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Formação de palavras nos poemas de Manoel de Barros

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Marianne Marimon

on 29 November 2013

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Transcript of Formação de palavras nos poemas de Manoel de Barros

A expressividade das palavras "inventadas" a partir de poemas de Manoel de Barros
Christianne Inglês de Sousa
Eliana Paz da Silva

Léxico do PB
O léxico de uma língua é um conjunto aberto à entrada de novos elementos de designação, cujas unidades de composição são as palavras.

Essas estruturas, os processos de formação de palavras, permitem a formação de novas unidades no léxico como um todo e também a aquisição de palavras novas por parte de cada falante.” Basílio (2011)
Formação de Palavras
O substantivo, o adjetivo e o advérbio são classes de palavras que estão sujeitas a modificações que resultam na formação de novas palavras. O processo de formação de palavras, que pode ocorrer com ou sem mudança de classe, tem funções gramaticais e semânticas.

Regra geral da formação de palavras do PB

Verbo com estrutura morfológica
X-izar (verbo)
X-ação (substantivo)
realizar - realização
Mas, verbo com estrutura
X-ecer (verbo)
X- mento (substantivo)
acontecer- acontecimento

Exemplo:
Na sufixação:
[[base] sufixo]x
Onde o sufixo determina a categoria lexical X da palavra resultante.

Na prefixação:
[prefixo[base]]x
o prefixo especifica uma alteração semântica na palavra resultante, ficando inalterada a classe X da base.

Derivação parassintética:
[prefixo[base]sufixo]x
sendo que o prefixo especifica uma alteração semântica e o sufixo determina a categoria lexical X da palavra resultante

Derivação
Mudança de classe por motivação expressiva

Chato – chatice
sufixo ice + adjetivo – forma palavra com efeito pejorativo.

Exemplo:
Pequena biografia de Manoel de Barros
Manoel Venceslau Leite de Barros em 19 de dezembro de 1916.
Estudou cinema e pintura no Museu de Arte Moderna em Nova Iorque.
Tem diversos livros publicados no Brasil, entre eles: Compêndio para uso dos Pássaros (1961), Gramática expositiva do chão (1969), Matéria de poesia (1974), O guardador de águas (1989) e o Fazedor de amanhecer (2001).
Escova

Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. Logo pensei em escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu já sabia também que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechado no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles, meio entressolado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora.

Barros, Manoel. “Escova”. In: Memórias Inventadas (para crianças), 2010 p. 5.

Outras “palavras inexistentes”
.”

Barros, Manoel. “Manoel por Manoel”. In: Memórias Inventadas, 2010 p. 30

“Cresci brincando no chão, entre formigas. / De uma infância livre e sem comparamentos. / Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação
Formação de substantivo a partir de verbos por sufixação:


o sufixo –
ção
é o mais produtivo, seguido do sufixo –
mento
Ex: comparação/ comparamento
enquanto os sufixos –
da
e
–agem
têm o uso restrito a alguns tipos de bases ou radicais.
Ex: caminhar/ caminhada
camuflar/ camuflagem
“Bernardo morava de luxúria com as suas palavras. Para nós era difícil descobrir o contexto daquela união. Nossa linguagem não tinha função explicativa, mas só brincativa.(...)”
Barros, Manoel. “Uma desbiografia”. In: Escritos em Verbal de Ave. 2011.


Formação de adjetivo a partir de verbos: resultam da adição dos sufixos –
nte, -(t)ivo, -(t)ório, -vel
e
–do.

Ex: explicativa/ brincativa

Em relação ao sufixo –
(t)ivo
e –
(t)ório
, estes se fixam principalmente a verbos de ação e têm a função de qualificar o substantivo com a ideia presente no verbo base.

Ex: brincativo – que tem a qualidade de brincar

“ (...) Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas
raízes crianceiras
a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem puder que o escuro me ilumina (...)”

Barros, Manoel. “Manoel por Manoel”. Memórias Inventadas, 2010, p.30

O sufixo –
eira
é bastante produtivo nas seguintes situações:

Nomes de agentes ex:cozinheira
Agentes vegetais ex: abacateiro
Instrumentos locativos ex: açucareiro

A expressão raiz
“crianceira

poderia ser interpretada como a criança que os seres humanos trazem dentro de si, a criança presente no âmago de cada um; o lado criança de cada ser.

Mais palavras nos poemas
Formadas a partir da adição do prefixo –
des
, como a que dá título ao poema
“desbiografia”
ou as que aparecem nos fragmentos:

“No amanhecer do rio: uma garça
desaberta
!”, “Meu avô ganhou o
desnome
de Lavador de Pedra”.

O prefixo
-des
indica negação, ação contrária.
Ex: leal/ desleal

De imediato, o vocábulo “desaberta” pode ser interpretado como “fechada”.



E quanto a “desbiografia” e “desnome”?
No poema “O apanhador de desperdícios” Barros apresenta o neologismo “invencionática"

"Queria que a minha voz tivesse um formato de canto/ Porque eu não sou da invencionática/ só uso a palavra para compor meus silêncios."


Barros, Manoel. “O Apanhador de desperdícios”. In: Memórias Inventadas (para crianças). 2010, p. 13.
Referências:
BARROS, Manoel. Memórias inventadas para crianças. Iluminaras de Martha de Barros. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.
____. Escritos em verbal de ave. São Paulo:Leya, 2011.
___ O Livro das Ignorãças. Petrópolis: Editora Vozes;: 1994
BASÍLIO, Margarida. Formação e classe de palavras no português do Brasil. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2011.
SANTOS, Suzel Domini dos. A Metalinguagem em Manoel de Barros: Uma tática da criação. Estação Literária. Londrina, Vagão-volume 8, parte B, p. 120-130, dez 2011. Disponível em: <http: //www. uel.br/pos/letras/el

http://www.filologia.org.br/ileel/artigos/artigo_386.pdf. Acessado em 23/11/2013.

Releituras: resumo biográfico e bibliográfico. Disponível em <http://www.releituras.com/manoeldebarros_bio.asp> Acessado em 20/11/2013

Só dez por cento é mentira: A desbiografia oficial de Manoel de Barros. Disponível em < http://www.sodez.com.br/o_poeta_manoel_de_barros.htm.> Acessado em 20/11/13.

"No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira."
BARROS, Manoel de.O Livro das Ignorãças. 1994
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