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De Verão - Cesário Verde

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by

sofia vilelas

on 10 May 2014

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Transcript of De Verão - Cesário Verde

De Verão - Cesário Verde
De verão
I
No campo; eu acho nele a musa que me anima;
A claridade, a robustez, a acção.
Esta manhã, saí com minha prima,
Em quem eu noto a mais sincera estima
E a mais completa e séria educação.
II
Criança encantadora! Eu mal esboço o quadro
Da lírica excursão, de intimidade.
Não pinto a velha ermida com o seu adro;
Sei só desenho de compasso e esquadro,
Respiro indústria, paz, salubridade.
III
Andam cantando aos bois; vamos cortando as leiras;
E tu dizias:"Fumas? E as fugalhas?
Apaga o teu cachimbo junto ás eiras;
Colhe-me uns brincos rubros nas ginjeiras!
Quanto me alegra a calma das debulhas"
IV
E perguntavas sobre os últimos inventos
Agrícolas. Que aldeias tão lavadas!
Bons ares! Boa luz! Bons alimentos!
Olha: Os saloios vivos, corpulentos,
Como nos fazem grandes barretadas!
V
Voltemos. Na ribeira abundam as ramagens
Dos olivais escuros. Onde irás?
Regressam os rebanhos das pastagens;
Ondeiam milhos, nuvens e miragens,
E, silencioso, eu fico para trás.



Análise formal
Análise conteúdo
I
No campo; eu acho nele a musa que me anima;
A claridade, a robustez, a acção.
Esta manhã, saí com minha prima,
Em quem eu
noto a mais sincera estima
E a mais completa e séria educação
.
II
Criança encantadora
! Eu mal esboço o quadro
Da lírica excursão, de intimidade.
Não pinto a velha ermida com o seu adro;
Sei só desenho de compasso e esquadro,
Respiro
indústria, paz, salubridade.
III
Andam cantando aos bois; vamos cortando as leiras*;
E tu dizias:
"Fumas? E as fugalhas*?
Apaga o teu cachimbo junto ás eiras*;
Colhe-me uns brincos rubros nas ginjeiras*!
Quanto me alegra a calma das debulhas*"
IV
E perguntavas sobre os últimos inventos
Agrícolas.
Que aldeias tão lavadas!
Bons ares! Boa luz! Bons alimentos!
Olha:
Os saloios vivos, corpulentos,
Como nos fazem grandes barretadas!
V
Voltemos.
N
a

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r
a abu
n
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as
r
a
m
age
n
s
Dos olivais escuros.

Onde irás?
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hos das pastage
n
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O
n
deia
m

m
ilhos,
n
uve
n
s e
m
i
r
age
n
s
,
E, silencioso, eu fico para trás.
VI
Numa colina azul brilha um lugar caiado.
Belo! E arrimada* ao cabo da
sombrinha
,
Com teu chapéu de palha, desabado,
Tu continuas na azinhaga*; ao lado
V
erdeja,
v
icejante*
, a nossa
v
inha.
VII
Nisto, parando, como alguém que se analisa,
Sem desprender do chão teus olhos castos*,
Tu começaste,
harmónica, indecisa
,
A arregaçar a chita,
alegre e lisa
Da tua cauda um
poucochinho
a rastos.
VIII
Espreitam-te, por cima, as frestas* dos celeiros;
O sol abrasa as terras já ceifadas*,
E alvejam-te, na sombra dos pinheiros,
Sobre os teus pés
decentes, verdadeiros
,
As sais curtas, frescas, engomadas.
IX
E, como quem saltasse, extravagantemente,
Um rego de água sem se enxovalhar,
Tu,
a austera, a gentil, a inteligente
,
Depois de bem composta, deste á frente
Uma pernada cómica, vulgar!
X
Exótica! E cheguei-me ao pé de ti. Que vejo!
No atalho enxuto, e branco das espigas
Caídas das carradas no salmejo*,
Esguio e a negrejar em um cortejo*,
Destaca-se um carreiro de formigas.
XI
Elas, em sociedade,
espertas, diligentes
,
Na natureza trémula de sede,
Arrastam
bichos, uvas e sementes
;
E atulham, por instinto, previdentes,
Seus antros* quase ocultos na parede.
XII
E eu desatei a rir como qualquer macaco!
" Tu não as esmagares contra o solo!"
E ria-me,
eu
ocioso*, inútil, fraco
,
Eu de jasmim na casa do casaco
E de óculo deitado a tiracolo!
XIII
"As ladras da colheita! Eu se trouxesse agora
Um sublimado corrosivo, uns pós
De solimão*, eu, sem maior demora,
Envenená-las-ia! Tu, por ora
Preferes o romântico ao feroz.
XIV
Que compaixão! Julgava até que matarias
Esses insectos importunos! Basta...
Merecem-te espantosas simpatias?
Eu felicito suas senhorias,
Que honraste com um pulo de ginasta!"
XV
E enfim calei-me. Os teus cabelos muito loiros
Luziam, com doçura, honestamente;
De longe o trigo em monte, e o calcadoiros*,
Lembravam-me fusões de imensos oiros,
E o mar um prado verde e florescente
.
XVI
Vibravam, na campina*, as chocas da manada;
Vinham uns carros a gemer no outeiro*,
E finalmente,
enérgica, zangada
,
Tu inda assim bastante envergonhada,
Volveste-me, apontando o formigueiro:
XVII
"Não me incomode, não, com ditos detestáveis!
Não seja simplesmente um zombador!
Estas mineiras negras, incansáveis,
São mais economistas, mais notáveis,
E mais trabalhadoras que o senhor."
VI
Numa colina azul brilha um lugar caiado.
Belo! E arrimada ao cabo da sombrinha,
Com teu chapéu de palha, desabado,
Tu continuas na azinhaga; ao lado
Verdeja, vicejante, a nossa vinha.
VII
Nisto, parando, como alguém que se analisa,
Sem desprender do chão teus olhos castos,
Tu começaste, harmónica, indecisa,
A arregaçar a chita, alegre e lisa
Da tua cauda um poucochinho a rastos.
VIII
Espreitam-te, por cima, as frestas dos celeiros;
O sol abrasa as terras já ceifadas,
E alvejam-te, na sombra dos pinheiros,
Sobre os teus pés decentes, verdadeiros,
As sais curtas, frescas, engomadas.
IX
E, como quem saltasse, extravagantemente,
Um rego de água sem se enxovalhar,
Tu, a austera, a gentil, a inteligente,
Depois de bem composta, deste á frente
Uma pernada cómica, vulgar!
X
Exótica! E cheguei-me ao pé de ti. Que vejo!
No atalho enxuto, e branco das espigas
Caídas das carradas no salmejo,
Esguio e a negrejar em um cortejo,
Destaca-se um carreiro de formigas.

XI
Elas, em sociedade, espertas, diligentes,
Na natureza trémula de sede,
Arrastam bichos, uvas e sementes;
E atulham, por instinto, previdentes,
Seus antros quase ocultos na parede.
XII
E eu desatei a rir como qualquer macaco!
" Tu não as esmagares contra o solo!"
E ria-me, eu ocioso, inútil, fraco,
Eu de jasmim na casa do casaco
E de óculo deitado a tiracolo!
XIII
"As ladras da colheita! Eu se trouxesse agora
Um sublimado corrosivo, uns pós
De solimão, eu, sem maior demora,
Envenená-las-ia! Tu, por ora
Preferes o romântico ao feroz.
XIV
Que compaixão! Julgava até que matarias
Esses insectos importunos! Basta...
Merecem-te espantosas simpatias?
Eu felicito suas senhorias,
Que honraste com um pulo de ginasta!"
XV
E enfim calei-me. Os teus cabelos muito loiros
Luziam, com doçura, honestamente;
De longe o trigo em monte, e o calcadoiros,
Lembravam-me fusões de imensos oiros,
E o mar um prado verde e florescente.



XVI
Vibravam, na campina, as chocas da manada;
Vinham uns carros a gemer no outeiro,
E finalmente, enérgica, zangada,
Tu inda assim bastante envergonhada,
Volveste-me, apontando o formigueiro:
XVII
"Não me incomode, não, com ditos detestáveis!
Não seja simplesmente um zombador!
Estas mineiras negras, incansáveis,
São mais economistas, mais notáveis,
E mais trabalhadoras que o senhor."
Número de estrofes : 17

Rima :
I
No campo; eu acho nele a musa que me anima;
A claridade, a robustez, a acção.
Esta manhã, saí com a minha prima,
Em quem eu noto a mais sincera estima
E a mais completa e séria educação.
II
Criança encantadora! Eu mal esboço o quadro
Da lírica excursão, de intimidade.
Não pinto a velha ermida com o seu adro;
Sei só desenho de compasso e esquadro,
Respiro indústria, paz, salubridade.
III
Andam cantando aos bois; vamos cortando as leiras;
E tu dizias:"Fumas? E as fugalhas?
Apaga o teu cachimbo junto ás eiras;
Colhe-me uns brincos rubros nas ginjeiras!
Quanto me alegra a calma das debulhas"
IV
E perguntavas sobre os últimos inventos
Agrícolas. Que aldeias tão lavadas!
Bons ares! Boa luz! Bons alimentos!
Olha: Os saloios vivos, corpulentos,
Como nos fazem grandes barretadas!



Rima das primeiras estrofes presentes no poema
a
b
a
a
b

c
d
c
c
d

e
f
e
e
f

g
h
g
g
h

Legenda

baab
-> interpolada
aa
-> emparelhada
Métrica
Métrica de alguns versos
I
("No campo; eu acho nele a musa que me anima")

1º verso
"No
I

cam
I

p
o;
I
eu
I
acho
I
ne

I
le I a

I
mu
I

sa
I
que
I
me I a

I
ni
I
ma"
III
("Andam cantando ao bois; vamos cortando as leiras")
1º verso
" An
I
dam
I
can
I
tan
I
do I aos

I
bois;
I
Va
I
mos
I
can
I
tan
I
do I as
I
lei
I
ras"

Concluindo que o poema é irregular em relação á métrica.
Espaço: Campo

Personagens: Sujeito poético e a prima
Descrição da prima que acompanha o Eu lírico:
-> Educada; meiga; encantadora; preocupada e cuidadosa com o primo; engraçada e vaidosa; apreciadora da vida no campo.
Descrição do campo:
-> Um espaço considerado como " musa", caracterizado pela claridade, robustez, acção, trabalho e saúde. Ao mesmo tempo que é descrito pelas cantigas cantadas aos bois e pela calma das debulhas.
Obs.:
Leiras:
sulco na terra para se deitar a semente;
Fugalhas
: faísca que se solta da matéria em combustão;
Eiras
: terreno onde se põem a secar os cereais;
Ginjeiras
: variedade de cerejeira;
Debulhas
: epóca em que se faz a debulha, isto é, operação de separar o grão da espiga.
Análise conteúdo
+ Descrição do campo
O campo é um espaço ....
A
vermelho
temos o som nasal de
n
,
m, r
e ainda do
v
. -> Aliteração

A
verde:
" Onde irás?" corresponde a uma pergunta retórica.

A
azul
temos a dupla adjetivação. E uma hipálage em "alegre e lisa".

E a
rosa
o uso diminuitivo: sombrinha- conotação de ternura; poucochinho- conotação de pouco.
obs.:
arrimada:
encostado / apoiado;
azinhaga
: caminho da largura de um carro;
vicejante
: fresco;
castos
: puros/inocentes
Análise conteúdo
Análise conteúdo
+ Descrição da prima

"Episódio das formigas"
Descrição das formigas
Analogia do episódio das formigas com o campo
A
vermelho
temos uma tripa adjetivação
Obs.:
frestas
: janela estreita e alta;
ceifadas
: terras já semeadas;
salmejo
:cantar em forma de salmo;
cortejo
: comitiva pomposa;
antros
: cavernas.
Analogia entre o episódio das formigas e o eu lírico
Reação controversa entre a prima e o eu lírico em relação ás formigas
Descrição do eu lírico
A
verde
temos uma comparação
Obs.:
ocioso
: preguiçoso;
solimão
: veneno
Análise conteúdo
Na 1º estrofe temos a imagem de um quadro / de uma tela
Crítica feita pela prima ao eu lírico
Obs.:
calcadoiros
:Terreno liso ou empedrado onde se põem a secar e se trilham ou desgranam legumes ou cereais;
campina
:Planície extensa sem povoações nem árvores;
Outeiro
:Colina.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
I
(" A claridade, a robustez, a acção.")
2º verso
"A
I
cla
I
ri
I
da
I
de,
I
a
I
ro
I
bus
I
tez,
I
a I ação"
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
A
laranja
temos uma dupla adjetivação
A
vermelho
temos uma tripla adjetivação.
A
vermelho
temos uma dupla adjetivação
A
azul
temos uma comparação
A
vermelho
temos uma enumeração
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