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Poetas séc. XX Alexandre O'Neill

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by

Pedro Baptista

on 18 February 2014

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Transcript of Poetas séc. XX Alexandre O'Neill

Disciplina de Português
Escola Secundária Dr.Jorge Augusto Correia
Poetas do séc.XX
Análise interna
Biografia do poeta
Introdução
Alexandre O' Neill
Bibliografia
Análise externa
Tema:
As Palavras, abrangem muito mais do que se pensa, pode despertar em cada um de nós inúmeros sentimentos, simplesmente pelo facto de as mencionarmos, de as ouvirmos ou somente de pensarmos nelas.
Este trabalho surge no âmbito da disciplina de português do 10º ano e tem como finalidade dar-nos a conhecer a obra de um dos autores de poesia do séc.XX, Alexandre O'Neill e análise de um dos seus poemas, HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM.

A nossa escolha por estes 5 poemas O BEIJO, AMIGO, O AMOR É O AMOR, OS AMANTES DE NOVEMBRO e HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM, deve-se ao facto de nos agradar a maneira como o eu lírico faz transparecer os sentimentos nele presentes através da escrita. Escolhemos analisar o poema HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM, porque de todos foi o que nos chamou mais a atenção.
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'•1974 – Obra Poética (1951-1969), 3.ª edição, revista e aumentada, Lisboa, Guimarães
HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM
Há palavras que nos beijam -a
Como se tivessem boca. -b
Palavras de amor, de esperança, -c
De imenso amor, de esperança louca. -b

Palavras nuas que beijas -a
Quando a noite perde o rosto; -d
Palavras que se recusam -e
Aos muros do teu desgosto. -d

De repente coloridas -f
Entre palavras sem cor, -g
Esperadas inesperadas -h
Como a poesia ou o amor. -g

(O nome de quem se ama -i
Letra a letra revelado -j
No mármore distraído -l
No papel abandonado) -j

Palavras que nos transportam -m
Aonde a noite é mais forte, -n
Ao silêncio dos amantes -o
Abraçados contra a morte. -n

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'1974 – Obra Poética (1951-1969), 3.ª edição, revista e aumentada, Lisboa, Guimarães
Assunto:
O sujeito poético transmite os seus sentimentos e pensamentos neste poema, fazendo a apologia das palavras.

Refere-se sobretudo às palavras que de forma personificada têm boca que nos podem beijar/tocar trazendo-nos felicidade. Em oposição a estas agradáveis palavras, o poeta faz referência também às palavras sem cor, banais.
Primeira estrofe e primeiro verso

Na primeira estrofe do poema é possível ler que existem palavras que são como verdadeiros beijos, de esperança porque chegam de pessoas sinceras. Aqui, sim, “as palavras de amor, de esperança louca” é transmitido uma ideia de que estas palavras de amor e de esperança estão a apoiar-nos, dão-nos uma determinada força para seguir em frente em momentos em que nos sentimos desmotivados. O adjectivo “louca” reforça essa mesma ideia, realçando então o poder das palavras que de certa forma são encorajadoras.

Desta forma podemos epilogar que o poeta, comparando as palavras ao beijo e à esperança, está a demonstrar a verdadeira força que estas apresentam. Por um lado como o beijo elas acalmam, sossegam, acarinham e confortam, por outro lado como esperança elas permitem acreditar, seguir em frente e enfrentar os obstáculos.
Segunda estrofe
Já na segunda estrofe o poeta orienta mais os seus versos às pessoas infelizes, referindo que as palavras detêm um poder só se conseguirem ajudar a superar a infelicidade dos maus momentos presentes nas vidas dessas pessoas, “quando a noite perde o rosto”. Esta ajuda, muitas vezes não passa só de uma tentativa, pois é em grande parte recusada, pois estes momentos de mágoa e tristeza transportam-nos para uma outro mundo, uma outra realidade em que a única perceção é que tudo é impossível e inalcançável, “Palavras que se recusam/Aos muros do teu desgosto.”
Terceira estrofe
Na terceira estrofe é feita uma comparação entre as palavras com a poesia e o amor, “Como a poesia ou o amor”. Isto porque tanto a poesia como o amor, erguem-se a qualquer momento, e geralmente são bastante imprevisíveis, trazendo na sua bagagem uma esperança de dar cor à vida, “De repente coloridas/ Entre palavras sem cor”.
Quarta estrofe
Na quarta estrofe, o sujeito poético quer essencialmente dar a entender que, quando estamos apaixonados, temos uma vontade louca de escrever o nome do(a) nosso(a) amado(a), “letra a letra”, em qualquer sítio, nem que seja num “mármore distraído”. Quer isto dizer que não importa onde vamos escrever, numa pedra completamente insignificante, num bocado de papel rasgado de um caderno, o importante é transmitir, através da palavra, o nome da pessoa que amamos.
O facto de a estrofe surgir entre parêntesis pode representar um único momento do poema, e significa que apesar de uma pequena ação, como escrever um nome num papel, o significado para a pessoa que escreve é grandioso.
Conclusão
Alexandre O'Neill foi cofundador do Grupo Surrealista de Lisboa, em 1947, afastando-se mais tarde, mas continuando a escrever com influência do Surrealismo.
Socialmente, era um homem civicamente empenhado na luta contra o regime político e moral estabelecida, sendo várias vezes preso pela PIDE.

Com este trabalho concluimos que Alexandre O'Neill foi um grande poeta.

Foi bastante interessante fazer este trabalho, pois permitiu-nos adquirir mais conhecimentos sobre o poeta, os seus poemas e os sentimentos deste enquanto escrevia poemas e permitiu igualmente aplicar os nossos conhecimentos referentes a rimas, sílabas métricas e estrutura formal dos poemas e ao mesmo tempo melhorá-los.

A parte mais acessível de fazer foi a biografia do poeta e a sua antologia e a parte mais dificil foi a análise interna do poema, pois obrigou-nos a pensar nas palavras, como estas podem ser ditas e interpretadas pelas pessoas que nos ouvem.
O poema é constituido por 5 estrofes de 4 versos, classificando-se de quadras.

Quanto à rima, é apresentado o esquema rimático abcb aded fghg ijlj mnon, rimando o 1º verso da 1ª estrofe com o 1º verso da 2ª estrofe ("beijam"), rima intercalada. Na 1ª estrofe temos a rima do 2º verso com o 4º verso (rima cruzada), sendo o 3º verso solto/branco. Na 2ª estrofe ocorre a mesma sequência. Na 3ª, 4ª e 5ª estrofe ocorre a rima do 2º e 4º verso, sendo uma rima cruzada e o 1º e 3º verso são versos branco/soltos.

Quanto ao número de sílabas métricas todos os vinte versos são constituidos por 7 sílabas métricas , sendo redondilhas maiores ou heptassilabos.

Há/ Pa/la/vras/ que/ nos/ bei/jam (1º verso)
1 2 3 4 5 6 7 x
Pa/la/vras/ que/ nos/ trans/por/tam (17º verso)
1 2 3 4 5 6 7 x
Trabalho realizado por:
Ana Martins nº3
Carolina Bors nº 7
Pedro Baptista nº24
Valentina Martinz nº29

O amor é o amor — e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor — e depois?

Alexandre O'Neill, in 'Abandono Vigiado'•1960 – Lisboa, Guimarães
O AMOR É O AMOR
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca', •1974 – Obra Poética (1951-1969), 3.ª edição, revista e aumentada, Lisboa, Guimarães
AMIGO
Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca',•1974 – Obra Poética (1951-1969), 3.ª edição, revista e aumentada, Lisboa, Guimarães
O BEIJO
Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor

Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um

De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'•1974 – Obra Poética (1951-1969), 3.ª edição, revista e aumentada, Lisboa, Guimarães
Os AMANTES DE NOVEMBRO
Antologia do poeta
Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill de Bulhões foi um importante poeta português, de descendência irlandesa e nascido em Lisboa, a 19 de Dezembro de 1924. Faleceu na mesma cidade a 21 de Agosto de 1986.
O’Neill foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa, e foi nesta corrente que publicou a sua primeira obra, “A Ampola Miraculosa”. As influências surrealistas permaneceram visíveis nas suas obras, que além dos livros de poesia, incluem prosa, discos de poesia, traduções, antologias e até mesmo publicidade.
Foi várias vezes preso pela polícia política, a PIDE, e recebeu o Prémio da Associação de Críticos Literários, em 1982.

ALGUMAS OBRAS:
1951 – Tempo de Fantasmas
1958 – No Reino da Dinamarca
1969 – De Ombro na Ombreira
1983 - Dezanove Poemas
1986 – O Princípio de Utopia
1970 - As Andorinhas não Têm Restaurante
1980 - Uma Coisa em Forma de Assim

O’NEILL, Alexandre – Poesias Completas. 4ª edição. Lisboa: Assírio & Alvim, 2005. ISBN 972-37-0614-8
O’NEILL, Alexandre – Anos 70: Poemas diversos. 2ª edição. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009. ISBN 978-972-37-1012-0
Biografia de Alexandre O’Neill. In As Tormentas [Em linha]. Disponível em WWW:<URL: http://www.astormentas.com/PT/biografia/Alexandre%20O'Neill>.
Alexandre O’Neill. In Wikipédia, a enciclopédia livre [Em linha]. Disponível em WWW:<URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_O'Neill>.
Alexandre O'Neill. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-03-12].Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$alexandre-o'neill>.
Figuras de estilo

11º verso (Esperadas inesperadas)-oxímoro-contradição de ideias, aproximação de dois termos incompatíveis


15º verso (No mármore distraído)- personificação- é atribuída uma característica própria de um ser humano a um objeto inanimado
Quinta estrofe
Na última e quinta estrofe, o autor mostra que as palavras podem ser também partilhadas em silêncio, ou seja, as palavras são ditas, mas não se ouvem, pois os amantes não precisam de falar para saber o que o seu parceiro pensa ou sente, “Ao silêncio dos amantes”.
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