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Horas Mortas Cesario verde

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by

Diana Veríssimo da Silva

on 21 May 2013

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Transcript of Horas Mortas Cesario verde

Análise do Poema "Sentimento de Um Ocidental IV- Horas mortas" Cesário Verde José Joaquim Cesário Verde nasceu em Lisboa, a 25 de fevereiro de 1855.
Matriculou-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa, frequentando-o apenas alguns meses.
Cesário dividiu a sua atividade entre a produção poética (publicada em jornais) e o trabalho de comerciante na loja que o pai tinha na baixa lisboeta.
Em 1877 começa a dar indícios de uma tuberculose, doença que já lhe tirara o irmão e a irmã (mortes que servem de inspiração para o seu poema)
Acabou por falecer a 19 de Julho de 1886. Ave-Marias Sentimento de Um Ocidental O tecto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.



Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos. Sentimento de Um Ocidental IV - Horas Mortas Sentimento de Um Ocidental IV - Horas Mortas Cesário Verde Estrutura Interna Noite Fechada Ao Gás Horas Mortas - Dedicado a Camões e a Guerra Junqueiro
- Reconstituição de um passeio que o sujeito poético faz sobre Lisboa
- Poema representativo da cidade em várias fases do final da tarde/noite em que regista as perceções e as impressões do sujeito poético enquanto caminha nas ruas nocturnas da cidade.
- Reflexão da realidade que se vivia em Lisboa. Sentimento de Um Ocidental IV - Horas Mortas O tecto fundo de oxigénio, de ar, a
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras; b
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras, b
Enleva-me a quimera azul de transmigrar. a

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis. Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados

.E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu receio, todavia, os roubos;
Afastam-snãoe, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar! Sentimento de Um Ocidental IV - Horas Mortas E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis. Sentimento de Um Ocidental IV - Horas Mortas Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados

E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores. Eu receio, todavia, os roubos;
Afastam-snãoe, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
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