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A construção da pessoa nas sociedades indígenas brasileiras.

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Francieli Lisboa

on 16 August 2014

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Transcript of A construção da pessoa nas sociedades indígenas brasileiras.

A construção da pessoa nas sociedades indígenas brasileiras.
A. Seeger, R. da Matta e EVC (1987).


Foi principalmente após a 2ªGM que surgiram estudos mais detalhados das sociedades tribais brasileiras. Já a produção teórica pelo fim dos anos 70;


Mudança no foco dos estudos: antes abordavam a relação índio (genérico)/sociedade nacional e depois as sociedades tribais enquanto unidades.


Tese dos autores: que as sociedades tribais brasileiras elaboram ricamente a noção de pessoa através da corporalidade (idioma simbólico), ou seja, por aí passa a compreensão da organização social e cosmologia destas sociedades.
"A
produção física de indivíduos
se insere em um contexto voltado para a
produção social de pessoas
, isto é, membros de uma sociedade específica." p. 13
"Ele, o corpo, afirmado ou negado, pintado e perfurado, resguardado ou devorado, tende sempre a ocupar uma posição central na visão que as sociedades indígenas têm da natureza do ser humano." p 13
Oi'ó
: preparação do corpo do menino xavante.
Danhõnõ:
furação de orelha. Ponto alto da iniciação do jovem xavante.
breve retrospectiva teórica:
Marcel Mauss:
noção de pessoa como uma das categorias do espírito humano ("uma dessas ideias que acreditamos inatas", natural);
Louis Dumont:
a visão ocidental da pessoa é algo particular e histórico. Tendemos a projetar a nossa concepção de ser humano para as sociedades que estudamos. A
s
noçõe
s
de pessoa são culturalmente variáveis.
Bronilaw Malinowski:
pessoa como agregado de papéis sociais (direitos e deveres), estruturalmente prescritos;
Clifford Geertz:
os homens se representam para si e para os outros. Daí a importância de se atentar para as formas simbólicas.
Historicamente a Antropologia se dedicou às
dicotomias da estrutura social:
social/individual; normativo/espontâneo; jurídico/sentimental.
"Tomar a noção de pessoa como uma categoria é tomá-la como instrumento de organização da experiência social, como construção coletiva que dá significado ao vivido (...)."
p. 15
Conceitos clássicos da organização social como linhagem, grupo de descendência, aliança de casamento, grupo corporado não funcionam para as sociedades indígenas sul-americanas.

Sugerem então a produção de novos modelos analíticos.
Diante da acusação que os etnólogos americanistas seriam idealistas, Joanna Kaplan argumenta que os indígenas estudados por eles que o são, de forma que devem sustentar esse fato.
Pelos anos 60 e 70 a ecologia cultural ofereceu explicações para as formas de organização social dos ameríndios sul-americanos, mas de forma determinista (sociedade como parte da natureza, o que não explica as variações entre grupos num mesmo ambiente).
As noções obtidas nas pesquisas com grupos africanos e melanésios acabaram sendo reificadas pela antropologia e foram transpostos para outras realidades, como a americana, que aí foi considerada anômala e desviante.
Afirmar que os sistemas dos grupos indígenas sul-americanos são fluidos, flexíveis e abertos a manipulação individual não ajuda a compreendê-los. A referência de outro modelo é mantida.
Elaborar, portanto, conceitos próprios ajustados a realidade particular.
Bruce e Menget: sociedades indígenas sul-americanas não orientadas por uma perspectiva substancialista (aspectos econômicos e jurais, por ex.), mas sócio-ideológica:
- fluidez dos grupos e a dimensão simbólica complexa orientando a estrutura social.
Os autores defendem que a fluidez possa ser uma ilusão, resultado de uma aplicação indevida e que os idiomas simbólicos que passam pela construção de pessoas e a fabricação de corpos são mais pertinentes.
"matriz de símbolos e objeto de pensamento".
O CORPO NAS SOCIEDADES INDÍGENAS SULAMERICANAS

Indígenas kaxinawa (AC)
Não é mero suporte de identidades e papéis sociais.
É ativo e articula significações sociais e cosmológicas.
indígena kuikuro (PIX/MT).
Orienta as mitologias, a vida cerimonial e a organização social.
Os povos Jê do Brasil Central
Sociedades marcadas por dualismos:

- esfera doméstica/ esfera público-cerimonial (centro da aldeia);

- aspectos internos corporais: sêmen e sangue/ aspectos externos: cerimoniais, nominações, pinturas corporais, ornamentações, etc.
Ex.: Xavante, Kayapo, Krahô, etc.
Os povos do Alto Xingu
(ao sul do PIX)
Rico sistema cerimonial com forte expressão no xamanismo.
No Alto Xingu, o indivíduo curado passa a estar em dívida com o espírito que causou/curou a doença. Ele deve então patrocinar uma cerimônia em que homenageia o espírito por meio de cantos, danças e adornos corporais. Essa cerimônia é o momento em que o grupo doméstico distribui comida a toda a aldeia. O espírito é encarnado-representado pela comunidade, e ambos são alimentados pela família do doente.

A doença, portanto, não pode ser tomada como um mal absoluto, ou não é apenas isso. Grande parte do sistema ritual alto-xinguano é acionado por idéias vinculadas à doença e o circuito de reciprocidade ativado por essas cerimônias tem uma papel crucial na dinâmica social das aldeias, fazendo a mediação nas relações entre indivíduo e sociedade (Viveiros de Castro 2002:81 in ISA).
máscaras
Apapaatai
- Wauja (Waurá)/MT
Os Tukano do Rio Negro (AM)
Simbolismo corpóreo-sexual para pensar a sociedade e o cosmos;
Linhagens em termos de transmissão da substância física e espiritual.
Contribuição dupla na formação da pessoa:
mulheres: exogamia e sangue
homens: linhagem e sêmen.
Apesar das diferenças a corporalidade é um princípio estruturador das experiências e das organizações sociais.
"(...) a
couvade
, os resguardos por doença ou morte, as reclusões, o luto -- todos estes momentos acionam o corpo segundo regras estruturais bastante consistentes e recorrentes." p.22
A pessoa está para além do corpo, que por sua vez está para além do corpo físico, numa "pluralidade de níveis, estruturados internamente" (22).
Os corpos são pontos de convergência (e equilíbrio não estático) de dualismos como:
homens/mulheres; vivos/mortos; crianças/adultos; individual/coletivo; cotidiano/cerimonial(ritual); sangue/alma.
A relação Natureza/Cultura deve ser repensada. Sobrenatural dissolve as fronteiras.
"(...) uma dialética onde os elementos naturais são domesticados pelo grupo e os elementos do grupo (as coisas sociais) são naturalizados no mundo dos animais. O corpo é a grande arena onde essas transformações são possíveis, como faz prova toda a mitologia sul-americana que deve, agora, ser relida como histórias com um centro: a ideia fundamental de corporalidade." (:23)
Diferentemente de sociedades de outros lugares, aqui a genealogia não é tão importante. Tampouco se concebem como entidades político-jurídicas (direitos e deveres), já que a estrutura lógica está no
plano cerimonial ou metafísico.
A compreensão de certos papéis sociais, como xamã, cantador, chefe (mais individualizados) passa pela compreensão da corporalidade.
Repensar, portanto, a antropologia com os olhos dos índios brasileiros e não dos povos africanos ou melanésios.
indígenas Xikrin Kayapó-PA
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