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MEMORIAL DO CONVENTO - NARRADOR

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by

Eduardo Deus

on 6 May 2014

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MEMORIAL DO CONVENTO - NARRADOR
FUNÇÕES DO NARRADOR
NARRADOR EM MEMORIAL DO CONVENTO
CLASSIFICAÇÃO DO NARRADOR
INTRODUÇÃO
O QUE É O NARRADOR?

O narrador é o estruturador do texto.
A principal função do narrador é a apresentação dos factos, mas isto não o impede de manifestar a sua opinião própria em relação à narração, às personagens, ao tempo ou ao ambiente social presente.
Em Memorial do Convento observamos um narrador que se assume como a voz que está de fora e conta a história com apartes e comentários.
Esta voz é distanciada, impessoal e intemporal, tendo igualmente marcas de oralidade, tornando-o omnisciente.
Na obra Memorial do Convento deve assumir-se, ainda, uma focalização interventiva (quando o narrador interage com o narratário) e até judicitiva (quando existem juizos de valor).
QUANTO À PRESENÇA
No romance Memorial do Convento, o narrador é, geralmente, heterodiegético, ou seja, trata-se de uma entidade exterior à história que assume a função de relatar os acontecimentos. Surge, normalmente, na 3ª pessoa, o que é visível nas marcas linguísticas, como os pronomes e verbos na 3ª pessoa.
Exemplo: Pág. 80/81 - Narrador heterodiegético e omnisciente, revelando conhecer os pensamentos da personagem e saber a resposta que esta lhe daria se a interrogasse num diálogo imaginado.
Por vezes, a voz do narrador heterodiegético confunde-se com o pensamento de outra personagem.
Exemplo: Pág. 36 ou 47.
Surge, igualmente, na obra um narrador homodiegético, que ocorre na 1ª pessoa do singular ou do plural:
Trata-se de uma personagem secundária da história, que revela as suas próprias vivências, um eu nacional e colectivo, associado aqui à ideia de pátria; (Pág. 35)
"Eu" narrador com o "eu" autor textualmente implícito; (Pág. 143 ou 187)
Narrador mesclado com a própria multidão; (Pág. 101 ou 130)
União entre a voz do narrador e a de outras personagens, em substituição do discurso directo. (Pág. 92)
Para além do narrador principal, existem outros narradores secundários homodiegéticos / vozes narrativas, como por exemplo:
Manuel Milho, que durante a ida a Pêro Pinheiro, noite após noite, vai contando parte de uma história aos companheiros;
João Elvas, que para entreter durante a noite, enquanto estão abrigados no telheiro, conta a Baltazar uma série de crimes horrendos.
QUANTO À FOCALIZAÇÃO
O tipo de focalização que predomina na obra é a de carácter omnisciente, pois o narrador tem um conhecimento absoluto acerca dos eventos.
Este saber não implica apenas a transcendência em relação a todas as personagens, mas também uma perspectiva tridimensional do tempo – passado, presente e futuro.
É este conhecimento que permite ao narrador seguir eventos ocorridos em tempos distintos – tempo da história e, simultaneamente, tempo da escrita. (Exemplo: Pág. 109, 111 ou 139)
Focalização Interna:
É-nos dada a perspectiva de outras personagens; (Pág. 221 ou 291)
Acontecendo ser esta que relata os acontecimentos; (Pág. 53)
Ou nos apresenta os seus pensamentos. (Pág. 122)
Focalização Externa
:
Narrador observador, que descreve objectivamente o ambiente que o cerca. (Pág. 101)
Focalização Interventiva:
A voz do narrador irmanado com o leitor / narratário, visto que o narrador interpela o narratário, criando uma certa cumplicidade e familiaridade. (Pág. 83/84 ou 314)
Focalização Judicativa:
O narrador não se inibe de fazer comentários, juízos de valor, dar opiniões. (Pág. 189, 266 ou 351)
Mudança de um discurso de 3ª pessoa para a 1ª pessoa sem transição. (Pág. 262/263)
Passagem da voz do narrador para a voz de uma personagem em discurso directo. (Pág. 121/122)
O PROCESSO NARRATIVO
Para Saramago, a
omnipotência do narrador é pura ficção
.
Em várias entrevistas afirma: "Nos meus romances, há pelo menos um homem dentro: eu".
É ele que, através da narrativa, procura documentar o tempo, reconstituir a História e fazer os seus juízos de valor.
Memorial do Convento não só problematiza a Historia como procura, metaforicamente, exprimir uma
compreensão do mundo contemporâneo.
Por isso, Saramago
rejeita a omnipotência do narrador
, na medida em que considera que é o autor que coloca em causa o presente que conhece e o passado que lhe chega através das suas investigações.
Segundo Umberto Eco,
existe uma mistura de autor modelo, autor empírico e narrador
com o objetivo de melhor envolver o leitor.
Julga-se que, em Saramago, esta convergência ocorre frequentemente, permitindo
imprimir na narrativa não só a marca do narrador, como a do seu autor, assumindo este uma voz crítica
, entrando no discurso do narrador.
É o autor que convoca a História e, numa metáfora do mundo,
procura razões para a sua existência e sentido da vida
.
Ao misturar a História e a ficção, o real e o fantástico,
são obtidas múltiplas formas de enunciação
de que o leitor menos avisado não se aperceberá.
Podemos considerar um narrador com uma polifonia ou
pluralidade de vozes, que reinventa mundos e os multiplica, reinventando a própria linguagem
.
Existe, em diversas ocasiões, um
discurso de sobreposições narrativas
com uma voz ou plural de vozes.
Estas sobreposições (pluralidade de vozes) servem para
descrever e
, igualmente,
desconstruir os acontecimentos
, mas também para dialogar com o narratário ou manusear as personagens como marionetas.
Este discurso tem a
função de dominar os conhecimentos da História ou sentir-se limitado
, fazendo também ponderações ou ironizando.
Uma voz narrativa controla a ação narrada
, as motivações e pensamentos das personagens, mas faz também as suas reflexões e juízos valorativos.
Mas esta voz, que ultrapassa a do narrador omnisciente
, chega a expor o próprio estatuto ficcional.
Um exemplo desta situação ocorre quando esta voz afirma que não é possível que a personagem Blimunda "tenha pensando esta subtileza, e daí, quem sabe, nós não estamos dentro das pessoas, sabemos lá o que elas pensam, andamos e a espalhar os nossos próprios pensamentos pelas cabeças alheias."
Em Memorial do Convento
não existe preocupação em delimitar o texto histórico e o ficcional
.
A obra intercala intratextualidades múltiplas que
permitem que o passado só o seja enquanto história, mas que seja presente ao testemunhar a realidade da vida actual ou a intemporalidade do comportamento humano
.
O passado evocado reescreve o presente na procura de uma desocultação do sentido da história
para melhor entender e superar a condição humana e as contingências do tempo
.
Como é por muitos dito, Saramago consegue, de modo ímpar que
o seu discurso romanesco seja atravessado pela História, produzindo um tipo de linguagem onde o passado objectual se contamina pelo presente crítico
.
Narrador e criador da obra confundem-se com frequência
.
O narrador n
ão só é conduzido pelos pontos de vista do autor como encontra outras vozes a argumentar, a reflectir e a ironizar
com a história contada.
Em Memorial do Convento,
os discursos facilmente passam da História à ficção, das reflexões críticas aos ensaios metaficcionais
(comentando a própria escrita).
Estes discursos
são tanto produzidos por um narrador heterodiegético como por um autor-modelo
que se assume como consciência e que se suporta da simples omnisciência.
Mais do que uma focalização omnisciente, que permite ao narrador alternar a exposição dos acontecimentos com afirmações sobre o que irá ocorrer mais tarde,
as formas verbais do presente são facilmente substituídas pelas do futuro, como sinal evidente do conhecimento intemporal
, próprio de um ser omnipotente.
Há sempre uma voz a controlar a narrativa
, apresentando-se como
contemporânea do leitor, mas apropriando-se do passado
, que evoca quer para fazer a sua leitura, quer, sobretudo, para se posicionar ideologicamente sobre o presente ou mesmo sobre o futuro.
De acordo com Sartre (
in Situations, I
), estamos perante um
narrador privilegiado, com poder de ubiquidade, enquanto nos relata o que está dentro da consciência de cada personagem e fora dela
, mas que sabe também o que ocorre antes e depois.
Maria Alzira Seixo (
in O Essencial sobre José Saramago, 1987
) refere que, em Memorial do Convento,
existem seis matizes de narrador
:
o que habita um presente intemporal e se revela omnisciente;
o conhecedor do futuro, capaz de revelar as grandes linhas da História e do final a que conduzem;
o que ficciona e recria os limites da realidade;
o que se revela numa omnisciência limitada perante o entrecruzar de atos particulares e destinos singulares;
o critico irónico;
o humorista perante a sua possibilidade de manipular.
O narrador não deixa de
denunciar ironicamente a opulência do rei e da nobreza, por oposição à extrema miséria do povo
(pág. 27). A sátira abrange também outros aspectos da vida social e religiosa da época, tais como:
o adultério e a corrupção dos costumes
; (págs. 30-31)
a imoralidade dos frades e do próprio rei; (págs. 85, 158)
a repressão exercida pela Inquisição; (pág. 194)
a crueldade do povo que dança à volta das fogueiras inquisitoriais; (pág. 50)
a tirania do rei ao recrutar os operários para as obras do convento; (pág. 293)
a leviandade do infante D. Francisco, que se diverte a espingardear os marinheiros. (pág. 83)
Esta
acusação resulta de toda a imagem histórica dos tempos inquisitoriais
e das práticas existentes.
Há uma
constante denúncia da Inquisição e dos seus métodos
e uma crítica às pessoas que dançam em volta das fogueiras onde se queimaram os condenados.
A sátira estende-se a Mafra e à situação dos trabalhadores, à atitude do rei em obrigar todo o homem válido a trabalhar no convento
, aos príncipes, como D. Francisco, que se entretém a "espingardear" os marinheiros ou a tentar seduzir a rainha, sua cunhada, e tomar o trono.
Memorial do Convento apresenta-se desde logo como uma
crítica cheia de ironia e sarcasmo à opulência do Rei e de alguns nobres
, por oposição a extrema pobreza do povo.
O adultério e a corrupção dos costumes são factores de sátira ao longo da obra
.
Em Memorial do Convento,
José Saramago apresenta uma caricatura da sociedade portuguesa da época de D. João V, revelando-se antimonárquico
e com um humanismo fechado à transcendência, bastante angustiado e pessimista.
Nas questões religiosas, nao só utiliza a ironia, como também se
revela frontal nas apreciações à Inquisição e aos santos que a ela se ligaram
.
Em Memorial do Convento temos um narrador que:
descreve paisagens, situações, factos acontecidos e a acontecer, estados de alma;
sentencia, fazendo uso ou reinventando os provérbios populares;
profetiza;
apaga-se face às personagens ou manipula-as;
ironiza, distanciando-se ou comprometendo-se com a vivência de personagem;
domina completamente a História ou se limita às suas contingências.
O narrador é o produtor da ficção, do fio narrativo, o estruturador do texto
.
A
sua principal função é a apresentação dos factos
(função narrativa).
Nada o impede, no entanto, de ter opiniões próprias em relação à matéria narrada, às personagens, ao tempo, ao espaço, ao ambiente social dessa narrativa.
Esta é impregnada com posições claramente ideológicas
, revelando o ponto de vista do narrador sobre o que está a narrar.
O narrador assume-se, como no teatro épico,
como a voz que está de fora e conta a história com apartes e comentários, uma voz distanciada, impessoal e intemporal
, com marcas de oralidade, como se comentasse a história que estaria a contar em voz alta.
O NARRADOR E A SUA LINGUAGEM
A pontuação transgride os princípios apresentados pelas aprendizagens gramaticais
, fluindo dentro da conceção lógica do próprio discurso.
A estrutura sintática infringe intencionalmente a norma, prestando-se a leituras que alternam o discurso escrito, com o discurso oral, e, sobretudo, com um discurso monologado que resulta da mistura de vozes que se produzem no pensamento das personagens.
Saramago
recusa um "narrador unilinear"
.
Por isso,
a existência de uma linguagem plurivocal permite registar as diversas formas de intervenção
quer na narrativa e na desconstrução histórica, quer na construção ficcional.
As frases e a ausência de pontuação favorecem essa pluralidade de vozes que se observa
. As regras discursivas são aparentemente ignoradas.
Há, no texto, l
inguagens que abandonam a tradicional hierarquia de correlação proposta pelos padrões discursivos
, embora sem desprezarem uma estrutura organizativa.
CONCLUSÃO
Saramago rejeita omnipotência do narrador, na medida em que considera que é o auto que coloca em causa o presente que conhece e o passado que lhe chega através das suas investigações.
Para Saramago, a omnipotência do narrador é pura ficção.
Uma voz narrativa controla a acção narrada, as motivações e os pensamentos das personagens, mas faz também as sua reflexões e juízos valorativos.
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