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Apontamento - Álvaro de Campos

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by

Francisco Alberto

on 23 February 2015

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Transcript of Apontamento - Álvaro de Campos

QUESTIONÁRIO
Análise do poema
Recursos Estilísticos
"A minha alma partiu-se
como um vaso vazio
."

"
Caiu
ela escada excessivamente baixo.

Caiu
das mãos da criada descuidada.

Caiu,
fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso."

"
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
"

"
Asneira? Impossível?
Sei lá!"
$1.25
Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015
Vol. I, No. 1
POEMA
Sensações
"Fiz barulho na queda".

"Caiu das mãos da criada".

"um vaso vazio"; "caiu pela escada"; "caiu das mãos da criada"; "espalhamento de cacos sobre um capacho pao sacudir"; "um caco que brilha virado do exterior lustroso".
"Apontamento" Álvaro de Campos
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaço do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zangam com ela.
São tolerantes com ela.
O que eu era um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si-mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.

A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
O poema inicia-se como uma espécie de introdução temática em que o eu poético apresenta-nos diretamente o seu estado de espírito.
Podemos encontrar também uma confissão acerca da natureza íntima dos seus sentimentos.
Campos revela a multiplicidade da sua alma.
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaço do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos
sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim
.

Sentimentos de frustação e desilusão.
Fragmentação do Eu.
Duvida.

Sensação de estar perdido.

Tom pessimista.
Não se zangam com ela.
São tolerantes com ela.
O que eu era um vaso vazio?

Olham os cacos
absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si-mesmos, não conscientes deles
.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.

A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Sensação de estar perdido.

Domínio do pensar e da consciência.

Perda da unidade e identidade.
5.
O poema, como a maioria dos poemas de Campos, apresenta uma utilização modernista da linguagem patente sobretudo nas ruturas ao nível da coesão e da coerência, com efeitos estilísticos muito expressivos.

Coesão:
No interior das estrofes, é nítida a intencional falta de coesão no discurso, pela não utilização de conectores interfrásicos. A mesma falta de coesão verifica-se entre as estrofes. Além disso, é transgredida a coesão temporal, na medida em que são usados tempos diferentes para narrar o mesmo acontecimento: o pretérito perfeito (“Caiu”) e o presente do indicativo (“Não se zangam”;“olham e sorriem”). É claro que esta rutura da coesão tem uma finalidade semântica, pois há um tempo passado em que o sujeito se partiu em pedaços e há o presente em que o sujeito permanece fragmentado, dando-se em espetáculo aos deuses.

Coerência:
A falta de coerência verifica-se a nível semântico, em versos como, por exemplo, “Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir” e em muitas outras metáforas, mas também ao nível sintático, pois as regras de sintaxe são quebradas em versos como “fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso” “O que eu era um vaso vazio?”.
4.
O poeta sugere, interrogando-se, que o seu mais brilhante fragmento é a sua obra, equivalente ao seu eu mais profundo, à sua vida verdadeira.
3.
O poeta não passava de “um vaso vazio”, porque ainda não se tinha confrontado com a busca de si mesmo, não se conhecia. Para se conhecer, ou pelo menos para se procurar, foi preciso fragmentar-se, partir-se em muitos pedaços.

Agora, fragmentado, pode sentir mais, porque é mais completo, ainda que tenha perdido a unidade.

É interessante atentar também na dimensão simbólica da escada, metáfora muitas vezes utilizada para sugerir a caminhada da vida que é, naturalmente, progressiva, ascendente. Mas tanto em Campos, como em Pessoa, essa caminhada, que se quer também ascendente, corresponde à procura de si mesmo e ao desejo do impossível, acabando por ser descendente pelo custo da perda de unidade que transporta – uma perda desejada, mas ainda assim perda.

No entanto, paradoxalmente, conduz ao infinito sugerido pelas estrelas que a atapetam e pelos astros entre os quais o fragmento brilha.
2.
“A minha alma partiu-se como um vaso vazio” é a imagem que serve de ponto de partida para a temática que Álvaro de Campos partilha com Pessoa - a fragmentação do eu. A comparação com o vaso sugere a múltipla fragmentação, porque um vaso que cai, ainda mais por uma escada, parte-se em inúmeros cacos. O poeta é então um vaso que uma criada descuidada, a mando dos deuses deixa cair pelas escadas. Os deuses assistem complacentes, sem nada fazer.
1.
A alma partui-se em cacos: estrofes 1 e 2;
Os deuses assistem complacentes: estrofes 3 a 6;
O fragmento cintilante: estrofes 7 e 8.
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