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Cesário Verde- "Horas Mortas"

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by

Regina Pata

on 9 October 2014

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Transcript of Cesário Verde- "Horas Mortas"

Cesário Verde - "Horas Mortas"
O teto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados.

E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
O título "Horas Mortas" refere-se às altas horas da madrugada, quando as ruas estão vazias e as pessoas a dormir, ou seja, refere-se à ausência de atividade. Os únicos seres humanos que o eu poético avista são "uns tristes bebedores", "os guardas, que revistam as escadas" e "as [mulheres] imorais".
Explicação do título
Deambulação do eu poético pelas ruas da capital, a altas horas da madrugada, onde predominam a violência, insegurança, medo e angústia.


Em “Horas Mortas”, a cidade vai ficando mais vazia de vida à medida que a madrugada se aproxima, pois nas ruas só permanecem aqueles que vivem à margem da sociedade. A cidade vai-se tornando disforme e cada vez mais opressiva e amarga, como que aprisionando o sujeito poético. A vontade que o eu poético tem de escapar desta cidade prisão aumenta progressivamente ao longo do poema.


Explicação do poema
e Recursos Estilísticos
Estrutura do poema
Classificação formal do poema
Classificação formal do poema
ORIENTAÇÃO DE LEITURA
Página. 291
1.
Interpreta o sentido do verso “Enleva-me a quimera azul de transmigrar” (v.4).
2. Apresenta o motivo do agigantamento dos sons (ruídos).
3. Transcreve dos versos 8 e 9 expressões correspondentes à transfiguração do real.
3.1. Identifica as figuras de estilo utilizadas.
4. A evasão da realidade acontece de novo, a partir do verso 11
4.1. Interpreta essa necessidade do sujeito poético.

4.2. Sintetiza a visão utópica futura imaginada pelo eu poético, nas estrofes 4ª, 5ª e 6ª.
5. A vida perfeita imaginada pelo poeta é impossível no espaço por onde deambula.
5.1. Indica vocábulos e/ou expressões textuais, correspondentes às seguintes características da cidade:
-prisão
-poluição
- angústia
-decadência
- insegurança
-imoralidade
- doença
-morte.

5.2. Identifica na última estrofe a “cura” para a “Dor humana”.
6. Relembrando a análise que fizeste de todo o poema, justifica o título “O Sentimento de um Ocidental”.
FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA
1. “Por baixo, que portões!” (v.5)
1.1. Classifica a frase transcrita e interpreta o seu uso.

2. Identifica o processo de formação dos seguintes vocábulos: “correnteza” (v.10), “emparedados” (v.25).
3. “Se eu não morresse nunca! E eternamente/Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!” (v.14 e 14)
3.1. Classifica as formas verbais a negro.

3.2. Interpreta o sentido da sua utilização.
4. “Eu não receio, todavia, os roubos” (v.33)
4.1. Classifica e analisa a oração transcrita

FIM !
Primeira estrofe:
V. 1,2- limitação fìsica do local, ilusória, pois o teto é composto de ar.
V. 3- "lágrimas", "com olheiras"- tristeza e cansaço.
V. 4- "quimera"- fantasia, esperança irrealizável, utopia.
- vontade de fugir
- "quimera azul" - a cor azul simboliza o infinito, o inacessível
Segunda estrofe:
V. 5,6- beleza artificial das construções modernas
- "às escuras" - noite
V. 8- "olhos [luz] dum caleche, (...) sangrentos" - personificação
- sangrentos - malvadez, crueldade

caracterização da vida de prisão

Terceira estrofe:
V. 9,10- beleza moderna e artificial
- "como as linhas de uma pauta" - comparação
V. 11,12- "Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas
As notas pastoris de uma longínqua flauta.” - alusão ao campo, desejo de evasão
-"infaustas e trinadas"- dupla adjetivação
-"longínqua flauta"- hipálage
Quarta estrofe:
Desejos impossíveis

V. 13,14- busca da perfeição, típica de Cesário
V. 15,16- o sujeito poético busca a perfeição, idealizando um amor perfeito


Quinta e sexta estrofes:
O eu poético espera o regresso da grandeza perdida de Portugal (na época dos Descobrimentos), e deposita a sua esperança no futuro (as formas verbais estão no futuro)

V. 17- "Ó nossos filhos!" - apóstrofe
V. 20- "habitações translúcidas e frágeis." - dupla adjetivação
V. 21- "raça ruiva do porvir" - aliteração em "r"
V. 22- "E pelas vastidões aquáticas seguir"- anástrofe (troca da ordem das palavras na frase)
Sétima estrofe:
No entanto, estes sonhos da reconquista do poder duram apenas uns momentos
Predomínio da angústia e do medo
Referência aos assassinos

V. 25,26- antecâmara da morte
V. 27- "as folhas das navalhas" - metáfora
V. 28- "gritos estrangulados" - personificação
Oitava estrofe:
Nojo pela cidade,
Referência aos bêbados

V. 30- "os ventres das tabernas" - personificação
Nona estrofe:
Referência aos ladrões ("dúbios caminhantes")
Os cães maltratados e abandonados que vagueiam pelas ruas parecem lobos

V. 35- "E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes," - múltipla adjetivação, enumeração
V. 36- "os cães parecem lobos" - comparação
Décima estrofe:
Guardas de lanterna - noite
Referência às prostitutas (" as imorais")
Décima primeira estrofe:
A dor pessoal torna-se a dor da humanidade
Insinuação da morte

V. 42- "prédios sepulcrais" - metáfora
- "com dimensões de montes" - hipérbole
V. 43- "amplos horizontes" - adjetivação
V. 44- "como um sinistro mar" - comparação
Primeiras 3 estrofes: Descrição da cidade, das ruas e dos edifícios. Desejo de evasão.
Estrofes 4-6: Plano do sonho. o poeta enche-se de esperança, pensa que no futuro, Portugal poderá recuperar a sua grandeza perdida.
Estrofes 7- 11: Desfalecer de toda a esperança, o sujeito poético retorna à realidade, percebendo que os seus desejos são impossíveis. Descreve a cidade e as personagens marginais que dominam as ruas - os bêbados, assassinos, ladrões e prostitutas.
Divisão do poema em partes:
O teto fundo de oxigénio, de ar,
a
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
b

Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
b
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.
a

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
c
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
d
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
d
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.
c

Tipos de rima:
interpolada em aa e cc
emparelhada em bb e dd

O/te/to/fun/do/de o/xi/gé/nio,/ de ar
10 sílabas - decassilábico
Es/ten/de/-se ao /com/pri/do, ao/ mei/o/ das/ tra/pei/ras
12 sílabas - alexandrino

Realismo- observação do real (deambulação) - O poeta deambula pelas ruas da capital
Impressionismo- captação da realidade através das sensações (principalmente auditivas e visuais)
Correntes literárias
Auditivas: “Um parafuso cai nas lajes, “ (v.6), “no silêncio, infaustas e trinadas/ As notas pastoris de uma longínqua flauta.” (v.12/13), “E os gritos de socorro ouvir, estrangulados.” (v.28), “Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores” (v.32), “(…)sem ladrar(…)” (v.35), “Tossem, (…)” (v.40)
Visuais: “O teto fundo de oxigénio, de ar,/Estende-se ao comprido, (…)” (v.2/3), “(…)às escuras:” (v.6), “A dupla correnteza augusta das fachadas” (v.10), “de vidro transparente!” (v.16), “vastidões aquáticas” (v.24), “Sem árvores, no vale escuro das muralhas!.../ Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas” (v.26/27), “E têm marés, de fel, como um sinistro mar!” (v.44)

Sensações predominantes
Tema
Assunto
Esquema rimático das primeiras duas estrofes:
Excanção dos dois primeiros versos:
Full transcript