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APRESENTAÇÃO DE UM CONTO

Miguel Torga, 'O leproso'
by

clarinda lopes

on 9 October 2012

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Transcript of APRESENTAÇÃO DE UM CONTO

MIGUEL TORGA é um pseudónimo Nome suposto sob o qual alguns autores publicam os seus escritos.

Que publica obras com um nome que não é o seu. Miguel Torga é pseudónimo do médico Adolfo Correia da Rocha (1907-1995), nascido em Trás-os-Montes, autor de romances, peças teatrais e contos. Livro 'Novos contos da montanha', escrito em 1944
tem 21 contos 'O leproso' . Lepra é uma doença contagiosa. Demora de 2 a 5 anos, em geral, para aparecerem os primeiros sintomas.
. Pode atingir crianças, adultos e idosos de todas as classes sociais, desde que tenham um contato intenso e prolongado com bacilo. Pode causar incapacidade ou deformidades, quando não tratada ou tratada tardiamente, mas tem cura. A lepra foi durante muito tempo incurável e muito mutiladora, forçando o isolamento dos pacientes em gafarias (hospital de leprosos). Na Europa eram obrigados a carregar sinos para anunciar a sua presença. A doença deu, nessa altura, origem a medidas de segregação. Existiram até leis para que os portadores de lepra fossem "capturados" e obrigados a viver nas gafarias.

Quando a lei foi revogada, os doentes continuaram a viver na pobreza e no isolamento social e familiar. GRande alíVIO: hoje em dia, bastam 15 dias para tratar uma pessoa com lepra A história acontece em Loivos, no concelho de Chaves, distrito de Vila Real, em Trás-os-Montes (espaço) A ação decorre durante os anos 40 do século XX (tempo) As personagens centrais vivem numa aldeia, são trabalhadores rurais, ganham pouco, têm uma vida dura. Quando a rapariga andava a distribuir o almoço pelos trabalhadores...
Era a vez do Julião, e o rapaz, que de facto olhava a Margarida com olhos de carneiro mal morto, não resistiu à tentação de lhe tocar no seio com as costas da mão.

- Ó meu leproso dos infernos! Olha que eu atiro-te o cesto ao focinho!
- Hoje na cava, à hora do almoço, a Margarida chamou leproso ao Julião. E se, calhar, aqueles nascidos na cara...
- Leproso?! Santíssimo Sacramento! E a gente a comer com ele do mesmo prato!
E abruptamente, da noite para o dia, o Julião encontrou-se só, danado, excomungado, olhado como um inimigo repelente. tristeza resignada, apática e cheia de perdão - Vai ao médico, homem! Pode nem ser o que dizem... E se for, tratas-te. Uma estranha mudança se operava entretanto na alma de Julião. À medida que o tempo passava e que a doença se tornava mais evidente, nascia-lhe um maior apego à vida. raiva funda a Loivos lhe crescia no peito Ódio Você já experimentou azeite? Infelizmente, as chagas e os bubões da lepra foram insensíveis ao banho purificador. ódio cada vez mais vivo - O Julião tomou banho num almude de azeite e vendeu-o depois ao Nunes... Ficavam como petrificados, invadidos de nojo, agoniados, a deitar contas à última almotolia que tinham comprado. E no fim, quando a dura certeza se lhes impunha, queriam arrancar o estômago, as entranhas, purificar-se da peçonha, vomitar no mesmo instante a lepra de que já se sentiam contaminados. - Excomungado seja ele nas profundas dos infernos! Que nem os ossos lhe tenham descanso na sepultura! Que nem a terra o coma! Estava contudo cada vez mais aceso o rancor ao Julião Olhava de longe a povoação e, embora odiasse os homens, sentia uma ternura singular pelos pardieiros onde o tempo pusera uma beleza que não encontrava em mais parte nenhuma. Fugia contudo dela como de uma perdição. Entrou na povoação Farejavam desvairados pelos soutos, pelas vinhas, como quem procura um lobo culpado de mil crimes. Armados de forquilhas e de enxadas, batiam maciços, procuravam nas minas, numa excitação raivosa de cães de caça Quem tem fósforos?
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