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Intentions in signification

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by

Daniel Silva

on 24 November 2014

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Transcript of Intentions in signification

A querela indivíduo x sociedade no projeto epistêmico da pragmática
Daniel N. Silva
Univ. Fed. do Estado Rio de Janeiro, UNIRIO

"So this idea that the population thanked the police was complicated. First the people didn't want to talk to the journalists because they were afraid. "You go back home and I end up in trouble". Second, what I heard was: "The boys [dealers] did not help us, but they didn't bother us either. We don't know what the police will do to us."
Posições sobre indivíduo e sociedade em pragmática e além
Mundos idealizados vs. contextos etnográficos
Intencionalidade: como os lados da querela resolvem o problema?
Aspectos sociais da pragmatica (Rajagopalan, 2010)

"the
ends of Language in our Discourse with others
, being chiefly these three:
First, To make known
one Man's Thoughts or
Ideas
to another.
Secondly
, To do
with
as much ease and
quickness
, as is possible; and
Thirdly
, Thereby to
convey
the
Knowledge
of Things. Language is either abused, or deficient, when it fails in any of these Three" (Chapter X, "Of the abuse of words", § 23)
Rajagopalan cita Margaret Thatcher:
"Não existe sociedade. Há homens e mulheres individuais"
(Thatcher, 1987).
A filosofia madura de Wittgenstein pergunta se verbos como "intencionar" são "processos mentais ocultos". Por exemplo,

"What happens if from 4 till 4:30 A expects B to come to his room? In one sense in which the phrase "to expect something from 4 to 4:30" is used it certainly does not refer to one process or state of mind going on throughout that interval, but to a great many different activities and states of mind (...) What happens may be this: At four o'clock I look at my diary and see the name "B" against to-day's date; I prepare tea for two; I think for a moment "does B smoke"? and put out cigarettes; towards 4:30 I begin to feel impatient; I imagine B as he will look when he comes into my room." (Blue book, p.20)
Jacob Mey (2001)
Silverstein (1979) ideologias linguísticas

"A verdade é que muitos estudiosos têm tradicionalmente preferido teorizar a linguagem num completo desrespeito por sua configuração social. Houve uma forte tendência entre os linguistas a reificar a linguagem e vê-la como um fenômeno puramente mental e, como tal,
atributo de um único indivíduo já existente (...) em estado idílico pré-social ou anterior à queda de Adão
." (p.32)
Essa ideologia linguística é antiga

John Locke, em 1689, já afirmara em sua teoria sobre a linguagem:
Uma instanciação dessa ideologia linguística: Searle (1983) Intentionality

De acordo com Searle, a intencionalidade é um
estado mental, anterior à enunciação do ato de fala, e como tal figura como causalidade da ação (na fala):

"The Intentionality of the mind not only creates the
possibility of meaning, but also limits its forms" (p.166)

"The problem of meaning is how does
the mind impose Intentionality on
entities that are not intrinsically intentional?
How is it possible that mere things
can represent?" (p.167)

Ênfase: "meanings are
precisely in the head" (p.200)
A crítica de Wittgenstein à Representação
"To intend", for Wittgenstein, "is neither a particular
state of mind
nor a particular
mental process
" (p.32)
It is, rather, an
abiding condition

("Philosophical Investigations", §143-184)
"If you are puzzled about the nature of thought, belief, knowledge, and the like, substitute for the thought the expression of the thought, etc. The difficulty which lies in this substitution, and the same time the whole point of it, is this:
the expression of belief, thought, etc., is just a sentence; - and the sentence has sense only as a member of a system of language; as one expression within a calculus
." (p.42)
"Now we are tempted to imagine this calculus, as it were, as a permanent background to every sentence which we say, and to think that, although the sentence as written on a piece of paper or spoken stands isolated, in the mental act of thinking the calculus is there - all in a lump. The mental act seems to perform in a miraculous way what could not be performed by any act of manipulating symbols." (p.42)
"the users had not only to be discovered, they had to be positioned where they belonged, namely in the societal context that makes their language activity possible in the first place." (p.290)
Mey (2014) Sequencialidade

(Mãe e filha caminhando em direção a uma estação de trem em Tóquio)

Mãe:
mama hankachi mottekita to omottanda kedo
[mãe (= 'eu') lenço trazer-vir-passado QUOT pensei mas]
("Pensei que tivesse trazido um lenço, mas...")

[A filha passa seu lenço para a mãe]

Mãe:
A' doomo
("Oh, obrigada")

(Adaptado de Haugh, 2007)
Crimes de racismo (Silva & Alencar, 2013)


A pragmática "anglo-americana" de Searle se assenta numa ideologia linguística que toma a comunicação como a interação entre mentes intencionais
Usuários são idealizados (eles não têm os traços inelutáveis de raça, gênero, sexualidade e espaço econômico dos humanos reais.
Normalmente não se analisa a interação tal como ela acontece no espaço e no tempo, em contextos etnográficos (e.g., crítica de Cicourel a Searle).
Não há muito espaço nessa ideologia para o fato de que as pessoas normalmente não querem "representar", mas sim levar suas vidas em um mundo cambiante (e por vezes) violento.
Para Searle, ao contrário, comunicar algo implica que alguém tem a "intenção de representar algo" (p.167-173).
Excerto do Habeas Corpus de Mayara Petruso


However, ethnographically...
I interviewed Maria, a journalist of 38 y/o who covered the military intervention in Alemão for one of the major Brazilian newspapers.
She was puzzled about the way the media depicted the event:
"When I saw the Alemão on TV, I thought I was not in the same place that those journalists were. But we were together. The media decide how to approach the subject. There's no neutrality. I mean, you choose your focus, right?"
Santos (2012) A injúria como prática linguística discriminatória no Brasil

Professor de agronomia da UFRGS acusado e condenado por racismo em 2009.

Ele disse, em sala de aula, na presença de um aluno negro:
"os negrinhos da favela só tinham dentes brancos porque a água que bebiam possuía flúor" e "soja é que nem negro, uma vez que nasce é difícil de matar".
Perguntas à agenda da pragmática brasileira:
Como integrar as condições da sociedade nas descrições de línguas?
Que ideologias linguísticas estamos comprando junto com as teorias que adotamos?
É chegada a hora de investigar a camada metapragmática (considerando que é este o nível em que as ideologias operam, cf. Silverstein)?
Qual o nosso compromisso com a mudança da sociedade?
Quanto à causalidade da significação, parece que olhar para a complexidade e a história da situação (e o modo como unidades linguísticas se moveram de lá para cá) é melhor do que pressupor intenções internas, quase espirituais.
Circuito da fala (Saussure, 1916)
Julgamento do dolo

"O acusado defendeu-se alegando ter dito as frases sem intenção pejorativa e que valera-se de ditado corrente na zona rural (...) que teria um conteúdo positivo, relativo ao vigor da raça negra. Entretanto, conforme os alunos que testemunharam o fato, ele teria se retratado ao final da aula e em aulas posteriores tentando intimidar o aluno ofendido" (Juiz Roger Raupp Rios)
Um elemento cognitivo: o conhecimento do conteúdo das expressões

"[...]conforme a denúncia penal, houve dolo de expressar frases efetivamente preconceituosas em detrimento da raça negra. Com efeito, não é crível que indivíduo com o grau de formação intelectual, experiência e histórico funcional tais quais o apelado não perceba o explícito e textual conteúdo racista na expressão utilizada - tanto que ao final da aula preocupou-se em manifestar suas desculpas" (Rios, 2009, p.1)
Santos traz para a discussão a articulação social das intenções, não seu mero status de "estado interno":

"A intenção não deve ser entendida como o produto unicamente do que há "aqui" dentro, em
um mundo mental privado, subjetivo, esfera privilegiada de vivências imediatamente acessíveis e absolutamente certas para a "primeira pessoa" que as experimenta
. (...) Ao contrário,
não há experiências não interpretadas, a que se teria um acesso privado e que se furtariam a descrição e a avaliação conforme enunciados publicamente criticáveis
. A atestação da intenção é discursivamente articulada, mesmo para seu sujeito, por meio de práticas sociais de responsabilização e justificação" (Sales Jr., 2006, Democracia racial: o não-dito racista, p.249-50)
Às vezes a intenção é uma não-intenção
Keksces (2012)
saliência
e ato falho
Algumas conclusões:
A responsabilidade por enunciar palavras passa a se localizar não na mente do indíviduo mas nos tipos de interações que o agente social partilha com outros.
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