Brasil a tendência espontânea de realizar-se naturalmente, que deve ser apoiada por uma política lingüística consciente. A força do Recife para certa área, desta soberba Salvador para outra, do Rio, de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, cada um para sua periferia, mostra que tendemos para certos padrões regionais amplos e pouco numerosos. Graças aos modernos meios de comunicação viva, à distância, aliados a uma população que se multiplica em permanente fusão de nacionais de todos os pontos em todos os pontos é possível para a intercomunicação de âmbito universalista no nosso território adotarmos lúcida e conscientemente uma média de falar equidistante de todos os padrões regionais básicos. O nosso Congresso, porém creio eu, não aspira a servir tão-somente à língua falada no teatro. Ao contrário, aspira à língua falada culta no Brasil todo inteiro. Se chegarmos a um padrão culto aceitável para o teatro, este se imporá, por vir de consequência, ao rádio e à televisão, ao cinema e ao magistério, ao parlamento e à tribuna em geral, em suma a todas as categorias profissionais que fazem da técnica da língua uma finalidade, ou pelo menos um instrumento cuja finalidade seja na medida do possível pan-brasileira. (Celso CUNHA, 1959)
Como diz Teyssier (1997, p. 98): A realidade, porém, é que as divisões “dialetais” no Brasil são menos geográficas que socioculturais. As diferenças na maneira de falar são maiores, num determinado lugar, entre um homem culto e o vizinho analfabeto que entre dois brasileiros do mesmo nível cultural originários de duas regiões distantes uma da outra. A dialetologia brasileira será, assim, menos horizontal [i.e., geográfica] do que vertical [i.e., social]. Há, desse ponto de vista, uma série de níveis no “brasileiro”: no ápice, a língua das pessoas cultas (com gradações entre um registro oficial escrito e um registro familiar livre); depois, a língua vulgar das camadas urbanas gradativamente menos instruídas, e, finalmente, os falares regionais e rurais.
Teorias internalistas
Por sua vez, as teorias externalistas propõem uma origem crioula para o PB, tratando as diferenças entre o PB e o PE como resultado de, num primeiro momento, um crioulo de base que foi se aproximando, num segundo momento, do PE através de um processo de descrioulização, devido ao prestígio da variedade europeia. Para essas teorias, os aloglotas têm o papel de atuarem no desenvolvimento de um crioulo e também na sua descrioulização (obviamente, nos dois casos, de modo inconsciente). Diferentemente das posturas internalistas, os externalistas defendem que as mudanças que afastaram o PB do PE não são resultado de simples mudanças linguísticas históricas, mas seriam modificações abruptas, qualitativamente diferentes das mudanças históricas que acontecem normalmente nas línguas, e teriam sido proporcionadas pela existência de um crioulo na base do PB. O PB que falamos hoje seria então o próprio crioulo depois de passar por um (profundo e rápido) processo de “descrioulização”. Essas teorias têm que explicar então como se deu a suposta "descrioulização".
Teorias externalistas
Segundo os internalistas, todas as diferenças entre o PB e o PE podem (na verdade, devem) ser explicadas por características estruturais da língua portuguesa, sem o apelo à influência externa, a um crioulo de base, ou a uma crioulização prévia; as diferenças observadas entre PB e PE seriam simplesmente continuações de mudanças que já começaram na fase de diferenciação do latim vulgar para os romances. Sendo assim, teorias que se situam no grupo internalista têm que, de alguma forma, atribuir um papel aos indígenas e os africanos que participaram da formação do PB, afinal é inegável que na formação do português brasileiro, a maioria dos participantes eram aloglotas (pessoas que não tinham o português como língua materna), e se não houve um crioulo de base, qual é a importância ou papel dos aloglotas na formação do PB? Além disso, se não houve a formação de um crioulo, então, para os partidários das teorias internalistas, as mudanças que levaram à diferenciação do PB do PE são nada mais nada menos do que mudanças históricas comuns. A ideia é que o português carrega em si diversas possibilidades de mudanças estruturais; algumas delas se desenvolveram no Brasil e outras não; o mesmo vale, mutatis mutandis, para Portugal. A questão é saber por que as mudanças que ocorreram foram diferentes nos dois lados do Atlântico.
1852
por volta
de 1709
Repare ainda no constraste:
a) A bicicleta furou o pneu.
b) ? A bicicleta roubou o pneu.
c) A bicicleta roubaram o pneu.
Eu vi o menino.
Eu vi esse/aquele menino.
Eu vi um menino.
Eu vi algum menino.
Eu vi todo menino.
Eu vi menino
O cachorro late.
Esse/aquele cachorro late.
Um cachorro late.
Algum cachorro late.
Todo cachorro late.
 Cachorro late.

Talvez uma melhor compreensão do PB e um olhar científico sobre a linguagem evitaria discussões baseadas em preconceitos e pouco proveitosas...
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