Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Lusíadas "Velho do Restelo" & Mensagem "Mar Português"

No description
by

Eduardo almeida

on 25 October 2013

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Lusíadas "Velho do Restelo" & Mensagem "Mar Português"

Introdução
Com este trabalho pretendemos explicar cada uma das estrofes do episódio "Velho do Restelo" (canto IV d`Os Lusíadas) e relacioná-las com o poema "Mar Português" de Fernando Pessoa. Embora tenham sido publicados com quase quatro séculos de diferença ambos tratam da partida de Belém. Iremos analisar os recursos estilísticos presentes neste canto e os argumentos do Velho do Restelo.
Para terminar gostariamos de pedir que atentem ao trabalho pois no final iremos fazer perguntas relacionadas com o tema.

Estrofes 89 e 90
Em tão longe caminho e duvidoso
Caminho marítimo até à Índia
Por perdidos as gentes nos julgavam;
Pensamento do Povo
As mulheres c`um choro piedoso,
Dor e aflição
Os homens com suspiros que arrancavam
Suspiros fortes e frios
Mães, esposas, irmãs, que o temeroso
Amor mais desconfia, acrescentavam
A desesperação, e frio medo,
Desespero e medo
De já nos não tornar a ver tão cedo
Exaltação das famílias




"Qual vai dizendo: —" Ó filho, a quem eu tinha
Mulher fala do seu filho
Só para refrigério, e doce amparo
Consolava-lhe a alma
Desta cansada já velhice minha,
Pessoa com alguma idade
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Desespero pela morte
Por que me deixas, mísera e mesquinha?
Por que de mim te vás, ó filho caro,
A fazer o funéreo enterramento,
Onde sejas de peixes mantimento!" —
Estrofes 91 e 92

"Qual em cabelo: —"Ó doce e amado esposo,
Sem quem não quis Amor que viver possa,
Por que is aventurar ao mar iroso
Essa vida que é minha, e não é vossa?
Como por um caminho duvidoso
Vos esquece a afeição tão doce nossa?
Nosso amor, nosso vão contentamento
Quereis que com as velas leve o vento?" —



"Nestas e outras palavras que diziam
De amor e de piedosa humanidade,
Os velhos e os meninos os seguiam,
Em quem menos esforço põe a idade.
Os montes de mais perto respondiam,
Quase movidos de alta piedade;
A branca areia as lágrimas banhavam,
Que em multidão com elas se igualavam.


—"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!



— "Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!
"Velho do Restelo" & "Mar Português"
Estrofes 93 e 94
"Nós outros sem a vista alevantarmos
Nem a mãe, nem a esposa, neste estado,
Por nos não magoarmos, ou mudarmos
Do propósito firme começado,
Determinei de assim nos embarcarmos
Sem o despedimento costumado,
Que, posto que é de amor usança boa,
A quem se aparta, ou fica, mais magoa.



"Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:
Estrofes 95 e 96
Estrofes 97 e 98
—"A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?



— "Mas ó tu, geração daquele insano,
Cujo pecado e desobediência,
Não somente do reino soberano
Te pôs neste desterro e triste ausência,
Mas inda doutro estado mais que humano
Da quieta e da simples inocência,
Idade d'ouro, tanto te privou,
Que na de ferro e d'armas te deitou:
Estrofes 99 e 100
— "Já que nesta gostosa vaidade
Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade
Puseste nome esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidades
O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já
Temeu tanto perdê-la quem a dá:



— "Não tens junto contigo o Ismaelita,
Com quem sempre terás guerras sobejas?
Não segue ele do Arábio a lei maldita,
Se tu pela de Cristo só pelejas?
Não tem cidades mil, terra infinita,
Se terras e riqueza mais desejas?
Não é ele por armas esforçado,
Se queres por vitórias ser louvado?
Estrofes 101 e 102
— "Deixas criar às portas o inimigo,
Por ires buscar outro de tão longe,
Por quem se despovoe o Reino antigo,
Se enfraqueça e se vá deitando a longe?
Buscas o incerto e incógnito perigo
Por que a fama te exalte e te lisonge,
Chamando-te senhor, com larga cópia,
Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia?



— "Ó maldito o primeiro que no mundo
Nas ondas velas pôs em seco lenho,
Dino da eterna pena do profundo,
Se é justa a justa lei, que sigo e tenho!
Nunca juízo algum alto e profundo,
Nem cítara sonora, ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória.
Estrofes 103 e 104
— "Trouxe o filho de Jápeto do Céu
O fogo que ajuntou ao peito humano,
Fogo que o mundo em armas acendeu
Em mortes, em desonras (grande engano).
Quanto melhor nos fora, Prometeu,
E quanto para o mundo menos dano,
Que a tua estátua ilustre não tivera
Fogo de altos desejos, que a movera!



— "Não cometera o moço miserando
O carro alto do pai, nem o ar vazio
O grande Arquiteto co'o filho, dando
Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
Nenhum cometimento alto e nefando,
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana geração.
Mísera sorte, estranha condição!" —

Mensagem - Mar Português (Fernando Pessoa) pág 188:
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!


O povo estava triste pois não acreditava no sucesso desta viagem. Criando assim um ambiente pesado.
A mãe questiona-se sobre
a decisão do filho
Funeral do filho
Apresentam-se diversas queixas nesta estrofe sendo a ideia de afastamento a principal, visto que os filhos que deveriam acompanhar os pais e ajudá-los decidem embarcar numa viagem perigosa afastando-se dos pais.
Enumeração (Assíndeto)
Mulher fala do esposo
O homem era boémio
Revoltada com a decisão do marido
Caminho marítimo até à Índia
Referencia à sua relação
Fim da sua relação
Sentimentos do povo
A natureza responde à dor do povo
Personificação
Apresentam-se diversas queixas nesta estrofe, sendo a principal, os homens que abandonam os lares para embarcar numa viagem arriscada
A tripulação nao olhou para os familiares
Para não se fragilizarem
Referência à viagem que têm pela frente
Não se despediram normalmente das famílias
Vasco da Gama não quis demorar as despedidas que sempre magoam.
Esta estrofe contribui para o enaltecimento do herói do poema (portugueses) pois apesar da imensa dor sentida, os corajosos marinheiros ultrapassaram-na. Deste modo estes embarcam com o intuito de cumprir a sua missão.
Aspeto respeitável
Tinha os olhos nos tripulantes
Abanava a cabeça desiludido
O velho encontrava-se na praia
Disse de forma audível
Os tripulantes ouviram
Com muita experiência de vida
Tirou do seu saber, experto é
experiente
Camões optou por esta figura porque dada a sua idade este impõe autoridade e respeitabilidade, sendo-lhe permitido falar e ser ouvido sem contestação. As suas palavras têm o peso da experiência que este ganhou ao longo da sua longa vida.
Não existe fama nem honra
mas só vaidade e cobiça.
As pessoas que sofrem mais nestas viagens são os que ficam para trás e lamentam mais do que os navegadores.
O velho diz que, com esta viagem, muitos navegadores estarão com a alma inquieta, e promover-se-ão adultérios.
o povo é ignorante e está enganado ao venerar Vasco da Gama e os portugueses.
Digna de má fama e de insultos.
O velho condena o envolvimento do país na aventura dos Descobrimentos, a que se refere de forma claramente negativa.
Com esta viagem, acontecerão muitas mortes e desastres.
Não haverá fama, histórias, triunfos, palmas ou vitórias com esta navegação.
Nome que se eleva acima dos outros.
O sentimento de exaltada indignação manifesta-se, sobretudo, pela utilização insistente de interrogações retóricas (“Que famas lhe prometerás? que histórias?/Que triunfos, que palmas, que vitórias?”).
A nova geração é insana, pecadora e desobediente.
O povo está a perseguir uma fantasia.
O reino desperdiça as tristes vidas dos navegadores.
Apóstrofes
Dupla adjetivação
Personificação
Mães, esposas e irmãs desconfiavam do regresso das pessoas que amavam
Perífrase
Anáfora
Apóstrofe
Anáfora
Metáfora
Anástrofe
Perífrase
Realçar a ideia que os velhos e as crianças (os mais fracos) participavam nesta despedida.
Pleonasmo
Anástrofe
Enumeração (polissíndeto)
Enumeração (polissíndeto)
Anáfora
Perguntas Retóricas
Apóstrofe
Dupla Adjetivação
Dupla Adjetivação
Perguntas Retóricas
Este prazer dos homens de dominar e a cobiça fútil e sem valor da fama são asneiras ilusórias, passageiras (“vaidade”). Esta satisfação falsa, enganadora, é estimulada pelas pessoas, que a chamam de honra. Isso castiga grandemente os homens de coração tolo, vazio (“peito vão”) que ambicionam o poder e a fama; fazendo com que experimentem muitos suplícios (“mortes”, “perigos”, “tormentas”) e crueldade.
Mas o género humano, descendente do insensato e demente cujo pecado provocou não somente sua expulsão e exílio (“desterro e triste ausência”) do paraíso (“reino soberano”), mas também o privou do estado de paz e de inocência da idade de ouro e colocou-o, abateu (“te deitou”) na idade do ferro e das guerras.
Já que, nessa prazerosa ignorância, o homem tanto empenha, arrebata a imaginação, a criatividade, que dá o nome de esforço e valentia à violenta crueldade e perversidade, visto que dá tanto valor ao desprezo pela vida, que deveria ser sempre amada e preservada, pois até quem a deu teve medo de perdê-la (refere-se a Cristo, que receou a morte, na noite anterior à sua crucificação).
No sentido de causar sofrimento
O sal é sinónimo de dor
Cruzarmos, remonta para a cruz
Sintetização das desgraças causadas pelos Descobrimentos
Tudo vale a pena se a intenção de vencer for maior.
Para atingir um objectivo é necessário esforçar e sofrer.
Deus criou o mar cheio de contratempos.
Mas foi nele que o céu, paraíso, foi refletido.
Apóstrofe
Anáfora
Hipérbato
Com este poema o poeta transmite que o sofrimento é o preço a pagar pelas grandes glórias.
Não tens os Mouros muito mais perto com quem irás sempre lutar?
Com quem irás sempre lutar?
Os mouros seguem o Islamismo, luta com eles.
Se tu lutas pela fé Cristã?
Tens a eternidade garantida.
Se desejas ainda mais terras?
Não é por armas que o vais conseguir
Se queres ser louvado pela guerra?
Deixas o inimigo ficar à porta enquanto buscas por outros em terras tão longe.
Valerá a Índia a despovoação do País?
Procuras o incerto e o perigo desconhecido
Porque é que a fama te honra e te elogia
Chamando-te senhor com abundância da Índia, Pérsia, Arábia e Etiópia?
Maldito seja o inventor do primeiro barco.
É digno da pena do inferno.
Se ele segue a fé Cristã
O povo não toma decisões racionais.
A viagem não trará fama nem glória.
A glória acabará com eles.
O filho de Jápeto roubou o fogo do Olimpo escondido numa estátua humana.
Fogo utilizado para acender armas
Para matar e para desonrar, o que foi um grande erro
Teria sido muito melhor e teria causado muito menos dano se não tivesses tido a força de vontade ou a coragem para transportar o fogo na estátua.
Teria sido muito melhor
Refere-se a Fateonte o filho de Apolo que caiu com a carruagem do pai no rio Eridiano.
Refere-se a Ícaro e Dédalo que construiram asas de cera e voaram demasiado perto do sol
Nenhuma destas ações acima referidas, dá vontade à humanidade de as repetir.
O povo não tem juízo e toma estas decisões irracionais. A viagem nunca dará fama,memória ou glória. Maldiz o inventor do primeiro barco que supostamente merece estar no inferno. Ele diz que os descobrimentos só trarão problemas.
Ele pensa que a religião (a fé Cristã) devia ser espalhada no Norte de África, pois ficaria mais perto, fácil e barato.
Portugal deveria ignorar um inimigo próximo (os Mouros), para poder controlá-lo com mais facilidade. O povo não deveria ir buscar inimigos de longe.
O velho relaciona a ousadia dos Portugueses com figuras mitológicas: Prometeu e Ícaro, que ousaram ir além dos seus limites para conquistar o fogo e o ar e foram severamente castigados.
Em conclusão, o descontentamento do ser humano é uma "Estranha condição" que pode conduzir à desgraça.
Perífrase
Apresenta-se uma visão sobre o ambiente e os sentimentos do povo naquela praia de Belém, ao qual com uma personificação o poeta mostra a resposta da natureza
O que critica?
Considera que criar um império colonial no Oriente envolvia demasiados custos e os resultados eram duvidosos.
O que propõe?
Preferia que a expansão do país fosse feita por terras mouriscas pelo no Norte de África.
O Velho do Restelo
O "Velho do Restelo" é uma criação de Camões com um profundo significado simbólico, não sendo uma personagem histórica, que no seu discurso defende um princípio.
Poderá por isso ser considerado uma personagem alegórica.
Defende que é preferível a tranquilidade de uma vida mediana.
Critica a promessa de riquezas que, geralmente, se traduzem em desgraças.
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
O porquê dos Descobrimentos não terem sido em vão.
Perguntas do livro (pàg.139 e 189):
Mensagem - Mar Português (Fernando Pessoa) pág.188:
Onde irá ser alimento dos peixes
O amor era a sua alegria
Full transcript