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Jan Amos Comenius

a vida de um dos maiores educadores de todos os tempos, pai da pedagogia
by

Luis Colombo

on 18 May 2015

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Transcript of Jan Amos Comenius

PRAGA
Pansofia
Panpædia
Pansophia é um sistema de “conhecimento universal da filosofia do macro-microcosmo” como escreveu Yates. Usando o sistema pansófico traz-se a harmonia entre o mundo interno humano e o externo da natureza.
O "ideal pansófico", na sua vertente educacional, traduz-se no desejo e possibilidade de "ensinar tudo e todos". Isto é necessário, porque sem educação o Homem não se realiza como ser racional e bom, feito à imagem de Deus; não pode sem isso cumprir o seu destino na Terra, onde foi posto "não só como espectador mas como ator" para o serviço de si, do próximo e de Deus. Isto é possível, porque em todos "a educação apropriada dá bons frutos" e a graça divina (fonte de luz e do bem) é universal, a todos é dada.
A Pansophia constitui uma forma de organização do saber, um projeto educativo e um ideal de vida. É um ideal algo iluminista, na medida em que admite que a felicidade vem ao Homem pela razão, mas é sobretudo um ideal de felicidade evangélica, sem rigores ascéticos, uma vez que a razão não é autônoma; a fonte da verdade e do bem é Deus – alfa e omega de todos os seres e destinos históricos da humanidade. "O fim último do Homem está fora desta vida" (DM. II).
Para conseguir este ideal, que vai dos indivíduos aos Estados, o processo estratégico é a Pampaedia, ou educação universal, através da qual se conseguirá a reforma global das "coisas humanas" e um mundo perfeito ou Panorthosia. Neste propósito, o autor intenta a reforma da eruditio (que é a base de toda a construção) da politia e da religio.
Dedica a 1.a parte da Didáctica Magna (capítulos I a VI) aos fundamentos teológicos e filosóficos da educação e diz expressamente:
"O Homem é imagem de Deus" e daqui tira as conseqüências para a instrução, como sendo-lhe devido o conhecimento de todas as coisas; para a moral, como sendo capaz de dominar as coisas e a si mesmo, de atingir nos costumes urbanidade externa e formação interior dos movimentos da alma (virtude); para a religião, pela qual o homem se dirige a si mesmo e a todas as coisas para Deus, atinge a piedade e por ela se liga e prende ao ser supremo.
Isto é essencial e tudo o resto é acessório. (DM. IV:5-7).
A crença essencial é a de que "todo o Homem nasce apto para adquirir conhecimento das coisas, porque é imagem de Deus" (DM. V:4), ou de que "todos os homens são vivificados pelo mesmo espírito". (DM. XXXI).
É sobre estes princípios, e numa visão otimista do Homem, que Comenius vai basear a sua defesa da universalidade da educação.
Educação Universal
“as finalidades da educação são para Comenius a promoção da "instrução ou erudição, nas ciências, nas artes e nas línguas; da virtude ou formação moral; e da devoção religiosa que liga o Homem ao Eterno" (DM. X:1). É através desta educação universal de todo o gênero humano (Pampaedeia) que se realizará em pleno o homem, de acordo com a sua natureza, se conseguirá a correção dos males do mundo, e se atingirá o fim supremo na felicidade eterna.”
Nas palavras do próprio autor "a pampaedia é o caminho aplanado através do qual a luz pansófica se difunde pelas mentes, pelas palavras e pelas ações dos homens. É a arte de transplantar a sabedoria nas mentes, nas línguas, nos corações e nas mãos de todos os homens". (PP. I:15).
Mas nem por isso a educação explícita e formal e o ensino são menos necessários. O autor insiste nesta idéia: "Embora a natureza dê as sementes do saber, da honestidade e da religião, não dá propriamente o saber, a virtude e a religião. Estas adquirem-se orando, aprendendo e agindo. Por isso, não sem razão, alguém definiu o Homem como animal educável, pois não pode tornar-se Homem a não ser que se eduque" (DM. VI:1). E ainda mais expressamente reafirma na Pampaedia: "Nem todos sabem, a não ser que sejam ensinados, utilizar aquilo que todos têm" (PP. II:6).
A educação é a arte de fazer "germinar as sementes interiores as quais não se desenvolverão a não ser que sejam solicitadas por oportunas experiências, variadas e ricas".
Este processo desenvolve-se ao longo de toda a vida. Já na Didáctica Magna Comenius escrevia: "Durante toda a vida o Homem deve conhecer, experimentar e executar muitas coisas" (DM. VII:3). Mas esta idéia é mais avançada e mais desenvolvida na Pampaedia que tem como temas centrais a educação para todos e a educação permanente. O seu objetivo fundamental é provar a necessidade, a possibilidade e a facilidade de todos os homens serem educados em todas as coisas e de uma forma total. O autor apresenta planos para "dar a todos aqueles que nasceram homens uma instrução geral capaz de educar todas as faculdades humanas" (PP. XXIX).
“Nosso primeiro desejo é que todos os homens sejam educados plenamente, em sua plena humanidade, não apenas um indivíduo, não alguns poucos, nem mesmo muitos, mas todos os homens
Nosso segundo desejo é que todo homem seja educado integralmente, formado corretamente, não num objeto particular ou em alguns objetos ou mesmo em muitos, mas em tudo o que aperfeiçoa a espécie humana; para que ele seja capaz de saber a verdade e não seja iludido pelo falso; para amar o bem e não ser seduzido pelo mal; para fazer o que deve ser feito e não permitir o que deve ser evitado; para falar sabiamente sobre tudo, com qualquer um, quando necessário, e não ser estúpido em nenhum assunto e finalmente para lidar com as coisas, com os homens e com Deus, em todos os sentidos, racionalmente e não precipitadamente e assim nunca se afastando de meta da felicidade”
“E educado em todos os aspectos: não para pompa e exibição, mas para a verdade; quer dizer, para tornar os homens o mais possível a imagem de Deus, na qual foram criados: verdadeiramente racionais e sábios, verdadeiramente ativos e espirituais, verdadeiramente morais e honrados, verdadeiramente pios e santos e assim verdadeiramente felizes e abençoados tanto aqui, quanto na eternidade.
Em suma, para iluminar todos os homens com a verdadeira sabedoria, para ordenarem suas vidas com verdadeiros governos e para uni-los a Deus com verdadeira religião, de modo que ninguém se equivoque em sua missão neste mundo."
Profeta da moderna escola democrática;
Pai da educação moderna;
Príncipe dos professores;
Nicola Abbagnano
Nicola Abbagnano (Salerno, 15 de julho de 1901 — Milão, 9 de setembro de 1990) foi um filósofo italiano.
Stephen Hawking
Stephen William Hawking, CH, CBE, FRS, FRSA (Oxford, 8 de janeiro de 1942[1]) é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da atualidade
Keatinge
né à Albi (Tarn) le 2 janvier 1843 et mort à Paris le 24 février 1913, est un théoricien de la pédagogie et homme politique français.
Jules Gabriel Compayré
Bacon da Pedagogia
Jules Michelet
(Paris, 21 de outubro de 1798 - 9 de fevereiro de 1874) foi um filósofo e historiador francês.
Galileu da Educação
Tomáš Garrigue Masaryk (Hodonín, 7 de março de 1850 — Lány, 14 de setembro de 1937) foi um político que se bateu pela independência checa e que se tornou o primeiro presidente da Checoslováquia em 1918.
Tomáš Masaryk
Mestre das Nações
Sir Jean William Fritz Piaget (Neuchâtel, 9 de agosto de 1896 - Genebra, 16 de setembro de 1980) foi um epistemólogo suíço, considerado o um dos mais importantes pensadores do século XX
Jean Piaget
Apóstolo da colaboração internacional na educação
Pierre Bovet
Pierre Bovet, né le 5 juin 1878 à Grandchamp (commune de Boudry) et mort à Boudry le 2 décembre 1965, est un psychologue et pédagogue suisse.
Um patriota cosmopolita
Gottfried Leibniz
Gottfried Wilhelm von Leibniz (Leipzig, 1 de julho de 1646 — Hanôver, 14 de novembro de 1716) foi um filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário alemão.
Cidadão do mundo
BOHEMIA
SACRO IMPÉRIO ROMANO
FILOSOFIA
POLÍTICA
RELIGIÃO
CIÊNCIA
Renascimento
Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII. Os estudiosos, contudo, não chegaram a um consenso sobre essa cronologia, havendo variações consideráveis nas datas conforme o autor.[1] Seja como for, o período foi marcado por transformações em muitas áreas da vida humana, que assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.[2]
Chamou-se "Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antigüidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista. O termo foi registrado pela primeira vez por Giorgio Vasari já no século XVI, mas a noção de Renascimento como hoje o entendemos surgiu a partir da publicação do livro de Jacob Burckhardt A cultura do Renascimento na Itália (1867), onde ele definia o período como uma época de "descoberta do mundo e do homem".[3]
O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da península Itálica e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental, impulsionado pelo desenvolvimento da imprensa por Johannes Gutenberg. A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e, menos intensamente, em Portugal e Espanha, e em suas colônias americanas. Alguns críticos, porém, consideram, por várias razões, que o termo "Renascimento" deve ficar circunscrito à cultura italiana desse período, e que a difusão européia dos ideais clássicos italianos pertence com mais propriedade à esfera do Maneirismo. Além disso, estudos realizados nas últimas décadas têm revisado uma quantidade de opiniões historicamente consagradas a respeito deste período, considerando-as insubstanciais ou estereotipadas, e vendo o Renascimento como uma fase muito mais complexa, contraditória e imprevisível do que se supôs ao longo de gerações.[4]
origens
Jan Huss
HUSSITAS
O termo hussita ou Igreja hussita e (ou talvez ussiti) define a um movimento reformador e revolucionário que surgiu na Boêmia, no século XV. O nome vem do teólogo boêmio Jan Hus. O movimento mais tarde se juntou a Reforma Protestante.
No Concílio de Constança, Jan Hus foi condenado e executado em 16 de julho de 1415. Hus manteve uma posição muito crítica perante ao poder eclesiástico, posições muito próximas às de John Wyclif e os valdenses, opiniões que influenciaram Martinho Lutero.
Os hussitas foram divididos em dois grupos: os moderados utraquistas e os radicais Taboritas (da cidade de Tábor no sul da Boêmia). Em 1420, após a morte do rei Venceslau, chegou-se ao acordo sobre um programa comum: os Artigos de Praga, que exigiam ao poder real o reconhecimento de:
Comunhão sob as duas espécies (os comulgantes deveriam comer a hóstia e beber vinho)
A liberdade de pregação
A pobreza da Igreja
A punição dos pecados mortais sem distinção da posição de nascimento do pecador
O rei Sigismundo da Hungria, irmão de Venceslau, se recusou a aceitar suas exigências, de modo que os Taboritas se revoltaram causando as Guerras Hussitas (1419-1436). Conduzidas pelo seu líder e Jan Žižka e Procópio, o Grande, lutaram e conseguiram as vitórias de Zizkov (1420), Pankrac (1420), Kutna Hora (1422), Usti (1426) e Tachov (1427). O taboritas foram derrotados em Lipany em 1434 pelos moderados, que se aliaram com os católicos. Após o Concílio de Basiléia e as conversações de Praga foram aceitas as Compactata (30 de novembro de 1436).
Em meados do século XV, após a morte do jovem rei Ladislau, o Póstumo da Hungria e Boêmia, em 1457, o regente Jorge de Poděbrady de inclinações hussitas se coroou como o rei dos tchecos e enganou os bispos da Hungria, a quem havia prometido converter-se para o catolicismo. Após isso, o Papa Paulo II apelou a uma cruzada contra os hereges hussitas e o Rei Matias Corvino da Hungria respondeu enviando seus exércitos contra Podiebrad. Assim, em 1468 os exércitos húngaros, liderado por Blas Magyar e sob o comando de guerreiros como Paulo Kinizsi atacaram a Boemia, mas finalmente só conseguiu conquistar os territórios da Morávia e Silésia para o Rei Matias. Em 1469, as forças do rei húngaro forçaram o rei Checo a renunciar seu trono, após o qual, imediatamente Matthias fez-se coroar como rei da Boêmia em 3 de maio daquele ano. Podiebrad sugeriu aos nobres Checos que escolhessem Vladislav Jagiello, o filho do rei da Polônia como seu sucessor, em vez do húngaro, mas isso não aconteceu. Com a morte do unico rei hussita, Podiebrad em 1471, finalmente acabou a "ameaça" para a Boêmia e seus sucessores serão todos católicos.
A maioria dos hussitas da Boêmia foram influenciados, no século XVI, por Lutero. Os taboritas mais ardentes entraram na Igreja Morava.
[editar]
Irmãos Morávios
John Wycliffe
John Wycliffe (ou Wyclif) (c. 1328 — 31 de dezembro 1384) foi professor da Universidade de Oxford, teólogo e reformador religioso inglês, considerado precursor das reformas religiosas que sacudiram a Europa nos séculos XV e XVI (ver: Reforma Protestante). Trabalhou na primeira tradução da Bíblia para o idioma inglês, que ficou conhecida como a Bíblia de Wycliffe.
Jan Hus (Husinec, 1369 - Constança, 6 de Julho de 1415) foi um pensador e reformador religioso[1]. Ele iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de John Wycliffe. Os seus seguidores ficaram conhecidos como os hussitas. A Igreja Católica não perdoou tais rebeliões e ele foi excomungado em 1410. Condenado pelo Concílio de Constança, foi queimado vivo.
Um precursor do movimento protestante (ver: Reforma Protestante), a sua extensa obra escrita concedeu-lhe um importante papel na história literária checa. Também é responsável pela introdução do uso de acentos na língua checa por modo a fazer corresponder cada som a um símbolo único. Hoje em dia a sua estátua pode ser encontrada na praça central de Praga, a Staroměstské náměstí (Praça da Cidade Velha).
projeto
sua vida
Jan Amos Comenius
Labirinto do Mundo (1623)
Didáctica checa (1627)
Guia da Escola Materna (1630)
Porta Aberta das Línguas (1631)
Didacta Magna (versão latina da Didactica checa) (1631)
Novíssimo Método das Línguas (1647)
Mundo Ilustrado, Orbis Sensualium Pictus (1651)
Opera didactica omnia ab anno 1627 ad 1657 (1657)
Consulta Universal Sobre o Melhoramento dos Negócios Humanos (1657)
O Anjo da Paz (1667)
A Única Coisa Necessária (1668)
livros
+200
Com o advento da Reforma do Século 16, os herdeiros de Jan Hus, os “irmãos unidos”, abraçaram o protestantismo. Nessa época, eles contavam com cerca de 400 igrejas locais e 150 a 200 mil membros na Boêmia e na vizinha Morávia.

Expulsos de sua pátria durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), eles se espalharam por diversas regiões da Europa e perderam muitos adeptos.
de reforma da humanidanda
A Escola do Regaço Materno
“Este trabalho precursor conhecerá edições em várias línguas, no século XIX, e teria papel destacado no desenvolvimento do Kindergarten de Fröbel. Preconizando um tipo de escola que viria a ser institucionalizada apenas dois séculos depois,este manual dirigido aos pais das crianças foi certamente inspirado na educação de seus próprios filhos: sabe-se que teve cinco com Dorotéia.” (KULESZA, 1992: 36)
Concepção de criança
Pierre de Bérulle (1575-1629) cardeal francês, influenciado pela mística de Inácio de Loyola, fundou o Oratório de França, que tinha por objetivo incentivar os seminários e os colégios religiosos.


Para Bérulle, por exemplo, “a infância é o estado mais vil e mais abjeto da natureza humana a seguir ao da morte” (CAULY, 1999:131)
Pierre de Bérulle (1575-1629) cardeal francês
“Aos Leitores
     Didática significa arte de ensinar: de não muito tempo a esta parte homens ilustres têm-se empenhado em estudar essa arte por sentirem compaixão do trabalho de Sísifo realizado pelos escolares; diferentes as tentativas, diferentes os resultados.      Alguns saíram em busca de compêndios para ensinar mais facilmente apenas esta ou aquela língua; outros tentaram caminhos mais rápidos para poder ensinar esta ou aquela ciência ou arte. Outros buscaram outras coisas. Quase todos obraram com observações extrínsecas, extraídas de uma prática demasiado superficial, ou, como se diz, a posteriori.          
Didática Magna
 Nós ousamos prometer uma Didactica Magna, ou seja, uma arte universal de ensinar tudo a todos; de ensinar de modo certo, para obter resultados; de ensinar de modo fácil, portanto, sem que docentes e discentes se molestem ou enfadem, mas ao contrário, tenham grande alegria; de ensinar de modo sólido, não superficialmente, de qualquer maneira, mas para conduzir à verdadeira cultura, aos bons costumes, a uma piedade mais profunda. Finalmente, demonstramos essas coisas a priori, partindo da própria natureza imutável das coisas, como se fizéssemos brotar de uma fonte viva regatos perenes, que unissem depois num único rio para constituir uma arte universal, a fim de fundar escolas universais.
Didática Magna
Portanto, são grandes as coisas prometidas, que devem ser ardentemente desejadas: no entanto, prevejo com clareza que a alguns parecerão sonhos, e não exposições de fatos concretos”.(Op. cit., 13-14)      “(...) Ensinar a arte das artes é, portanto, tarefa árdua que requer juízo atento não de um só homem, mas de muitos, porque ninguém pode ser tão atilado que não lhe escapem muitas coisas.” (Op. cit.,15)      “(...)Esta arte de ensinar e de aprender, no grau de perfeição a que agora, ao que parece, quer alçar-se, foi em grande parte desconhecida nos séculos passados: por isso, no mundo das letras e das escolas sempre se acumularam canseiras e enfado, incertezas e falhas, erros e imperfeições , razão pela qual somente os dotados de engenho superior podiam aventurar-se em busca de uma instrução mais sólida” (Op. cit., 15-16)
Didática Magna
Referindo-se à utilidade da arte didática, Comenius indaga a quem interessa que a didática seja bem fundamentada, e responde:
     “1. Aos Pais: até hoje a maioria deles não sabia com certeza o que esperar para os filhos. Contratavam preceptores, cercavam-nos de favores, adulavam-nos com presentes, às vezes os substituíam, com freqüência inutilmente, sem um mínimo de resultado. Mas, uma vez que o método de ensino tenha atingido infalível certeza, obter-se-á sempre com a ajuda de Deus o resultado esperado.      2. Aos Preceptores: destes, a maioria sempre ignorou a arte de ensinar; por isso, para cumprir com seu dever, consumiam-se e exauriam suas forças em diligente atividade; ou então mudavam de método, procurando obter resultados por este ou aquele caminho, nunca sem um aborrecido gasto de tempo e energia.      3. Aos Estudantes: que serão conduzidos sem dificuldade, sem enfado, sem gritos e pancadas, praticamente brincando e divertindo-se, aos mais elevados graus do saber.      
Didática Magna
   4. Às Escolas: com um método mais eficaz, não só poderão manter-se em plena florescência como também melhorar indefinidamente. Tornar-se-ão uma “brincadeira”, verdadeiras casas de delícias e de atrações. E quando (graças à infalibilidade do método) cada aluno se tornar doutor (do grau superior ou inferior), os estudos não poderão deixar de prosperar nem faltarão pessoas aptas a dirigir as escolas.    5. Aos Estados: segundo o citado testemunho de Cícero. Com este concorda Diógenes, o Pitagórico (mencionado por J. de Stóboi): “Qual o fundamento de todos os Estados? A educação dos jovens. As videiras que não são bem cultivadas nunca produzem bons frutos”.      6. À Igreja: porque somente escolas bem fundamentadas poderão evitar que à igreja faltem doutores instruídos e a estes, discípulos capazes.
    7. Finalmente é de interesse do CÉU que as escolas sejam reformadas para promover a educação idônea e universal das almas: por isso, não é de espantar que o fulgor da luz divina retire com maior facilidade das trevas todos aqueles que o som da trombeta divina não foi capaz de despertar. (...) (Op. cit., 37-38)
Didática Magna
Didática Magna
PRIMEIRO PRINCÍPIO      A natureza aguarda o momento propício
SEGUNDO PRINCÍPIO      A natureza prepara a matéria antes de começar a introduzir-lhe a forma
QUINTO PRINCÍPIO      A natureza começa todas as operações pelas partes mais internas
TERCEIRO PRINCÍPIO      Ao obrar, a natureza toma um indivíduo apto e prepara-o antes, oportunamente
QUARTO PRINCÍPIO      Em suas obras, a natureza não procede confusamente, mas de modo claro
Didática Magna
SEXTO PRINCÍPIO      A natureza inicia todas as suas formações pelas coisas mais gerais e acaba pelas mais particulares
SÉTIMO PRINCÍPIO      A natureza não procede por saltos, mas gradualmente
OITAVO PRINCÍPIO      Depois de iniciar uma obra, a natureza não a interrompe, mas conclui
NONO PRINCÍPIO      A natureza está sempre atenta para evitar as coisas contrárias e nocivas
Didática Magna
Esses dez itens revelam:
• seu conceito de criança que nasce à imagem de Deus, que será sua tônica de ensino;
• um ensino baseado num currículo em espiral, semelhante às atuais teorias;
• que ele não considera a criança como um adulto em minatura e respeita seu processo de desenvolvimento;
• que não era favorável ao ensino massacrante e defende a hora do lazer;
• um respeito ao tempo do educando;
• um respeito ao desenvolvimento e à vontade do educando;
• um respeito a todos os sentidos e faculdades, não privilegiando apenas a razão;
• que nada deve ser ensinado sem deixar claro sua utilidade, ou seja, não transformar o conteúdo em algo árido e obrigatório, sem explicação.
“a didática de Comenius se assentava nos seguintes princípios:      — A finalidade da educação é conduzir à felicidade eterna com Deus, pois é uma força poderosa de regeneração da vida humana. Todos os homens merecem a sabedoria, a moralidade e a religião, porque todos, ao realizarem sua própria natureza, realizam os desígnios de Deus. Portanto, a educação é um direito natural de todos.      — Por ser parte da natureza, o homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural, isto é, de acordo com as características e os métodos de ensino correspondentes, de acordo com a ordem natural das coisas.
Didática Magna
 — A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente, como se o aluno registrasse de forma mecânica na sua mente a informação do professor, como o reflexo num espelho. O ensino, ao invés disso, tem um papel decisivo à percepção sensorial das coisas. Os conhecimentos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos sentidos.      — O método indutivo consiste, assim, da observação direta, pelos órgãos dos sentidos, das coisas, para o registro das impressões na mente do aluno. Primeiramente as coisas, depois as palavras. O planejamento de ensino deve obedecer ao curso da natureza infantil; por isso as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. Não se deve ensinar nada que a criança não possa compreender. Portanto, deve-se partir do conhecido para o desconhecido”.FARGNOLI, Rosane Pimenta. Didática do ensino. Vitória: IBEAD/BOU, 2000.
Didática Magna
Didática Magna
Didática Magna
“Se observarmos as pegadas da natureza, torna-se-nos evidente que a educação da juventude se processará facilmente, se:
1-Começar cedo, antes da corrupção das inteligências.
2-Se fizer com a devida preparação dos espíritos.
3-Proceder das coisas gerais para as coisas particulares.
4-E das coisas mais fáceis para as mais difíceis.
5-Se ninguém for demasiado sobrecarregado com trabalhos escolares.
6-Se em tudo se proceder lentamente.
7-E se os espíritos não forem constrangidos a fazer nada mais que aquilo que desejam fazer espontaneamente, segundo a idade e por efeito do método.
8-Se todas as coisas forem ensinadas, colocando-as imediatamente sob os sentidos.
9-E fazer ver a utilidade imediata.
10-E se tudo se ensina sempre com um só e o mesmo método”
(COMENIUS, 1996:229)
Ensinar tudo a todos
Maria Fernanda Martins Gonçalves
"Importa demonstrar que nas escolas se deve ensinar tudo a todos. Isto não quer dizer todavia que exijamos a todos o conhecimento de todas as ciências e de todas as artes (sobretudo se se trata de um conhecimento exacto e profundo). Com efeito, isso nem de sua natureza é útil, nem pela brevidade da nossa vida é possível a qualquer homem" (PP. X) ou (DM. X:1)."Pretendemos apenas que se ensine a todos a conhecer os fundamentos, as razões e os objectivos de todas as coisas principais, das que existem na natureza e das que os homens fabricam, pois não fomos colocados no mundo só para sermos espectadores, mas também actores" (DM . X:1).
E nem sequer é esquecido o critério da utilidade:"Deve ensinar-se a todos aquelas coisas que dizem respeito ao Homem, embora mais tarde umas venham a ser mais úteis a uns e outras a outros" (DM. X) – ou "Tudo o que se ensina, ensine-se como coisa do mundo de hoje e de utilidade certa" (DM. XX:16).
Ensinar tudo a todos
"Não se trate senão daquelas coisas que são solidamente úteis para a vida presente e para a vida futura" (vida extra terrena) (DM. XVIII:8).Já dissemos que a Pampaedia estava ao serviço da Pansophia e visava a Panorthosia, ou o mundo perfeito. Na Introdução do livro intitulado Pampaedia o autor afirma: "Desejamos que todos os homens se tornem pansofos, isto é, que todos:Entendam as articulações das coisas Entendam os fins, os meios e os métodos de agir Saibam (nas acções, nos pensamentos e nas palavras) distinguir as coisas essenciais das acidentais, as indiferentes das prejudiciais.Se todos fossem doutos em tudo isto, tornariam todos universalmente sábios; o mundo ficaria então cheio de ordem, de luz e de paz.
Maria Fernanda Martins Gonçalves
Democratização do ensino
Dada a identidade universal da natureza humana, e assumidos os pontos de partida já referidos, a educação para todos, ou o acesso de todos à Escola é uma consequência lógica inevitável. Porém, as formas como o autor trata este assunto, a sensibilidade revelada em alguns pormenores e a coragem de contrariar alguns constrangimentos culturais da sua época, não deixam de nos impressionar.
Maria Fernanda Martins Gonçalves
Democratização do ensino
As suas afirmações são categóricas e fundamentais:"Onde Deus não fez discriminação, ninguém a deve fazer, para que não procure parecer mais sábio que o próprio Deus, dispondo as coisas de modo diferente daquilo que Ele fez. Deus não estabeleceu nenhuma discriminação entre os homens em razão daquilo que constitui a natureza humana, pois a todos fez:- Do mesmo sangue (matéria) - Participantes da mesma imagem divina (forma) - Do mesmo Criador (causa eficiente) - Herdeiros da mesma eternidade (o mesmo fim) - Todos enviados à mesma escola do mundo, para que todos nos preparemos para a outra vida".
Maria Fernanda Martins Gonçalves
Democratização do ensino
Também defende o respeito pela heterogeneidade dos alunos e pela diversidade de ritmos de aprendizagem de cada um:"Há naturalmente diferença entre os intelectos. Alguns são agudos e outros lentos; uns suaves e outros difíceis; uns ansiosos por conhecimentos e outros mais ansiosos por aptidões mecânicas". (DM)"Nem todas as crianças se desenvolvem ao mesmo tempo. Umas começam a falar com um ano de idade, outras com dois, e algumas com três. O espírito não sopra num momento determinado" (DM). Ou ainda: "O mesmo método não pode ser aplicado a todos da mesma forma".
Maria Fernanda Martins Gonçalves
Idéias
• afetividade do educador;
• coerência de propósitos educacionais entre família e escola;
• desenvolvimento do raciocínio lógico e do espírito científico;
• a formação do homem religioso, social, político, racional, afetivo, moral — enfim, do homem integral.
A permanência secular destas propostas comenianas demonstra como elas pertencem sim a uma esfera de conceitos, que estão além do momento histórico.” (INCONTRI in COVELLO,1999: 12)
Didática Magna
“Enfim, ensinam-se primeiro regras em abstrato, e só depois se ilustram com exemplos, enquanto que a luz deve preceder a pessoa a quem se quer iluminar o caminho.” (COMENIUS, 1996:212)
Ensinar tudo a todos
Maria Fernanda Martins Gonçalves
Sobretudo, o autor refere muitas vezes:"Todas as coisas que aperfeiçoam a natureza humana" ou "todas as coisas em que a natureza humana exige ser educada" (PP. II:10,12); ou ainda "todas as coisas que podem tornar o Homem sábio e feliz" (PP. 12).Os saberes seleccionados devem poder: "tornar todos os homens o mais possível semelhantes à imagem de Deus, segundo a qual foram criados, isto é, torná-los verdadeiramente racionais e sábios, verdadeiramente activos e ágeis, verdadeiramente íntegros e honestos, verdadeiramente piedosos e santos" (PP. I:8).Mas nem todas as coisas são igualmente válidas para esse fim. "São coisas não necessárias aquelas que não favorecem nem a moral nem a piedade, e sem as quais a instrução não sofre qualquer dano" (DM. XIX:52).
Idéias
“• o respeito ao estágio de desenvolvimento da criança, no processo da aprendizagem;
• a construção do conhecimento através da experiência, da observação e da ação;
• educação sem punição, mas com diálogo, exemplo e ambiente adequado;
• ambiente escolar arejado, belo, com espaço livre e ecológico;
• interdisciplinaridade;
Didática Magna
“As escolas ensinam a fazer um discurso antes de ensinar a conhecer as coisas sobre que deve versar o discurso, pois obrigam, durante anos, os alunos a aprender as regras da retórica, e, somente depois, não sei quando, os admitem ao estudo das ciências positivas (studia realia), da matemática, da física, etc. Mas, uma vez que as coisas são as substâncias e as palavras os acidentes; coisas o corpo, palavra o adorno; coisa a polpa, palavra a pele e a casca; deve ser ao mesmo tempo que estas coisas hão-de ser apresentadas à inteligência humana, mas tendo a preocupação de começar a partir das coisas, pois estas são objeto tanto da inteligência como do discurso”
(COMENIUS, 1996: 211)
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