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Dizível/Indizível

Síntese do artigo Dizível/Indizível de Oswald Ducrot abordado na cadeira de Filosofia da Linguagem da Faculdade de Filosofia do IDCt
by

José Santos

on 28 December 2013

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Transcript of Dizível/Indizível

DIZÍVEL/INDIZÍVEL Oswald Ducrot, lingüista francês nascido em 1930, é um dos teóricos mais importantes da teoria lingüística contemporânea. As principais contribuições de Oswald Ducrot para o debate da lingüística estão na formulação do conceito de semântica argumentativa e a inserção da noção de polifonia para o estudo da palavra. No conceito de semântica argumentativa a idéia básica é que a língua não tem como objetivo principal a representação do mundo, mas o argumento. Polifonia significa que um discurso pode carregar sozinho vários sentidos de interpretação. Ducrot publicou, pela editora Pontes, em 1987, "O Dizer e o Dito". Ele é responsável também pela organização da publicação do "Dicionário Enciclopédico das Ciências da Linguagem", escrito em parceria com o búlgaro Tzvetan de onde extraímos o artigo “Dizível/Indizível” sobre qual apresentaremos uma análise resumida” No início do artigo Ducrot faz referência a Stéphane Mallarmé, um importante nome do simbolismo na poesia francesa.
Influenciado por Charles Baudelaire, valoriza o artifício de inverter a sintaxe das frases para ressaltar a dificuldade como elemento principal.
Mallarmé se utilizava dos símbolos para expressar a verdade através da sugestão, mais que da narração.
Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento refinado e repleto de alusões que pode resultar em um texto às vezes obscuro. 1.1) Stéphane Mallarmé 1) O PARADOXO DO INDIZÍVEL 1.4) As diferentes concepções do indizível: Artistas , apaixonados, poetas, lógicos, filósofos estariam de acordo em acusar as palavras de oferecerem resistência ao pensamento e à realidade.
Lamentam-se responsabilizando linguagem humana por essa incapacidade e limitação - a linguagem seria incapaz de exprimir certos matizes das sensações e dos sentimentos, certas sutilezas do raciocínio, certas intuições da experiência metafísica. 1.2) “Les mots de la tribu”

Mallarmé lamentava-se de que “les mots de la tribu” – as “palavras da tribo”, incapazes de exprimir uma emoção única, o obrigam a criar para si uma nova língua: ele não pode portanto utilizá-las mas pode recriá-la, inventando para elas um “sens plur purs” – um “sentido mais puro” 1.3) O Paradoxo

Na sequência do artigo, Ducrot faz as seguinte perguntas:

Como nós temos, do suposto "indizível", um conhecimento suficientemente claro para termos certeza de não o poder dizer?

E se temos esse conhecimento claro e explícito, que fatalidade nos impediria de o exprimir? A própria existência do indizível, pensa Ducrot, parece só poder ser confirmada na medida em que ele for, de uma certa maneira ou outra, dizível.
Isso seria um PARADOXO fundamental que reflete-se nas diferentes concepções do indizível, todas elas tentativas de o tornar aparente. Um paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. 1.4.1) O Indizível é limitado à linguagem de que se parte.
o que é indizível do ponto de vista da linguagem natural pode ser dito por meio de línguas diferentes 1.4.2) O indizível é o limite do dizível.
O indizível seria, nessa concepção, o” horizonte do dizer”. Ele está numa espécie de "depois". 1.4.3) O indizível é a condição de possibilidade do dizer.
Aqui o indizível é mais um “antes” que se manifesta na medida em que fundamenta o dizer, na medida em que nada, sem ele (o indizível), poderia ser dito. 1.4.4) O indizível é o que se revela a um outro pensamento.
Admite radicalmente pelo menos dois pensamentos, um da dos quais se deixa encerrar nas palavras, e o outro, por natureza, lhes escapa, segundo o quadro abaixo. Ducrot começa a estudar o indizível não mais sobre as diferentes concepções - se bem que elas servirão de guia e referência para o estudo posterior – mas vai analisar o indizível segundo os diferentes domínios em que parecem manifestar-se, com base nas idéias de alguns filósofos que o representam.
São três domínios do indizível: DIZÍVEL INDIZÍVEL Discursivo Intuitivo Sucessão de análise e sínteses. Apreensão global do objeto. Compreensão mediata, indireta do objeto. Compreensão imediata, direta do objeto. O objeto é visto do exterior, segundo pontos de vista, em relação a outros. O objeto é visto do interior, nele mesmo, de modo absoluto. O pensamento distingue-se daquilo que pensa: pensamento desdobrado. O pensamento faz um só com aquilo que pensa: pensamento unificado. - o indizível da experiência sensível (do vivido) – Henri Bergson - o indizível da metafísica – Platão e Plotino - o indizível da linguagem – Ludwig Wittgenstein I Henri Bergson (1859-1941) acreditava, como Heráclito de Éfeso, que tudo está mudando o tempo todo, e que o fluxo do tempo é fundamental a toda realidade. 2) INDIZÍVEL E VIVIDO A descrição do vivido é sempre sentida como um insucesso ou como um falseamento.

Daí a idéia de que o conhecimento da experiência sensível seja imediatamente contrariado, e, de fato, tornado impossível, por aquilo a que se chama por vezes “o obstáculo das palavras" Um obstáculo é uma realidade que se encontra interposta entre o ponto em que se está e aquele aonde se quer ir. Esse tema é ilustrado por Ducrot com o auxílio de algumas indicações extraídas das obras de Henri Bergson, principalmente do livro "Ensaios sobre os dados imediatos da consciência" Henri Bergson Segundo Bergson nós vivenciamos esse fluxo heraclitiano dentro de nós mesmos da maneira mais direta e imediata, não por meio de conceitos, e também não por meio de nossos sentidos.
Bergson chama esse tipo de conhecimento não-mediado de “intuição”. A realidade flui. O que nosso intelecto nos fornece são sempre os materiais exigidos para a ação, e o que queremos é poder prever e controlar os eventos, por isso nosso intelecto nos apresenta um mundo que podemos apreender e usar, um mundo repartido em unidade manejáveis, objetos separados em medidas delimitadas de espaço e também em medidas delimitadas de tempo. 2.1) O pensamento de Henri Bergson Assim, vivemos simultaneamente em dois mundos:
No mundo íntimo de nosso conhecimento imediato tudo é continuum, tudo é fluido, fluxo perpétuo.
No mundo externo apresentado a nós por nossos intelectos há objetos separados ocupando determinadas posições no espaço por períodos mensuráveis de tempo.
Mas, é claro, esse tempo externo, o tempo dos relógios e do cálculo, é um construto intelectual, e não é de modo algum o mesmo tempo “real” de cujo fluxo contínuo temos experiência íntima direta. Bergson supõe um “esmagamento da consciência imediata”, que faz com que nós apenas conheçamos a “sombra de nós próprios”.
Considerando a linguagem, em grande parte, responsável por essa alienação, Bergson convida-nos a romper as “cadeias da linguagem” e a nos “libertarmos das palavras”, apresentando como condição necessária para o conhecimento de si um esforço para não falar de si próprio.
Isso se opõe, pelo menos provisoriamente, à maiêutica do diálogo herdada da tradição socrática; surge assim uma maiêutica do silêncio. 2.2) Consciência traída Para Bergson a consciência, ao ser traduzida em palavras, é traída porque a palavra tem por natureza uma aplicabilidade infinita, enquanto que a sensação é única. Segundo Bergson a vida da consciência, que é essencialmente contínua, é falseada desde que tentemos descrevê-la com a linguagem, como uma justaposição descontínua de elementos separados. Há na percepção que tenho do azul do céu uma infinidade de matizes e também uma infinidade de matizes no branco da nuvem.
Mas a obrigação que me é imposta pela linguagem de que me sirvo, de classificar todas essas cores sob as duas únicas denominações de que me disponho, as palavras azul e branco, faz-me acreditar em contornos e em separações onde há apenas uma graduação.
Do mesmo modo teríamos também a ilusão da descontinuidade do tempo, com pesadas conseqüências como a ilusória idéia de uma sucessão de estados que se substituem uns aos outros, onde existe, de fato, a continuidade de um desenvolvimento. 2.3) A vocação utilitária da palavra A generalidade constitutiva da palavra, o seu valor classificatório e assimilador, a sua indiferença aos matizes, tudo isso seria conseqüência da sua vocação utilitária social. A função primitiva da linguagem seria a de “estabelecer uma comunicação em vista de uma cooperação".
A linguagem transmite ordens ou avisos - é a chamada ação imediata. A linguagem também prescreve ou descreve – tendo em vista uma ação futura. Existe aí uma semelhança com as idéias de Wittgenstein quando ele diz que qualquer coisa a ser dita deve representar um fato ou algo no mundo. E também com as de Austin no que tange aos atos ilocucionários. A linguagem só distingue na medida em que suas distinções implicam a realização de atos diferentes.
De modo que o recorte da realidade pelas palavras refletiria apenas as categorias da ação humana. 2.4) Segunda ou quarta concepção? Para Bergson, o individual, o único – quer dizer, a consciência – são diretamente cognoscíveis, independentemente da linguagem, que normalmente os mascara, e através de um tipo particular de pensamento, a intuição. Assim a filosofia Bergsoniana revela o quarto tipo de concepção do indizível: o indizível é o que se revela a um outro pensamento. “Nós confundimos o próprio sentimento, que está num contínuo devir, com o objeto exterior, e sobretudo com a palavra que exprime esse objeto” (BERGSON, Henri - "Ensaio sobre os dados imediatos da consciência", 1889, p 99) Por fim, caso se conceba um segundo dizer (dizer 1) relacionado com a intuição para além da linguagem vulgar (dizer 2), pode-se abandonar, neste domínio, a quarta concepção sobre o acesso ao indizível, substituindo-o pela segunda concepção (o indizível como o horizonte do dizer). 3) INDIZÍVEL E METAFÍSICA Ao longo de toda a história da filosofia ocidental sempre esteve presente a idéia da possibilidade humana de aceder a uma realidade situada para além da natureza, sendo contudo essa realidade fundamentalmente incomunicável. Platão tem, num grande número de diálogos, a função de ilustrar a virtude do dizer ou, em todo o caso, de um modo negativo, denunciar os falsos conceitos e os falsos valores, mostrando a impossibilidade de lhes dar uma formulação coerente.
Este problema toma quase o aspecto de um paradoxo se observarmos que, na tradição ocidental, os filósofos do indizível se apoiam geralmente nos temas e nos textos platónicos. Poucos autores insistiram tanto como Platão no papel da palavra como prova, no fato de que uma ideia impossível de dizer não é uma verdadeira ideia. O que torna particularmente interessante e instrutivo que uma tradição do indizível tenha o seu ponto de partida na obra de Platão. 3.1) A propedêutica e a via moral do indizível Platão através da famosa “digressão filosófica” da sétima carta (Cartas, 342a-345c) mostra que Dionísio de Siracusa não poderia escrever nada de sério sobre os princípios fundamentais da natureza, querendo dizer com isso que não pode ser verdadeiramente sério aquele que se toma a sério, ou que dá como sério aquilo que diz.

A única maneira de ser realmente sério, neste domínio, é considerar aquilo que se diz como um simples exercício, uma pura propedêutica que conduz a alma, purificando-a das ilusões e pretensões, a contemplar uma essência que não pode ser encerrada nas palavras, sejam elas quais forem. “Só quando esfregamos penosamente, uns contra os outros, nomes, definições, percepções da vista e impressões dos sentidos, quando travamos discussões em que não houve hostilidade, onde nem as perguntas nem as respostas foram ditadas pela inveja, é que vem luzir, sobre o objecto estudado, a luz da sabedoria e da inteligência” (Cartas, VII, 344b) Encontra-se pois em Platão a ideia ele que o dizer - na sua forma mais acabada, a dialética - seria apenas uma preparação, um “exercício” (gymnasia), pela qual nos podemos tornar aptos a apreender a verdade. Esta fica portanto, muito para além do dizer, no sentido em que se torna acessível através dele e o recompensa, tese que releva como da segunda concepção do indizível. 3.2) O uno e a via especulativa do indizível “O uno é ele próprio uno” (Parmênides 137c-142b) – chamada “primeira hipótese” neoplatônica. Daí resulta que o uno não participa de nenhurna forma, inclusivamente do ser, pois isso faria supor existência nele, ao mesmo tempo, de essa forma e de outra coisa. O uno nao poderia ser dito. 3.3) A teologia negativa Como não se pode falar sobre o uno (Deus),
o máximo que se pode fazer é negar que ele seja isto ou aquilo, e, ainda mais geralmente, mostrar que não se lhe confere nenhuma determinação positiva.
Daí deriva um modo de filosofar que conheceu, durante muitos séculos, com sucesso considerável, e a que se chamou a “teologia negativa”. Se atendermos ao próprio Plotino, parece que a solução deve ser procurada no âmbito da quarta concepção do indizível.
Mas o desenvolvimento interno da teologia negativa, desencadeando um mecanismo interior à linguagem, mas que leva a ultrapassá-la, coloca essa questão na segunda concepção do indizível, sendo o indizível sugerido pela exacerbação das capacidades do dizer. A teologia negativa entra nos limites do misticismo religioso, assim podemos observar que o indizível metafísico, na medida em que procura fundir-se numa experiência, se aproxima do indizível do vivido. 3.4) O uno (indizível) e o nada No "Comentário a Parmênides" de Proclus, aparece a tentativa da distinção de vários tipos ele negação, mostrando que não é a mesma que se emprega para negar a propósito do uno e a propósito do nada.
Proclus distingue as negações em três tipos: 1) negação de privação (negação forte ou descritiva):
que nega a um sujeito uma qualidade que ele poderia ter mas não tem.
Exemplo: Sócrates não é branco
Atinge apenas objetos que tenham outras características positivas (para ser privado de A, é necessário possuir pelo menos outra qualidade B)

Ela não poderia ser dita, nem do uno, nem do não ser. 2) negação de não conveniência:
que nega a um sujeito uma propriedade sem relação com a sua natureza.
Exemplo: A linha não é branca
OBS: a linha geométrica é privada de espessura e não pode ter cor. 3) negação principal:
que separa o princípio das suas consequências.
Exemplo: A alma nem fala nem se cala
OBS: no sentido em que ela é causa da fala e do silêncio.

Dá o valor profundo à teologia negativa.
Dizer por exemplo, que Deus não é virtuoso, deve-se compreender como significado que ele é origem da virtude, e só se separa dela na medida em que a produz. É o criador. Fica então eliminado o risco de confusão entre o indizível e o não-ser, pois o nada não poderia ser objecto de uma negação do terceiro tipo: ele não é princípio, nem causa, nem origem de nada. 4) INDIZÍVEL E LINGUAGEM As línguas serão consideradas agora como um objeto, e não apenas como um meio.
O problema não será agora o de saber se elas podem servir para comunicar o indizível, mas de saber em que medida elas o atestam.
Essa abordagem está mais próxima da terceira concepção do acesso ao indizível. 4.1) Restrições a esse tipo de abordagem 4.2.1) Pressupostos
Nessa abordagem não será considerada como manifestação do indizível as diversas possibilidades de dizer de maneira indireta, de dizer “fazendo como se não se dissesse”, como é o caso das pressuposições e alusões. 4.2.2) Pressupostos absolutos
O indizível de que se procura tratar aqui é um indizível absoluto e não um “pressuposto absoluto” de Robin Collingwood. (1889-1943)

O pressuposto absoluto é aquele que torna possível certas perguntas, sem poder ser, ele próprio objeto de uma pergunta. Ele pergunta pelas causas. 4.2) Wittgenstein A
O primeiro livro de Ludwig Wittgenstein (1889-951), o Tractadus lógico-philosophicus, apresenta-se como uma reflexão sobre as condições gerais que tornam possível que uma linguagem, seja ela qual for, sirva para falar de um mundo, seja ele qual for. 4.2.1) Forma de representação
Uma proposição, como um quadro, pode dizer um estado das coisas. É um “quadro” das coisas. Supõe-se que a proposição (o quadro) tenha uma estrutura comum com o que representa.
A proposição – como o quadro – pode ser tanto verdadeira como falsa.
Deve haver algo em comum à proposição verdadeira e à falsa e que também pertença àquilo que uma e outra pretendem representar.
Esse elemento comum é “forma de representação”. Por mais variadas que sejam as formas possíveis de representação, um quadro (uma figuração) deve possuir a forma lógica, que é a forma da realidade em geral, e que constitui o mínimo necessário para que haja representação. 4.3) Wittgenstein B
Wittgenstein abandona bruscamente os neopositivistas do Círculo de Viena defendendo que a forma lógica de representação não pode, por sua vez, ser representada. Ela constitui o indizível, e faz surgir o “elemento místico” no encadeamento bem ordenado do Tractadus. “O quadro não pode representar a sua própria forma de representação, ele apenas a mostra” (Wittgenstein, Ludwig) 4.12 A proposição pode representar a realidade inteira,
não pode, porém, representar o que ela deve ter em comum com a realidade para poder representá-la — a forma lógica.
Para podermos representar a forma lógica seria preciso nos colocar, com a proposição, fora da lógica; a saber, fora do mundo.
4.121 A proposição não pode representar a forma lógica, esta espelha-se naquela.
Não é possível representar o que se espelha na linguagem.
O que .se exprime na linguagem não podemos expressar por meio dela.
A proposição mostra a forma lógica da realidade.
Ela a exibe. “O que torna possível todo o dizer não pode ser, ele próprio, um dizer.” (Wittgenstein, Ludwig) 4.4) Metalinguagens
Mas Bertrand Russel na sua Introdução ao Tractadus diz que Wittgenstein encontrou um meio de dizer muitas coisas sobre o que não pode ser dito. Carnap argumenta que a afirmação do indizível aparece como contraditória a partir do momento em que é traduzida no interior de uma metalinguagem L2 dizendo respeito à linguagem L1. CONCLUSÕES:


A investigação linguística fornece diversas razões que podem justificar uma concepção menos “informativa” do dizer linguístico: - A primeira, verificável pelo estudo do léxico, é que mesmo as palavras empregadas para designar realidades “objetivas” (substantivos, adjetivos, verbos) não podem ser definidas por um setor determinado da realidade (uma classe de coisas, um tipo de propriedades ou de processos) - A segunda poderia ser inspirada nos atos linguísticos (Austin)
em cuja perspectiva o valor semântico de um enunciado é inseparável da ação realizada pelo seu emprego. - A terceira é conduzida pelos estudos sobre a função argumentativa (Ducrot). Eles se assentam na idéia de que alguns morfemas que aparecem com mais frequência nas frases da língua devem ser entendidos como indicando não as propriedades das coisas, mas o tipo de conclussões a tirar das palavras pronunciadas. Essas investigações linguísticas poem em evidência a idéia de que o dizer humano é um falar. Dizer alguma coisa, não é “fazer dela um quadro” mas falar nela a alguém de determinada maneira. Falar designa genericamente o ato de se exprimir oralmente por palavras, mas dizer associa a este aspecto o de veicular uma informação, referir, indicar, pronunciar-se sobre, comunicar (em geral, oralmente e por escrito). Nessa concepção do dizer, o “indizível” seria um “infalável”. E a afirmação do indizível já não seria apenas como foi dito como ser um paradoxo, mas uma verdadeira contradição.
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