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Representações sociais

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by

Cristiane Rosa

on 10 April 2014

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Transcript of Representações sociais

Como nasceu esta teoria?
Representações sociais
Como nasceu esta teoria?
No Brasil, o interesse pela teoria das RS iniciou no final da década de 70, com o desenvolvimento da própria psicologia social, que a partir de algumas instituições, assume uma postura mais crítica, não apenas em relação à psicologia americana, mas também em contrapartida ao papel subserviente da ciência frente às questões de ordem macro-social.
Mas o que são representações sociais?
Como nasceu esta teoria?
Representações sociais
Para Moscovici (1994), o conceito de representação social tem suas origens na sociologia e na antropologia.
Inicialmente chamado de representação coletiva, serviu como elemento básico para a elaboração de uma teoria da religião, da magia e do pensamento mítico.
O que levou Moscovici a desenvolver o estudo das Representações Sociais dentro de um trabalho científico foi, principalmente, sua crítica aos pressupostos positivistas e funcionalistas das demais teorias que não davam conta de explicar a realidade em outras dimensões, principalmente na dimensão histórico-crítica.
As RS são "teorias" sobre saberes populares e do senso comum, elaboradas e partilhadas coletivamente com a finalidade de construir e interpretar o real.
Possui 3 níveis de discussão e análise: nível fenomenológico, nível teórico e nível metateórico.
Nível fenomenológico:
As RS são um objeto de investigação. Esses objetos são elementos da realidade social, são modos de conhecimento, saberes do senso comum que surgem e se legitimam na conversação interpessoal cotidiana e têm como objetivo compreender e controlar a realidade social.
É o conjunto de definições conceituais e metodológicas, construtos, generalizações e proposições referentes às RS.
Nível teórico
Nível metateórico
É o nível das discussões sobre a teoria. Neste colocam-se os debates e as refutações críticas com respeito aos postulados e pressupostos da teoria, juntamente a uma comparação com modelos teóricos de outras teorias.
Moscovici: "por representações sociais entendemos um conjunto de conceitos, proposições e explicações originado na vida cotidiana no curso de comunicações interpessoais. Elas são o equivalente em nossa sociedade, aos mitos e sistemas de crenças das sociedades tradicionais; podem também ser vistas como a versão contemporânea do senso comum".
Um dos elementos fundamentais da teoria das RS é a interligação possível entre cognição, afeto, e ação no processo de representação.
A representação, como um processo mental, carrega sempre um sentido simbólico.
Jodelet (1988) identifica no ato de
representar 5 características fundamentais:
1. Representa-se um objeto;
2. É imagem e com isso pode alterar a sensação, a ideia, a percepção e o conceito;
3. Tem um caráter simbólico significante;
4. Tem poder ativo e construtivo;
5. Possui um caráter autônomo e generativo.
Para que estudamos as RS?
Uma das principais vantagens desta teoria é sua capacidade de descrever, mostrar uma realidade, um fenômeno que existe, do qual muitas vezes não nos damos conta, mas que possui grande poder mobilizador e explicativo. Torna-se necessário, por isso, estudá-lo para que se possa compreender e identificar como ela atua na motivação das pessoas ao fazer determinado tipo de escolha (comprar, votar, agir).
É fundamental darmo-nos conta de que, na maioria das vezes, nós praticamos determinadas ações, como por exemplo, comprar e votar, não por razões lógicas, racionais ou cognitivas, mas por razões principalmente afetivas, simbólicas, míticas, religiosas, etc.
A teoria das RS chama a atenção a essa realidade e tenta mostrar a importância de se conhecer essas representações para se compreender o comportamento das pessoas.
O conceito de RS é versátil e 3 importantes postulados podem se combinar em seu emprego:
É um conceito abrangente, que compreende outros conceitos tais como: atitudes, opiniões, imagens, ramos de conhecimento;
Possui poder explanatório: não substitui, mas incorpora os outros conceitos, indo mais a fundo na explicação causal dos fenômenos;
O elemento social na teoria das RS é algo constitutivo delas, e não uma entidade separada. O social não determina a pessoa mas é substantivo dela. O ser humano é tomado como essencialmente social.
Por que criamos as RS?
Tentando entender a formação e origem das RS, constata-se que criamos as RS para tornar
familiar
o
não familiar.
Esse movimento que se processa internamente vem a serviço de nosso "bem-estar", pois tendemos a rejeitar o estranho, o diferente, enfim, tendemos a negar as novas informações, sensações e percepções que nos trazem desconforto.
Para assimilar o
não familiar,
dois processos básicos podem ser identificados como geradores de RS, o processo de ancoragem e objetivação. Primeiramente abordaremos o conceito de familiar e não familiar a partir das noções de Universos Reificados e Universos Consensuais.

Existem, na sociedade, dois tipos diferentes de Universos de pensamento:
Universos Reificados (UR): são mundos restritos e neles circulam as ciências, a objetividade, ou as teorizações abstratas.
Universos Consensuais (UC): são teorias do senso comum, e nelas encontram-se as práticas interativas do dia-a-dia e a produção de RS.
No Universo Consensual (UC) a sociedade é vista como um grupo de pessoas que são iguais e livres, cada um com possibilidade de falar em nome do grupo. Nenhum membro possui competência exclusiva.
Já no Universo Reificado (UR) a sociedade é percebida como um sistema de diferentes papéis e classes, cujos membros são desiguais.
Ancoragem: é o processo pelo qual procuramos classificar, encontrar um lugar, para encaixar o não familiar. Pela nossa dificuldade em aceitar o estranho e o diferente, este é, muitas vezes, percebido como ameaçador. A ancoragem nos ajuda em tais circunstâncias.
É um movimento que implica, na maioria das vezes, em juízo de valor, pois ao ancorarmos, classificamos uma pessoa, ideia ou objeto e com isso já situamos dentro de uma categoria que historicamente comporta esta dimensão valorativa.
Ex: surgimento da AIDS:
Diante das dificuldades em entendê-la e classificá-la, uma das formas encontradas pelo senso comum para dar conta de sua ameaça foi ancorá-la como uma "peste" - "a peste gay" ou "o câncer gay".


Apesar de ter sido classificada de forma equivocada e preconceituosa, a nova doença pareceu menos ameaçadora porque aconteceria somente aos "gays".
Objetivação: é o processo pelo qual procuramos tornar concreto, visível, uma realidade. Procuramos aliar um conceito com uma imagem, descobrir a qualidade icônica, material de uma ideia, ou de algo duvidoso.
A imagem deixa de ser signo e passa a ser uma cópia da realidade. Um dos exemplos fornecidos por Moscovici refere-se à religião. Ao se chamar de "pai" a Deus, está-se objetivando uma imagem jamais visualizada (Deus), em uma imagem conhecida (pai), facilitando a ideia do que seja "Deus".
Qual a diferença entre representações
sociais e outras teorias?
Dinamicidade e historicidade: as RS estão associadas às práticas culturais, reunindo história, tradição e flexibilidade da realidade contemporânea.
Deve-se fazer a distinção entre as RS e as representações coletivas (Durkheim). Sperber faz uma analogia com a medicina: a mente humana é susceptível de representações culturais, do mesmo modo que o organismo é susceptível de doenças.
Assim, divide-se as representações em coletivas e sociais:

Coletivas: representações duradouras, amplamente distribuídas, ligadas à cultura, transmitida lentamente por gerações, são "tradições".

Sociais: são típicas de culturas modernas, espalham-se rapidamente por toda a população, possuem curto período de vida, são parecidos com "modismos".
A teoria das RS diferencia-se de muitas outras no que concerne à visão do social e ser humano:

Teoria comportamentalista: o social é dado como pronto e o ser humano é condicionado.
Psicanálise: o social é relegado a uma categoria menor e o ser humano é regido pelo inconsciente
Já para a Teoria das RS o social é coletivamente edificado e o ser humano é construído através do social.
Que relações se podem estabelecer entre o estudo das RS e ideologia?
Thompson (1995): "ideologia é o uso das formas simbólicas para criar ou manter relações de dominação".
As formas simbólicas são um amplo conjunto de ações e falas, imagens e textos que são produzidos pelas pessoas e reconhecidas por elas e outros, como constructos significativos.
Para entender melhor o que é ideologia, é importante discutir o que se entende por "dominação".
Dominação é uma relação que se estabelece entre pessoas ou grupos, onde uns interferem e se apropriam das capacidades ou habilidades de outros, de maneira assimétrica.
Portanto, existem diversas formas de dominação que podem ser: econômica, de gênero, de raça, de etnia, de idade, religiosa, etc.
Um dos instrumentos mais usados na investigação das RS é a técnica dos grupos focais;
A qualidade dos dados pode ser, superior aos de uma entrevista individual.
Como investigamos
as RS?
Morgan (1988): "A finalidade mais comum dos grupos focais é conduzir uma discussão em grupo que se assemelhe a uma conversação normal e viva entre amigos e vizinhos..."

Os grupos focais se prestam para a finalidade de se chegar mais próximo às compreensões que os participantes possuem do tópico de interesse do pesquisador. Pode-se compreender "o que" e também "por que" os participantes pensam da maneira como pensam.

O coordenador do grupo deve conduzir a discussão de forma livre, porém com cuidado para não desviar o tema proposto;

Etapas para o tratamento dos dados:
a) transcrição das entrevistas;
b) leitura flutuante;
c) categorização a partir dos objetivos da pesquisa.

Considerações finais
Dois grandes avanços trazidos pela teoria das RS:

1) Trata do conhecimento construído e partilhado entre pessoas, saberes específicos à realidade social, que surgem na vida cotidiana no decorrer das comunicações interpessoais, buscando a compreensão dos fenômenos sociais;

2) A teoria das RS colocou os saberes do senso comum em uma categoria científica. Ela veio valorizar este conhecimento popular, tornando possível e relevante sua investigação.
A teoria das RS nos obriga a pensar, exige muito trabalho de interpretação e re-interpretação, coloca-nos frente a dicotomias, conflitos, ela desconcerta!
Um dos melhores exemplos de como ocorre a ancoragem está no trabalho sobre a representação social da loucura. Ao abrirem as portas do manicômio e colocar os doentes mentais em contato com os aldeões na rua e passaram a ser chamados de idiotas, vagabundos epiléticos, isto é, maloqueiros.
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