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PLE-II_2017.1_Problemas de argumentação

SET_16
by

Ada Lima Ferreira de Sousa

on 18 August 2017

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Transcript of PLE-II_2017.1_Problemas de argumentação

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Escola de Ciências e Tecnologia
Práticas de Leitura e Escrita-II (ECT2205)

Profs. Glícia Azevedo Tinoco
José Romerito Silva
e Tatiane Xavier.

Problemas de argumentação
Aula 4 - 14 de agosto de 2017
TEXTO 9
“É muito comum ver menores perambulando pelas ruas. Por falta de escolas ou de um lugar melhor para ficar, eles terminarão influenciados por delinquentes, aos quais acabarão se unindo para praticar delitos. Afinal, já diziam os mais velhos: "Diz-me com quem andas e eu te direi quem és".
Iniciando nossa conversa...

Nas aulas anteriores, vimos que a argumentação impõe-se como uma necessidade nas relações sociais em diversas situações do dia a dia. Vimos também que, para que se alcance o objetivo de conquistar o interlocutor, as razões pelas quais defendemos um ponto de vista devem ser revestidas de plausibilidade e de crédito. Isso porque a tentativa de construir uma linha de raciocínio que não se baseie em princípios racionais e éticos pode resultar em fracassos e perdas.
Na aula passada, entre as
estratégias de argumentação
que visam ao convencimento, estudamos:

1) exemplificação;
2) uso de dados quantitativos com fonte fidedigna;
3) relação de causa e efeito;
4) estabelecimento de comparação;
5) estabelecimento de confronto;
6) citação de autoridade;
7) referência a fato histórico;
8) refutação a contra-argumento.
Na aula de hoje, concentraremos nossa atenção nos

problemas de argumentação
, ou seja, em alguns recursos que devem ser evitados por seguirem uma linha de raciocínio discutível e facilmente refutável.
Vejamos isso na prática!
Percebam que Caetano Veloso ignora inicialmente a temática proposta por Geraldo Mayrink. Em vez disso, prefere colocar em xeque a capacidade intelectual do jornalista, tachando-o de burro e o desqualificando. Em seguida, ensaia uma resposta às perguntas realizadas, mas volta a atacar o entrevistador. Esse recurso é chamado
argumento
ad hominem

e consiste no ataque à pessoa do interlocutor, não havendo, nesse caso, a refutação da tese nem dos argumentos do outro.
Cuidado!
Ao optar por ofender seu interlocutor em vez de confrontar os argumentos dele de maneira ponderada, tenha em mente que você poderá ter de assumir a responsabilidade por sua escolha e responder pelo que falou/escreveu.
Há, na resposta de Vinnie,
generalizações indevidas

acerca do que, segundo ele, se verifica no Brasil durante o Carnaval. Esse problema de argumentação é linguisticamente marcado pelo uso dos artigos definidos, nos momentos em que o entrevistado afirma que "
o
brasileiro" é preguiçoso a tal ponto de "
as
coisas" só funcionarem após o carnaval. Basta que UM brasileiro não se enquadre no perfil alegado por Vinnie ou que UM serviço funcione antes do Carnaval para que os argumentos sejam refutados.
O raciocínio presente nessa charge parte de um
falso pressuposto
.

A partir das pistas textuais "
Antigamente
, as pessoas
discutiam
em bares", pressupõe-se que hoje ninguém mais discute em bares. Além disso, infere-se de "elas
esqueciam
" que, hoje, ninguém mais esquece ofensas. Percebam que se trata de pressupostos que não se confirmam quando confrontados com a realidade. Afinal, ainda há quem discuta em bares e se lembre da situação no dia seguinte.
Problemas de argumentação
1) argumento
ad hominem
;
2) generalização indevida;
3) falso pressuposto;
4) noções vagas/imprecisas;
5) comparação indevida.
Resumindo...
Os outros procedimentos argumentativos que,
dependendo da situação comunicativa
, também podem ser problemáticos são:

1) recurso a crenças pessoais/religiosas;
2) uso de aforismos/provérbios populares;
3) argumento baseado no(a) individualismo/subjetividade;
4) falso prognóstico;
5) apelo à autoestima do interlocutor;
6) falso argumento de autoridade.
Algumas línguas costumam adaptar a grafia de palavras importadas ao seu próprio sistema ortográfico. Evidentemente, isso não acontece em todos os casos. Mas diversos termos já estão sendo devidamente nacionalizados.
A que línguas o escrevente se refere? O que ele quer dizer com adaptação da grafia de palavras importadas? Em que casos essa adaptação acontece? Que termos já estão sendo nacionalizados?
O excerto em questão gera várias dúvidas. Esse é o resultado do
uso de noções vagas/imprecisas
, ou seja, palavras e/ou expressões que apontam para diversas possibilidades, sem que consigamos, de fato, saber a que se referem.
O autor desse tuíte tenta relacionar a luta de homossexuais por determinados direitos a um possível movimento, nesse mesmo sentido, por pedófilos. Essa associação é facilmente refutável, pois a homossexualidade (orientação sexual) e a pedofilia (prática sexual considerada criminosa) requerem diferentes critérios de julgamento e validação.

A tentativa de forçar um paralelo entre situações que, de tão distintas, exigem parâmetros distintos de avaliação e reflexão é chamada de
comparação indevida.
Em suma, vimos até aqui...
Há outros procedimentos argumentativos que,
em determinadas situações
, também se tornam problemáticos. Isso quer dizer que esses recursos são aceitáveis em situações comunicativas mais informais e subjetivas, mas mostram-se inadequados nos contextos que demandam um tratamento racional e objetivo da questão discutida.
Ao se situar numa atividade discursiva pública, pautada pela racionalidade, o falante/escrevente não deve fundamentar a construção da cadeia argumentativa em
crenças pessoais/religiosas
, mas em evidências e em argumentos sólidos e plausíveis. Obviamente, isso não significa negar a fé, mas compartilhá-la apenas com os pares. Isso se justifica porque, em debates mais amplos, podem estar pessoas de diferentes crenças e mesmo pessoas que não se pautam pela fé.
Verifica-se, nesse excerto, o uso de um
aforismo
, ou seja, uma máxima da sabedoria popular, cristalizada na memória como "verdade". No entanto, ditados populares podem carecer de lógica e de comprovação. Por isso, recomenda-se que não sejam utilizados em textos argumentativos que visem ao convencimento.
Nesse excerto, em "
terminarão
influenciados" e "
acabarão
se unindo", os verbos no futuro indicam um

falso prognóstico
, ou seja, uma previsão que pode não se concretizar. Em textos argumentativos que tendem ao convencimento, não se pode fazer afirmações sobre o futuro sem que haja certeza (ou forte probabilidade estatística) acerca da efetividade delas.
Também há, no excerto,
generalização indevida
(em "
eles
terminarão influenciados por delinquentes"). Não há sequer uma criança ou um adolescente morador de rua que não se deixe influenciar por delinquentes? Todos os menores sem lar estão, necessariamente, fadados a cometer crimes? Não existe a possibilidade de serem resgatados das ruas? Basta um exemplo divergente do cenário sugerido pelo articulista para que o argumento seja refutado.
O articulista se concentra nas condições da própria família para refutar a ideia de que o difícil acesso a certos locais de votação pode ser um empecilho a parte do eleitorado brasileiro. O movimento de ancorar a defesa de uma tese em experiências de cunho individual é chamado de
argumento baseado na subjetividade/individualismo.
Trata-se de um recurso que pode ser válido em contextos que permitam uma postura intimista e até mesmo sentimental, mas não é adequado a discussões que exijam alicerces argumentativos mais consistentes.
Esse percurso argumentativo, chamado de
apelo à autoestima do interlocutor
, caracteriza-se, do mesmo modo que o anterior, pelo tom subjetivo, com forte tendência à persuasão. Verifica-se, nesse caso, a tentativa de manipular passionalmente o interlocutor, ou seja, de afetar as suas emoções.
Após o estudo de todas essas "armadilhas" argumentativas, fiquemos atentos às razões que escolhemos para defender uma tese sobre um tema polêmico. Uma postura racional e objetiva é muito importante para o falante/escrevente que pretende se fazer ler/ouvir sem ter de recorrer à manipulação do interlocutor. Por isso, o uso adequado da argumentação constitui um passo importante para conquistas pessoais e/ou de um grupo. Por outro lado, não argumentar ou argumentar mal pode resultar em fracassos e perdas.
TEXTO 1
TEXTO 5
TEXTO 6
TEXTO 10
TEXTO 11
Alexandre Garcia é linguista?
É professor de Português?
Fez alguma pesquisa acadêmica sobre redação para o ENEM?
Tira-se zero em redação do ENEM por "falta de curiosidade"?

Caso alguém opte por utilizar a fala de Alexandre Garcia
como base para opinar sobre as notas zero obtidas por candidatos do Enem, incorre em um problema de argumentação
(falso argumento de autoridade)
, posto que a opinião do jornalista não é avalizada pela comunidade acadêmica da área.

"[...] tirar zero em redação não é algo que se consiga de um ano pro outro. Isso é resultado de muitos anos de falta de leitura e falta de curiosidade, que aprimoram a ferramenta da comunicação, que é a língua, e o conteúdo dela, que é o conhecimento. Sem conteúdo, é o vazio e, com vazio, não se faz um cidadão, nem um país e, muito menos, uma redação".

(Alexandre Garcia opinando sobre supostas causas de nota zero em redações do ENEM)
TEXTO 11
TEXTO 7
TEXTO 8
Cantora Joelma em entrevista a Bruno Astuto, colunista da revista
Época.
O
uso de aforismo
e o
falso prognóstico
não são os únicos problemas do fragmento lido. Nele, encontramos ainda outro movimento que, seja qual for a situação comunicativa, é facilmente refutável.
Há outro problema nesse excerto textual.
Além disso, há na charge uma

generalização indevida
, linguisticamente marcada pelo artigo definido em "
as
pessoas". Basta que um indivíduo se comporte de modo diferente ao alegado para que se refute esse argumento.
Outro problema de argumentação encontrado na declaração feita é a
comparação indevida
: "É como um drogado tentando se recuperar". A homoafetividade é uma condição que se diferencia bastante do vício em drogas. Não dá para avaliar os dois casos pelos mesmos parâmetros.
Atenção!
O argumento
ad hominem
é o ataque
ao interlocutor,
ou seja, à pessoa com quem se interage, diretamente, em uma situação comunicativa.
Comparem o vídeo que acabamos de assistir com o texto que deriva da situação a seguir.
O texto 3
não
contém argumentos
ad hominem,
pois as ofensas são direcionadas a alguém que não está interagindo diretamente com o autor do
post
. Contudo, também se configura como um exemplo a não ser seguido, pois permite construir, do escrevente, a imagem de alguém inflexível e pouco ponderado, que prefere o ataque pessoal ao debate fundamentado em argumentos plausíveis. E quanto à conduta do médico? Houve alguma sanção para ele?
NÃO SEJA ESTA PESSOA:
Experiências de caráter pessoal/íntimo não devem ser tomadas como verdades universais.
TEXTO 4
Fonte: https://www.vice.com/pt/article/roqueiros-contam-por-que-odeiam-o-carnaval
TEXTO 3
“Minha família tem condições de usar o carro para ir votar, mas não usamos, pois o local de votação é tão perto que fica muito mais em conta irmos a pé. É por isso que não se pode afirmar que grande quantidade de pobres do Brasil deixa de votar por falta de acesso ou de meios de locomoção: os locais de votação são sempre muito próximos às residências dos eleitores.”
(Graduando do BCT/UFRN em artigo de opinião)
Usar a imagem de pessoas sem conhecimento específico para "emitir opiniões" sobre determinados tópicos ou produtos pode até funcionar, por exemplo, em campanhas publicitárias.
Porém, na argumentação voltada ao convencimento, trata-se de uma manobra que não favorece a defesa de uma tese.
EXERCÍCIO
Identifiquem os
problemas de argumentação
presentes nos textos a seguir.
TEXTO 12
Comparação indevida
Falso prognóstico
Argumento baseado no individualismo
Argumento ad hominem
Argumento ad hominem
Comparação indevida
Falso pressuposto
O que faz o engenheiro ser diferente de todos os outros é a intensidade da sua criatividade. Calcular todos sabem. Talvez o aprisionamento mental, ocasionado pela realização massiva de cálculos, adoeça, atrofie a área cerebral mais importante do cérebro humano. Que mal teria a inserção de mais matérias responsáveis pela floração criativa? Um engenheiro não é feito só de cálculos, mas de ideias e de matérias preciosas.
O que faz o engenheiro ser diferente de todos os outros é a intensidade da sua criatividade. Calcular
todos
sabem. Talvez o
aprisionamento mental
, ocasionado pela realização massiva de cálculos, adoeça, atrofie
a área cerebral mais importante
do cérebro humano. Que mal teria a inserção de mais
matérias responsáveis pela floração criativa
? Um engenheiro não é feito só de cálculos, mas de ideias e de
matérias preciosas
.
Noções vagas
Generalização indevida
Falso prognóstico
Somos um povo alegre e hospitaleiro, que “mata um leão por dia” com um sorriso no rosto, e é isso que os visitantes verão durante a copa (…).
Somos um povo alegre e hospitaleiro
, que “mata um leão por dia” com um sorriso no rosto, e é isso que

os visitantes

verão
durante a copa (…).

Generalização indevida

Falso prognóstico
Se, para dar continuidade a nossa espécie, fosse necessário extinguir outra, seria correto? Se, para não morrermos de fome, a única opção fosse comer a carne de algum animal, haveria algum mal nisso? Estou levando essa questão a situações extremas, eu sei. Mas, se você fosse um pai que vê o filho em um leito de morte e precisa que alguns animais sejam sacrificados para que possa ser criado um remédio que, mesmo com poucas chances de sucesso, possa vir a curar seu filho, sacrificar ou não os animais seria uma resposta fácil.
Se, para dar continuidade a nossa espécie, fosse necessário extinguir outra, seria correto? Se para não morrermos de fome a única opção fosse comer a carne de algum animal, haveria algum mal nisso? Estou levando essa questão a situações extremas, eu sei.
Mas, se você fosse um pai que vê o seu filho em um leito de morte e precisa que alguns animais sejam sacrificados para que possa ser criado um remédio que, mesmo com poucas chances de sucesso, possa vir a curar seu filho, sacrificar ou não os animais seria uma resposta fácil.
Apelo à autoestima do interlocutor
Guilherme Capel Pasqua, médico plantonista
no Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra (SP).
Esse médico foi afastado do trabalho após ter publicado, em uma rede social, a fotografia intitulada "Uma imagem fala mais que mil palavras". Nessa foto, mostra o receituário médico com os seguintes dizeres: "Não existe peleumonia e nem raôis".
Generalização indevida
Estuprar é crime. Ser carnívoro não é.
Amanhã (15/08)
, teremos nossa primeira
atividade virtual
, na qual será explorado todo o conteúdo visto até o momento.
Fiquem atentos
às instruções bem como ao prazo para a realização da atividade.
TEXTO 2
TEXTO 1
Apelo à autoestima do interlocutor
ATENÇÃO
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