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Análise do poema "Um beijo" de Olavo Bilac

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Catherine Capdeville

on 19 November 2013

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Transcript of Análise do poema "Um beijo" de Olavo Bilac

Análise do poema "Um beijo" de Olavo Bilac
Olavo Bilac
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865 e morreu em 28 de dezembro de 1918.
Fundou, com Machado de Assis, o Grêmio de Letras e Artes que, mais tarde, seria transformado na Academia Brasileira de Letras.
Compôs a letra do Hino à Bandeira.
Se inspirava em Shakespeare, Victor Hugo, Bocage e Camões. Ele registrou seu desejo de compor versos como um ourive, que cria joias de incomparável rebuscamento e beleza.
Um Beijo
Foste o beijo melhor da minha vida,
A
ou talvez o pior... Glória
e
tormento,
B
contigo à luz subi do firmamento,
B
contigo fui pela infernal descida!
A

Morreste
,
e
o meu desejo não te
olvida
:
A
queimas-me
o sangue,
enches-me
o pensamento,
B
e
do teu gosto amargo me
alimento
,
B
e
rolo-te
na boca malferida.
A

Beijo extremo, meu prêmio
e
meu castigo,
C
batismo
e
extrema-unção, naquele instante
D
por que, feliz, eu não morri contigo?
C

Sinto-me
o ardor,
e
o
crepita
r te escuto,
E
beijo divino!
e
anseio delirante,
D
na perpétua saudade de um minuto...
E

Neste poema, a objetividade parnasiana é tocada por um sentimento maior, que aproxima os poemas de Olavo Bilac dos românticos tardios. A composição do poema concilia a manifestação de sentimentos a uma forma poética bem cuidada.

Pode-se perceber que Olavo Bilac soube aproveitar os elementos da estética parnasiana sem abrir mão da sensibilidade para identificar as imagens e os temas que respondiam aos anseios de um público até então habituado aos exageros dos românticos.

O eu lírico do poema compara o beijo da mulher amada tanto com aspectos positivos como com aspectos negativos, fazendo referência à elementos naturais, como a morte, e relacionando-os ao divino.
Pelo poema percebe-se que a mulher amada do eu lírico morreu (“Morreste, e o meu desejo não te olvida”)
Eu lírico considera o beijo da amada algo bom e ao mesmo tempo ruim.
Bom porque traz lembranças de um amor erótico, ardente, da qual o eu lírico desfrutava e trazia a seu alimento, ou seja, era o amor da mulher amada que supria as suas necessidades na vida. (“contigo à luz subi do firmamento” - mostra como o amor lhe trouxe uma sensação positiva “queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento” - mostra a parte erótica do seu amor).

Características românticas
Características parnasianas
Apesar das características românticas, o poema é bem descritivo, com citações de características e verbos, que dão uma dinamizada no poema, além do modo imparcial como os fenômenos naturais são tratados, pelo fato de apresentar características boas e ruins da morte e da vida. Tais características diferem, desta maneira, do romantismo.

Além disso, não são cometidos excessos sentimentais no poema, pelo contrário, ele apresenta uma harmonia e perfeição formal. Apresenta preocupação com a técnica, o ritmo, e a rima. O poema é organizado em dois quartetos e três tercetos, sendo a rima do tipo: ABBA nos quartetos e CDC no primeiro terceto e EDE no segundo terceto.

A repetição do termo “
e
”: um recurso de linguagem muito utilizado na poesia parnasiana. Chamado de polissíndeto, na qual ocorre a repetição das conjunções coordenativas aditivas. O polissíndeto é usado também para enumerar todos os sentimentos desencadeados pelo beijo. Olavo Bilac explora os polissíndetos para destacar os efeitos do beijo de sua amada.

A recorrência da conjunção aditiva enfatiza a ação que está sendo descrita: os
verbos
, apresentados em sequência tem a sua ação interrompida pela conjução, que introduz uma nova ação e, assim, gera um acúmulo de consequências desencadeadas pela sedução do beijo feminino.

Por outro lado, o beijo é considerado algo ruim, porque faz o eu lírico ter um sentimento de saudade, o qual é infindável, pois sua amada morreu. Traz também arrependimento, pois o eu lírico mostra o desejo de ter morrido, para que ficasse com a sua amada. (“por que, feliz, eu não morri contigo?”- mostra o desejo do eu lírico de ter partido junto com a amada, “contigo fui pela infernal descida!” - mostra o aspecto negativo do beijo, o tormento causado pela morte - pois infernal descida se refere a passagem entre a vida e a morte).

Estas são características do romantismo no poema, pois se referem à vida e à morte.
Sua obra poética enquadra-se no Parnasianismo, que teve na década de 1880 a fase mais fecunda. Embora não tenha sido o primeiro a caracterizar o movimento parnasiano, pois só em 1888 publicou Poesias, Olavo Bilac tornou-se o mais típico dos parnasianos brasileiros, ao lado de Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. Tem lugar de destaque na literatura brasileira, como dos mais típicos e perfeitos dentro do Parnasianismo brasileiro. Produziu também contos e crônicas.

Fundindo o Parnasianismo francês e a tradição lusitana, Olavo Bilac deu preferência às formas fixas do lirismo, especialmente ao soneto. A sua preocupação em atingir a perfeição é refletida em alguns poemas, que possuem uma grandeza e beleza pelo ritmo e sonoridade.
O termo panasianismo faz referência a uma montanha da Grécia, o Parnaso, que seria a morada do deus Apolo e das musas inspiradoras dos artistas.

Com essa escolha, os poetas franceses procuravam resgatar a visão de arte como sinônimo de beleza formal alcançada por meio do trabalho cuidadoso e detalhista. Além disso, a origem do nome reflete uma característica parnasiana, que é o resgate de temas da Antiguidade clássica.

O Parnasianismo objetivava devolver a beleza formal à poesia, eliminando o que consideravam os excessos sentimentalistas românticos que comprometeriam a qualidade artística dos poemas.

Foi a transformação dos romances realistas e naturalistas que o antecederam. O Parnasianismo teve origem na França no século XIX.
Parnasianismo
TURMA MEIO AMBIENTE 2A
ALUNAS:
BEATRIZ LIMA RODRIGUES
CATHERINE NAJJAR CAPDEVILLE
FERNANDA MOREIRA VIANA
MARINA JORGE GOUVÊA
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