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Palestra

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by

wilton ormundo

on 18 May 2014

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Transcript of Palestra

Literatura: “lançar [novos] mundos no mundo”
(A “biblioteca cultural”)
Professor Wilton Ormundo
Trabalho de Apolo Torres, pintor e ilustrador paulistano.
Torres cria obras que dialogam com o espaço urbano, misturando arte e realidade.
Intertextualidade: mecanismo primordial da comunicação literária
O fenômeno da intertextualidade não é um simples recurso literário. Para a professora, romancista, crítica literária, tradutora e diretora de Literatura Comparada da Universidade de Paris VIII, Tiphaine Samoyault, trata-se de “um dos principais mecanismos da comunicação literária”.
Os subtextos dos textos
Tiphaine Samoyault defende que “(...) um texto não existe sozinho, [ele] é carregado de palavras e pensamentos mais ou menos conscientemente roubados, sentem-se as influências que o subtendem, parece sempre possível nele descobrir-se um subtexto."
(In:
A intertextualidade.
Trad. Sandra Nitrini. Editora Hucitec)
Intertextualidade, dialogismo e polifonia
Dialogismo e polifonia
Samoyault distingue “intertextualidade” de “polifonia” e “dialogismo” (conceitos bakhtinianos). Segundo a crítica, quando “o texto faz ouvir várias vozes sem que nenhum intertexto seja explicitamente localizável” parece mais preciso “(...) falar de
dialogismo
e de
polifonia
em vez de
intertextualidade
”, pois, como mostrou Bakhtin, “(...) o entrelaçamento dos discursos e a autonomia das vozes são funções da própria natureza do romance, colocando assim em funcionamento uma relação com a multiplicidade dos textos e das linguagens, porque é sua maneira de falar do mundo."
“A bela e a fera ou A ferida grande demais”
“Bem, então saiu do salão de beleza pelo elevador do Copacabana Palace Hotel. O chofer não estava lá. Olhou o relógio: eram quatro horas da tarde. E de repente lembrou-se: tinha dito a "seu" José para vir buscá-la às cinco, não calculando que não faria as unhas dos pés e das mãos, só a massagem. Que devia fazer? Tomar um táxi? Mas tinha consigo uma nota de quinhentos cruzeiros e o homem do táxi não teria troco. Trouxera dinheiro porque o marido lhe dissera que nunca se deve andar sem nenhum dinheiro. Ocorreu-lhe voltar ao salão de beleza e pedir dinheiro. Mas – mas era uma tarde de maio e o ar fresco era uma flor aberta com o seu perfume. Assim achou que era maravilhoso e inusitado ficar de pé na rua – ao vento que mexia com os seus cabelos. Não se lembrava quando fora a última vez que estava sozinha consigo mesma. Talvez nunca. Sempre era ela – com outros, e nesses outros ela se refletia e os outros refletiam-se nela. Nada era – era puro, pensou sem se entender. Quando se viu no espelho – a pele trigueira pelos banhos de sol faziam ressaltar as flores douradas perto do rosto nos cabelos negros – conteve-se para não exclamar um “ah!” – pois ela era cinquenta milhões de unidades de gente linda. Nunca houve – em todo o passado do mundo – alguém que fosse como ela. E, depois, em três trilhões de trilhões de anos – não haveria uma moça exatamente como ela.
[...]
“A beleza pode levar à espécie de loucura que é a paixão.” Pensou: “estou casada, tenho três filhos, estou segura.”
Ela tinha um nome a preservar: era Carla de Sousa e Santos. Eram importantes o ‘de’ e o ‘e’: marcavam classe e quatrocentos anos de carioca. Vivia nas manadas de mulheres e homens que, sim, que simplesmente ‘podiam'. Podiam o quê? Ora, simplesmente podiam. [...]
Pensou assim, toda enovelada: ‘Ela que, sendo mulher, o que lhe parecia engraçado ser ou não ser, sabia que se fosse homem, naturalmente seria banqueiro, coisa normal que acontece entre os ‘dela’, isto é, de sua classe social, à qual o marido, porém, alcançara com muito trabalho e que o classificava de ‘self made man’ enquanto ela não era uma ‘self made woman’. No fim do longo pensamento, pareceu-lhe que – que não pensara em nada.
Um homem sem uma perna, agarrando-se numa muleta, parou diante dela e disse:
– Moça, me dá um dinheiro para eu comer?
‘Socorro!!!’ gritou-se para si mesma ao ver a enorme ferida na perna do homem. ‘Socorre-me, Deus’, disse baixinho.
Estava exposta àquele homem. Estava completamente exposta. Se tivesse marcado com ‘seu’ José na saída da Avenida Atlântica, o hotel que ficava o cabeleireiro não permitiria que ‘essa gente’ se aproximasse. Mas na Avenida Copacabana tudo era possível: pessoas de toda a espécie. Pelo menos de espécie diferente da dela.”

de Clarice Lispector
Intertextualidade

Para Samoyault, a intertextualidade ocorreria somente quando o “(...) texto refere-se diretamente a textos anteriores, segundo modos de integração bem visíveis”.

(Conto escrito entre 1940 e 1941)
Dom Quixote de La Mancha
A literatura nasce da literatura ou A literatura devora a literatura
Segundo Leyla Perrone-Moisés, “(...) a literatura se produz num constante diálogo de textos, por retomadas, empréstimos e trocas. A literatura nasce da literatura; cada obra nova é uma continuação, por consentimento ou contestação, das obras anteriores, dos gêneros e temas já existentes. Escrever é, pois, dialogar com a literatura anterior e com a contemporânea”.
(“Literatura comparada, intertexto e antropofagia”. In:
Flores da escrivaninha: ensaios.
São Paulo: Companhia das letras, 1990, p. 94)
Texto como mosaico
Para Kristeva, “(...) todo texto se constrói como mosaico de citações, todo texto é absorção e transformação de um outro texto.”

(KRISTEVA, Julia.
Introdução à semanálise.
Trad. Lúcia Helena França Ferraz. São Paulo: Perspectiva, 1974, p. 64)
E os
leitores?

Jean-Marie Goulemot: professor de literatura francesa na Universidade de Tours (França).
Leitura:
“produção de
sentido”
“prática cultural”, “lugar de produção de sentido, de compreensão e de gozo”. Não há “leitura ingênua, quer dizer, pré-cultural, longe de qualquer referência exterior a ela”.
Leitura:
Ler é constituir um sentido (e não reconstituir)
Para Goulemot, “ler é dar um sentido de conjunto, uma globalização e uma articulação aos sentidos produzidos pelas sequências. Não é encontrar o sentido desejado pelo autor, o que implicaria que o poder do texto se originasse na coincidência entre o sentido desejado e o sentido percebido, em um tipo de acordo cultural, como algumas vezes se pretendeu, em uma ótica na qual o positivismo e o elitismo não escaparão a ninguém. Ler é, portanto, constituir e não reconstituir um sentido. A leitura é uma revelação pontual de uma polissemia do texto literário. A situação da leitura é, em decorrência disso, a revelação de uma das virtualidades significantes do texto."
Brueghel e "Uma visão de Necrotério"
Uma relação construída em três termos
Goulemot: “O leitor, nessa relação com o texto, define-se como uma
fisiologia
, uma
história
e uma
biblioteca
.”
Goulemot: “O leitor, nessa relação com o texto, define-se como uma
fisiologia
, uma
história
e uma
biblioteca
.”
Fisiologia
Atitude do corpo: “sentado”, “deitado”, “alongado”, “em público”, “solitário”, “em pé”...
Rito: “Somos um corpo leitor que cansa ou fica sonolento, que boceja, experimenta dores, formigamentos, sofre de câimbras.”
“Há uma instituição do corpo que lê”.
O corpo que lê
História
Biblioteca
“O fora-do-texto é também uma história coletiva e pessoal.”
“Parece-me evidente que, em grande parte, o que construímos como nossa história pessoal pertença, em boa parte de seus aspectos, a uma narração cultural.”

História política e social que “trabalha aquilo que nós lemos”.
“A história, aceitemos ou não, orienta mais nossas leituras do que nossas opções políticas”.
História Cultural

Fragmento de
Senhora dos Afogados
, de Nelson Rodrigues. Encenação por Érico José e assistência por Edjalma Freitas.
“Há uma
história contemporânea
, quase vivida, que trabalha o texto no processo de leitura. Acrescentarei que há também uma
história mítica
que pertence, também ela, à obra: entendo por isso uma história fundamental da qual não fomos testemunhas, nem mesmo contemporâneos, evidentemente, e que se reduz a alguns acontecimentos altamente valorizados dos quais nos sentimos herdeiros.”
Fragmento de "Queridos Amigos". Com Fernanda Montenegro, Nelson Diniz e Tarcísio Filho.
dialogismo e intertextualidade
“Qualquer leitura é uma leitura comparativa, contato do livro com outros livros. Assim como existe dialogismo e intertextualidade, no sentido que Bakhtin dá ao termo, há dialogismo e intertextualidade da prática da própria leitura.”
Texto:
Prática de leitura:
dialogismo e intertextualidade
Imagens criadas pelo designer norte-americano Christian Jackson
Biblioteca vivida
“Ler será, portanto, fazer emergir a biblioteca vivida, quer dizer, a memória de leituras anteriores e de dados culturais. É raro que leiamos o desconhecido.”
de Miguel de Cervantes
CANDIDO PORTINARI, "Dom Quixote e Sancho Pança Saindo para Suas Aventuras" ("Don Quijote y Sancho Panza saliendo para sus aventuras"), 1956.
Horizonte de expectativa – Jauss
“(...) cada época constitui seus modelos e seus códigos narrativos (...)”

“(...) no interior de cada momento existem códigos diversos, segundo os grupos culturais”.
"A moreninha" e "Pista de dança"
“(...) poderíamos resumir, de fato, a história da literatura a uma sucessão de rupturas nos códigos narrativos e colocar, portanto, uma acumulação de códigos narrativos adquiridos na potencialidade da leitura.”
Sucessão de rupturas
"Canto do Piaga" e "Chegança"
"Laocoonte", "El Greco" e "Retirantes"
A intertextualidade fundamenta (também) a leitura
“(...) não existe compreensão autônoma do que é dado a ler ou a entender, mas articulação em torno de uma biblioteca do texto lido. A comparação, a medida, formam o tempo primeiro, primário, dessa intertextualidade que fundamenta a leitura. (...) O livro lido ganha seu sentido daquilo que foi lido antes dele, segundo um movimento redutor ao conhecido, à anterioridade. O sentido nasce, em grande parte, tanto desse exterior cultural quando do próprio texto e é bastante certo que seja de sentidos já adquiridos que nasça o sentido a ser adquirido.”
"Odisseia" e "Porto Alegre (Nos braços de Calipso)"
“De fato, a leitura é jogo de espelhos, avanço especular. Reencontramos ao ler. Todo o saber anterior – saber fixado, institucionalizado, saber móvel, vestígios e migalhas – trabalha o texto oferecido à decifração.”
Leitura: jogo de espelhos
"O grande circo místico"
"O grande circo místico"
Biblioteca cultural: constituição de sentido
“A biblioteca cultural serve tanto para escrever quanto para ler. Chega a ser, creio eu, a condição de possibilidade da constituição de sentido”.
Leitura: a emergência do oculto
“(...) ler é fazer-se ler e dar-se a ler. Em outros termos, dar um sentido é falar sobre o que, talvez, não se chegue a dizer de outro modo e mais claramente. Portanto, seria permitir uma emergência daquilo que está escondido.”
"Guardar"
de Antonio Cicero
“Toda obra literária é antes de mais nada uma espécie de objeto, de objeto construído; e é grande o poder humanizador desta construção, enquanto construção."


(CANDIDO, Antonio.
Vários escritos.
3ª ed. res. e amp. – São Paulo: Duas cidades, 1995, p. 245-6)
Ordenação do caos
Goulemot: “O leitor, nessa relação com o texto, define-se como uma
fisiologia
, uma
história
e uma
biblioteca
.”
Goulemot: “Por outro lado, assim como a biblioteca trabalha o texto oferecido, o texto lido trabalha em compensação a própria biblioteca. A cada leitura, o que já foi dito muda de sentido, torna-se outro. É uma forma de troca.”


Leitura: relação dialética
"One art" e "Uma arte"
Cantiga de amigo e "Amor brando"
Che Guevara
"Os sofrimentos do jovem Werther" e "Carta a D."
"Perdoa-me por me traíres" e "Auto da Índia"
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