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"Os Maias" capítulo XII

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Milene Contente

on 24 March 2014

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Transcript of "Os Maias" capítulo XII

Eça de Queirós
José Maria de Eça de Queirós nasceu na Póvoa de Varzim a 25 de Novembro de 1845,e faleceu em Paris a 16 de Agosto de 1900. É um dos mais importantes escritores lusos. Foi autor, entre outros romances de reconhecida importância, de “Os Maias” e “O crime do Padre Amaro”; este último é considerado por muitos o melhor romance realista português do século XIX.
O capítulo XII
O capítulo XII é decisivo no desenrolar da ação. É impossível resistir-se à dúvida acerca da possibilidade de um final feliz para a ligação de Carlos e Maria Eduarda, já que se começam a desenhar tantos entraves. Por enquanto vamos entregar-nos à ilusão do amor, enquanto pudermos fazê-la durar, e vivê-la com a intensidade que ela merece.
"Os Maias" capítulo XII
Mais tarde a condessa Gouvarinho justificou o pretexto de o seu filho estar constipado“estava tão quente, tão inquieto, tinha quase medo que fosse sarampo”, para pedir a Carlos que o fosse examinar. Carlos seguiu-a, pararam num gabinete onde se beijaram “os seus lábios prenderam-se ao dele num beijo sôfrego, penetrante, completo, findado, num soluço de desmaio”, e a condessa impôs-lhe um encontro para o dia seguinte em casa da sua tia. Entretanto Charlie dormia tranquilamente no seu berço. Aparece já na altura em que se tomava o café, Teles da Gama e Steinbroken, que se juntaram a eles o resto da noite no salão em redor do piano, “O ministro cantou melodias da Finlãndia. Teles da Gama tocou fados”. Ega e Carlos são os primeiros a ir embora. Na tarde seguinte por volta das cinco horas, Carlos encontra-se com a condessa, como ambos tinham combinado na noite anterior, e fora seguidamente ao encontro de Maria Eduarda, que já o esperava estranhando a sua demora, para supostamente ver como estava a Miss Sara. Carlos conversou animadamente com Rosa e preparava-se para beber chá com Maria Eduarda quando Domingos veio anunciar a visita de Dâmaso, ao que Maria Eduarda mandou responder que não recebia. Em conversa entre ambos, Maria Eduarda pergunta a Carlos se não tinha conhecimento de nenhuma casa para passar os meses de verão com a sua filha Rosa, ao que Carlos se lembra da casa de Craft nos Olivais. Carlos declara-se então a Maria Eduarda, “(...) pois não sabe perfeitamente que a adoro, que a adoro, que a adoro!” e Maria Eduarda admite também que o amava. Falaram em fugir para poderem viver o seu amor, os três, juntamente com a sua filha Rosa.Maria Eduarda tinha uma coisa para dizer a Carlos, que segundo ela era muito importantem mas com todo o entusiamos da ideia de fugirem não se falou sequer sobre o assunto. Beijaram-se pela primeira vez e Carlos vai embora.
Era sábado. Carlos estava a ir para o Ramalhete e encontra Ega no seu quarto, que diz que lá estava de incógnito e que só veio a Lisboa por uns dias “(...) unicamente para comer bem e para comer bem”. Pergunta a Carlos se pode instalar-se no Ramalhete, apesar de estar hospedado no Hotel Espanhol e claro que a resposta de Carlos foi positiva. Ega tinha viajado de comboio para Lisboa, onde encontrara a Madame Gouvarinho, pois o seu pai estava à beira da morte, “achei-a magra, mas com um ar ardente: e falou-me constantemente de ti”. Carlos também informou Ega sobre o regresso dos Cohen, mas Ega já sabia da novidade, supondo-se que talvez fosse esse o motivo da sua vinda para a capital. Ega foi então cumprimentar Afonso que estava no seu escritório com um volume da Ilustração nos joelhos. Com ele encontrava-se o Sr. Manuelinho “um pequeno bonito, muito moreno, de olho vivo, e cabelo encarapinhado”, um vizinho dos Maias que ia por vezes fazer-lhe companhia. Afonso questionou Ega sobre o facto de ele não concluir os seus livros, mas Ega queixou-se do país e da sua indiferença pela arte, dizendo que um homem devera limitar-se a plantar legumes, ao que Afonso responde que ele nem isso fazia, apelando aos dois jovens a fazerem algo pelo país, lamentando a inércia em que eles se afundavam. Na segunda-feira seguinte, um dia chuvoso, Carlos e Ega partem para o jantar dos Gouvarinho.
Ega questiona Carlos sobre a brasileira com que ele andava a todas todas as manhãs, dizendo que Dâmaso andava a espalhar no Grémio que Carlos se interpusera entre ele e essa senhora, aproveitando a sua ausência para a conquistar, e que ela teria preferido Carlos por ele ser mais rico. Chegaram por fim a casa dos Gouvarinho e avistaram D. Maria da Cunha, a baronesa de Alvim e uma senhora que ambos não reconheceram “gorda e vestida de escarlate; e de pé, conversando baixo com o conde, de mãos atrás das costas, um cavalheiro alto, escaveirado, grave, com uma barba rala”. O conde apresentou a Carlos o seu amigo, o Sr. Sousa Neto, representante da Administração Pública, que tinha a seu cargo a Instrução. A condessa tomou o braço de Carlos e aproveitou logo para lhe fazer alusões à “brasileira”, dizendo que esperou por ele mas logo se apercebeu que ele tinha estado com ela.
Carlos mandou umas “picardias” à condessa, aproveitando-se do facto da senhora de escarlate lhe ter dito que lhe fora contado que este tinha estado na
Rússia, quando apenas tinha estado na Holanda, dizendo-lhe indirectamente que esta não pode acreditar em tudo o que ouvia, “Veja a senhora condessa! Eu nem tive mesmo ideia de ir à Rússia. Há assim uma infinidade de coisas que se dizem e que não são exactas (...)”. Discutiu-se durante o jantar o assunto das colónias, da escravatura, defendida por Ega e condenada pelo deputado Sousa Neto, e do gosto por paradoxos, que envolveram algumas picardias entre o Ega e o Sr. Sousa Neto. O ambiente tornou-se mais descontraído e no meio das conversas, Carlos explicou à condessa que a razão para frequentar a casa da senhora de quem Dâmaso falava devia-se aos seus serviços de médico, uma vez que a governanta estava doente, aliás até tinha sido o próprio Dâmaso que primeiro o levara à família, para tratar da filha dessa senhora. Assim, Carlos e a madame Gouvarinho acabaram por se reconciliar e o pé da condessa já apertava o de Carlos, mostrando o desejo de uma aproximação. Ega e o conde falaram sobre mulheres, que ambos achavam que só tinham o direito de ser belas e depois estúpidas, acrescentado que o lugar da mulher era junto do berço e não da biblioteca, a propósito da conversa sobre a secretária da Legislação da Rússia, uma senhora muito instruída.
O casaco e a alusão ao amor
Verifica-se a relação metonímica que se estabelece entre o casaco de Maria Eduarda, primeiro objecto que prende a atenção de Carlos, e o comportamento que vai assumir na relação amorosa com Carlos da Maia “(...) com as duas mangas abertas, à maneira de dois braços que se oferecem (...) o forro, de cetim branco não tinha o menor acolchoado, tão perfeito devia ser o corpo que vestia: e assim, deitado sobre o sofá, nessa atitude viva, num desabotoado de seminudez, adiantando em vago relevo o cheio de dois seios, com os braços alargando-se, dando-se todos, aqueles estofo parecia exaltar um calor humano, e punha ali a forma de um corpo amoroso, desfalecendo num silêncio de alcova”. Carlos sentiu nisto uma alusão ao amor “Nestas palavras, ditas de leve acerca do bordado, ele sente uma desanimadora alusão ao seu amor. Esse amor que lhe fora enchendo o coração à maneira que a lã cobria aquela talagrarça, e que era obra simultaneamente das mesmas brancas mãos. Queria ele pois conservá-lo ali, arrastado como o bordado, sempre acrescentado e sempre incompleto (...)”
O jantar em casa dos gouvarinho
Este espaço social é criado através da emissão de juízos por parte dos presentes. É um ambiente marcado pela futilidade e ociosidade da alta burguesia e aristocracia lisboeta que apresenta uma visão crítica relativamente à mediocridade, ignorância e superficialidade das elites sociais. As falas das personagens permitem concluir do atraso intelectual do país e dos valores sociais degradados que o definem. São aí abordados os seguintes temas:


A educação das mulheres
– salienta-se o facto de ser conveniente que “uma senhora deve ser prendada”, ainda que as suas capacidades não devam permitir que ela saiba discutir, com um homem, assuntos de carácter intelectual (o próprio Ega, provocador, defende que “A mulher só devia ter duas prendas: cozinhar bem e amar bem”)
...
A falta de cultura dos indivíduos que são defensores de cargos que os inserem na esfera social do poder
– Sousa Neto, “oficial superior de uma grande repartição do Estado”, da Instrução Pública, desconhece Proudhon, começando por responder a Ega, que provocante, lhe pergunta a sua opinião sobre o socialista utópico, que não se recordava “textualmente”, depois, “que Proudhon era um autor de muita nomeada”, e finalmente, perante a insistência de Ega, sintetiza a sua ignorância, afirmando que não sabia que “esse filósofo tivesse escrito sobre assuntos escabrosos”, como o amor, acrescentado, porém, que era seu hábito aceitar as “opiniões alheias, pelo que dispensava as discussões”; posteriormente, perguntará a Carlos se existe literatura em Inglaterra.

O deslumbramento pelo estrangeiro
– Sousa Neto manifesta a sua curiosidade em relação aos países estrangeiros, interrogando Carlos, o que revela o aprisionamento cultural de Sousa Neto, confinado às terras portuguesas.
Pierre-Joseph Proudhon
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