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MODERNISMO NO BRASIL - O ROMANCE DE 30

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Fernando Juarez de Cardoso

on 11 September 2015

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Transcript of MODERNISMO NO BRASIL - O ROMANCE DE 30

MODERNISMO NO BRASIL
O ROMANCE DE 30

PRESSUPOSTOS
Ocidente: grande depressão mundial

Crack da bolsa de NY;
Período entre guerras;
Ascenção do Nazismo e Fascismo (regimes totalitários);
Guerra civil espanhola (1936-39);
Marxismo e psicanálise;
GÊNESE DO ROMANCE DE 30
Termo utilizado para designar os romances publicados a partir de A bagaceira (1928), de João Américo de Almeida, e que, em verdade, designa um conjunto de narrativas escritas entre os anos de 1930 (45) e 1970, por uma mesma geração,
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
• Ascenção e queda dos coronéis e a crítica ao patriarcalismo;
• O drama dos trabalhadores rurais e das classes desfavorecidas;
• Choque entre o Brasil rural e o Brasil urbano.
PRINCIPAIS AUTORES
José Lins do Rego (1901-1957)

No plano ideológico
No plano artístico/cultural
O primeiro passou a ser visto por muitos como uma resposta para a crise e para a guerra, ao defender uma subversão na hierarquia social. A psicanálise freudiana influenciou de forma profunda a ficção da época, notadamente na introspecção e na complexidade psicológica das personagens.
Brasil: início da era republicana

Revolução de 30
Crise das oligarquias
Estado Novo de Vargas (1937-45)
“A crise mundial, o advento do nazismo, a guerra civil na Espanha nos abriram os olhos; parecia que o chão ia desaparecer debaixo de nossos pés. (...) Cada promessa que havíamos saudado se tornava uma ameaça. Cada dia que vivíamos desvendava seu verdadeiro rosto: nos havíamos entregues confiantes e nos empurravam para uma nova guerra” (SARTRE, Jean Paul)
POLARIZAÇÃO DOS ARTISTAS
O advento da fase ideológica do modernismo;
Ressurgimento do realismo;
Busca da verossimilhança;
Linguagem coloquial;
Denúncia à opressão e miséria social.
Modelos: Zola, Gogol, Dostoiévski, Faulkner e Carpentier.
Grosso modo, no período de 30/45 temos três vertentes principais na produção do país: a ficção regionalista, o ensaísmo social e o aprofundamento da lírica moderna.
oriunda de famílias oligárquicas arruinadas ou decadentes, com uma visão de mundo crítica (...) com padrões artísticos próximos do realismo do século XIX.
Como se pode perceber, esse não é um grupo de todo homogêneo nem simples de definir, já que engloba uma série de artistas que, em comum, possuem somente um sentimento de insatisfação, com ênfase nas questões sociais e ideológicas que irrompiam no mundo inteiro.
No entanto, podemos delinear algumas características em comum nas narrativas do período, tais como:
Ainda, temos de atentar para a divisão entre obras de temática rural e obras de temática urbana, sem esquecermos das obras de temática introspectiva/psicológicas.
• Verossimilhança;
• Visão crítica da sociedade;
• Linearidade narrativa;
• Tipificação social;
• Visão do todo da sociedade (ciclos).
• Foco nos trabalhadores, camadas populares e personagens marginais;
• Tematização dos dilemas dos setores médios da sociedade (psicológicos).
Sobre os romances de temática rural:
• Principais autores: José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Érico Veríssimo.
Sobre os romances de temática urbana:
• Principais autores: Dyonélio Machado, Lúcio Cardoso e Cyro dos Anjos.
Sobre o ensaísmo social, devemos destacar as obras de Gilberto Freyre (Casa-grande e senzala), Caio Prado Jr. (Evolução política do Brasil) e Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil).
Além das obras que compõem o ciclo (
Banguê
,
Moleque Ricardo
e
Usina
), temos como a grande realização literária de José Lins do Rego a obra
Fogo Morto
, de 1943.
Em uma linguagem bastante espontanea, temos destaque para a figura do avô de Carlos, o patriarca José Paulino.
Em tom memorialista, acompanhamos a trajetória do menino desde a infância à vida adulta, juntamente com a decadência dos engenhos de açucar, superados pelas grandes usinas.
Nos romances do ciclo, José Lins conta, em primeira pessoa e com traços autobiográficos, a história de Carlos, um menino órfão criado pelos avós.
Estreia na Literatura em 1932, com a publicação de Menino de Engenho, obra que abre o chamado ciclo da cana de açucar do autor.
Dyonélio Machado (1895-1985)
Nascido em Quaraí, o médico psicanalista Dyonélio Machado estreou na ficção em 1929 com a publicação do livro de contos “Um pobre homem”. No entanto, foi a partir da publicação de “Os Ratos”, em 1935, que o autor ganha renome nacional.
Esta é bastante linear (exceto por alguns flashbacks isolados) e narrada em terceira pessoa, através do uso do discurso indireto livre.
Além disso, o estilo "baço e incolor" de Dyonélio Machado transpassa uma atmosfera sufocante para a narrativa.
Pontualmente, cabe notarmos que a narrativa faz parte da temática urbana do romance de 30.
Sem conseguir resolver o seu problema por si só, Naziazeno acaba recorrendo a meios menos ortodoxos para angariar a tal quantia, buscando a ajuda de agiotas como Duque e Alcides.
No entanto, ao longo da narrativa, percebemos a inaptidão e a mediocridade do personagem, que, como ficamos sabendo, já se encontrou nessa situação outras tantas vezes quanto possível.
Logo, apesar de menosprezar o corte de mais um fornecimento básico, Naziazeno sai, contrariado, em busca da quantia ínfima de 53 mil réis para poder saldar a sua dívida no dia seguinte, podendo assim alimentar o seu filho ainda pequeno e acalmar a angústia da sua mulher, Adelaide.
A principal narrativa de Dyonélio Machado nos conta a história de um modesto funcionário público – Naziazeno Barbosa – que diante das dificuldades financeiras pelas quais passa, não possui dinheiro para pagar a sua dívida com o leiteiro.
PRINCIPAIS AUTORES
RACHEL DE QUEIROZ (1910 – 2003)
Tida como uma autora “prodígio” por conta da publicação da sua primeira obra –
O quinze
– aos vinte anos, Rachel de Queiroz sintetiza algumas das linhas mestras do Romance de 30 com a sua obra.
Lançado em 1930,
O quinze
narra em terceira pessoa a história de Conceição, uma jovem de origem rural, mas que vivencia o meio urbano, e, por isso, apresenta uma consciência maior dos problemas a sua volta.
Ao viajar para o interior do Ceará para passar férias onde morava a sua avó, Conceição se depara com os problemas da seca e dos retirantes que resistem ao fenômeno.
Contudo, isolada, a jovem busca ajudar como pode, no entanto, acaba por debater-se em seu papel de mulher ao atrair-se pelo jovem Vicente, um bruto proprietário de terras, a quem rejeita para não retroceder em seus ideais.
O plano social: na apresentação do subdesenvolvimento do sertão por conta da seca;

O plano individual: através da busca da identidade de Conceição em uma sociedade patriarcal;
Dessa forma,
O quinze
se articula em dois planos principais:
É no plano social que temos também a problemática da família do vaqueiro Chico Bento, empregado da avó de Conceição.
Contudo, seguido o rastro da tragédia, a família passa por diversas tragédias, até estabelecer-se novamente e conseguirem uma passagem de trem para rumarem para SP em busca de trabalho.
Desolado pela seca, a família do vaqueiro segue o destino de muitos retirantes indo em direção à cidade grande em busca de trabalho.
Apesar de cronologicamente vinculado ao grupo de escritores do Romance de 30, Graciliano se difere destes, pois explora problemas diversos em suas obras, que não se detem sobre o ciclo da seca e a vida itinerante dos retirantes nordestinos (José Américo de Almeida ou Raquel de Queiroz), a decadência da aristocracia rural da cana-de-açúcar (José Lins do Rego) ou a vida miserável dos trabalhadores do sertão (Jorge Amado).
GRACILIANO RAMOS (1892 – 1953)
A exceção pode ser vista somente em “Vidas Secas”, em que temos a problemática da seca e dos retirantes, que ainda assim, não se estabelece como o centro da narrativa.
De certa forma, diferente dos seus contemporâneos, em que os problemas do meio se sobrepõem ao homem, em Graciliano ocorrerá o oposto, é o problema do homem que se sobrepõe ao meio que o circunda.
Assim, Graciliano rompe com o panfletarismo e com a polarização características de alguns autores do período, alçando a sua ficção a um nível mais universalizante, em que o homem surge como o centro dos problemas a serem resolvidos.
Principais obras
SÃO BERNARDO (1934)
Nesta narrativa é que veremos de forma mais clara os traços característicos da prosa de Graciliano Ramos, como as frases curtas ou elípticas, orações simples e períodos coordenados e um vocabulário sintético, formando uma prosa enxuta e quase desprovida de qualquer lirismo.
Assim como em Caetés, São Bernardo também é narrado em primeira pessoa, agora por Paulo Honório, que almeja contar a sua história, que se inicia, propriamente dita, no terceiro capítulo do livro.
Logo, na primeira parte do romance, temos a narrativa de como Paulo Honório se torna um capitalista, após adquirir a arruinada fazenda e transformá-la em modelo de produtividade na região.
Movido pelo seu ideal de propriedade, Paulo Honório busca uma esposa para se casar e ter um herdeiro, e conhece a professora Madalena, que é o oposto do marido, pois possui inclinações socialistas e um forte sentimento filantrópico.
Incapaz de compreender e aceitar a posição antagônica de Madalena, Paulo Honório passa a desconfiar da esposa e irrita-se frequentemente com a não sujeição dela a suas vontades, tornando o conflito insustentável.
Por fim, Madalena acaba por suicidar-se, num gesto que leva Paulo Honório a uma tomada de consciência, que se radicaliza por conta da Revolução de 30, levando também os seus empregados a abandoná-lo em sua propriedade, na qual padece em sua própria solidão.
ANGÚSTIA (1936)
Considerado pela crítica como a melhor obra de Graciliano Ramos, “Angústia” também pode ser considerada a mais densa do autor, já que ao ser narrada pelo signo da confissão de Luís da Silva, temos uma narrativa dual composta de um lado pelos lapsos de lucidez do narrador e de outro dos impulsos desordenados com que conta a sua história.
Figura bastante atormentada, Luís da Silva narrará a sua história “movido por um forte sentimento de autonegação e de repulsa em relação a si e ao mundo”, em um clima de total dissolução psíquica e material que atinge o personagem.
Sendo um modesto funcionário, sem perspectivas maiores em sua vida, Luís da Silva nutre uma paixão por Marina, uma moça simples e de origem humilde, pela qual o narrador irá investir suas parcas economias para casar-se com ela.
No entanto, Luís da Silva é preterido por Julião Tavares, personagem mais bem sucedido e rico que o protagonista, que a seduz com presentes e bajulações e, após conquista-la, acaba por abandoná-la grávida, o que leva o narrador a tencionar o assassinato do seu rival.
Contudo, mesmo após a suposta morte de Julião Tavares, em um delírio de Luís da Silva, que teria enforcado o seu antagonista, o conflito não se mostra de todo resolvido, pois dai pra diante o protagonista adoece e passa um mês de cama, iniciando a composição do seu relato após recuperar-se.
VIDAS SECAS (1938)
Neste último livro, que se apresenta como o primeiro composto em terceira pessoa, teremos uma continuação da composição fragmentária do romance anterior, agora na trama que envolve uma família de retirantes fugindo da seca.
No entanto, o aspecto fragmentário de “Vidas Secas” se apresenta na construção da obra em capítulos intercalados (13 ao todo), os quais apresentam certa autonomia dentro da narrativa.
Assim, em “Vidas Secas” temos a história de Fabiano, Sinhá Vitória, e os seus filhos (Menino Mais Velho e Menino Mais Novo), mais a cachorra Baleia e o papagaio, vinculada ao drama do homem do sertão diante da natureza inóspita daquele meio.
Neste primeiro capítulo, intitulado “Mudança”, temos uma ideia da penúria que insurge contra a família de retirantes e que dará a tônica do romance como um todo nos capítulos que seguem, nos dando uma “visão sobre o universo do sertanejo”.
Nos capítulos seguintes, que levam o nome dos protagonistas (a exceção de oito deles), veremos como se desenvolve os dramas de cada um dos membros da família, a partir da ótica distanciada do narrador onisciente, que empresta os recursos necessários para a narrativa ser contada.
Esse fato nos leva a entender que “Vidas Secas” eleva o drama dos retirantes ao drama da incomunicabilidade humana a que a condição de miséria levou àquela família.
Além dessa problemática da comunicação humana, temos também os conflitos de Fabiano com as injustiças do Poder, nas figuras do Soldado Amarelo, do fiscal do governo e do patrão que lhe rouba nas contas, mas que lhe garante o parco sustento, até que a seca retorne e a família de retirantes tenha de fugir novamente, no sugestivo capítulo “Fuga”.
Nascido em Quarai, Cyro Martins exerce a psicanálise, se dedicando juntamente à ficção, ao compor a chamada “trilogia do gaúcho a pé”.
“Cyro Martins partiu da mesma temática de Érico Veríssimo: o Rio Grande pastoril, das imensas fazendas, da grande produção de couros e carne."
Nesta, também temos o enfoque no interior do estado, porém sem a mesma exaltação característica do seu contemporâneo Érico Veríssimo.
TRILOGIA DO GAÚCHO A PÉ
“Sem rumo” (1937)
Traçando um corte vertical e profundo nos problemas socioeconômicos que afligem a região da campanha a partir de 1910/20, “Sem rumo” conta a história de Chiru, peão expulso de sua estância que vai sobreviver nas malocas da cidade grande, um homem ingênuo que não compreende os problemas que afetam e transformam a sua vida.
“Estrada nova” (1954)
“Porteira fechada” (1944)
Seguindo a temática da má distribuição de terras no interior do RS e das consequências diretas desse problema (como, por exemplo, o êxodo rural), “Porteira fechada” narra a história de João Guedes, que expulso da fazenda, vai para a cidade em busca de uma vida melhor e acaba encontrando apenas pobreza, doenças, crimes e morte.
“Estrada nova” encerra a “trilogia do gaúcho a pé” com uma pequena mensagem de esperança. Passando pela revolução de 23 e pelo Estado Novo, o livro apresenta dois personagens antagônicos: enquanto Teodoro, o rico fazendeiro, representa o fim de uma época e de um modo de vida, Ricardo, o jovem que volta a sua terra depois de viver um tempo na cidade, representa a rebeldia, a não aceitação passiva e a possibilidade de novas alternativas.
Érico Veríssimo (1905 - 1975)
Em geral, a crítica divide a obra de Érico Veríssimo em duas fases, que se distinguem por conta das temáticas existentes em cada uma delas.
Vejamos, primeiramente, as obras pertencentes a cada uma das duas fases:
I Fase (1933 - 1943):

Clarissa (1933)
Caminhos Cruzados (1935)
Música ao longe (1935)
Um lugar ao sol (1936)
Olhai os lírios do campo (1938)
Saga (1940)
O resto é silêncio (1943)
II Fase (1949 - 1973):
O Tempo e o Vento (1949-62)
O Continente
O Retrato
O Arquipélago
Noite (1954)
O Senhor embaixador (1964)
O prisioneiro (1967)
Incidente em Antares (1971)
Solo de clarineta (Memórias, 1973)
Características da I fase do autor:

"Saga da pequena burguesia gaúcha"
Em síntese, "Os primeiros romances questionam o processo de deslizamento do poder do campo para a cidade, decorrente da decadência dos proprietários tradicionais e do enriquecimento da burguesia, que acumula capital, nunca, porém, valores morais."
Cyro Martins (1908 – 1995)
Já na segunda fase temos o conjunto principal da obra de Érico, centrada na trilogia de
O tempo e o vento
.
Composto de três volumes (O continente, O retrato e O arquipélago), a trilogia é publicada entre 1949 e 1961, obtendo grande sucesso de crítica e público.
Sendo assim, o tema específico da trilogia "é a ascenção e a queda política da classe dos estancieiros gaúchos"
"Os individuos que compõem a família, além de seus dramas pessoais específicos, vivem de maneira privilegiada os acontecimentos que definem a sociedade sul-rio-grandense"
No conjunto, esse é "o projeto do escritor de recriar ficcionalmente a história da formação do RS pastoril por meio da trajetória de sucessivas gerações das famílias Terra e Cambará."
"Mas a diferença entre ambos está no grupo social que expressam: Érico preferiu fazer a saga da classe dominante; Cyro optou pelos desvalidos do pampa: peões, agregados, posteiros.”
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