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A comunicação, os usos do território e o método geográfico: em busca de uma leitura crítica

Apresentação - Intercom 2012
by

André Pasti

on 11 September 2017

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Transcript of A comunicação, os usos do território e o método geográfico: em busca de uma leitura crítica

André Pasti
Comunicação, usos do território e método geográfico
contribuir para um diálogo profícuo entre geografia e ciências da comunicação
nossa proposta
discussão de conceitos importantes da geografia crítica, pertencentes ao sistema teórico proposto por Milton Santos
o pensamento de
milton santos

entender e contextualizar sua obra
território usado,
totalidade e
comunicação

as bases do sistema conceitual
o período atual e a universalidade empírica
conceitos para análise do período atual
para uma geografia crítica da comunicação
a política e os usos do território
cotidiano, comunicação e lugar
uma epistemologia da existência
considerações
finais

Agências transnacionais de notícias e os círculos de notícias no território brasileiro

geógrafo, mestrando em geografia (Unicamp / Campinas-SP)

(pesquisa: agências transnacionais de notícias e a circulação de informações no território brasileiro)
André Pasti
Milton Santos
(1942 - 2001)
Bahiano, bacharel em direito, doutor em geografia, lecionou em universidades do mundo todo

Geógrafo de mais destaque do Brasil, mais de 60 livros publicados, vencedor do Vaudrin Lud ("Nobel" da geografia)
proposta de superação da matematização e geometrização da geografia

a partir da década de 1970 - renovação
crítica
da geografia

influência do marxismo ("não-ortodoxo") e do existencialismo sartriano
milton santos e o pensamento geográfico
contexto
trajetória do pensamento
de milton santos
1948
1964
1971
1978
1990
2001
Flávia Grimm
(2011)
2012
coexistência de diversas atividades (professor e pesquisador em geografia; jornalista e editorialista; cargos públicos administrativos)

pesquisas: estudo de autores clássicos da geografia, geografia urbana e regional da Bahia
1948 a 1964
1964 a 1971 - França
fim da coexistência de atividades (apenas ensino e pesquisa em geografia)

estreitamento dos diálogos com a filosofia - categorias como o tempo, período e totalidade

EUA, Canadá, Peru, Venezuela, Tanzânia
1971 a 1978
fortalece debate epistemológico da geografia
diálogos com marxismo, existencialismo e fenomenologia

pesquisas sobre urbanização e subdesenvolvimento
1978 a 1989
Retorno ao Brasil
diversas obras publicadas fundamentando a epistemologia da geografia (crítica), a discussão da urbanização e do subdesenvolvimento, a cidadania territorial
renovação crítica da geografia
1990 a 2001
proposta epistemológica mais “madura” (sistema de conceitos coerente interna e externamente)

discussão crítica sobre a globalização e o neoliberalismo a partir da teoria geográfica

prossegue com debate da urbanização, incluindo dimensões da globalização
continuidade de seu pensamento
sua proposta segue viva em diversos estudos:

pelos pesquisadores orientados por ele e seus respectivos orientandos, hoje já doutores

sua herança aos geógrafos e à geografia em geral

suas obras como referências em áreas como economia, planejamento, comunicação, urbanismo, saúde pública...
notas sobre
epistemologia
espaço
geográfico,
território usado
totalidade,
eventos e
escala
importância da atualização dos conceitos


pertinência, coerência, operacionalidade

conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá

espaço geográfico:
(objeto de estudo da geografia)
(o espaço era visto como distâncias, extensões, formas, tamanhos e limites)
abordagem do espaço a partir da existência, considerando as ações, a vida, a política, os fluxos
superar perspectiva geométrica
do espaço...




para uma epistemologia existencial
objeto da análise não é o território “em si” (as formas), mas o território usado, ou os usos do território

quer superar: território como palco, geografia como mera localização de fenômenos
território usado
sistema de conceitos:
ao mesmo tempo em que cada lugar é extremamente diferente de outro, também está ligado a todos os outros por um nexo único (Santos, 1984)


não se deve analisar os lugares por meio de lógicas particulares, sem a consideração da totalidade

a totalidade está sempre em movimento, que é chamado de totalização (Sartre, 2002)
(nexo > forças motrizes do modo de acumulação hegemônico)
totalidade
os eventos
“um instante do tempo dando-se em um ponto do espaço”

analisar: duração, sobreposições, extensões e escalas
lugar é o depositário final do evento
espaço e tempo,
escala cartográfica: concepção geométrica de espaço
escala geográfica: área de ocorrência de um fenômeno — um dado temporal, e não meramente de extensão
escala como rugosidade
: as formas herdadas condicionando os usos do território
escala como possibilidade:
ação criando instabilidade, conflitos — novos limites
(Silveira, 2004).
escala geográfica
a universalidade empírica
o novo meio geográfico
a globalização
o mundo sempre foi um conjunto de possibilidades
o que muda agora: elas estão interligadas e são interdependentes
informação: papel chave nessa interligação
o meio
técnico-científico
novo meio geográfico, marcado pela ciência, técnica e informação
(importante: sua difusão é seletiva no território)
é a “cara geográfica” da globalização
informacional
globalização como período, definido pelas três unicidades
unicidade técnica – sistema técnico unificado no mundo
convergência dos momentos – tempo real, instantaneidade
motor único – mais-valia global
mundialização de todas as esferas pela primeira vez na história
universalidade tornou-se empírica, visível a todos e podendo ser percebida nos lugares

examinar relações entre a totalidade-mundo e os lugares — movimento analítico universal-particular (e vice-versa) com mediações dos eventos (Santos, 1996)
densidades
de informação e comunicação
verticalidades,
horizontalidades
psicosfera-
tecnosfera
alienação territorial
difusão seletiva e desigual das infraestruturas de comunicação, ações dos agentes hegemônicos no comando da comunicação
> consequências importantes aos lugares

densidade informacional
(informação vertical) -
densidade comunicacional
(cotidiano partilhado)
verticalidades:
vetores externos, ligados à racionalidade hegemônica
horizontalidades:
vetores da dinâmica do lugar

assim, podemos analisar
circuitos informacionais ascendentes
(horizontais) e
descendentes
(verticais) (Silva, 2010)
psicosfera
: o reino das ideias, crenças, paixões e lugar da produção de um sentido
tecnosfera
: conjunto de objetos técnicos
> os usos do território se fazem conjuntamente nessas esferas
territórios alienados
: decisões essenciais do processo local são “estranhas” ao lugar e obedecem motivações distantes
alienação territorial
: dimensão imaterial dos territórios alienados




.
existência
: estar no mundo, estar em situação
Sartre (2002), Silveira (2006)
cotidiano
"quinta dimensão do espaço" (Santos, 1996)

supõe o passado como herança e o futuro como projeto
materialidade: ao mesmo tempo condição, limite e convite à ação
dinâmicas do cotidiano

pragmatismo – inventividade, originalidade
normas – espontaneidade

considerar espaço banal: da totalidade, espaço de todos os agentes
tensões:
cada lugar realiza apenas um
feixe de possibilidades

por outro lado, os cotidianos dos lugares compõem o movimento da
totalidade
considerações finais
faces da violência da informação
(Santos, 2000)
, círculos descendentes de informações (psicosfera, alienação territorial)
círculos ascendentes de informações, comunicação contra-hegemônica (cotidiano, ações comunicativas nos lugares)
agendas em aberto:
apresentamos uma proposta teórica, da geografia crítica, com base no sistema de conceitos de milton santos
concluindo
o território usado nos revela que a comunicação pode ser portadora de transformações nos lugares e deles para a totalidade-mundo

cabe a nós construir os caminhos epistemológicos para compreender com profundidade essas novas dinâmicas
(se possível, subsidiar ações propositivas rumo a usos mais solidários do território)

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
AGUIAR, Pedro. Sistemas internacionais de informação Sul-Sul: do pool não-alinhado à comunicação em redes. Dissertação (Mestrado). UERJ. Rio de Janeiro: UERJ, 2010.
DIAS, Priscilla. Território e informação: o circuito da produção publicitária na cidade de São Paulo. Dissertação (mestrado). Unicamp, Campinas. 2008.
GRIMM, Flávia. Contribuições teóricas do geógrafo Milton Santos para pensar o período tecnológico: os conceitos de meio técnico-científico informacional, universalidade empírica e totalidade empírica. In: II ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO. Anais... São Paulo, 2009.
ISNARD, Hildebert. O Espaço Geográfico. Coimbra: Almedina, 1982.
NABARRO, Wagner; SILVA, Adriana Bernardes. Informação e território: a Agence France-Presse no Brasil. Boletim Campineiro de Geografia, v. 2, n. 1, 2012.
PASTI, André. As agências transnacionais de notícias e os círculos descendentes de informações no território brasileiro no período da globalização. In: XXXV CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO. Anais... Recife: Intercom, 2011.
RIBEIRO, Ana Clara Torres. Matéria e Espírito: O poder (des)organizador dos meios de comunicação. In: RIBEIRO, A. C. T.; PIQUET, R. (orgs.) Brasil: Território da Desigualdade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.
RIBEIRO, Ana Clara Torres. Outros territórios, outros mapas. Osal, Ano VI, n. 16, jan/abr, pp. 263-272. 2005.
SANTOS, Milton. A geografia no fim do século XX: a redescoberta e a remodelagem do planeta e os papéis de uma disciplina ameaçada. Geonordeste, ano 1, n. 2, pp. 1-13, 1984.
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SARTRE, Jean-Paul. Crítica da razão dialética: precedido por Questões de mtodo. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
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SILVA, Adriana Bernardes. Círculos de informações e novas dinâmicas do território brasileiro. In: XVI ENCONTRO NACIONAL DE GEÓGRAFOS — ENG. Anais... Porto Alegre: AGB, 2010.
SILVEIRA, María Laura. Por um conteúdo da reflexão epistemológica da geografia. In: SOUZA, Álvaro José de. (org.) Paisagem território região: em busca de identidade. Cascavel: Edunioeste, 2000.
SILVEIRA, María Laura. Escala geográfica: da ação ao império? Terra Livre, ano 20, v. 2, n. 23, pp. 87-96. Goiânia, jul/dez, 2004.
SILVEIRA, María Laura. O espaço geográfico: da perspectiva geométrica à perspectiva existencial. GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, No 19, pp. 81-91, 2006.­
referências
convite à leitura
e ao diálogo
/pasti
andre@pasti.art.br
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