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Minha vida de Menina

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by

Júlia Morais

on 11 May 2016

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Transcript of Minha vida de Menina

Minha vida de Menina
Helena Morley

Minha vida de menina
Em 1900 casou-se com Augusto
Mario Caldeira Brant, com quem
teve seis filhos;
Helena Morley
Pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant
Nasceu dia 28 de agosto de 1880 em Diamantina, Minas Gerais;
Estudou na Escola Normal da cidade;
Faleceu no Rio de Janeiro em 1970;
Integrantes
Adriel Ribeiro de Jesus
Flávia Maria Damasceno Soares
Júlia Graziele Gonçalves de Morais
Thaynara Lemes de Jesus
3ºETIM
Administração
Minha Vida de Menina foi o único livro de Helena Morley e somente foi publicado em 1942, quando a autora já estava idosa.
Por seu valor literário e histórico, o livro foi exaltado por escritores como Carlos Drummond de Andrade e Elizabeth Bishop, e chegou a despertar dúvidas sobre a idade da autora ao escrevê-lo.
À suspeita de que teria sido redigido já na maturidade, Guimarães Rosa contestou que, nesse caso, não conhecia em nenhuma outra literatura "mais pujante exemplo de tão literal reconstrução da infância".
Helena era criança na Diamantina dos anos 1890, seu pai, pequeno minerador descendente de ingleses, aconselhou-a a escrever diariamente num caderno suas observações sobre o mundo à sua volta.
Ela seguiu conselho do pai e, entre os doze e os quinze anos, manteve um diário em que anotava não apenas o dia-a-dia na família e na escola, como também agudos comentários sobre a vida da cidade e da região, com seus costumes arraigados, suas relações sociais, suas contradições.
As contradições sociais, as lentas inovações tecnológicas, os atritos interpessoais, as festas religiosas, as várias faces do "racismo cordial", tudo isso surge nas páginas de Minha vida de menina numa linguagem franca e saborosa, plena de humor e calor humano.
Tendo como pano de fundo um Brasil que acaba de abolir a escravatura e proclamar a República, Helena Morley começa a escrever seu diário, revelando seu universo e o país que cresce com ela.
Escreveu o diário durante os anos de 1893 a 1895 à época com apenas 13 anos de idade e residia na cidade mineira de Diamantina.
Foi traduzido para o francês por Marlyse Meyer.
A obra está na coleção “Neglected books of the twentieth century” (Livros negligenciados do
século XX);
A autora utiliza-se de pseudônimos para
preservar as verdadeiras identidades, sua e
de seus familiares.
Foi editado em cinco países: França; Portugal; Itália; Inglaterra e Estados Unidos chamando a atenção de inúmeros intelectuais estrangeiros.
No Brasil, destacam-se: Raquel de Queiroz; Carlos Drumonnd de Andrade; Gilberto Freire; Guimarães Rosa; Mario de Andrade e Rubem Braga.
A americana Elizabeth Bishop conheceu o livro durante sua passagem pelo país na cidade de Ouro Preto e foi responsável pela tradução para a língua inglesa.
A cineasta Helena Solberg fez a adaptação da História da adolescente para o cinema, com o filme intitulado Vida de menina. O filme chegou a ganhar seis prêmios no Festival de Gramado, em 2004.
A obra é formada por episódios que terminam em si, sem sequência linear de ideias. Trata-se de um diário doméstico como expressão da produção do eu. Numa narrativa detalhada, Helena/Alice revela o cotidiano de sua adolescência e da sociedade semi-rural diamantinense, na zona da mineração, ainda nos anos iniciais da República, momento em que a escravidão acabava de ser abolida oficialmente.
Na obra, o rico manancial de hábitos, vivenciados pela família de Helena Morley, a luta pela sobrevivência para superar a decadência da mineração, a escassez de alimentos, as crenças, as dificuldades da cidade. Sobretudo nosso intento é apreender a vida que flui cotidianamente através da precocidade e sensibilidade da adolescente, identificando neste clássico livro-diário, as representações da educação feminina, o papel da mulher e as relações de gênero neste dado período.
O diário é o confidente e único amigo da menina. A escrita rotineira, a princípio, iniciou por incentivo do pai, para que ela evitasse criticar ou fazer mexericos sobre os outros. Posteriormente, por imposição do professor de Língua Portuguesa, que exigia uma composição quase diária, tipo descrição, carta ou narração que versassem sobre a rotina de cada aluno e aluna. Alice interessava-se pelo que acontecia em torno de si e da família, casos, intrigas e superstições domésticas, narradas com uma leveza e ingenuidade características da província mineira. A linguagem coloquial é valorizada e destacada.
Na escrita de si, evidencia-se o uso da primeira pessoa do singular, com a intenção de revelar intimidade. Uma espécie de produção do eu, a qual o indivíduo/autor constrói o personagem de si mesmo, como diz Foucault (1992), é um dar-se a ver. É um mostrar-se, ou seja, a escrita é uma representação do autor (a) /escritor (a), como uma construção, uma invenção. Para este autor, a escrita de si, atenua a solidão;
O gênero da obra, apesar de evocar a infância, não é classificado como literatura infantil.
Nas reflexões, nas subjetividades e representações que podem ser extraídas desta escrita repleta de sinceridade e simplicidade, percebem-se diversas temáticas como: o resgate da infância; as relações com a sociedade; a formação social moldada pela Escola Normal e pela família. Grosso modo, o diário impressiona pela sua atemporalidade, pelo sentido histórico e pelo valor cultural das informações trazidas, não apenas acerca da vida, personalidade e formação, em particular, mas também sobre a comunidade em que se vive.
Diamantina do final do século XIX A menina Helena esboça no livro-diário o contexto bastante curioso da vida na província no final do século XIX. A obra, repleta de significados, revela com perspicácia histórica, o valor cultural das tradições diamantinenses. Em sua essência, alguns aspectos culturais são percebidos na escrita tracejada como mosaico cultural de habitus populares. Sobretudo, as suas escritas contêm representações de uma típica família mineira, o racismo pós-abolição da escravatura e a transição dos costumes no início da República.
Este contexto é evidenciado por Eulálio (apud MORLEY, 2004, p. 9), na apresentação do livro: A cidadezinha do Brasil em que viveu a Helena do livro, com a mesma vida pacata de qualquer pequena cidade do mundo, possuía, no entanto características deveras marcantes. Em terra de mineração, entre urbana e rural, a Diamantina do fim do século começava a atravessar um período de decadência econômica bastante grave.
Minas Gerais entrou em decadência econômica após o período do ouro, no final do século XIX. Só começou a se recuperar dois séculos depois. O ciclo do diamante em Diamantina durou até o terceiro quarto do século XIX. A cidade originou-se do Arraial do Tijuco, emancipada em 1831. Os diamantes foram extraídos a mando da Corroa de Portugal ainda no século XVII. Desde, 1999 é Patrimônio Cultural da Humanidade. No diário, Helena destaca a insistência do pai (Alexandre) na cata do minério, mesmo após seu esgotamento.
Enquanto o pai de Helena escavava a terra à procura de diamantes e de ouro, ela acompanhava a mãe e os irmãos, atravessando, becos, rios e pontes em direção ao Rio, onde lavavam as roupas da família. Perspicaz, Helena observava tudo ao redor, a queda d’água naquele pequeno riacho de pedrinhas minúsculas e arredondadas, as borboletas que voavam e o irmão pescando lambaris, sem esquecer nada, a menina anotava tudo no diário, como registros daqueles preciosos momentos de felicidades. Outro aspecto, característico da época é a extensão da escravidão, pós abolição, percebe-se que os negros estavam “libertos”, mais continuavam cativos, submetiam-se a mesma vida servil, pois não tinham condições nem novas oportunidades de vida.
Domingo, 9 de dezembro.

Eu ainda me lembro de quando chegou a notícia da lei de treze de maio. Os negros todos largaram o serviço e se ajuntaram no terreiro, dançando e cantando que estavam livres e não queriam trabalhar. Vovó com raiva da gritaria chegou a porta ameaçando com a bengala dizendo: pisem já da minha casa para fora, seus tratantes! A liberdade veio não foi para vocês não, foi para mim! Saiam já! Os negros calaram o bico e foram para a senzala. (MORLEY, 2004, p. 211).

No diário, Morley (2004, p. 211) destaca também, a “boa” vida que os (as) negros (as) levavam na Chácara da avó. E a satisfação que tinham em servir a família. “Eu gosto de ver como os negros da Chácara são felizes. Mamãe diz que quando vovô morreu, cada filho (eram doze) ficou com os escravos de sua estimação e vovó trouxe os outros que eram uns dez ou doze, quando se mudou para Diamantina”. As crenças e a religiosidade são também evidenciadas, por Morley.
Segunda-feira, 13 de março.

Este ano saiu à rua a procissão de Cinzas que há muitos anos não havia. Não sei como eles não faziam mais uma procissão tão importante com tantos santos. São tantos santos que nem vovó, nem minhas tias conheciam todos. Dizem que não saia há muito tempo por falta de santos, porque muitos já estavam quebrados. [...] eu gostei muito da procissão, mas meu pai disse que parecia mais um carnaval e mamãe achou que era um grande pecado meu pai dizer isso.

Este aspecto cultural foi transplantado do modelo europeu, inspirada numa ideologia religiosa, católica de bases humanistas. Segundo Sodré (1999), desde a colonização brasileira, a catequese foi uma das manifestações mais importantes da Contra-Reforma, nela os jesuítas dedicaram especial atenção, na tarefa de conquistar e moldar a consciência do gentio, estendendo este exercício para todas as classes sociais. Estes elementos comprovam a força da contribuição cultural dos religiosos. Helena Morley, destaca as dificuldades da cidade, ao mesmo tempo em que, demonstra sua consciência reflexiva e contestadora.
Sexta-feira, 15 de março

Hoje houve uma grande festa na nossa linda Diamantina. Inauguraram a administração dos correios com muitos fogos, muitos empregados, numa casa muito grande de Seu Antoninho Marcelo. A Rua do Bonfim ficou cheia. Se me dessem a Diamantina para dirigir, a última coisa que eu poria aqui seria repartição de correio. Não posso compreender como um serviço que seu Cláudio, aleijado, que precisava ser carregado por um preto e posto em cima do cavalo, fazia tão bem, levando na garupa um saco com as cartas e jornais, precisa agora de uma repartição tão aparatosa, com tantos homens dentro. Meu pai diz que tudo isso é política, só para dar empregos, mas não seria melhor que em vez de administração de correios, eles pusessem luz nas ruas para a gente, nas noites escuras, não estar andando devagar com medo de cair em cima de uma vaca? E encanar a água? Isso também não seria mais útil? Sem carta ninguém morre, mas a água do Pau de Fruta, que corre descoberta, tem matado tanta gente que podia estar viva (MORLEY, 2004, p. 235)
A menina Helena, magra, sardenta e rebelde, cresceu contestando às contradições do seu tempo. Dividida entre a infância e a adolescência. Entre o sonho do diamante redentor e as lavras e minas esgotadas. A História de glórias do passado familiar e a penúria do tempo presente são determinantes na imaginação da menina-moça.
A formação de Helena foi marcada por personagens femininas:

a) A avó:
a matriarca, com quem teve uma relação umbilical, mais importante, é o modelo feminino que lhe chama atenção. Rigorosa na educação. Nenhum neto de vovó se mete na conversa de gente grande. Ninguém na família gosta de menino intrometido. Todos nós quando chegamos na Chácara e tratando de ir brincar no gramado da frente (MORLEY, 2004, p. 82). Helena e a avó tinham um laço afetivo especial. A amizade, o conforto nas horas precisas e o cuidado com a neta, faziam com que Helena corresse para a casa da matriarca quando o desespero tomava conta. E sempre recebia o carinho.
b) Carolina, a mãe:
Sempre presente em quase todas as ocupações doméstica, Helena tem uma visão da mãe como alguém que acredita que a vida é feita de sofrimentos. Carolina só está contente quando o marido volta das lavras e é seu amor por ele que a diferencia das outras mulheres da família.

c) A tia Madge:
a quem sempre teve admiração. De dia a tia ensinava lições de educação e de noite de Economia. Indicava leituras educativas, O poder da vontade, e O caráter. O assunto era o mesmo, economia, correção, força de vontade. Orientava para as boas maneira falando de pessoas que cospem no chão, coçam a cabeça na sala e interrompem os outros quando falam. No jantar a gente bebe a sopa e espera o criado tirar o prato. Também não se deve palitar os dentes na mesa.

Existem dois personagens masculinos fortes que causaram impacto: o professor Teodomiro e seu pai Alexandre, além de alguns inimigos que a atormentam que é o tio Geraldo e o padre Neves. “Dr. Teodomiro é um dos professores de que nós todas gostamos na Escola. Eu desejava conversar um dia com ele, mas não sei como hei de conseguir isto”, diz Morley (p. 305).
O universo feminino de personalidade marcante e independente está representado no diário. Naquela época, poderíamos pensar que as mulheres eram umas bobocas, fazendo só o que os pais e os maridos permitissem e dizendo amém a todos. Mas, não. Helena surpreendia, dialogava com os pais, dizia-lhes o que bem entendia, discordava, opinava, concordava às vezes, não arredava um milímetro do que considerava ser o correto.
Da leitura percebeu-se o rico manancial de hábitos, o retrato literal dos costumes de uma família brasileira. As relações de gênero recriadas pela memória, a presença feminina, importante influência na construção da formação social. O cotidiano da educação escolar, a Escola Normal, os professores, as disciplinas, a prática educativa e a consciência reflexiva.
Personagens

Alice

Dayrell
- nome adotado pela autora da obra, que não usa o seu nome civil verdadeiro ou o seu nome consuetudinário, por modéstia ou conveniência ocasional ou permanente, com ou sem real encobrimento de sua pessoa. Menina inteligente, desbocada, desengonçada, magra e sardenta. Além de se achar feia, não é uma boa aluna, e nem comportada como sua irmã Luizinha. Tendo o apelido de “Tempestade”, ama escrever em seu diário. Alice é o diamante mais raro de Diamantina;

Professor

Teodomiro
- Mulato, escrevia muito bem e era inteligente;

Tia

Madge
– Uma solteirona que quer transformar Alice em uma perfeita inglesa;

Vovó
– A inspiração da menina. Vovó escutava a menina ler tudo o que ela escrevia, e dava uma atenção maior para as suas notas na escola, coisa que a sua mãe não fazia;

Mãe

Carolina
– Ama o pai incondicionalmente; cuida das tarefas de casa e de seus quatro filhos; é muito religiosa;

Renato
,
Luizinha
e
Nhonhô
– Irmãos da menina;

Seu

Artur

Queiroga
– Inspetor da escola, que pega ela colando com suas “sanfoninhas;

Padre

Neves
– Padre da Igreja que eles frequentavam; o que fez sua primeira comunhão e a escutava confessar os seus pecados;

Tio

Geraldo
– Atormentava a garota, mas era amigo inseparável de seu pai;

Elvira
e
Jeninha
– Amigas inseparáveis da escola;
• Alice
– Irmã casada, que morava em São Paulo com o marido;

Pai

Alexandre
– Minerador; descendente de ingleses. Foi ele que motivou sua filha a escrever diariamente no caderno suas observações sobre o mundo à sua volta.
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