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Definições Culturais de Anatomia e Fisiologia

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by

sandra salinas

on 18 May 2016

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Definições Culturais de Anatomia e Fisiologia

O corpo humano é mais do que um organismo físico que oscila entre a saúde e a doença.

É um conjunto de crenças sobre seu significado social e psicológico, sua estrutura e funcionamento.

A expressão “imagem do corpo” é usada para descrever todas as formas com que o indivíduo conceitua e experiencia o próprio corpo, consciente ou inconsciente.

Para Fisher, 1968, p. 113-116, a expressão engloba suas atitudes coletivas, seus sentimentos e fantasias sobre o seu corpo, e também a maneira pela qual a pessoa aprendeu a organizar e integrar suas experiências corporais.

A cultura de nosso grupo nos ensina como perceber e interpretar as mudanças que podem ocorrer em nossos corpos, como nos corpos das outras pessoas. Aprendemos a distinguir um corpo “jovem” de um “idoso”, um corpo “doente” de um corpo “saudável”, etc.

Aprendemos a distinguir partes do corpo como “públicas” e outras “privadas”; e a entender que algumas funções corporais são aceitáveis socialmente e outras não.

Os conceitos de imagens do corpo podem ser divididos em três grupos principas:

1. Crenças sobre o tamanho e forma ideais do corpo, incluindo o vestuário e o embelezamento do seu exterior;

2. Crenças sobre a estrutura interna do corpo;

3. Crenças sobre as funções.

Forma, tamanho, vestuário e a parte externa do corpo

Em toda sociedade, o corpo humano tem uma realidade social e uma física, ou seja, a forma e o tamanho do corpo de uma pessoa, assim como seus adornos comunicam informações sobre a posição que ela ocupa na sociedade.

Essas informações incluem:

* Gênero
* Status social;
* Profissão;
* Adesão a determinados grupos religiosos ou seculares.

Incluímos também gestos e posturas corporais que diferem entre culturas e entre diferentes grupos de uma mesma cultura.

Por exemplo: As linguagens culturais dos médicos, pastores religiosos, policiais e vendedores são muito diferentes e transmitem tipos diferentes de mensagens a outras pessoas.

A vestimenta também indica posição social e ocupação: no mundo ocidental, os casacos de pele e jóias são usados como demonstração de riqueza, em contrapartida, as roupas malcosidas são utilizadas pelos pobres.

Outro exemplo é o jaleco branco do médico ou o quepe engomado do enfermeiro, que além de ser utilizado para prevenção de infecção e limpeza, também indica sua função social, sua filiação a um grupo profissional poderoso e prestigiado.

Normalmente uma mudança na posição social é geralmente seguida por uma mudança na vestimenta.

Por exemplo:
O vestido e o xale preto adotados por viúvas num vilarejo grego indicam sua transição da condição de mulher casada para viúva solitária.
O formandos de uma universidade ocidental vestem um uniforme composto pela toga e pelo quepe acadêmicos Assim a vestimenta tem tanto papel social e função prática para proteger o corpo do meio ambiente.


Polhemus, 1978 em seu livro Aspectos Sociais do Corpo Humano listou algumas formas extremas e alteração corporal praticadas historicamente e nos tempos atuais, entre os povos não-industrializados. Essas mudanças também podem ter uma função social e que se aplica às formas mais extremas de mutilação corporal ao qual destacamos:

a deformação artificial do crânio na primeira infância em algumas regiões do Peru;

Os Maias alongavam o crânio


escarificação no peito e membros do corpo na Nova Guiné em região da África Central;

a atadura nos pés das mulheres na China Imperial

Pés de Lótus

a tatuagem do corpo no Taiti e entre alguns índios americanos
a inserção de grandes ornamentos nos lábios e lóbulos das orelhas no Brasil, África Oriental e Melanésia

Uso de argolas no pescoço pelas mulheres tailandesas


Mulheres Girafas

Beleza.

Nas sociedades ocidentais as mulheres particularmente praticam diversas formas de automutilação ou alteração corporal para se adequarem aos padrões de “beleza” definidos culturalmente. Os mais comuns são:

o uso de aparelhos ortodônticos
cirurgia plástica de nariz, orelhas, próteses de seio, etc...

perfuração das orelhas, Musculação.

Implantes de cabelo para calvície, Cílios e unhas postiços

Há hipótese de que a anorexia nervosa seja uma forma patológica extrema de insatisfação com a imagem corporal numa sociedade que valoriza e recompensa a beleza feminina.

Por outro lado, algumas regiões da África Ocidental, os ricos enviam suas filhas para “clínicas de engorde” para ficarem “rechonchudas” e pálidas, uma forma culturalmente definida que indica riqueza e fertilidade.

Entretanto, a cultura ocidental vê a “obesidade” como um problema de saúde, sendo também portador de um importante estigma social.

Portanto cada ser humano possui em certo sentido, dois corpos: um corpo individual (físico e psicológico) adquirido no nascimento e um corpo social necessário ao primeiro para viver em determinada sociedade.

O corpo social é uma parte importante da imagem do corpo, pois fornece a cada pessoa uma base para perceber e interpretar suas próprias experiências físicas e psicológicas. É também o meio através do qual a fisiologia do indivíduo é influenciada e controlada pelos princípios que regem a sociedade em que vivem.

A Estrutura interna do corpo

A imagem do “interior do corpo” é importante porque influencia a percepção e a apresentação das queixas das pessoas, bem como suas respostas para um tratamento médico.

Em alguns estudos realizados encontrou-se grandes discrepâncias no que se refere à localização dos órgãos internos. Por exemplo, o coração ocupa quase toda a cavidade torácica, o estômago o abdômen inteiro, da cintura à virilha estão os rins. Estas percepções do organismo influenciam os pacientes na interpretação e apresentação de determinados sintomas corporais.

Um desconforto vago em qualquer lugar na região peitoral pode ser interpretado como “problema de coração”.

Num estudo sobre transtornos psicossomáticos, os pacientes culpavam determinada parte do corpo que julgassem “fraco” ou “de pouca confiança” por seus sintomas, por exemplo, um “estômago nervoso” ou um “peito fraco”.

O funcionamento do corpo

Equilíbrio e desequilíbrio
O equilíbrio depende de forças externas, como alimentação, meio ambiente e também de forças internas – fraqueza herdada ou estado de espírito.

A teoria mais difundida é a humoral, originária da Índia e China antigas, elaborada para a medicina por Hipócrates. Em sua teoria, o corpo é composto de quatro líquidos ou humores:

o sangue;
a fleuma;
a bile amarela;
a bile preta.

A saúde seria o resultado do equilíbrio ideal entre os 4 humores, sendo a doença, o excesso ou deficiência de algum deles. A esta teoria acrescenta-se a dos tipos de personalidade, ou seja:

A teoria mais difundida é a humoral, originária da Índia e China antigas, elaborada para a medicina por Hipócrates. Em sua teoria, o corpo é composto de quatro líquidos ou humores:

o sangue;
a fleuma;
a bile amarela;
a bile preta.

A saúde seria o resultado do equilíbrio ideal entre os 4 humores, sendo a doença, o excesso ou deficiência de algum deles. A esta teoria acrescenta-se a dos tipos de personalidade, ou seja:

sanguínea (sangue em excesso)
fleumático (fleuma em excesso)
colérico (bile amarela em excesso)
melancólico (bile preta em excesso)

Na América Latina esta teoria da saúde e da doença relaciona o funcionamento do corpo a influências eternas, como a alimentação e o meio ambiente.
A Medicina humoral desapareceu, também, da Medicina Contemporânea. Entretanto, a Fisiologia moderna inclui numerosos exemplos de doenças causadas por deficiência ou excesso de determinadas substâncias no corpo, tais como:
hormônios;
enzimas;
vitaminas, entre outras

O modelo do corpo como uma “tubulação”

O modelo de tubulação não abrange necessariamente todos os aspectos da fisiologia e anatomia do corpo, mas se refere principalmente às funções respiratórias, cardiovascular, gastrintestinal e geniturinária.

É comum que sistemas fisiológicos diferentes sejam agrupados, em um só se estão localizados numa área comum (por exemplo, “o peito”)

Um paciente com secreção nasal e tosse, descreveu sua automedicação assim: “Gargarejei com salmoura para soltar o catarro e engoli um pouco para afrouxar a tosse.

Esse modelo as vezes é usado para manifestar estados emocionais, como as ideias leigas de estresse como:

“Minha cabeça explodiu”

“Eu quase estourei”

ou seja:

A Era do Vapor!!!

São comuns as analogias entre corpo e maquinário:

o corpo  comparado a um motor em combustão interna, a uma máquina ou a uma  bateria. Essas analogias são usadas  por  médicos e enfermeiros nas interações com os pacientes:

“Seu coração não está bombeado muito bem”
 
“Você teve um esgotamento nervoso”
 
“A corrente não está fluindo normalmente nos seus nervos”
 
“Você precisa descansar – recarregar as baterias”


Essa visão do corpo como uma máquina leva a visão de partes do corpo  como  peças de um motor que  podem falhar ou parar de funcionar, precisando, algumas vezes de substituição.

A cirurgia de peças “sobressalentes” ou de transplantes de órgãos, as diversas próteses modernas, uso de dispositivos eletrônicos, como o marca-passo de coração e o transistor auditivo, reforçam a imagem do corpo como uma máquina.
 
Outra analogia  é a da mente como um computador.
 
Vivemos hoje numa “cultura computacional”, na qual  a mente é comparada a um processador ou armazenador de informação. 

Em  uma cultura computacional, pensamentos, ideias, criatividade, memória e personalidade são vistos como tipos de software ou “programas” contidos no interior do hardware do cérebro de do crânio.
 
 
A cultura computacional pode levar a concepções equivocadas: um comportamento desviante ou uma doença mental são concebidos como “programação” ou “instalação” podendo ser curados por meio de uma simples “reprogramação” ou “reorganização da instalação”.

O corpo durante a gravidez

As crenças sobre a fisiologia e os perigos da gravidez são influenciadas  tanto aspectos sociais quanto físicos. Elas separam as mulheres grávidas, como uma categoria especial de pessoa, cercadas de tabus e costumes.

Um estudo realizado com mulheres mexicanas revelou  que elas acreditavam que: dormir ou descansar demais pudesse prejudicar o bebê, poderia “grudá-lo no útero”, dificultando o parto; se a mulher grávida visse algo que a assustasse, a criança poderia nascer com a aparência  daquele objeto.

Crenças sobre o Sangue
 
A experiência humana do sangue, como um líquido vital circulando dentro do corpo e que apareceu na superfície de um ferimento, doença, menstruação ou parto,  é  a  base   das   teorias  leigas sobre diversas doenças.


Dentre os vários significados associados ao sangue nas diferentes culturas estão:
 
• como uma indicação de estados emocionais (rubor e palidez)
• tipo de personalidade (“sangue quente”, “sangue frio”)
• doenças (calores ou febres)
• parentesco (“o sangue é mais espesso do que a água”)
• relações sociais (“um sangue ruim entre nós”)
• ferimentos físicos (sangramentos, hematomas)
• gênero (menstruação)
• perigo (sangue menstrual e sangramento pós-parto)
 

alimentação (sangue fino, causado por uma dieta inadequada)
Uma crença muito comum é de que o sangue é um líquido não-regenerativo e que, quando perdido por ferimento ou doença, não pode ser reposto, deixando sua vítima enfraquecida para sempre.

Na América Latina “as pessoas são mais resistentes a separar-se de seu sangue precioso”. Talvez esta seja uma das razões pelas quais os bancos de sangue latino-americanos obtêm menor número de doação do que os Estados Unidos.

Muito obrigada!

Autor: Cecil G. Helman
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