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ALIMENTAÇÃO NO PRIMEIRO ANO DE VIDA

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Livia Prazim

on 16 September 2016

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Transcript of ALIMENTAÇÃO NO PRIMEIRO ANO DE VIDA

Livia Prazim
FAMENE

ALIMENTAÇÃO NO PRIMEIRO ANO DE VIDA
Esther Ashley tem dois meses e nasceu de parto cirúrgico, a termo, com apgar 9 e 10 no 1º e 5º minutos de vida, respectivamente. Sua mãe, Juliana, tem 13 anos e seu pai Rickelmy tem 16 anos e o três moram na casa da mãe de Rickelmy. Juliana parou de ir à escola no 6º mês de gestação e ainda encontra-se sem estudar. A criança mamou exclusivamente ao seio por três dias, porém, como sua mãe apresentou mastite, foi proibida de amamentar, devido a uma prescrição de cefalosporina oral.
A avó de Esther fez um mingau de leite de vaca em pó (1 colher de chá) + amido de milho (1 colher de sopa) + açúcar (1 colher de sobremesa) + água (50ml).
Esther toma esse mingau a cada três horas, com água filtrada nos intervalos. Tem queixas de cólicas frequentes e diárias que se iniciam às 5 horas da tarde. Diurese abundante. Evacua a cada 2 dias, com fezes endurecidas e ressecadas de eliminação difícil.
Peso do nascimento: 3.210g
Peso atual: 6.110g
10 PASSOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL ( MS / OPAS / OMS )
Dar somente leite materno até os seis meses,
sem oferecer água,chás ou qualquer outro alimento.
A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais.
A partir dos seis meses dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, frutas e legumes), três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia se estiver desmamada.
A alimentação complementar deve ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança.
A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher. Começar com consistência pastosa (papas ou purês) e gradativamente aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.
Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida.
Estimular o consumo diário de frutas,
verduras e legumes nas refeições.
Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida.
Usar sal com moderação.
Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos, garantir o seu armazenamento e conservação adequados.
Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.
Possibilitar crescimento e desenvolvimento adequados
Respeitar fase de maturação do trato gastrointestinal, rins, fígado e sistema imunológico
Prevenir doenças em curto e longo prazo
Papel do profissional de saúde
Ser fonte inesgotável de apoio e reforço positivo
Estimular a amamentação até 06 meses exclusivamente e manutenção até 02 anos (OMS e MS)
Reforçar as vantagens nutricionais, imunológicas e afetivas do leite materno
Desestimular o uso de leite de vaca integral, seja líquido ou pó, no 1º ano de vida
Encontrar, junto com a mãe que trabalha fora, a melhor estratégia de desmame
6 meses
Novas necessidades nutricionais
Maturidade fisiológica e neurológica
Enzimas digestivas suficientes

Alimentação de transição
Riscos
Insegurança materna
COMO ALIMENTAR O BEBÊ?
Melhor opção:
Ordenha
Outros alimentos
Higiene
Armazenar em quantidade adequada
Refrigerar por até 12 horas
Congelar por até 15 dias
Descongelar e aquecer em banho-maria desligado
Oferecer em copinho, xícara, colher ou conta-gotas
12º mês
– comida da família
6º mês
– Papinhas de frutas e sucos naturais sem açúcar +
1ª papa salgada cozidas, pastosas e peneiradas (não liquidificar)
7º mês
– 2ª papa salgada (jantar); alimentos amassados
8º mês
– pedacinhos de alimentos
9º mês
– semi-sólidos
FRUTAS
Fonte de fibras, vitamina C, A, K e antioxidantes
PAPAS
SUCOS
Introdução gradual
Frutas regionais
Cuidados com higiene
Paciência na administração
Manhã e tarde
Nenhuma fruta é contra-indicada
Fornece vitamina C
Após as refeições principais
Não acrescentar açúcar
Frutas que não fazem papa
PAPINHAS SALGADAS
Composição:
Um alimento básico
Uma fonte de proteína
Uma fonte de vitaminas e sais minerais
Uma fonte de ácidos graxos essenciais
ALIMENTOS BÁSICOS
Cereais, tubérculos e raízes
Arroz
Trigo
Milho
Aveia
Batata
Inhame
Mandioca
FONTE DE PROTEÍNA
Animal - ptn completa, ferro e zinco
Ovo
Carne
Vísceras
Peixe
Frango
Vegetal - ptn quase completa, ferro e fibras
Feijões
Ervilha
Soja
Grão de bico
Lentilha
Leguminosas
FONTE DE VITAMINAS E SAIS MINERAIS
Verduras - fibras, ferro, cálcio, vit. C, ác. fólico
Vegetais de folhas verdes
Legumes - fibras, ferro, cálcio, vit. A, ác. fólico
Jerimum
Cenoura
Tomate
Couve-flor
Repolho
FONTE DE ÁCIDOS GRAXOS
Óleos poliinsaturados - ômega 3
Canola
Milho
Girassol
Óleos monoinsaturados - antioxidantes
Azeite
RECEITA DE PAPINHA SALGADA
PAPA DE BATATA, CENOURA E FRANGO (283,32 kcal)
2 colheres de sopa de frango, sem pele, picado
1 colher de sobremesa de óleo de soja
½ dente de alho
1 colher de chá de cebola
2 batatas médias picadas
2 colheres de sopa de cenoura ralada
2 colheres de sopa de acelga picada
2 copos médios de água
Cozinhar tudo até que os ingredientes estejam macios e quase sem água. Amassar com garfo e oferecer à criança.
ALIMENTOS CONTRAINDICADOS
Alergênicos
Leite de vaca fresco – intolerância à lactose e alergia às proteínas
Clara de ovo – proteína de difícil digestão
Frutos do mar e castanhas – proteínas alergênicas

Agrotóxicos
Tomate, morango, uva
Potencialmente contaminados
Enlatados e embutidos – risco de contaminação
Mel – Clostridium botulinum
Açúcares e doces
– tiram a fome
Café, chá preto ou mate –
irritabilidade, ↑ eliminação de cálcio
e ↓ absorção de ferro
DESMAME
NA FALTA DE LM
Adoções
Contraindicações absolutas à amamentação
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
Mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2
Varicela ativa materna
Lesões de herpes nas mamas
Doença de Chagas, na fase aguda da doença
Contraindicações absolutas à amamentação 
Drogas como cocaína, heroína, maconha, anfetaminas (ecstasy)
Raras doenças metabólicas inatas do bebê, (galactosemia e fenilcetonúria)
Recusa da mãe em amamentar
Contraindicações absolutas à amamentação 
Raros medicamentos – amiodarona, tamoxifen, andrógenos, bromocriptina, cabergolina, misoprostol, estrógenos em doses elevadas
Medicamentos usados em doenças malignas (anti-neoplásicos)
Isótopos radioativos para tratamento ou diagnóstico
FÓRMULA INFANTIL
Portaria MS nº 977, de 05 de dezembro de 1998 (Republicada no DOU. DE 15/04/99)

Composição
- base de leite de vaca ou de outros animais e/ou de outros componentes comestíveis de origem animal e vegetal que se consideram adequados para a alimentação de lactentes
Fórmula Infantil de Partida
– produto em forma líquida ou em pó, destinado a alimentação de crianças de zero a doze meses de idade incompletos, sob prescrição, em substituição total ou parcial do leite humano, para satisfação das necessidades nutricionais deste grupo etário
Fórmula Infantil de Seguimento
- produto em forma líquida ou em pó utilizado como substituto do leite materno a partir do 6º mês, quando indicado, e para crianças de primeira infância (doze meses a três anos de idade)
FÓRMULAS INFANTIS
- Composição
Densidade Energética
– 0,6 a 0,7 (próxima ao leite humano)
Carboidratos
– principal lactose ou maltodextrina
Proteínas
– relação lactoalbumina/caseína = 60/40
Gordura
– mistura de óleos vegetais
Minerais
– relação cálcio/fósforo adequada
Demais nutrientes
– teor mais elevado para compensar sua baixa disponibildade
Nutrientes essenciais
– acrescentados taurina e carnitina
Osmolalidade
– 460 mOsm/kg
Exclusivas até o 6º mês
MINGAU ?????
LEITE DE VACA IN NATURA
DESVANTAGENS
Proteínas
– alto teor
Ferro
– baixo teor e baixa disponibilidade
Ácidos Graxos essenciais
– 10 vezes menos
Sódio
– alto teor
Vitaminas C, D e E
– baixo teor
Oligoelementos –
quantidades insuficientes
LEITE DE VACA IN NATURA
CONSEQUÊNCIAS

Sobrecarga renal de proteínas e sódio – risco
de obesidade e hipertensão
Anemia ferropriva
Prejuízo no desenvolvimento neuropsicomotor
Comprometimento do crescimento
Vitaminas

Vitamina K
– 1 mg IM ao nascimento
Vitamina D
– 200 UI/dia até 18 meses, exceto em:
Lactentes em aleitamento materno com exposição regular ao sol
Lactentes que recebem mais de 500 ml/dia de fórmula
Vitamina A
– megadoses VO
6 a 11 meses: 100.000 UI uma dose
12 a 59 meses: 200.000 UI a cada 6 meses
Vitamina C
– 30mg/dia a partir de 2 meses em lactentes alimentados com leite de vaca
Ferro Elementar
Flúor

(em cidades que não dispõem de fluoretação da água)
15 dias a 1 ano
– 0,25mg/dia
1 a 3 anos
– 0,5mg/dia
3 a 15 anos
– 1,0mg/dia
ESTRATÉGIA ALIMENTAR 1
Leite Materno Exclusivo até o 6º mês de vida
6º mês
– Papinhas de frutas e sucos naturais sem açúcar + 1ª papa salgada cozida, pastosa e peneirada (não liquidificar)
7º mês
– 2ª papa salgada (jantar); alimentos amassados
8º mês
– pedacinhos de alimentos
9º mês
– semi-sólidos
12º mês
– comida da família

Manter LM até 2 anos de vida
Água após o 6º mês
Suplementação de vitaminas e minerais
ESTRATÉGIA ALIMENTAR 2
Fórmula Infantil de Partida até o 6º mês
Fórmula de Seguimento a partir dos 6 meses
6º mês
– Papinhas de frutas e sucos naturais sem açúcar + 1ª papa salgada cozida, pastosa e peneirada (não liquidificar)
7º mês
– 2ª papa salgada (jantar); alimentos
amassados
8º mês
– pedacinhos de alimentos
9º mês
– semi-sólidos
12º mês
– comida da família

Água a partir do desmame
Suplementação de vitaminas e minerais
EM CASO DE DESESPERO...
Leite de vaca em pó ou “in natura”
10% + 3% de óleo
- até o 4º mês
Integral (15%)
– a partir do 4º mês
4º mês
– Papinhas de frutas e sucos naturais sem açúcar + 1ª papa salgada cozidas, pastosas e peneiradas (não liquidificar)
7º mês
– 2ª papa salgada (jantar); alimentos
amassados
8º mês
– pedacinhos de alimentos
9º mês
– semi-sólidos
12º mês
– comida da família

Água a partir do desmame
Suplementação de vitaminas e minerais
ESTRATÉGIA PSICOLÓGICA
Escutar antes de falar
Informar, sem ordenar
Argumentar
Procurar a solução mais possível de ser realizada, respeitando padrões sócio-culturais dos seus pacientes
Energéticos
Soja - ajuda na mielinização
MAMÃE É LINDA!!!!!
Na diluição de 2/3 ou 10% (42 calorias) há deficiência de energia e ácido linoléico, então para
melhorar a densidade energética a opção é preparar o leite com 3% de óleo (1 colher de chá = 27 calorias). O carboidrato fica reduzido, no entanto a energia é suprida e não é necessária a adição de açúcares e farinhas que não são aconselhados para crianças menores de 24 meses. Então, até completar 4 meses o leite diluído deve ser acrescido de óleo, ou seja, 1 colher de chá de óleo para cada 100 mL. Após completar 4 meses de idade o leite integral líquido não deverá ser diluído e nem acrescido do óleo, já que nessa idade a criança receberá outros alimentos.
Bibliografia recomendada:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf

https://www.sbp.com.br/img/manuais/manual_alim_dc_nutrologia.pdf
Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia. Manual de orientação: alimentação do lactente, alimentação do pré-escolar, alimentação do escolar, alimentação do adolescente, alimentação na escola, 2006.64 p.
FÓRMULA
INFANTIL
Evita mortes infantis
Evita diarreia
Evita infecções respiratórias
Diminui o risco de alergias
Diminui o risco de colesterol alto, hipertensão e diabetes
Reduz a chance de obesidade
Melhor nutrição
Efeito positivo na inteligência
Melhor desenvolvimento da cavidade bucal
Proteção contra o câncer de mama
Evita nova gravidez
Outras vantagens para as mulheres
Menor custo financeiro
Promoção do vínculo afetivo entre mãe e filho
Melhor qualidade de vida
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.
Saúde da criança : aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 184 p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica ; n. 23)
62,4% das crianças menores de seis meses
74,6% das crianças de 6 a 12 meses
80% das crianças maiores de doze meses
CONSUMO DE LEITE DE VACA
23% em crianças menores de seis meses
9,8% na idade de 6 a 12 meses
1% nas demais idades

(BORTOLINI et al., 2013)
CONSUMO DE FÓRMULA
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica,2013
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