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A mulher, a mãe e a constituição do amor materno na contempo

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Mariana Azevedo de Souza

on 6 April 2015

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Transcript of A mulher, a mãe e a constituição do amor materno na contempo

A mulher, a mãe e a constituição do amor materno na contemporaneidade

Mariana Azevedo de Souza
Orientadora: Simone Caldas Bedin

INTRODUÇÃO
Ao longo da história a criança, a família, o homem, a mulher e as relações entre si vêm sendo estudadas.
O amor materno foi entendido por muito tempo em termos de instinto, pensando que toda a mulher ao se tornar mãe encontra em si mesma todas as respostas à sua nova condição.
Segundo Badinter (1985) o amor inato da mãe pelo seu bebê é uma construção social.
A MULHER E A MATERNIDADE ATRAVÉS DA HISTÓRIA
Redesenhando a maternidade

Problema:
Como a relação mãe bebê é constituída na contemporaneidade?

Objetivos:
Averiguar o contexto histórico no qual surge a importância da relação mãe-bebê
Conhecer qual a importância da relação mãe-bebê na constituição do sujeito para a psicanálise
Investigar como a relação mãe-bebê vem se delineado na contemporaneidade
METODOLOGIA

Método qualitativo de pesquisa bibliográfica
Tem a finalidade de fazer com que o pesquisador entre em contato direto com todo o material escrito sobre um determinado assunto, auxiliando o cientista na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações.

Imagens e textos da Zero Hora, da edição de Dia das Mães do ano de 2014

Até o século XVI a mulher e a família participavam do trabalho e viviam perto do homem, na sala ou nos campos, sendo o homem ainda considerado superior à mulher e à criança (ARIÈS, 1981).

Segundo Costa (2010) a indiferença dos adultos em relação às crianças era uma consequência ao perfil demográfico da época. Havia pouco apego dos pais em relação às crianças, devido ao fato de que poucas crianças sobreviviam.

Badinter (1985) afirma que a educação das crianças das classes burguesas se dava por três fases diferentes: a colocação na casa de uma ama, o retorno ao lar e depois a partida para o convento ou internato.
No século XIX, é imposto, "à mãe, a obrigação de ser mãe antes de tudo, e engendram o mito que continuará bem vivo duzentos anos mais tarde: o do instinto materno ou do amor espontâneo de toda mãe pelo filho" (BADINTER, 1985, p.145).

Foi atribuído ao pai, funções paternais: a autoridade que acompanha a proteção do filho, dentro das necessidades da criança, sendo o rompimento ou não dos laços naturais entre pais e filhos uma consequência.

A psicologia pós-freudiana é apontada como importante fontes dos argumentos que contribuíram para a idealização e para o reforço do papel materno, na medida que enfocaram a relação mãe-bebê como decisiva no desenvolvimento da criança. A psicanálise contribuiu para que aos papéis materno e paterno fosse acrescida uma perspectiva cada vez mais individual.
A RELAÇÃO MÃE-BEBÊ NA CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO
Na busca por ampliar a questão do amor materno é importante esclarecer como a psicanálise entende a constituição do sujeito e, por conseguinte qual a importância da relação mãe e bebê para seus principais teóricos. O retorno a estes fundamentos tem por objetivo ancorar a compreensão e as possíveis análises sobre o tema.

Freud foi escolhido devido a ser o primeiro a trazer questões acerca da psicanálise e do inconsciente na mulher e na criança.

Freud acredita que há uma união entre a mulher e a mãe, pois quando pensa na elaboração do Édipo na mulher, um dos caminhos para a solução é a substituição da fantasia de ter um filho do pai, através da maternidade, pela equação filho=falo.

O laço mãe-bebê é compreendido como uma retomada do próprio narcisismo da mãe, ao mesmo tempo em que a há a necessidade de se extrair dele.
Freud, a maternidade como resposta
Melanie Klein, o precoce na constituição do sujeito
Formação arcaica do supereu: a criança renuncia à satisfação de seus desejos edipianos atingidos pela proibição, abandona o objeto de amor e de desejo incestuoso e transforma seu investimento nos pais em identificação com os pais, ou seja, ela internaliza a proibição (NASIO, 1995).
Para Melanie Klein (1982), o conflito edipiano só pode ser resolvido no seu lugar de nascimento, ou seja, no corpo da mãe.
Winnicott e o reconhecimento da alteridade
Winnicott transformou a mãe freudiana, que proíbe e frustra, em outra, que se adapta ativamente às necessidades do bebê. A mãe que é descrita como primeiro objeto de desejo contrapôs outra, que abriga o desamparo.
A “mãe suficientemente boa” reconhece a própria ambivalência e identifica seu amor e sua raiva, sem nada fazer a respeito, apenas a comporta e a tolera. Por isso é suficiente e boa (LOBO, 2008).
O bebê só se torna pessoa em virtude da relação com outra pessoa, nos primórdios da vida.
Lacan e os possíveis lugares subjetivos
A criança é tratada como uma solução para a falta feminina, já que o falo é o significante que faz da mulher um ser em falta.

O falo está ligado à sua relação com o filho. Na criança a mulher encontra uma satisfação, que satura, mais ou menos bem, sua necessidade de falo. Lacan liga novamente a maternidade e a castração.

Sendo traumatizante ou não, o desmame deixa no psiquismo humano um traço permanente da relação biológica que ele interrompe. Essa crise acaba se duplicando, com efeito, numa crise do psiquismo, pois pela primeira vez há uma tensão vital se resolve em intenção mental (LACAN, 1985).

É atribuído ao falo o significado enigmático do desejo da mãe. É introduzida uma distância entre o objeto de desejo, o falo, e a criança, significando que o falo não recobre totalmente a criança.
SE MÃE É TUDO IGUAL... E A PSICANÁLISE COM ISSO?
A partir das referências citadas anteriormente, utilizamos a mídia impressa para ilustrar a relação mãe-bebê na contemporaneidade. O homem moderno é visto como detentor de necessidades e não hesita em buscar formas de felicidade, para tal se vale de objetos capazes de lhe prover o máximo de satisfação.

Na sociedade contemporânea, a mídia assumiu um papel fundamental nos processos de produção de sentidos, introduzindo transformações substantivas nas práticas discursivas cotidianas.

Para pensar como a relação mãe-bebê vem sendo pensada na atualidade, utilizou-se de forma aleatória imagens e frases no jornal Zero Hora do dia das mães do ano de 2014.

Por ser uma edição dominical, é o dia de maior número de edições lidas, inclusive aos domingos há o caderno feminino Donna.
Refletindo com imagens
Mãe deve ser mulher para que o filho realize sua subjetivação
A mulher deseja mais além do falo, não é toda falo
Mulheres envolvidas no mercado de trabalho
Lugar do pai se mistura com as clássicas tarefas maternas. “Acredito que ao lado desse pai haja uma mãe menos sobrecarregada e que soube repartir velhos privilégios”.
Pai entre em cena como elemento para intervir na relação mãe-criança-falo.

Identidade entre homem e mulher, pai e mãe estão permeadas,misturadas com plurais de representação.
Mãe como centro, porém o que é da mãe é de todos.

Novos modelos vão para além da função de mãe.
Relação mãe-bebê estabelece modelobásico de como se relacionará consigo e com o mundo.
Primeiros momentos: mãe como essencial

“Mãe é mãe, só muda o endereço” muda o sentido no contemporâneo.
Winnicott e a mãe suficientemente boa.

Equação pênis = falo = trabalho = autonomia financeira = bebê
Felicidade = completude --> utópica
Lacan: ser humano é insaciável, sempre há um resto de insatisfação.
Últimos 100 anos: diversificação na aposta de realização fálica nas mulheres
Novos modos de brincar
Maternidade: realização do reencontro com a condição feminina.

Preocupação incessante
Winnicott --> preocupação materna primária

Mães mais próximas dos filhos
Maternidade não é sempre a escolha primeira das mulher, porém quando escolhida, geralmente torna-se a mais importante.
Mulheres que se recusam a sacrificar aspirações prol à ter filhos são em grande número para serem consideradas patológicas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir do século XIX se configura uma nova politização da maternidade
"cada um tem que descobrir a sua maneira particular de ser feliz” (FREUD, 1930-1936, p. 40-41).
Para Bauman (2001), felicidade não é resultado de se imitar as histórias felizes de outras pessoas, pois cada ser humano possui um mundo perfeito feito especialmente para ele ou para ela.
Percebe-se com a análise do Jornal Zero Hora que diferentes vozes,intermediam e incidem de várias formas na produção no conceito da maternidade contemporânea.
Psicologia: colocar em análise a presença desses discursos cristalizados no tecido social
Mulher quer sentir-se realizada com o trabalho, financeiramente, com o amor romântico. O filho trará mais realização ainda.
Mídia: mãe como uma mulher forte, centro da família, porém delicada e que deve ser tratada com um cuidado.
Mulher contemporânea, mesmo sendo mãe é mãe de uma forma diferente.
Mãe é quem cria.
Mãe é quem cria forças para superar qualquer dificuldade.
É quem cria vínculos fortes e relações verdadeiras.
Mãe é quem cria a coragem para proteger.
É quem cria os valores que levamos para as nossas vidas.
Nos momentos difíceis, cria uma energia inexplicável.
Mãe é quem cria as melhores maneiras de ajudar quem precisa.
É quem cria formas de apoiar a realização dos nossos sonhos.
Por isso, a cada gesto e a cada atitude, as mães transformam
O mundo em que vivemos em um mundo muito melhor.

Propaganda da RBS TV na Zero Hora, edição Dia das Mães, 11/05/2014, p. 3.

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS
ARIÉS, Philippe. História social da criança e da família. Trad. Dora Flaksman. 2. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1981.
BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
BAUMAN, Zigmund. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
COSTA, Terezinha. Psicanálise com crianças. 3. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
FREUD, Sigmund (1914). Sobre o narcisismo: uma introdução. In: Obras completas: Edição Standart Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, v. 14, 1976 .
___________ (1930-1936) O mal estar na civilização. In Obras completas: Edição Standart Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, v. XVIII, 1976.
___________(1932). Feminilidade. In: Obras completas: Edição Standart Brasileira. v. 22. Rio de Janeiro: Imago, v. 22, 1976.
JERUSALINSKY, Julieta. Angústia na pós-maternidade. Rev. Assoc. Psicanal. Porto Alegre. Porto Alegre, n. 35, p. 9-20. 2008.
KEHL, Maria Rita. Deslocamentos do feminino: A mulher freudiana na passagem para a modernidade. 2.ed. Rio de Janeiro: Imago, 2008
KLEIN, Melanie et al. Os progressos da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
LACAN, Jacques (1969). Duas notas sobre a criança. In: LACAN, J. Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1979.
LACAN, Jacques (1981). Complexos familiares na formação do indivíduo:ensaio de análise de uma função em psicologia. Rio de Janiero: Jorge Zahar, 2002.
LOBO, Silvia. As condições de surgimento da “Mãe Suficientemente Boa”. Revista Brasileira de Psicanálise. São Paulo. v. 42, n. 4, p. 67-74. 2008.
NASIO, J. D. (Org). Introdução às obras de Freud, Ferenczi, Groddck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.
ROUDINESCO, Elisabeth. Família em desordem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.
WINNICOTT, D. W. Da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: Imago, 2000.
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