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Saúde e Diversidade Sexual

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by

Gessienne Alves

on 5 May 2014

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Transcript of Saúde e Diversidade Sexual

SAÚDE E DIVERSIDADE SEXUAL
VÍDEOS
PROCESSO
TRANSSEXUALIZADOR
CONCEITOS
ATUALIDADE
Nos Estados Unidos, os crimes de ódio contra homossexuais agora são quase 20% de todos os crimes de ódio.
Amanda Lins / Gessienne Alves / Karen França
Juliana Machado / Natália Macêdo / Rafael Parisi

Faculdade de Ciências Médicas - UPE
Atenção Global ao Doente II (2014.1)

RIO DE JANEIRO

De acordo com a pesquisa Mosaico Brasil
(projeto Prosex), O Rio de Janeiro é a cidade com maior
índice de gays e bissexuais masculinos com 19,3%.
Manaus tem o maior índice de lésbicas e
mulheres bissexuais com 10,2%.
HISTÓRICO
- O movimento brasileiro nasce no final dos anos 1970, predominantemente formado por homens homossexuais.
- Nos primeiros anos as lésbicas se firmaram como sujeito político relativamente autônomo
- Nos anos 90 travestis e depois transexuais
- O surgimento do movimento homossexual indica a aspiração a reivindicar direitos universais e civis plenos
- A trajetória do movimento homossexual brasileiro pode ser dividida em três ondas: uma primeira, que vai de 1978 a aproximadamente 1983; uma segunda, que vai de 1984 a 1992, e uma terceira, de 1992 aos dias de hoje.

HISTÓRICO
13ª CNS (2007)
POLÍTICAS DE SAÚDE PARA LGBTs
Política LGBT (Programa Mais Saúde, 2008)
1970 → Grupo Somos pioneiro na luta das causas homssexuais
1980 → AIDS / Governo apoia mobilizações da população homossexual masculina na prevenção da doença
1990 → ASTRAL, RJ
OS e IG na Determinação Social da Saúde de LGBTs
- Todas as formas de discriminação, como no caso das homofobias que compreendem lesbofobia, gayfobia, bifobia, travestifobia e transfobia, devem ser consideradas na determinação social de sofrimento e de doença.
- Dossiê Saúde das Mulheres Lésbicas – Promoção da Equidade e da Integralidade (2006) → desigualdades de acesso aos serviços de saúde pelas lésbicas e mulheres bissexuais.
Das mulheres que procuram o médico:
40%
não revelam sua orientação sexual.
Entre as mulheres que revelam:
28%
referem maior rapidez do atendimento do médico e
17%
afirmam que estes deixaram de solicitar exames considerados por elas como necessários.
- Papanicolau: 89,7% para mulheres heterossexuais nos últimos 3 anos, e 66,7% para lésbicas e mulheres bissexuais mesmo com maior escolaridade e renda.
- Travestis/Transsexuais + Prostituição: renda, espaço social e maiores riscos de AIDS e violência (Benedetti, 2005).
- Uso indiscriminado e sem orientação de hormônios femininos ou masculinos
- Processo Transexualizador no SUS
PNSI LGBT
- A política nacional de integralização LGBT está embasada nos princípios da Constituição Federal de 1988
- “Promover o bem a todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”
- Objetivo-geral: Promover a saúde integral de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

Plano operativo da política nacional de saúde integral
- Visa apresentar estratégias para as gestões federal, estadual e municipal, no processo de enfrentamento das iniquidades e desigualdades em saúde com foco na população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais para a consolidação do SUS como sistema universal, integral e equitativo
SEXO
Características específicas e
biológicas dos aparelhos
reprodutores de mulheres e
homens, ao seu funcionamento
e aos caracteres sexuais
secundários decorrentes dos
hormônios.
GÊNERO
IDENTIDADE DE GÊNERO
ORIENTAÇÃO SEXUAL
TRANSSEXUALIDADE
HETEROSSEXUALIDADE
Conceito mais subjetivo, uma
questão cultural, social.
Nesse sentido, gênero é
uma construção social, é
preciso um investimento, a
influência direta da família
e da sociedade.

SEXO x GÊNERO
Sexos → mulher e homem
Gêneros → feminino e masculino.
Embora a maioria das mulheres se
reconheça no gênero feminino e a maioria
dos homens no masculino, isto nem sempre acontece. Falamos, então, de pessoas cujo sexo biológico discorda do gênero: são os travestis e transexuais.

A identidade de gênero é uma construção social, e não um signo físico ou biológico, podendo ser a
identificação de ser homem ou mulher independente do sexo.

Como nos sentimos em relação à
afetividade e sexualidade. Por não
se tratar exclusivamente de sexo,
o termo mais apropriado talvez
seja orientação afetivo sexual.
ORIENTAÇÃO SEXUAL x
IDENTIDADE DE GÊNERO

Ao passo que a orientação sexual se
refere a outros, a quem nos relacionamos,
a identidade de gênero faz referência a como
nos reconhecemos dentro dos padrões de
gênero estabelecidos socialmente.

BISSEXUALIDADE
HOMOSSEXUALIDADE
Termo utilizado para designar uma
das formas de orientação sexual
possível, neste caso, é a relação
afetiva e sexual entre pessoas do
mesmo sexo.
Designa a forma de orientação sexual que é a relação afetiva e sexual entre pessoas de sexos diferentes.

Designa mais uma das formas de orientação sexual possível, neste caso, é a relação afetiva e sexual de uma pessoa de um sexo por pessoas de ambos os sexos.

Caracteriza-se pelo sentimento
intenso de não-pertencimento ao sexo
anatômico, sem a manifestação de
distúrbios delirantes e sem
bases orgânicas, como o
hermafroditismo ou qualquer outra
anomalia endócrina
No Brasil, 250 pessoas foram
assassinadas em crimes
homofóbicos em 2010.

Em 2012, foram documentados
338

assassinatos
de
gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo
2 transexuais brasileiras mortas na Itália.

Um aumento de 27% em relação
ao ano anterior (266 mortes).

Crescimento de
177%
nos
últimos sete anos.

De
2009 a 2010
, o total de ocorrências
lavradas como homofobia ficou em
461
casos. Em
2011
os números ficaram em
825
:
crescimento de 78%
.
GAYS: Rio de Janeiro (19,3%), Brasília (10,8%), Fortaleza (10,6%), Salvador (9,8%), São Paulo (9,4%), Belo Horizonte (9,2%), Cuiabá (8,7%), Curitiba (7,4%), Porto Alegre (7,1%) e Manaus (6,5%)
LÉSBICAS: Manaus (10,2%), Rio de Janeiro (9,3%), Fortaleza (8,1%), São Paulo (7,0%), Salvador (6,5%), Curitiba (5,7%), Brasília (5,1%), Porto Alegre (4,8%), Belo Horizonte (4,5%) e Cuiabá (2,6%)
A união civil, o reconhecimento das famílias homoparentais, a redução da violência, a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, entre outras situações de desigualdades de direitos, passam a compor o conjunto das agendas políticas governamentais.
2004 → Brasil sem Homofobia e Comitê Técnico de Saúde da População GLTB.

- O desenvolvimento de ações intersetoriais de educação em direitos humanos e respeito à Diversidade
- A sensibilização dos profissionais a respeito dos direitos de LGBT, com inclusão do tema da livre expressão sexual na política de educação permanente no SUS.
- A inclusão dos quesitos de identidade de gênero e de orientação sexual nos formulários, prontuários e sistemas de informação em saúde.
- A ampliação da participação dos movimentos sociais LGBT nos conselhos de saúde
- A garantia dos direitos sexuais e reprodutivos e o respeito ao direito à intimidade e à individualidade.
- O estabelecimento de normas e protocolos de atendimento específicos para as lésbicas e travestis.
- A manutenção e o fortalecimento de ações da prevenção das DST/aids, com especial foco nas populações LGBT.
- O aprimoramento do Processo Transexualizador.
- A implementação do protocolo de atenção contra a violência, considerando a identidade de gênero e a orientação sexual.
- Aliada ao movimento feminista e ao movimento negro, a "primeira onda" do movimento homossexual continha propostas de transformação para o conjunto da sociedade.
- A "segunda onda" do movimento homossexual no Brasil, que corresponde a um período de aumento da visibilidade pública da homossexualidade, na década de 1980
- Entre 1981 e 1985 acontece uma luta pela despatologização.
• A "terceira onda" do movimento:
- Nesse novo momento, uma das características é a diferenciação de vários sujeitos políticos internos ao movimento.
- Começa a se construir publicamente a ideia de LGBT como sujeitos de direitos.
- Em 1995, ocorre a fundação da primeira e maior rede de organizações LGBT brasileiras, a ABGLT.
- A partir da fundação da ABGLT, há um processo de multiplicação de redes nacionais. Em 2007, havia sete redes:a ABGLT, a Associação Brasileira de Lésbicas (ABL), a Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), a Associação Nacional de Travestis (Antra), o Coletivo Nacional de Transexuais (CNT), o Coletivo Brasileiro de Bissexuais (CBB) e a Rede Afro LGBT

Objetivos específicos
:
II-ampliar o acesso da população LGBT aos serviços de saúde do SUS,garantindo às pessoas o respeito e a prestação de serviços de
saúde com qualidade e resolução de suas demandas e necessidades;
III-qualificar a rede de serviços do SUS para a atenção e o cuidado integral à saúde da população LGBT;
VI-garantir acesso ao processo transexualizador na rede do SUS, nos moldes regulamentados;
VIII-reduzir danos à saúde da população LGBT no que diz respeito ao uso excessivo de medicamentos, drogas e fármacos, especialmente para travestis e transexuais
XI-oferecer atenção integral na rede de serviços do SUS para a população LGBT nas Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), especialmente com relação ao HIV, à AIDS e às hepatites virais
XIV-garantir os direitos sexuais e reprodutivos da população LGBT no âmbito do SUS
atuar na eliminação do preconceito e da discriminação da população LGBT nos serviços de saúde;

Diretrizes:
Art. 3º Na elaboração dos planos, programas, projetos e ações de saúde, serão observadas as seguintes diretrizes:
I - respeito aos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais,contribuindo para a eliminação do estigma e da discriminação decorrentes das homofobias, como a lesbofobia, gayfobia, bifobia, travestifobia e transfobia, consideradas na determinação social de sofrimento e de doença;
II - contribuição para a promoção da cidadania e da inclusão da população LGBT por meio da articulação com as diversas políticas sociais, de educação, trabalho, segurança;
IV - eliminação das homofobias e demais formas de discriminação que geram a violência contra a população LGBT no âmbito do SUS, contribuindo para as mudanças na sociedade em geral;
IX - fortalecimento da representação do movimento social organizado da população LGBT nos Conselhos de Saúde, Conferências e demais instâncias de participação social

• Garantir e ampliar o acesso de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais às ações e aos serviços de saúde com qualidade;
• Incluir os temas orientação sexual e identidade de gênero nos processos de formação e educação permanente dos trabalhadores da saúde e no exercício do controle social;
• Ampliar a participação das representações destas populações nos conselhos estaduais e municipais de saúde e em outros espaços de gestão participativa;
• Identificar, combater e prevenir situações de preconceito, discriminação, violência e exclusão nos serviços de saúde;
• Garantir a utilização dos quesitos orientação sexual e identidade de gênero na produção de informações para a definição de prioridades e tomada de decisão;
• Identificar as necessidades de saúde de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e utilizá-las como critério de planejamento e definição de prioridades.

OBJETIVOS
O plano encontra-se estruturado em quatro eixos estratégicos e incluem ações que incidem sobre os diferentes condicionantes e determinantes que sustentam a desigualdade social em saúde que acometem a população LGBT:

EIXO 1 → Acesso da população LGBT à Atenção Integral à Saúde
EIXO 2 → Acesso da população LGBT à Atenção Integral à Saúde
EIXO 3 → Educação permanente e educação popular em saúde com foco na população LGBT
EIXO 4 → Monitoramento e avaliação das ações de saúde para a população LGBT
“O sofrimento psíquico do transexual se encontra no sentimento de uma
total inadequação, de um lado, à anatomia do sujeito e seu “sexo biológico” e, de outro, a este mesmo “sexo psicológico” e sua identidade civil.”

A CIRURGIA DE TRANSGENITALIZAÇÃO
- No Brasil, a cirurgia de mudança de sexo ocorreu pela primeira vez em 1971.
- Na época, o cirurgião que realizou a cirurgia, foi processado criminalmente pelo Conselho Federal de Medicina
- O CFM somente autorizou a cirurgia de mudança de sexo no Brasil em 1997, através da Resolução 1.482/97, a qual autorizou a referida cirurgia em caráter experimental e desde que realizadas em Hospitais Universitário

- Resolução 1.652/2002, autorizando a cirurgia de troca de sexo, porém com ressalvas.
- Em 2010, o CFM, traz a tona a Resolução 1.955/2010. Segundo esta, a adequação de fenótipo feminino para masculino continuou sendo a título experimental devido sua alta complexidade, porém, se tornou possível a retirada de mama, útero e ovários.
- Os tratamentos para a transgenitalização, de ambos os sexos, puderam ser realizados em estabelecimentos públicos ou privados
A CIRURGIA DE TRANSGENITALIZAÇÃO
PROCEDIMENTO CIRÚRGICO
- TRANSSEXUAIS MASCULINOS -
A cirurgia de transgenitalização em transexuais masculinos consiste na retirada do aparelho reprodutor (histerectomia), retirada dos seios (mastectomia) e na construção do pênis, o qual, sem dúvida, é a parte mais delicada, uma vez que pode causar problemas como incontinência urinária, necrose do neofalo, dentre outros
PROCEDIMENTO CIRÚRGICO
- TRANSSEXUAIS FEMININOS -
Já para as transexuais femininas, o procedimento é formado pela produção da vagina, a qual após a cirurgia deverá abrigar uma prótese para evitar seu estreitamento ou fechamento completo e plásticas para a formação dos grandes e pequenos lábios com a utilização de tecidos selecionados do escroto, sendo o clitóris feito a partir de um pedaço da glande
A CIRURGIA PELO SUS
- Foi legalizada em 1997, porém custava em torno de R$ 40 mil reais.
- Exclusão de transsexuais que não podiam arcar com os custos
- Inclusão da cirurgia de transgenitalização na tabela de procedimentos a serem realizados pelo SUS em 2008:
1) necessidade de diagnóstico de “transtorno de identidade de gênero”.
2) avaliações por uma equipe multidisciplinar, bem como acompanhamento psicológico de, no mínimo, dois anos com o tratamento de homonioterapia.
3) grande quantidade de protocolos e burocracias os quais acabam dificultando o acesso dos/as transexuais à cirurgia.

REQUISITOS PARA
REALIZAÇÃO DA CIRURGIA
- “Transexualismo” seria um transtorno de identidade sexual- doença.
- Conforme estabelece o art. 4º da Resolução 1.955/2010 do Conselho Federal de Medicina (2010):
Que a seleção dos pacientes para cirurgia de transgenitalismo obedecerá a avaliação de equipe multidisciplinar constituída por médico psiquiatra, cirurgião, endocrinologista, psicólogo e assistente social, obedecendo os critérios a seguir definidos, após, no mínimo, dois anos de acompanhamento conjunto:
1) Diagnóstico médico de transgenitalismo;
2) Maior de 21 (vinte e um) anos;
3) Ausência de características físicas inapropriadas para a cirurgia.

PROCESSO TRANSSEXUALIZADOR
- PORTARIA Nº 2.803, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2013 : Redefine e amplia o Processo Transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS).
- Cumprimento integral, das medidas necessárias para possibilitar a realização no SUS de todos os procedimentos médicos para garantir a cirurgia de transgenitalização e a readequação sexual no Processo Transexualizador.

DIFICULDADES
ATENDIMENTO NA REDE PÚBLICA
- Médicos, enfermeiros e profissionais da área não se encontram preparados nem sabem lidar com a categoria.
- Ideia fixa e imutável de um ser masculino ou feminino (biológico x físico e mental)
- Espetacularização do momento de exposição da genitália → sensação de diferente
- Falta de compreensão quanto à hormonização no processo de transexualização.

NOME CIVIL
- Os juízes que não retificam a condição do nome na ausência de cirurgia baseiam-se na possibilidade de falsidade ideológica (reversibilidade)
- Afasta travestis e transexuais de exercerem suas cidadanias (constrangimento)
- Não há na jurisprudência um marco legal em relação ao resultado do processo (pode demorar mais de três anos ou ter resultado insatisfatório)
- Influência dos valores judaico-cristãos

DIGNIDADE HUMANA AO PÚBLICO TRANS
- O princípio da dignidade é constituído por uma categoria axiológica aberta que se concretiza nas sociedades democráticas contemporâneas em toda sua diversidade.
- Violência implícita e explícita
- A própria sociedade contribui para tal, desde a não aceitação das famílias
- Preconceito + Machismo + Desprezo da figura feminina + Ódio naturalizado = Atos de violência, homicídios e abusos

RECONHECIMENTO DA CIDADANIA AO PÚBLICO LGBT
DIGNIDADE NA TRANSGENITALIZAÇÃO
- Importância dessa modificação para os pacientes (cuja negação levaria a casos extremos) → resposta da equipe médica
- Para alguns, pode ser um marco na cidadania
- Definição como mulher; “começo de uma nova vida”
- A questão da identidade gênero é forte e inquestionável para os transexuais
- Ampliar a compreensão dos profissionais em frente às dificuldades já existentes

“As pessoas devem aceitar o outro como uma pessoa integrante da mesma sociedade e entender que a diferença é, na verdade, um aprendizado, e que somente com esta haverá de fato um desenvolvimento social e cultural. A partir do momento que houver um respeito para com o próximo, independente das diferenças, poderá se falar de um Estado Democrático de Direito justo e garantidor dos direitos de seus cidadãos.”

(1) CIRURGIA
(2) FINAL
SAÚDE DAS MULHERES LÉSBICAS
SAÚDE DAS MULHERES LÉSBICAS
POLÍTICAS DE SAÚDE PARA LÉSBICAS
SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA
QUAIS OBJETIVOS?
Reflexão da invisibilidade da sexualidade feminina, em especial homossexual, e o preconceito que implica em questões de saúde pública, como o descumprimento de princípios fundamentais do SUS.

MAIOR PREOCUPAÇÃO DAS
MULHERES LÉSBICAS E BISSEXUAIS
- O crescimento da visibilidade do movimento GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais)
- Reivindicações em torno da saúde da mulher
- Luta por direitos, inclusive os sexuais.

HISTÓRICO
- Década de 80: movimento feminista
- Década de 90: emergência da epidemia de AIDS
- Apenas na virada do século que a
reflexão sobre o processo de autonomização da sexualidade
em relação a gênero ganha visibilidade política e alguma legitimidade acadêmica

MARCOS
HISTÓRICOS
- Os primeiros grupos exclusivamente lésbicos foram formados a partir de 1980, e o termo "lésbicas" foi incluído no nome do movimento apenas a partir do 1993, com o VII Encontro Brasileiro de Lésbicas e Homossexuais.
- Conferencia Internacional de População e Desenvolvimento, realizada no Cairo (1994), e da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, em Pequim (1995). Pela primeira vez o "sexual" deixa de ser algo apenas ligado à violência, para assumir uma conotação positiva associada ao bem-estar dos indivíduos.

DIFICULDADES
DA PESQUISA
- Identificação da população homossexual
quantificar ou medir a ocorrência de eventos no campo de comportamento e práticas homossexuais do objeto de estudo
conhecimento acerca do número e do sexo dos parceiros
-Tamanho da amostra representa um desafio para os estudos sobre a homossexualidade.
dimensionar o desejo/atração

ESTIMATIVAS NO BRASIL: MULHERES QUE JÁ TIVERAM EXPERIÊNCIA COM MESMO SEXO X MULHERES QUE SE RELACIONAM APENAS COM HOMENS
- > 26 e 45 anos
- < classe A e B e > classe C
- eecolaridade, mas a proporção de mulheres com ensino fundamental completo entre as homo/bissexuais é maior
- > pretas ou pardas
- > mais parceiros sexuais nos últimos 5 anos (independentemente do sexo do parceiro), embora seja pequeno para os dois grupos.
- Apenas 5%, entre todas, tiveram mais do que 3 parceiros nesse período.
- > não têm filhos

CONCLUSÕES
(1) Questionamento da ideia do homossexualidade feminina estável
cenário mais dinâmico onde as mulheres transitam pelas diferentes experiências
A grande maioria das mulheres que relatam relações com mulheres no último ano e nos últimos cinco anos teve, anteriormente, relações também com homens, o que provavelmente explica a alta proporção de mulheres com filhos (66, 9%).
POLÍTICAS E AÇÕES VOLTADAS
À SAUDE DE LÉSBICAS NO BRASIL
- Recente na agenda política brasileira
- Ações inicipientes/descentralizadas
- Relação restrita com estado
- Programas DST/Aids
- Pouco compromisso público

- Os direitos sexuais e reprodutivos não englobam reprodução assistida nem a garantia da saúde das mulheres não heterossexuais.
- O movimento só obteve um assento no conselho nacional depois de 20 anos de sua criação e 27 anos de sua presença política como movimento social.

VISIBILIDADE LÉSBICA
- Programa DST/AIDS
- SENALE (seminários nacionais de lésbicas)
- considerado propulsor da emergência e fortalecedor de lideranças nacionais
- Antes dele as questões das lésbicas estavam atreladas a fóruns de dicussão de grupos mistos
- 29 de agosto: Dia nacional da visibilidade Lésbica
AVANÇOS
2001
: Conselho nacional de combate à descriminalização;
2002
: Secretaria especial de políticas para as mulheres (SPM): Algumas demandas lésbicas de educação, saúde e combate à discriminação
2003
: Comissão temática permanente para receber denúncias de violação aos direitos humanos.
2004
: Secretaria de direitos humanos lança o “Brasil sem homofobia”, que promove a cidadania LGBT através da equiparação dos direitos e combate à violência/discriminação.
2005
: Indicação de articulação da área técnica da saúde da mulher do ministério da saúde com outras áreas para atender interesses de grupos específicos como os das lésbicas, proposta de ampliação do acesso a saúde para mulheres que fazem sexo com outras mulheres, em especial as de baixa renda e pouco acesso à informação. Este tipo de proposta esbarra na dificuldade de articulação entre saúde da mulher, DST/Aids e a atenção básica.

SECRETARIA DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS (SEDH)
- Atuante no combate a descriminalização e orientação sexual

- Sensibilização da sociedade na garantia do direito a liberdade e igualdade dos gays, lésbicas, travestis, trangêneros e bissexuais.


POLÍTICA LGBT
- Uma das bases do Programa Mais Saúde
- Reconhecimento do dos efeitos da discriminação e da exclusão no processo saúde doença nessa população.
- Mudança de determinação social de saúde, visando reduzir a desigualdade social.
- Reafirma o compromisso do SUS com a universalidade, integralidade e com a efetiva participação da comunidade.

- O respeito sem preconceito e sem discriminação é valorizado na política, fundamentando na humanização da promoção, atenção e cuidado à saúde.
- Incentivo à produção de conhecimentos e o fortalecimento da representação do segmento nas instâncias de participação popular.
- Enfrentar toda a discriminação e exclusão social implica em promover a democracia social, a laicidade do Estado e, ao mesmo tempo, exige ampliar a consciência sanitária com mobilização em torno da defesa, do direito à saúde e dos direitos sexuais como componente fundamental da saúde.
HOMOSSEXUALIDADE FEMININA E SAÚDE
ESTUDOS INTERNACIONAIS
1950
: “etiologia lésbica”
1960 a 1980
: funcionamento psicológico.
Comparação mulheres homo x heterossexuais
Atração pelo mesmo sexo: psicopatologia?
Anos 1980
: estudo de aspectos do desenvolvimento, considerando a homossexualidade feminina como algo psicologicamente saudável.
1985
: National Lesbian Health Care Survey (identificação das demandas de saúde dessa população)
Lesbian Health. Current Assessment and Directions for the Future
- 1999: NIH → relatório (mais de 600 estudos entre 1980 e 1990)
- HIV/AIDS e outras DSTs, câncer, saúde mental, suicídio, serviços de atenção à saúde.
- Fatores associados a risco ampliado para diferentes problemas de saúde.
- Consenso apenas para número exíguo de questões.
- Fragilidades metodológicas fazem remanescer incertos alguns campos
SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA
PREVENÇÃO DO CÂNCER
DE MAMA E COLO DE ÚTERO
- Menor em mulheres exclusivamente homossexuais, quando comparada às heterossexuais.
- Existência de discriminação.
- Despreparo dos profissionais para lidar com as especificidades desse grupo populacional.
- Dificuldade em assumir homo ou bissexualidade.
- Negação do risco da doença.
DOENÇAS SEXUALMENTE
TRANSMISSÍVEIS
- Primeira vertente: constitui um problema de saúde em mulheres sexuais, embora seja menos prevalente em nas heterossexuais.
- Segunda vertente: identificar forma e fatores de riscos associados em mulheres que fazem sexo com mulheres.
- Número de parceiras(os)
- Frequência de relação sexual
- Tipos de práticas sexuais e higiene
-Tricomoníase, herpes genital e lesões por HPV: observada em mulheres sem história de contato sexual com homens, mesmo que com baixa frequência.
- Vaginose bacteriana: múltiplas parceiras e tabagismo.
- Maior relação com a variação das parceiras e o padrão de ocorrência ao longo da vida do que com a homossexualidade em si.
- Baixíssimo risco para HIV?
DOENÇAS SEXUALMENTE
TRANSMISSÍVEIS
SAÚDE MENTAL E VIOLÊNCIA
Níveis de sofrimento psíquico e experiência de violência física (família, trabalho, lugares públicos): proporcionalmente altos.
ÁLCOOL E ABUSO DE DROGAS
Proporcionalmente alto: padrões indiferenciados de risco à saúde, especialmente no tocante a doenças crônicas.
ESTUDOS NO BRASIL
Ainda mais escassos que no exterior
SAÚDE SEXUAL E SAÚDE REPRODUTIVA
VITIMIZAÇÃO, VIOLÊNCIA
E SAÚDE
- Relação entre mulheres e homens homossexuais (Carrara & Ramos, 2005)
- Menor acesso à escolarização
- Menor percentual de namoro ou casamento
- Mulheres assumem menos
- Maior frequência de experiência de discriminação por familiares, amigos, vizinhos.. (especialmente na esfera privada)
- 16,2% tem filhos, geralmente por relação heterossexual prévia
SAÚDE SEXUAL E
SAÚDE REPRODUTIVA
- Acesso aos serviços de saúde: boa parte não procura serviços de ginecologia; entre as que procuram, 40 a 60% não revelam a orientação sexual. Entre as que revelaram, mais da metade relatou reações de discriminação/negação por parte dos profissionais de saúde.
-Papanicolau: não é feita em 18 a 32% dos casos. Das que fizeram, entre 65 e 90% fizeram nos últimos 3 anos. Em um estudo na periferia de São paulo, 35% nunca fez papanicolau e 25% nunca foi ao ginecologista (a maioria por se declarar “ativa” nas relações sexuais)
SAÚDE SEXUAL E
SAÚDE REPRODUTIVA
- DSTs: tricomoníase (3,5%), clamídia (1,8%), hepatite B (7%), hepatite C (2,1%), HPV (6,3%) e HIV (2,9%). 33,8% tinha vaginose bacteriana.
- Todas as mulheres diagnosticadas com DST relataram contato sexual com homem em alguma fase da vida. A consulta ginecológica anual se mostrou o único fator protetor.
- Práticas sexuais: 23,4% nunca teve relações com homens, 36,6% teve relações com homens nos últimos 3 anos. O usos de preservativo 3 meses antes da pesquisa com homens foi 45,5% e com mulheres, 2,1%.
- 82% das mulheres não teve mais de uma parceira sexual no último mês e 38% teve apenas uma ao longo do ano.
- Sexo oral em 99,3% das mulheres, 44,1% sexo oral ou com penetração.
- Prostituição em 7,6% dos casos e sexo com pessoas sabidamente soropositivas em 12,4% dos casos.
SAÚDE SEXUAL E
SAÚDE REPRODUTIVA
(2) Mais interessante do que utilizar categoria dicotômica "sim/não" sobre a homossexualidade, é questionar especificamente sobre as dimensões desejo/atração, comportamento e identidade, incorporando recortes temporais para períodos específicos.
CONCLUSÕES
OBRIGADO
- Homossexualidade (do
grego antigo
ὁμός (homos), igual +
latim
sexus = sexo): característica ou qualidade de um ser (humano ou não) que sente atração física, estética e/ouemocional por outro ser do mesmo sexo ou gênero.

- Umas das 4 categorias de Orientação sexual

- Registrada em cerca de 5 MIL espécies animais (devidamente comprovada em 500)

- Afeto e prática sexual não se distinguiam em tempos remotos

-
Grécia
: envolvimento entre pessoas do mesmo sexo, em certos casos, chegava a ter função pedagógica. Poetisa Safo na ilha grega de Lesbo.
- O primeiro registro de um casal homossexual na história é geralmente considerado o de Khnumhotep e Niankhkhnum, um casal egípcio do sexo masculino, que viveu por volta de2 400 a.C.
- Homossexuais e transgêneros também eram comuns entre outras civilizações pré-conquista na América Latina, como osastecas, maias, quíchuas, moches, zapotecas e os tupinambás, no Brasil
-
Atenas
: aprendizes entre 12 e 18 anos tinham relações sexuais com seu tutor desde que os pais do menino consentissem o ato. Prática realizada com conotação de estreitar as afinidades e intelectualidade de ambos.
- China
– 600 a.C.
-
Cultura Judaica:
assimilação do valor estritamente procriador do sexo levou a nova concepção sobre o ato homossexual.

-
Cristianismo
– ideia de transgressão contra as leis divinas ou crime contra a natureza. Desde o Império Romano, ações de reis e clérigos tentavam suprimir o homossexualismo. Ainda assim, na Idade Moderna houve casos de envolvimento entre nobreza e parceiros de mesmo sexo.
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Arábia Saudita, Irã, Mauritânia, Nigéria, Sudão e Iêmen
– relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são oficialmente punidas co pena de morte.
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Séxulo XIX
– teorias biológicas e razão como verdade absoluta – explicação científica
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Século XX
– lobotomia para se “livrar” do hábito x grupo de luta pelo fim da discriminação

- Até
1973
era considerada pela Associação Americana de Pisquiatria como um tipo de transtorno psiquiátrico. No Brasil, ocorreu em 1984.
- Em
1991
, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação dos direitos humanos.
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