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workshop Jornada Heroi e Heroina

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by

Igor Capelatto

on 11 December 2018

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Transcript of workshop Jornada Heroi e Heroina

Em tempos de descrença e da falta de heróis...
Quando o procurador se sentou, houve uns longos momentos de silêncio. Quanto a mim, sentia-me atordoado pelo calor e pelo espanto. O presidente tossiu um pouco e, em voz não muito alta, perguntou-me se eu queria acrescentar alguma coisa. Levantei-me e, como tinha vontade de falar, disse, aliás um pouco ao acaso, que não tinha tido intenção de matar o Árabe.

O presidente respondeu que era uma afirmação, que até aqui não percebia lá muito bem o meu sistema de defesa e que gostaria, antes de ouvir o meu advogado, que eu especificasse
os motivos que inspiraram o meu ato
. Redargüi rapidamente, misturando um pouco as palavras e consciente do ridículo, que
fora por causa do sol
. [...
e
não me importava
a sentença
]
O Estrangeiro (Albert Camus, 1942)
“o homem absurdo quer viver sem abdicar de nenhuma de suas certezas, sem dia seguinte, sem esperança, sem ilusões, e também sem resignação. Fixa a morte com uma atenção apaixonada e esta fascinação liberta-o: conhece a ‘divina disponibilidade’ do condenado à morte. Tudo é permitido, visto que Deus não existe e visto que se morre. Todas experiências são equivalentes, convém somente adquirir a maior quantidade possível delas” [
se tudo é permitido, tanto faz o que se vive
]
Jean-Paul Sartre (Introdução do livro "O Estrangeiro")
(Meursault, a personagem de O Estrangeiro)
"J´ai dit que ça m´était égal"
"Respondi que tanto fazia"
Albert Camus (O Mito de Sísifo, 1942)
"divórcio entre o homem e a sua vida"
O Absurdo ou O Indiferente é descrito como:
A indiferença é o ímpeto [a pulsão] da
descrença
Albert Camus
Bibliografia
AGAMBEN, Giorgio. Notas sobre o gesto. Artefilosofia, n. 4, p. 9-14, 2017
ARAÚJO, Alberto Filipe; ARAÚJO, Joaquim Machado de. Iniciação e imaginário educacional n’As aventuras de Pinóquio. Colóquio
Internacional Educação, Cultura e Imaginário: recontextualização e tradição, p. 53-68, 2010
BATAILLE, Georges. O Erotismo. Porto Alegre: L&PM, 1987
BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, arte e política. 3.ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. Obras escolhidas I
CAMUS, Albert. O Estrangeiro. Trad. Rogério Fernandes. Lisboa: Livros do Brasil, 2003
CAMUS, Albert. O Mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo. Livros do Brasil, 1961
CAMPBELL, Joseph. O poder do mito: com Bill Moyers. São Paulo: Palas Athena, 1990
CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. São Paulo: Cultrix/Pensamento. 2002
CANDIDO, Maria Regina. Medeia, Mito e Magia: a imagem através do tempo. 2ª edição modificada. 2010
DE SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O pequeno príncipe. Editora Melhoramentos, 2017
FLUSSER, Vilém. Gestos. São Paulo: Annablume, 2014
FREUD, Anna. O ego e os mecanismos de defesa. Civilização brasileira, 1972
FREUD, Sigmund. O Eu e o Isso. ESB, Vol.XIX . Rio de Janeiro, Imago Ed., 1990 (1923)
GALARD, Jean. A beleza do gesto. São Paulo: Edusp, 2008
JUNQUEIRA, Maria Helena Rego. A dimensão política de ser mãe. Revista Brasileira de Psicanálise, v. 42, n. 4, p. 93-98, 2008
LACAN, Jacques. O simbólico, o imaginário e o real”. In: Nomesdo-Pai. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005
MARIN, Ronaldo. As bases fisiologicas da estrutura triadica da semiotica : analise dos processos perceptivos e cognitivos da
criação artistica. Tese de Doutorado. Campinas: Unicamp, Instituto de Artes, 2005
MURDOCK, Maureen. The heroine's journey. Boston: Shambhala, 1990
SEGER, Linda. Como criar personagens inesquecíveis. São Paulo: Bossa Nova, 2006
descrença: ausência da crença

a ausência da crença 'mata' o mito
Joseph Campbell
Os mitos ensinam que você pode se voltar para dentro, e você começa a captar a mensagem dos símbolos. Sem mitos não compreendemos os símbolos, as emoções, o abstrato.
É da essencia do ser humano a necessidade de um "salvador"...

...não é aquele que fará tudo por nós, enquanto esperamos sentados, mas aquele com o qual nos identificaremos...

...o Herói...
Bob Walter (Presidente da Fundação Joseph Campbell)
o Herói nasce no Mito, o herói é um mito
Joseph Campbell
o ser indiferente não tem heróis

resgatar os mitos, falar nos heróis, falar sobre a jornada do herói é buscar uma forma de dar esperança, dissipar a descrença
Bob Walter (Presidente da Fundação Joseph Campbell)
Como se constituem os Heróis?
do Grego HEROS, “semideus”
HERÓI
deus + humano
imaginário . mito . 'subjetivo' literal . concreto . 'objetivo'
simbólico "real"
um sistema de representação baseado na linguagem, isto é, em signos e significações que determinam o sujeito à sua revelia, permitindo-lhe referir-se a ele, consciente e inconscientemente, ao exercer sua faculdade de simbolização
Simbólico
Jacques Lacan
Simbólico
um símbolo, que tem o caráter de um símbolo, que é baseado em um símbolo. Figura animal, objeto, pintura simbólica; cerimônia, significado simbólico. Toda a arte é uma representação simbólica, na vida das espécies, do drama do amor que transfigura e perturba a vida do indivíduo
Elie Faure

Realidade
é
modo de percepção do mundo de acordo com os códigos culturais do sujeito que observa o mundo

Vilém Flusser
Freud
traz três formas de identificação:

como um laço emocional com um objeto, ligado à idéia da incorporação ao pai mítico;
como uma regressão mediante um traço
- o que nos aponta a psicose
e, como uma qualidade compartilhada com alguém, como a histeria tão bem demonstra.
Herói é aquele que "luta" por um ideal... ele tem uma missão... e ele nos representa, seu ideal é o nosso ideal, sua missão é a nossa missão...
temos a necessidade de nos identificar com o Herói
A
identificação
com o mito (com o herói), segundo
Campbell
se dá na identificação com mitico, com o retorno às origens ou com uma experiência compartilhada... mas para que isso aconteça, acima de tudo que é mitológico, simbólico, quimérico, é preciso existir uma
'forma' humana
, pois o ser humano aprendeu a se identificar através do
espelhamento
.
Assim, o alienigena de Kripton (Superman) tem forma humana, o Deus do Trovão (Thor) tem forma humana, a deusa grega da sabedoria e das artes (Atena) tem forma humana...
A identificação do Ser Humano com o Herói

Segundo
Linda Seger
, os modelos de "comportamento" criam modos de identificação com o herói.

Tornamos o outro Herói, na medida que ele realiza aquilo que desejamos realizar, [ou da maneira que deveriamos ter realizado]

Anna Freud
O escolhido
A escolhida
O Anti-Herói - A Anti-Heroína
Alguns Modelos...
Rebelde
sem causa
Nem todo herói segue a lei... eis a diferença entre o "bom herói" e o "ilusório herói" (aquele que se torna representante pela FALTA - o chefe da gangue, o vilão desejado das séries e filmes, etc)
O operário - A Operária
A Testemunha
O colecionador de ossos
O Predestinado - A Predestinada
Annabeth
Perseu
Outros Modelos
A identificação do Ser Humano com o Herói

na relação sujeito-mito, no processo de Transferência, o terapeuta é o herói. O herói se torna presente, assim como o desejo do sujeito, atualizado.
As leis mágicas se orientam pelo complexo jogo de transferências simbólicas.
o herói, mesmo que seja apenas um humano, é mágico, ele "realiza ações além das capacidades humanas" (Seger)
Maria Regina Candido
"só o Mcgyver consegue, só o Rambo consegue, só David e Madelyn [Moonlighting] conseguem ..."
Linda Seger
humano, mas mágico...
... o herói nos ensina como enfrentar a 'jornada da vida' (a jornada do herói).
Bob Walter
Antes de conhecer a Jornada do Herói e a Jornada da Heroína, vamos conhecer a essência do Herói...
A ANATOMIA DO HERÓI
Ronaldo Marin
Toda narrativa precisa de um Herói
[...] o herói é um arquético construido a partir de outros três arquétipos:
cordial, sábio
e
guerreiro
Cordial
Sábio
Guerreiro
Cordial
Sábio
Guerreiro
3 em 1: Herói
A Jornada do Herói serve como estrutura para todo e qualquer indivíduo, cada qual com suas particularidades que fazem com que o termo herói se transfigure em diferentes estados.
os modelos / padrões
O lugar-comum (o dia "perfeito"...)
a mesmice
a repetição / o mesmo



a mesmice pode acionar o
desejo
como pode ceder a
repetição

o desejo indica procura do diferente
a repetição é manter-se no mesmo
Jacques Lacan
Chamado a Aventura
Segundo Campbell (2002, p. 66), “o chamado da aventura – significa que o destino convocou o herói e transferiu-lhe o centro da gravidade do seio da sociedade para uma região desconhecida”.
transferência
desejo
a idéia de
salvar o mundo
causa medo, mas também causa desejo
Se o desejo é elaborado ele segue a aventura, se o desejo não é elaborado, ele recusa o chamado...
Recusa ao Chamado
Ajuda Sobrenatural: o Mítico
Em todo mito é necessário que o
mítico exista
, aquela força sobrenatural, que explica de onde vem a energia que aflora o herói.
Bob Walter
é o poder de realizar milagres de Jesus Cristo, é a superforça de Hercules... mesmo os heróis comuns, aquela força que um pai ou mãe extrai do "além" para salvar um filho...
Primeiro(s) Limiar(es)... a missão em si
“A primeira tarefa do herói consiste em retirar-se da cena mundana dos efeitos secundários e iniciar uma jornada pelas regiões causais da psique, onde residem efetivamente as dificuldades, para torná-las claras, erradicá-las em favor de si mesmo (isto é, combater os demônios infantis de sua cultura local) e penetrar no domínio da experiência e da assimilação direta e sem distorções, daquilo que C. G. Jung denominou “imagens arquetípicas” (Campbell, 2002, p. 27).
"não ceder em seu desejo"
Lacan
O Ventre da Baleia
Pinóquio
A baleia é devedora do simbolismo geral do “monstro devorador” com a importância que este desempenha nos ritos de passagem. Aqueles traços que são apontados como dominantes do simbolismo da baleia - mundo, corpo, sepulcro, símbolo do continente (e ocultante) por essência.
A Baleia como representação da
Caverna
de
Platão
[é] o regresso ao ventre materno, uma espécie mesmo de regresso ao estado embrionário para de novo ressuscitar
Alberto Araújo e Joaquim Araújo
Jn 2,1-11: “E Iahweh determinou que surgisse um peixe grande para engolir Jonas.

Jonas permaneceu nas entranhas do peixe três dias e três noites. Então orou Jonas a Iahweh, seu Deus, das entranhas do peixe. Ele disse: 'De minha angústia clamei a Iahweh, e ele me respondeu; do seio do Xeol pedi ajuda, e tu ouviste a minha voz. Lançaste-me nas profundezas, no seio dos mares, e a torrente me cercou, todas as tuas ondas e as tuas vagas passaram sobre mim: E eu dizia: Fui expulso de diante de teus olhos. Todavia, continuo a contemplar o teu santo Templo! As águas me envolveram até o pescoço, o abismo cercou-me, e a alga enrolou-se em volta de minha cabeça. Eu desci até às raízes das montanhas, à terra cujos ferrolhos estavam atrás de mim para sempre. Mas tu fizeste subir da fossa a minha vida, Iahweh, meu Deus. Quando minha alma desfalecia em mim, eu me lembrei de Iahweh, e minha prece chegou a ti, até o teu santo Templo. Aqueles que veneram vaidades mentirosas abandonam o seu amor. Quanto a mim, com cantos de ação de graças,
oferecer-te-ei sacrifícios e cumprirei os votos que tiver feito: a Iahweh pertence a salvação!' Então Iahweh falou ao peixe, e este vomitou Jonas sobre a terra firme”.
(Bíblia de Jerusalém).
Jonas e a Baleia
arrogância e orgulho: Jonas precisou ficar três dias na barriga do grande peixe para, só então, humilhar-se diante de Deus e clamar por sua misericórdia.
é o momento de reflexão e de aceitação, acima de tudo, de compreensão
segundo Campbell,
— Então, paizinho — disse Pinóquio —, não há tempo a perder. Temos que
fugir...
— Fugir?... E como?
— Fugindo pela boca da Baleia e nadando no mar.
— Você está certo, mas eu não sei nadar.
— E daí?... O senhor monta nos meus ombros e eu, que sou um bom
nadador, levo-o são e salvo até a praia.
— Ilusões, meu menino! — respondeu Gepeto. — Como lhe parece possível
que uma marionete que nem você tenha força para me levar nos ombros, nadando?
— Experimente e verá. De todo modo, se está escrito no céu que temos que
morrer, pelo menos teremos o grande consolo de morrer juntos, abraçados.
Sem dizer mais nada Pinóquio tomou a vela na mão e, andando à frente
para iluminar o caminho, disse ao pai:
— Venha atrás de mim e não tenha medo.
o homem que consegue
abandonar as sombras (domínio das coisas sensíveis)
e ter com
a luz que vem de fora da caverna (domínio das ideias)
Estrada das Provações
Momento em que o Herói tem que provar que se
transformou
dentro do Ventre da Baleia.
transformar
o Latim transformare, “fazer mudar de forma, de aspecto”,
composto por TRANS-, “através”, mais FORMARE, “dar forma”
representações:
psique (mudança de modo, gesto, comportamento)
física (mudança de forma)

A Transformação do Herói também pode
consistir na sua
Ressignificação

Bob Walter
Star Wars
Show de Truman
Pode ser através da descoberta de uma verdade (
revelação
)
A Transformação do Herói também pode
consistir na sua
Ressignificação

Bob Walter
Pode ser através da
tragédia
A Transformação do Herói também pode
consistir na sua
Ressignificação

Bob Walter
A Transformação do Herói também pode
consistir na sua
Ressignificação

Bob Walter
Pode ser através do
Achado de um Artefato Mítico
A
Ressignificação
e a Importância do
RITUAL
Billy Jack
Encontro com a Mãe-Terra (Gaia)
Gaia (Terra) é origem de toda criação. Ela deu ao Caos um sentido: limitou-o. Instalou nele o chão, o palco da maravilha e da miséria da vida. [É neste palco que o herói se funde a natureza].
Maria Helena Rego Junqueira

Fonte da Vida
Fundir-se a Natureza é descobrir-se...
seu propósito, seu destino, sua essência.
quando tudo que veio a tona no ventre da baleia é reorganizado e compreendido...
Reconciliação com o Pai
Campo dos Sonhos
Star Wars
O "
complexo paterno
", segundo Freud

os filhos que "odiavam"
o pai e ao mesmo tempo
o "amavam e admiravam"

Segundo Campbell, o herói pode viver três instâncias:
não conhecer o pai
não aceitar o pai
decepcionar-se com o pai
Assim como o Ventre da Baleia, a Reconciliação com o Pai é
Ponto de Virada Emocional
do Heroi
Em nossa origem, há passagens do contínuo ao descontínuo ou do descontínuo ao contínuo. Somos seres descontínuos, indivíduos que morrem isoladamente numa aventura ininteligível, mas temos a nostalgia da continuidade perdida (…) Ao mesmo tempo que temos o desejo angustiado da duração desse perecimento, temos a obsessão de uma continuidade primeira que nos une geralmente ao ser.
unir-se a Deusa-Mãe é por senão voltar a ter o
cordão umbilical
que
une o ser a sua mãe
. Para tal ele retorna ao útero (novamente resgata o Ventre da Baleia) do qual renansce mais uma vez.
Georges Battaile
Os Segredos dos Deuses (ou A Recompensa)
Recusa ao Retorno
Caminho de Volta
Voltar com o "Elixir" para o "Bem da Sociedade"
Elixir:
o segredo dos Deuses, a pedra mágica, é nada mais do que
a própria experiência do Herói
, adquirida durante sua jornada
Joseph Campbell
Do Latim
recompensare
, “examinar atentamente algo”
de RE, “novamente”, mais COMPENSARE, originalmente “pesar junto”, por sua vez formada por COM, “junto”, mais PENSARE, de PENDERE, “pesar”.
pesar: examinar atentamente; considerar, ponderar
O verdadeiro segredo que o Herói encontra é a decoberta de Sua Própria Verdade - a qual ele examina atentamente e vai no Caminho de Volta compartilhar com seu povo...
... porém, o herói passa por um momento de recusa ao retorno - às vezes é um momento passageiro, às vezes, é uma negação infinda (o Herói que se isola do mundo)
O Herói não vê a necessidade de voltar à vida normal
O Herói tem um "poder" enorme em suas mãos e quer desfrutar dele
O Herói tem medo de revelar o segredo dos deuses
O Herói recusa acreditar que "salvou o mundo"
MOYERS: E se o herói retorna da provação e o mundo recusa aquilo que ele traz para oferecer?

CAMPBELL: Esta, é claro, é uma experiência comum. Não que o mundo recuse sempre a dádiva, mas ele simplesmente não sabe como recebê-la, como institucionalizá-la...
O Poder do Mito
Passagem do Limite de Retorno
Muitas vezes a Jornada do Herói não tem fim... aquilo que motivou ele a seguir a jornada, o "chamado a aventura", lhe chama novamente...

(o retorno do "vilão", uma nova descoberta diante o mistério supostamente revelado...)
ou O Retorno ao Cotidiano
tudo esta bem, o herói volta ao Lugar-Comum
Nossa heroína coloca sua armadura, pega sua espada, escolhe seu corcel mais rápido e entra na batalha. Ela encontra seu tesouro: um diploma avançado, um título corporativo, dinheiro, autoridade. Os homens sorriem, apertam a mão dela e dão boas vindas a ela para o clube.
MURDOCK, Maureen. The heroine's journey. Boston: Shambhala, 1990. p.21
Maureen Murdock
A Jornada da Heroína

Na Jornada do Herói, o herói masculino tem a opção de recusar o chamado... a mulher não tinha essa condição. Na Jornada da Heróina, Maureen propõe "a sua separação do feminino", ou seja, "não aceitar aquilo que lhe foi imposto".

Mas no fim, como Maureen coloca "anima e animus não se separam". Vale o mesmo para a jornada do herói como revisita Christopher Vogler (Jornada do Escritor).
Jornada da Heroína
Herói:
constituição da tríade

Anti-herói:
quando uma das instâncias da tríade é eliminada

Homem-Comum:

passa pelas três instâncias mas não as retém
Troca do Feminino pelo Masculino
A estrada das provações
A ilusão do sucesso
A descida
Encontro com a deusa
Reconciliação com o feminino
(Re) Incorporação do masculino
crise clímax
crise clímax
O herói "real" x o herói "ficcional"
Para Giorgio Agamben, o ser humano projeta no herói aquilo tudo que não pode ter: o poder de voar, superforça, supervelocidade...
O herói real é aquele que traz esperanças espelhadas, no sentido de que ao ser observado, vemos a capacidade de sermos iguais a ele (ainda que "psicologicamente não tenhamos energia para tal" - Bob Walter)
O herói ficcional é aquele que realiza o mítico, ele nos dá respostas daquilo que a ciência não é capaz de responder
O herói "real" x o herói "ficcional"
Murdock cololoca que a heroína real é aquela que apresenta o equilíbrio entre animus e anima e a heroína ficcional é aquela que apresenta uma força além do aninmus e anima.
Segundo Bob Walter e Joseph Campbell, o ser "real" está presente no nosso dia-a-dia e não apresenta nada de extraordinário que chame nossa atenção, é preciso algo mítico para destacar o herói e fazer com que o mito torne-se uma referência simbólica. Eis a necessidade do ser imaginário.
Mitos e Lendas
Mitos: Um mito (do grego antigo μυθος, translit. "mithós") é uma narrativa de caráter simbólico-imagético, relacionada a uma dada cultura, que procura explicar e demonstrar, por meio da ação e do modo de ser das personagens, a origem das coisas...

Lendas: Uma lenda (lat.medv. legenda 'vida de santo') é uma narrativa de cunho popular que é transmitida, principalmente de forma oral, de geração para geração.

A diferença entre Mito e Lenda é que o Mito cria uma narrativa com trama, enquanto que a Lenda não necessariamente precisa de uma trama...
Segundo Campbell, as lendas são referenciais importantes de personagens cuja história ainda não foi criada, quando criada se tornam mitos.
A Morte do Herói
A indiferença que vemos em Camus, no conto O Estrangeiro, é o que causa a morte do herói. Devido a esse "tanto faz", já não mais importa sermos salvos... não esperamos mais por um salvador. A personagem de O Estrangeiro não quer o perdão de seus pecados e a salvação de sua alma quando é sentenciado a morte. O padre lhe pergunta o porque e ele apenas responde: não importa mais, tanto faz.
o medo da morte pode ser o resultado de um sentimento de culpa

Sigmund Freud
O herói quando morre em sua jornada, nos mitos em que o herói é morto, ele morre por alguém, por uma sociedade, Jesus morreu pela humanidade, o professor Aaron Feis morreu para salvar os alunos do massacre em escola na Florida...
... porém buscamos sempre a culpa.
Nos culpamos pela morte de Jesus, pela morte do Professor Aaron Feis...
"Que planeta engraçado! pensou então. É todo seco, pontudo e salgado. E os homens não tem imaginação. Repetem o que a gente diz... No meu planeta eu tinha uma flor: e era sempre ela que falava primeiro".
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY - O Pequeno Príncipe
o imaginário consiste na utilização, formação e expressão dos símbolos
A morte do Herói também é a perda da imaginação:

deixar de imaginar o herói, "desaparição do mito" (Campbell)
É necessário ressuscitar os mitos
Bob Walter
Obrigado!!!
Igor Capelatto
quando a transformação ocorre por causa de uma tragédia, o desejo de vingança e culpa são assumidos...
O Gesto do Herói
Vilém Flusser
gestos são movimentos pelos quais se manifesta uma maneira de estar no mundo.

ou de
DOMINAR
o mundo
A CULTURA EM QUE O HERÓI PERTENCE x HERÓI UNIVERSAL
Flusser
o gesto nasce no corpo mas igualmente exterior ao corpo, como uma 'atribuição cultural', 'subjetiva', intrínseca na comunicação humana
O Gesto é a poesia do ato
Jean Galard
o gesto do herói, simbolica e fisicamente carimbam sua existência
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