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FERNANDO PESSOA E HETERÔNIMOS

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gracia coimbra

on 1 August 2016

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Transcript of FERNANDO PESSOA E HETERÔNIMOS

FERNANDO "PESSOAS"
ALBERTO CAEIRO
O MESTRE
RICARDO REIS
O POETA DA RAZÃO
ÁLVARO DE CAMPOS
DECADENTISTA/ FUTURISTA/ PESSIMISTA
O POETA ENIGMÁTICO
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo (...)
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonhos como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si mesmos sonhando? (...)
Crer em mim? Não, nem em nada
Mensagem (publicada em 1934, é a única obra que o poeta viu ser lançada, um ano antes de sua morte)

canta os mitos e heróis passados de Portugal.

A obra Mensagem está dividido em três partes: e
- 1a. Parte - Brasão: conta-se a história das glórias portuguesas
- 2a. Parte - Mar Português: são apresentadas as navegações e conquistas marítimas de Portugal
- 3a. Parte - O Encoberto: o mito sebastianista de retorno de Portugal às épocas de glória é o foco principal


“Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje. (…)

Inutilmente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.

Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga,
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?”

“Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!

Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada!”

“Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente (...)

Amemo-nos tranqüilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.”


> Amante das culturas grega e latina.
> Criador de odes
> Valoriza a vida campestre
> A passagem do tempo - CARPE DIEM
> Morte como destino inevitável
> Considerado o heterônimo clássico de Pessoa
> Vida equilibrada, sem exageros
> Linguagem erudita
> Irregularidade métrica;

XXIX- O mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvores?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.

Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum.

VI - Pensar em Deus é desobedecer Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou…

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos


V - Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que eu penso do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso. (...)

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?


I - Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho. (...)

E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer coisa natural

Alberto Caeiro

> Considerado o mestre dos outros heterônimos

> Foge do conhecimento dos livros, de teorias filosóficas e científicas - antimetafísico

> Retrata o campo exaltando a natureza - viver simplesmente

> Linguagem coloquial

> O Guardador de Rebanhos (49 poemas)

Ode triunfal
À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! (...)
Porque o presente é o todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas das luzes elétricas
Ah,poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último modelo! (...)
Eu podia morrer triturado por um motor
Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída.

FERNANDO PESSOA


- tensão

sinceridade/fingimento

consciência/inconsciência

sentir/pensar

- intelectualização dos sentimentos

- interseccionismo entre o material e o sonho, a realidade e a idealidade

- uma explicação através do ocultismo

- visão negativa e pessimista da existência

- evocação da infância e de saudade desse tempo feliz
MODERNISMO PORTUGUÊS


Marco inicial do Modernismo português: publicação de Orpheu, 1915 – revista trimestral que teve apenas dois números publicados (participação do brasileiro Ronald de Carvalho)

Principais poetas: Mário Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Fernando Pessoa

“Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira
E a mentira está em ti.”

“Muita coisa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.”

“Que é vento, e que passa,
e que já passou antes,
e que passará depois.
E a ti, o que te diz?”

X – “Ola , guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?”

Em 1905, regressa a Portugal e matricula-se na Faculdade de Letras de Lisboa; assiste às aulas por algum tempo, mas acaba abandonando os bancos escolares para se tornar correspondente comercial em línguas estrangeiras.

Fernando Pessoa constitui um caso ímpar de desdobramento de si mesmo em outras personalidades poéticas, o que se torna visível por sua capacidade de deixar-se possuir por outros seres, que como ele são poetas, e de assim criar os outros eus, os heterônimos.
Os heterônimos não são pseudônimos. Fernando Pessoa não inventou personagens-poetas, mas criou obras de poetas e, em função delas, as biografias de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, seus principais heterônimos.

Fernando Pessoa
Heterônimos

Fernando Antônio Nogueira Pessoa, nasceu em Lisboa, em 13/06/1888. Órfão de pai aos cinco anos, é levado para Durban (África do Sul), onde faz o curso primário e secundário com excepcional brilho.

Fernando Pessoa (Biografia)

De idéias futuristas, entusiasmados com as novidades trazidas pelas mudanças culturais postas em curso com o século XX, defendiam a integração de Portugal no cenário da modernidade européia. Para tanto, pregavam o incoformismo e punham a atividade poética acima de tudo.

Orfismo

O Orfismo constitui o primeiro movimento propriamente moderno. Inicia-se em 1915, com a revista Orpheu, que aglutinou alguns jovens insatisfeitos com a estagnação da cultura portuguesa.

Orfismo

1910: Proclamação da República

1910-1926: Primeira República
― Domínio do Partido Democrático, com predominância centro-esquerdista.
― Participação do país na Primeira Guerra Mundial.
― Instabilidade político-social.

1926: Golpe de Estado

1933-1974: Ditadura militar salazarista.

Momento histórico do Modernismo em Portugal

Primeira geração: Orpheu
Início: 1915 – Fundação da revista Orpheu.
Término: 1927 – Fundação da revista Presença.

Segunda geração: Presença
Início: 1927 – Fundação da revista Presença.
Término: 1940 – Eclosão do Neo-realismo.

Terceira geração: Neo-realismo
Início: 1940

Cronologia

As três gerações do Modernismo português

RICARDO REIS
*nasceu em Tavira a 15 de Outubro de 1890 (às 13:30);

*”Teve uma educação vulgar de liceu”;

*foi para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval (Glasgow);

*numas férias fez uma viagem ao Oriente de onde resultou o “Opiário”;

*um tio que era padre ensinou-lhe Latim;



Fisicamente:

*usa monóculo;

*é alto (1.75 m);

*magro, cabelo liso apartado ao lado;

*cara rapada, tipo judeu português;
1ª FASE DE ÁLVARO DE CAMPOS – DECADENTISMO (“Opiário”)

- exprime o tédio, o enfado, o cansaço, a naúsea, o abatimento e a necessidade de novas sensações

- traduz a falta de um sentido para a vida e a necessidade de fuga à monotonia

- marcado pelo romantismo e simbolismo (rebuscamento, preciosismo, símbolos e imagens)
2ª FASE DE ÁLVARO DE CAMPOS -FUTURISTA/SENSACIONISTA
- celebra o triunfo da máquina, da energia mecânica e da civilização moderna
- apresenta a beleza dos “maquinismos em fúria” e da força da máquina
- exalta o progresso técnico, a velocidade e a força
- canta a civilização industrial
- recusa as verdades definitivas
- estilisticamente: introduz na linguagem poética a terminologia do mundo mecânico citadino e cosmopolita
- versos livres, vigorosos, submetidos à expressão da sensibilidade, dos impulsos, das emoções

3ª FASE DE ÁLVARO DE CAMPOS – PESSIMISMO
- caracterizada pelo sono, cansaço, desilusão, revolta, angústia, desânimo e frustração
- face á incapacidade das realizações, sente-se abatido, vazio, um marginal, um incompreendido
- frustração total: incapacidade de unificar em si pensamento e sentimento; e mundo exterior e interior
- a dor de pensar
- conflito entre a realidade e o poeta

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

*nasceu em Lisboa (1889);
*morreu tuberculoso em 1915;
*viveu quase toda a sua vida no campo;
*só teve instrução primária;
*não teve educação, nem profissão;
*escreve por inspiração;

Fisicamente:
*estatura média;
*frágil;
*louro, quase sem cor;
*olhos azuis;
*cara rapada;

Filosofia de Caeiro:
*é anti-religião;
*é anti-metafísica;
*é anti-filosofia;

nasceu no Porto (1887);

foi educado num colégio de jesuítas ;

”É latinista por educação alheia e semi-helenista por educação própria”;

médico;

viveu no Brasil, expatriou-se voluntariamente por ser monárquico;

Interesse pela cultura Clássica, Romana (latina) e Grega (helénica);

Fisicamente:

”Um pouco mais baixo, mas forte, mais seco” do que Caeiro;

” de um vago moreno”; cara rapada;
FERNANDO PESSOA
ORTÔNIMO
O CRIADOR DE PERSONAS
MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
ULISSES
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade.
E a fecundá-la decorre.
Embaixo, a vida, metade
De nada, morre.
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Em 1935, recolhe-se doente ao hospital e falece em 30 de novembro.
ÉPICO E LÍRICO
Estilo e Linguagem:

Preferência pela métrica curta, geralmente redondilha maior (7)
Linguagem simples, espontânea, mas sóbria
Pontuação (diversidade – interrogações e reticências)
Gosto pelo popular (quadra e quintilhas)
Musicalidade
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir meu castelo
.
Ser Grande

Para ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha,
Porque alta vive.
Entre O Sono E Sonho

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
Esse rio sem fim.
Decifração do enigma do ser
O ser, sabe-o Pessoa, é um mistério indecifrável, porque procurar desvendá-lo é confrontar-se com a sua pluralidade, porque ele é muitos, e sendo muitos é ninguém. Por isso, o
poeta afirma negativamente o impossível encontro com a sua identidade (“Não sei quem sou”, “Nunca me vi nem achei”), da mesma forma que afirma negativamente a sua pluralidade (“Não sei quantas almas tenho”).

"Sou um Evadido"

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.


Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade
não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu
que não sei se existe (se é esses outros)...

Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim
perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter
que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.


Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade
que não está em nenhuma e está em todas.

Como o panteísta se sente árvore e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada ,
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.
Fernando Pessoa
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