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Teorias como Estruturas: Os paradigmas de Kuhn

Síntese comentada do capítulo VIII do Livro "O que é Ciência Afinal", de Alan F. Chalmers, apresentado na cadeira de Filosofia da Ciência da Faculdade de Filosofia do IDCt.
by

José Santos

on 28 December 2013

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Transcript of Teorias como Estruturas: Os paradigmas de Kuhn

ALAN F. CHALMERS
O QUE É CIÊNCIA AFINAL?
Tradução: Raul Filker
Editora Brasiliense
1993
Capitulo VIII
TEORIAS COMO ESTRUTURAS: OS PARADIGMAS DE KUHN


1. Introdução
Thomas Samuel Kuhn (1922-1996) iniciou sua carreira acadêmica como físico e voltou então sua atenção para a história da ciência. Escreveu o livro intitulado “A Estrutura das Revoluções Científicas”
2. Paradigmas e ciência normal
A mecânica newtoniana, a ótica de ondas e o eletromagnetismo clássico todos constituíram e talvez constituam paradigmas e se qualificam como ciências. Grande parte da sociologia moderna não tem um paradigma e, conseqüentemente, deixa de qualificar-se como ciência.
3. Crise e revolução
O paradigma lhe apresenta um conjunto de problemas definidos justamente com os métodos que acredita serem adequados para a sua solução.
Caso ele culpe o paradigma por qualquer fracasso em resolver um problema, estará aberto às mesmas acusações de um carpinteiro que culpa suas ferramentas

4. A função da ciência normal e das revoluções
Todos os paradigmas serão inadequados, em alguma medida, no que se refere à sua correspondência com a natureza. Quando esta falta de correspondência se torna séria, isto é, quando aparece crise, a medida revolucionária de substituir todo um paradigma por outro se torna essencial para o efetivo progresso da ciência.
Voltando sua atenção para a história da ciência, descobriu que seus (pre)conceitos sobre a natureza da ciência haviam se esfacelado.
Veio a perceber que os relatos tradicionais da ciência, fosse indutivista ou falsificacionista, não suportam uma comparação com o testemunho histórico.
“Este ensaio (“A Estrutura das revoluções Científicas”) tenta mostrar que esses livros (de história da ciência) nos têm enganado em aspectos fundamentais. Seu objetivo é esboçar um conceito de ciência bastante diverso que pode emergir dos registros históricos da própria atividade de pesquisa” (Kuhn, Thomas C. - “A Estrutura das revoluções Científicas”)
Uma característica-chave de sua teoria é a ênfase dada ao caráter revolucionário do progresso científico, em que uma revolução implica o abandono de uma estrutura teórica e sua substituição por outra estrutura incompatível com a primeira.
O seguinte esquema sequencial mostra como Kuhn define o progresso da ciência:

pré-ciência → ciência normal → crise-revolução → nova ciência normal → nova crise pré-ciência → ciência normal → crise-revolução → nova ciência normal → nova crise

Paradigma é um termo com origem grega “paradeigma” que significa modelo, padrão. No sentido lato corresponde a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação.
PARADIGMA

São as normas orientadoras de um grupo que estabelecem limites e que determinam como um indivíduo deve agir dentro desses limites.
O termo surgiu inicialmente em Linguística na teoria do signo linguístico criada por Ferdinand de Saussure, na qual relacionava o signo ao conjunto de elementos que constituem a língua.
Thomas Kuhn designou como paradigma as “realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.”
O paradigma é um princípio, teoria ou conhecimento originado da pesquisa em um campo científico e que será adotado por uma comunidade científica específica. Uma referência inicial que servirá de modelo para novas pesquisas.
“Para ser aceita como paradigma, uma teoria deve parecer melhor que suas competidoras, mas não precisa (e de fato isso nunca acontece) explicar todos os fatos com os quais pode ser confrontada” (Kuhn, Thomas C. - “A Estrutura das revoluções Científicas”)
Os cientistas “normais” articularão e desenvolverão o paradigma em sua tentativa de explicar e de acomodar o comportamento de alguns aspectos relevantes da realidade, como os relevados através dos resultados de experiências.
Ao fazê-lo experimentarão, inevitavelmente, dificuldades e encontrarão falsificações aparentes. Se dificuldades deste tipo fugirem ao controle, um estado de crise se manifestará.
Uma crise é resolvida quando surge um paradigma inteiramente novo que atrai a adesão de um número crescente de cientistas e então o paradigma original, problemático, é abandonado.
A mudança descontínua constitui uma “revolução científica”. O novo paradigma, cheio de promessa e aparentemente não assediado por dificuldades supostamente insuperáveis, orienta agora a nova atividade científica normal até que também encontre problemas sérios e o resultado seja outra “revolução
“Quando, pela primeira vez no desenvolvimento de uma ciência da natureza, um indivíduo ou grupo produz uma síntese capaz de atrair a maioria dos praticantes de ciência da geração seguinte, as escolas mais antigas começam a desaparecer gradualmente. Seu desaparecimento é em parte casado pela conversão de seus adeptos ao novo paradigma” (Kuhn, Thomas C. - “A Estrutura das revoluções Científicas”)
Segundo Kuhn, uma ciência madura é governada por um único paradigma, e a existência de um paradigma capaz de sustentar uma tradição de ciência normal é a característica que distingue a ciência da não-ciência.
“Abandonar o paradigma é deixar de praticar a ciência que este define” (Kuhn, Thomas C. - “A Estrutura das revoluções Científicas”)
A ciência normal implica tentativas detalhadas de articular um paradigma com objetivo de melhorar a correspondência entre ele e a natureza. Um paradigma será sempre suficientemente impreciso e aberto para que se precise fazer muito trabalho desse tipo.
Kuhn retrata a ciência normal como uma atividade de resolução de problemas governada pelas regras de um paradigma.
“Mas mesmo que o objetivo da ciência normal não consiste em descobrir novidades substantivas de importância capital – e se o fracasso em aproximar-se do resultado antecipado é geralmente considerado como um fracasso pessoal do cientista ( e não do paradigma) - então porque dedicar tanto trabalho nesses problemas (substantivos)?... os resultados obtidos pela pesquisa normal são significativos porque contribuem para aumentar o alcance e a precisão com os quais o paradigma pode ser aplicado” (Kuhn, Thomas C. - “A Estrutura das revoluções Científicas”)
Um cientista "normal" não deve ser crítico do paradigma em que trabalha. Somente assim ele será capaz de concentrar seus esforços na articulação detalhada do paradigma e de fazer o trabalho esotérico que é necessário para sondar a natureza em profundidade.
Kuhn insiste que há mais coisas num paradigma do que é possível tornar claro sob a forma de regras e orientações explicitas. Ele invoca a discussão de Wittgenstein da noção de “jogo” para ilustrar parte do que quer dizer.
Resolvendo problemas-padrão, desempenhando experiências-padrão e, eventualmente, fazendo pesquisa sob orientação de um supervisor que já é um praticante treinado dentro do paradigma, um aspirante a cientista fica conhecendo os métodos, as técnicas e os padrões daquele paradigma.
“Resolver um problema da pesquisa normal é alcançar o ANTECIPADO de uma nova maneira. Isso requer a solução de todo tipo de complexos “quebra-cabeças” instrumentais, conceituais e matemáticos. O indivíduo que é bem-sucedido nessa tarefa prova que é um perito na resolução de “quebra-cabeças” (Kuhn, Thomas C. - “A Estrutura das revoluções Científicas”)
“... os problemas realmente importantes em geral não são “quebra-cabeças” (veja-se o exemplo da cura do câncer ou o estabelecimento da paz duradoura), em grande parte porque talvez não tenham nenhuma solução possível.
“...outros problemas (sem solução possível) passam a ser rejeitados como metafísicos, ou como sendo parte de outra disciplina.” (Kuhn, Thomas C. - “A Estrutura das revoluções Científicas”)
No entanto, fracassos serão encontrados e podem, eventualmente, atingir um grau de seriedade que constitua uma crise séria para o paradigma e que possa conduzir à rejeição de um paradigma e sua substituição por uma alternativa incompatível, uma inovação
“Os cientistas normais começam a se empenhar em disputas metafísicas e filosóficas e tentam defender suas inovações” (Kuhn, Thomas C. - “A Estrutura das revoluções Científicas”)
A mudança de adesão por parte de cientistas individuais de um paradigma para uma alternativa incompatível é semelhante, segundo Kuhn, a uma “troca gestáltica” ou a uma “conversão religiosa”.
Não haverá argumento puramente lógico que demonstre a superioridade de um paradigma sobre outro e que force, assim, um cientista racional a fazer a mudança.
A decisão de um cientista individual dependerá da prioridade que ele dá a esses fatores. Eles incluirão coisas tais como simplicidade, a ligação com alguma necessidade social urgente, habilidade de resolver algum tipo de problema específico e assim por diante.
REVOLUÇÃO CIENTÍFICA
Corresponde ao abandono de um paradigma e adoção de um novo, não por um único cientista somente, mas pela comunidade científica relevante como um todo.
O progresso através de revoluções é a alternativa de Kuhn para o progresso cumulativo característico dos relatos indutivistas da ciência.
De acordo com os indutivistas, o conhecimento científico cresce continuamente à medida que observações mais numerosas e mais variadas são feitas, possibilitando a formação de novos conceitos, o refinamento de velhos conceitos, e a descoberta de novas relações licitas entre eles.
Do ponto de vista específico de Kuhn isto é um engano, por ignorar o papel desempenhado pelos paradigmas na orientação da observação e da experiência.
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