Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

R.B.J.Walker: "Inside/Outside"

No description
by

Thiago Rodrigues

on 20 July 2016

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of R.B.J.Walker: "Inside/Outside"

R.B.J.Walker: "Inside/Outside"
As teorias de RI "parecem menos um conjunto de variações sobre o tema da política do poder (...) do que uma oficialização de uma explicação historicamente específica da natureza, da localização e das possibilidades da comunidade e da identidade políticas" (p. 33)
As teorias de RI ajudam a estabelecer "os horizontes em que do lado de fora [
outside
] é perigoso empreender qualquer ação política que aspire ao racional, ao "realista", ao sensível, ao responsável ou até ao emancipatório" (p. 23)
Teorias de RI estão preocupadas
com "definição de fronteiras" (p. 33)
As teorias de RI "podem ser interpretadas (...) como expressões de um entendimento historicamente específico do caráter e da localização da vida política em geral (p. 22)
"As teorias de RI interessam mais como aspectos a serem explicados do que como explicações sobre a política mundial contemporânea" (p. 22).
"(...) elas podem ser interpretadas como um discurso característico do Estado Moderno e como uma prática constitutiva cujos efeitos remontam aos interstícios da vida diária" (p. 22)
As teorias de RI colaboram para demarcar o "dentro" ("política") e o "fora" ("anarquia"), auxiliando a determinar "teorias de possibilidade política dentro dos Estados" (p. 23)
Ciência Política
Teorias de RI: "teorias de meras relações além dos limites seguros do Estado territorial moderno" (p. 23)
As teorias de RI são "expressões da Pax Britannica e da Paz Americana" (p. 35)
projetos políticos hegemônicos:
historicidade;
saber/poder
apoiar a legitimação
das fronteiras estatais
[aspecto político]
legitimar-se como ciência
apartada da ciência política
[aspecto epistemológico]
"Chego a pensar que intencionalmente as relações internacionais impedem que se pense sobre política. (...) Em parte, minha reputação é de uma espécie de terrorista tentando demonstrar como não se pode entender o mundo por meio dessas categorias. O mundo simplesmente excede essas categorias, mas elas também são profundas e poderosas forças disciplinares que reafirmam uma visão de como o mundo deve ser. Isto é profundamento normativo. O que é estranho sobre esta perspectiva é que ela funciona por afirmar ser realista, quando é exatamente o oposto. Mas faz isso (...) acusando a perspectiva oposta de ser idealista" (p. 57)
O segredo do realismo (...) é manter-se atrelado a categorias aparentemente estáveis e seguras, como autodeterminação (...) e afirmar ser capaz de lidar com as consequências dessa postura. Isto termina simplesmente afirmando que certos tipos de violência são legítimos em nome da manutenção dessa ideia de liberdade e autodeterminação. Portanto, trata-se de uma disciplina muito fechada , mas não estúpida. É politicamente brilhante, mesmo que intelectuamente incoerente. É preciso entender a diferença entre incoerência intelectual (...) e seus efeitos políticos" (p. 57)
Robert Walker, "Liberdade sem igualdade", entrevista,
Revista de História da BN
, Dez. 2013
"as relações espaço-tempo expressas pelo princípio da soberania estatal [não] oferecem uma explicação plausível das práticas políticas contemporâneas, incluindo a prática dos Estados"(p. 32)
emergiria "uma política mundial [
world politics
] que abrange o planeta" articulada a uma "política local originada de locais particulares" (26)
novas possibilidades de organização política
para além das formas modernas (as comunidades políticas e identidades políticas modernas): nacionalidade, raça, ideologia,
classe social
despontaria uma
"política mundial"
["world politics"]
global, local e com o espaço atravessado
por fluxos transnacionais
novas temporalidades, novas espacialidades
e novas possibilidades de experiências políticas
[justificativa do Estado]
[justificativa da disciplina das RI]
as Teorias das RI preponderantes (tradição realista ou liberal)
são formas de saber articuladas ao pensamento político moderno, ou seja,
reportam-se ao Estado Moderno
e aos discursos que o fundam e legitimam
são saberes associados à dimensão espaço-temporal do Estado Moderno...
"... como discursos sobre limites e perigos, sobre as supostas fronteiras da possibilidade política no espaço e no tempo do Estado Moderno..."
"...as teorias de RI expressam e afirmam os horizontes necessários da imaginação política moderna" (p. 23).
temporalidade
: a diacronia teleológica da história das formas de organização políticas (o Estado Moderno como instituição definitiva) e a História como mera sucessão de arranjos das unidades (os Estados), numa estrutura estática
espacialidade
: a rigidez dualista entre o "espaço interno" (inside) e o "espaço internacional" (outside)
espaço e tempo na racionalidade do Estado Moderno são estáticos
teleologia é combinada anistoricismo
que essencializa:

1)
a lógica da "soberania estatal"
(autonomia, autodeterminação)
2)
a racionalidade política do Estado (o "realismo político"
que separa a ética política da moral conforme a leitura essencialista e anacrônica que os realistas em RI fazem de Maquiavel)
para Walker, o conceito de Estado Moderno transpõe para o âmbito jurídico-político a reflexão filosófico-política sobre a identidade do sujeito moderno (indivíduo autônomo e racional)
as Teorias de RI, por sua vez, tomam essa reflexão própria dos inícios da Modernidade Ocidental e a essencializam em
ontologias rígidas e universais
por isso, no discurso político da modernidade (e das Teorias das RI) a
dimensão "espaço"
tem primazia sobre a
dimensão "tempo"
pois trata-se de justificar o Estado como entidade que
se realiza espacialmente no território
o indivíduo humano, ao mesmo tempo que é definido na Modernidade como membro de uma
mesma espécie
(o conceito de Homem é auge do pensamento moderno), também é agrupado e separado em categorias excludentes (as
nacionalidades
)
a identidade política vinculada à nacionalidade e à soberania estatal passa a ser
o elemento de definição e subjetivação mais importante
: o que define quem nós somos, em contraposição ao que não somos
a alteridade do "Outro nacional"
diante da
ameaça constante do espaço inseguro da política internacional
(a analogia
com o "estado de natureza").
desse modo:
as teorias sobre as Relações Internacionais explicitam suas
bases contratualistas
:
> a "vida" (existência física, manutenção da propriedade privada, vida política) só seria viável dentro dos limites do Estado (inside)
> "inside" seria sinônimo de "paz civil" (Hobbes) em contraposição ao "estado de natureza" das relações internacionais ("outside" como "guerra perpétua")
eis a "chantagem hobbesiana" de realistas e liberais: o Estado é absolutamente necessário para proteger a cada um do seu vizinho e dos perigos das relações internacionais
mais do que isso, as teorias de RI fazem parte da mais ampla tradição filosófica ocidental de corte platônico, atualizada na Modernidade: o dualismo ontológico
"Bem" X "Mal"
"identidade" X "diferença"
"self" X "Outro"
"dentro" X "fora"
"paz" X "guerra"
"ordem" X "anarquia"
essas dualidades colocariam as balizas, os parâmetros de toda a
"imaginação política"
da Modernidade
ou seja,
ficamos incapazes
de pensar outros arranjos políticos que não sejam o Estado Moderno
reputando qualquer outra forma
de organização política da vida social
como "primitiva" (atrasada) ou "utópica" (impossível)
eis a grande eficácia e força política do pensamento político moderno e, por extensão, das Teorias de RI:
naturalizar e essencializar o Estado, disciplinando nossa "imaginação política"
a
suposta
impossibilidade de superar a "anarquia internacional"
é parte da crença no Estado
e, ao mesmo tempo,
elemento central para justificar sua existência e necessidade
Walker sustenta que as Teorias das RI são
despolitizadas
porque essencializam as definições de "Estado" e "indivíduo", congelando-as no tempo e no espaço
o autor defende que as RI sejam praticadas como "teoria política", ou seja, que encarem os problemas cruciais da sociabilidade humana: a produção de identidades, as relações de força, a produção das verdades científicas, a produção do direito e das próprias institutições políticas
isso porque as Teorias das RI não conseguem enfrentar os problemas políticos contemporâneos, época em que as dinâmicas econômicas, sociais, conflituosas etc. não obedecem minimamente as seprações estanques entre "dentro" e "fora"
a própria noção de "política internacional"
[international politics]
precisa ser problematizada, pois, seguindo os conceitos realistas e liberais não seria possível falar em "política internacional"

se "política" é o que acontece no espaço demarcado pelas fronteiras nacionais e disciplinado pelo Estado (inside)
e o que existe "fora" (
outside
) é "anarquia", ou seja, o reverso da política
não haveria, portanto, "política internacional"...
desse modo, ironicamente, o título do mais famoso livro de Kenneth Waltz (
Theory of International Politics
, 1979) é um equívoco diante dos próprios parâmetros conceituais de Waltz
ao considerar uma "política mundial", Walker expressa uma noção diferente de "política" (e, por extensão, de "poder"), que remete a Foucault, e abala a divisão estanque entre "inside" e "outside"
Full transcript