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Consumidores e Cidadãos

Canclini
by

Ramachandra Branco

on 30 January 2015

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Transcript of Consumidores e Cidadãos

A cidadania nas
comunidades de consumidores Da épica ao melodrama:
a pós-revolução Como se expressa
hoje a sociedade civil Negociação da
identidade
nas classes
populares? Do melodrama ao videogame: a pós-política Negociação, Podem os processos de democratização, que funcionam com dificuldade somente dentro das fronteiras nacionais, ser estendidos a sistemas transnacionais de administração do poder, dos bens e da comunicação? Dicotomía: popular x não-popular;
Popular como repertório de conteúdos pré-industriais;
O popular não por sua essência, mas por sua posição, risco do maniqueísmo;
Negociação Integração Resources e Desconexão Estamos passando da afirmação épica das identidades populares – como parte das sociedades nacionais – ao reconhecimento dos conflitos e das negociações transnacionais na constituição das identidades populares e de todas as outras. Deparamo-nos com a reorganização dos mercados de bens simbólicos e políticos em que o espaço de negociação se diluem. A subordinação da ação política à sua espetacularização pela mídia reduz a importância dos partidos, dos sindicatos, das greves, das manifestações públicas de massa, enfim, das instancias que a negociação pode ser efetuada. Fundamentalistas e Ecléticos Classificação de Ajun Appadurai a) Etnoscapes, movimentos populacionais de imigrantes, turistas, refugiados, exilados e trabalhadores sazonais;
b) Technoscapes, fluxos produzidos pelas tecnologias e corporações multinacionais;
c) Finanscapes, os intercâmbios de moedas em mercados internacionais;
d) Mediascapes, repertórios de imagens e informação criados para serem distribuídos em todo planeta pelas indústrias culturais e;
e) Ideoscapes, modelos ideológicos daquilo que se poderia chamar de modernidade ocidental: as concepções de democracia, liberdade, bem estar e direitos humanos que transcendem as definições das identidades particulares; Acrescento as formas de pensamento tradicional e não ocidental, como orientais e latino-americanas, que se diluem em vários continentes.
Revitalizações de nacionalismos, regionalismos e etnicismos na exaltação das tradições locais e fundamentalismo belicista.

Porque sustentamos então que estas reações fundamentalistas estão em crise e não têm futuro? Estas maneiras de “resolver” as questões de identidade são irrealistas em países com uma composição sociocultural muito heterogênea e que há séculos interage com os processos de internacionalização moderna. As políticas que reconhecem um papel importante à negociação se sustentam no papel constitutivo das interações no desenvolvimento das culturas. A adoção da modernidade não substitui necessariamente suas tradições, a pura preservação das tradições nem sempre é o caminho mais apropriado para se reproduzirem e melhorarem sua situação. A pergunta é por que as classes subalternas colaboram com tanta frequência com quem as oprime, dando-lhes votos nas eleições e pactuando com eles na vida cotidiana e nos embates políticos? A partir das contribuições de Michel Foucault e de estudos dos movimentos sociais, deixou-se de perceber o poder apenas como uma ação dominadora exercida verticalmente sobre os dominados e passou-se a considerá-lo como uma prática descentrada e multideterminada das relações políticas, cujos conflitos e assimetrias são moderados pelos compromissos entre atores colocados em posição desiguais. As lutas políticas adquiram um caráter abstrato, onde as indústrias comunicacionais substituem as interações diretas pela mediatização eletrônica. Em que lugar e quem pode tomar decisões quando uma campanha eleitoral custa milhões de dólares e a imagem dos candidatos não se baseia em programas partidários, mas em adaptações oportunistas sugeridas pelas agências de marketing político? O contato com a cultura popular se efetua pela construção de ícones de comunicação de massa e não por meio de trocas de informação ou das análises dos problemas populares. Nada de discursos “intelectuais”, nem confrontos diretos, imprevisíveis, com as tensões sociais. Nesta etapa pós-política, em que se age como se não houvesse luta, tem-se a impressão de que não é necessário negociar; apenas se fotografam, se filmam, se televisionam e se consomem estas imagens. Atualmente os conflitos não se dão apenas entre classes e grupos, mas também entre duas tendências culturais: a negociação racional e crítica, de um lado, e o simulacro de um consenso induzido pela mera devoção aos simulacros, do outro. Estabelecer de que maneira iremos negociar o compromisso entre ambas as tendências é decisivo para que na sociedade futura predomine a participação democrática ou a mediatização autoritária. As críticas às ações do governo e as análises das mudanças socioculturais contidas neste livro buscam pensar a incapacidade das políticas para absorver o que está acontecendo na sociedade civil. Integrar-se ou desconectar-se Precisamos repensar ao mesmo tempo as políticas e as formas de participação, o que significa ser cidadãos e consumidores. No centro desta reformulação está a tentativa de reconceber o público. Nem subordinada ao Estado, nem dissolvida na sociedade civil, a esfera pública reconstitui-se simultaneamente na tensão entre ambos. O desafio é revitalizar o Estado como representante do interesse público, como arbitro ou assegurador das necessidades coletivas de informação, recreação e inovação, garantindo que estas não sejam sempre subordinadas à rentabilidade comercial. É possível desconectar-se, ou ao menos livrar-se dos condicionamentos, das redes hegemônicas de informação? Esta pergunta, a qual se tentou responder nos anos 1960 e 1970 com organizações independentes surgidas da “sociedade civil”, desde a década de 1980 vê-se enriquecida pela internet. Redefinição internacional do público Em um processo de integração transnacional, a reivindicação do público não pode ser uma tarefa para ser desenvolvida apenas dentro de cada nação. As macroempresas que reordenaram o mercado de acordo com os princípios de administração global criaram uma espécie de “sociedade civil mundial” de que são protagonistas. Com uma capacidade de decisão muito maior do que a dos partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais de alcance nacional, remodelam o que a ação coordenada dos Estados modernos tinha configurado como espaço público. Fazem-no, contudo, em escala mundial e subordinando a ordem social a seus interesses privados. Por isso, conceber o exercício da cidadania somente em nível local ou nacional é o equivalente político de enfrentar a Sony ou a Nestlé com estratégias de varejista. A esfera pública não se esgota no campo das interações políticas, nem no âmbito do nacional. O público não abrange somente as atividades estatais ou diretamente ligadas a atores políticos, mas também ao conjunto dos atores – nacionais e internacionais – capazes de influir na organização do sentido coletivo e nas bases culturais e políticas da ação dos cidadãos. Movimentos ecológico,
de direitos humanos,
de mulheres e jovens. Perguntamos por que as maiorias elegem e reelegem presidentes e parlamentos que não representam seus interesses. Questões para um trabalho futuro: quais as explicações econômicas e culturais possíveis para o fato de os partidos, sindicatos e movimentos sociais preferirem cada vez mais as negociações ao enfrentamento, as “soluções” setoriais ou mesmo individuais à democratização política e redistribuição dos bens materiais e simbólicos? Em que medida contribuem para o fracasso e o descrédito dos movimentos populares as suas alianças com forças corruptas (o narcotráfico, as máfias) ou a aceitação resignada da exploração primitiva dos mercados informais. Lechner “desejo de comunidade”. Se ainda existe desejo de comunidade, este se relaciona cada vez menos a entidades macrossociais tais como a nação ou a classe, em troca, a grupos religiosos, conglomerados esportivos, solidariedades geracionais e círculos de consumidores de comunicação de massa. Um traço comum a estas “comunidades” atomizadas é que elas se organizam mais em torno de consumos simbólicos do que em relação a processos produtivos. É difícil imaginar, por isso, como poderiam contribuir para reanimar a economia.

Mas a expansão das comunicações e do consumo também pode gerar associações de consumidores e lutas sociais.
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