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A ÚLTIMA QUIMERA

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on 28 August 2014

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A ÚLTIMA QUIMERA
Ana Miranda.

O livro narra a vida de Augusto dos Anjos, de forma a misturar ficção com realidade. A vida de Augusto dos Anjos, com seus amores e conflitos, é contada por um narrador-personagem que é amigo de infância do poeta e que mantém por ele um sentimento misto de inveja e admiração.
Augusto dos Anjos x Olavo Bilac
Parnasianismo x Simbolismo.
Epílogo.
As distâncias que separavam os dois poetas (Bilac e Augusto) - campo e cidade - e os temas de suas poesias diluem-se e ambos igualam-se na morte. Augusto viveu modestamente e morreu na pobreza, em Leopoldina, ao lado da esposa e Bilac, no fim da vida,adoece, afasta-se dos amigos e da vida noturna, torna-se um "infeliz solitário', e morre em sua casa, no seu quarto " com as janelas fechadas e as cortinas vedando a luz".
"Logo que chegaram ao Rio de Janeiro, Augusto e Esther assistiram pela janela do sobrado à sublevação da marinhagem, podiam ver os couraçados parados no mar; os canhões [...] durante a revolta
ficaram assestados sobre diversos pontos da cidade, como o
Catete, o Senado, o Arsenal da Marinha, para a qualquer momento bombardeá-la, [...]. Os marinheiros queriam que fossem abolidos os castigos corporais - chibata e outros - [...]"
(MIRANDA, 1995, p. 129)
Sobre a autora
Ana Maria Nóbrega Miranda nasceu em 19/08/1951, em Fortaleza (CE) e criada em Brasília, onde viveu até 1969. Romancista, poeta, atriz, desenhista, cronista e roteirista. Ganhou o Prêmio Jabuti de Revelação em 1990. Em 2003 ganha o prêmio Jabuti e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras.
"A minha literatura sempre foi muito onírica. Eu crio os meus livros quando estou sonhando. Acordo no meio da noite com cenas, palavras, frases que vou anotando"
Personagens.
• Olavo Bilac (1865-1918): Um importante poeta parnasiano, altamente engajado politicamente, acaba se tornando um grande amigo do narrador e se envolve em um conflito com o poeta Raul Pompeia.
• Raul Pompeia (1863-1895): Importante poeta naturalista e romancista, também engajado politicamente, com ênfase na defesa do republicanismo e causas abolicionistas.
• Francisca (fictícia): É a empregada do narrador, toma conta de Camila quando ele não está presente, e também age como conselheira e toma conta dele, eventualmente.
• Camila (fictícia): É a esposa do narrador, uma vítima do surto de tuberculose da época, passa a história deitada, repousando, esperando a morte, esta que é tão explorada nas composições poéticas de Augusto.
• Narrador (fictício): É um profundo admirador e amigo de Augusto, tão íntimo a ponto de descrever sua infância, sua personalidade. É evidentemente mais bem sucedido na vida que Augusto (monetariamente).
• Augusto dos Anjos (1884-1914): É o personagem central da obra, foi um poeta fora de série, que não se enquadrava em uma escola literária específica. Seus poemas apresentam traços naturalistas, parnasianos, ultrarromânticos, simbolistas, realistas, etc. Foi altamente criticado por não se adequar às escolas literárias da época, mas sua genialidade como poeta passou a ser reconhecida após sua morte. Publicou somente um livro de poesias: ’’Eu’’, dois anos antes de sua morte.

O livro.

Prêmios e reconhecimento
* 1990 – Premio Jabuti, Revelação de romance, com Boca do Inferno.
* 1994 - Prêmio de bolsa da Biblioteca Nacional, para A última quimera
* 2003 - Prêmio Jabuti - com o romance Dias & Dias
* 2003 - Academia Brasileira de Letras, Romance, com Dias & Dias
* 2009 - Sereia de Ouro, pela obra
* 2010 - Green Prize of the Americas, com Yuxin
Modernização no Rio de Janeiro.

"No cais Mauá atravesso uma multidão de operários, passo sob o
molhe de ferro galvanizado e ondulado, [...] sentindo o cheiro
delicioso do café nas sacas empilhadas; [...] a fumaça que sai dos
navios enegrece o ar, [...].
Ao passarmos na avenida, o tílburi toma uma incrível velocidade,
cruzando com outros veículos também rápidos, [...]. Peço ao
cocheiro que vá mais devagar. Ele conta que uma chuva alegou
parte da cidade, [...]. Depois reclama da quantidade de
automóveis e carros tirados a cavalos ou burros, [...] já existem
mais de duzentos automóveis licenciados na cidade, ele lamenta."
(MIRANDA, 1995, p. 287-288).

A Última Quimera.
Além da vida de Augusto, Ana Miranda retrata a sociedade do início do século 20, mostrando os problemas da República, a Revolta da Chibata, a evolução do Rio de Janeiro.
CONTROVÉRSIA:

- Augusto dos Anjos é classificado por alguns como poeta parnasiano e por outros como simbolista. Existem ainda críticos que dizem que a obra do autor é pré-modernista. Esse não enquadramento aparece no romance e é um ponto importante a ser observado.
- Augusto, representado marginalizado, incompreendido por leitores
e críticos, sendo obrigado a se mudar constantemente, por não poder pagar
aluguéis, quase às portas da miséria e Olavo, boêmio, viajando sempre para a
Europa, aclamado e apreciado pelos leitores e pela crítica.
É o próprio Augusto quem se define como um sujeito azarado, “deserdado
pela sorte”.
"Há em mim, não sei por que sortilégio de divindades malvadas,
uma tara negativa irremediável para o desempenho de umas
tantas funções específicas da ladinagem humana. O que eu
encontro dentro de mim é uma coisa sem fundo, uma espécie
aberratória de buraco na alma, e uma noite muito grande e muito
horrível em que ando, a todo instante, a topar comigo mesmo, [...]
(
MIRANDA, 1995, p. 23-24).
O fragmento acima reflete a cena do livro em que Augusto se lamenta pelo aborto de sua esposa, Esther.
O livro é dividido em cinco partes, com um Epílogo. Cada parte é dividida em vários capítulos.
PARTE UM:
- Rio de
Janeiro, 12 de novembro de 1914
- Eu
- A luz lasciva do luar
- A triste dama das camélias
- O morcego tísico
O livro é dividido em cinco partes, cada parte dividida em vários capítulos. Cada capítulo conta uma fase da vida de Augusto dos Anjos, sempre relacionada com o personagem narrador.
O narrador conta sobre a morte de Augusto dos Anjos e sobre seus laços com o autor. No meio de seus devaneios encontra Olavo Bilac.
O narrador, então, no meio de suas memórias sobre Augusto e suas infâncias juntos, decide visitar a esposa do falecido.
-Não fica extremamente explícito, mas o narrador tem uma paixão pela esposa de Augusto.

- O mesmo tem uma esposa chamada Camila, que é muito doente e triste, e em seu interior sabe dessa paixão.
Até que ponto, no caso de Augusto dos Anjos, com um único livro escrito, a obra é capaz de manter-se viva, ainda mais sem o pulsar do poeta?
Augusto dos Anjos é, para a sociedade, o marginalizado, o poeta do não-lugar; e, para o narrador, o incompreendido.
Quando Augusto dos Anjos publicou seu único livro "Eu", as críticas caíram sobre ele como uma chuva de canivetes.
Foi considerado extremamente melancólico e atormentador, desprezado pela maioria na sua época de publicação.
- O narrador deixa sua esposa Camila e viaja para a cidade de Augusto para amparar Ester, viúva.
- Lembranças de Augusto lhe vêm novamente, e relata a época em que Augusto teve esentendimentos políticos, durante a revolta da Chibata.
- Augusto estava cheio de problemas, não conseguia emprego e era apelidado de "Doutor Tristeza".
Augusto dos Anjos era professor particular de Língua Portuguesa.
A revolta da Chibata no Livro
- Augusto se mudou com a família para Leopoldina.
- O narador encontra a irmã de augusto no trem, mas não tem coragem de contar sobre sua morte, e, juntos, prosseguem a viagem, com, novamente, devaneios do narrador.
- Ao saltar do trem em Leopoldina, Francisca, irmã de Augusto, sabe da notícia por seus tios.
Quando o narrador chega ao enterro de Augusto, sente vontade de morrer.
- Ele procura por Ester após o enterro e tem um devaneio de Augusto ao seu lado, com Camila e outros parentes. Acorda e descobre que era apenas um pesadelo.
- O narrador começa a pensar demais sobre Ester e lembra de Camila, sozinha.
- Ele descobre, por fim, que gosta de Camila, e resolve voltar para casa.
Neste ponto se explicita o quanto o narrador sente algo por Ester.
Ester, em sua vida, sofreu dois abortos, fato que deixou Augusto extremamente deprimido e descontente consigo mesmo.
- Ele chega ao Rio, ansioso em saber se Camila estaria bem. Bate à porta, ninguém atende. Dá a volta pelo quintal e vê os empregados fazendo uma fogueira com as coisas de Camila. Seu coração quase para, entra em casa e sobe as escadas, correndo, desesperado. Encontra Camila muito mal, deitada numa esteira, pedindo que a deixem morrer. Ele manda chamar o médico e este decide interná-la.
- O narrador encontra novamente Bilac, que trafega como qualquer plebeu. Faz previsões sobre o que acontecerá após a morte de Bilac.

A morte equipara-os, enfim, e nivela-os na condição de seres humanos que tem sempre o mesmo destino.
• Esther (Real): É a esposa de Augusto. Quando engravidou, perdeu o filho. Fato que pode ter potencializado a poesia melancólica de Augusto. É objeto de desejo do narrador, que sempre a descreve com certa idealização.
• Diversas outras personalidades históricas minoritárias para o enredo são brevemente descritas ou são citadas, como Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Mallarmé, Rimbaud, a mãe de Augusto, etc.
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Versos Íntimos.
-Augusto dos Anjos.
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