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Memorial do Convento: excerto do Cap. XVII

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by

Filipa Martins

on 20 May 2014

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Transcript of Memorial do Convento: excerto do Cap. XVII

Memorial do Convento
Excerto do cap. XVII
No capítulo anterior (XVI), tomamos conhecimento, pelo padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, que o Santo Ofício anda à sua procura, sendo a única alternativa fugir na passarola. Deste modo, a «trindade terrestre», ou seja, Blimunda, Baltasar e o padre partem numa aventura voadora atribulada que termina quando aterram no Monte Junto, na Serra do Barregudo. Posteriormente, dominado pelo desespero, o padre tenta incendiar a passarola, pois considerava que se tinha de morrer numa fogueira, que fosse aquela que destruísse igualmente o seu sonho. Contudo, foi impedido por Baltasar e Blimunda, tendo depois fugido.
2. Integração da passagem na ação
Sem sinal do padre, Sete-Sóis e Sete-Luas decidem partir para Mafra, para casa dos pais de Baltasar. Quando lá chegam, são informados de que se tinha feito uma "procissão de graças" pois o "Espírito Santo" tinha sobrevoado a localidade. Aos 39 anos de idade, Baltasar, tendo de procurar trabalho, pensa na possibilidade de ser boieiro, contudo a junta de bois do seu pai estava partida e os bois tinham sido vendidos, restando-lhe apenas procurar trabalho nas obras da construção do convento. Álvaro Diogo, cunhado de Baltasar, ajudou-o a convencer o "(…)escrivão da matrícula de que tanto vale um gancho de ferro como uma mão de carne e osso(…)" (p. 208), tendo sido bem sucedido, visto que arranjou trabalho como carreiro.
O excerto divide-se em 3 partes, correspondendo aos 3 parágrafos.
A primeira parte (3º parágrafo, cap. XVII) descreve o caminho que Baltasar Sete-Sóis e o seu cunhado Álvaro Diogo fazem até às obras de construção do convento, o local da construção, e também os pensamentos de Baltasar em relação a ser aceite ou não como trabalhador.
3. Divisão do texto em partes lógicas e respetiva justificação
Na segunda parte, (4º parágrafo, cap. XVII), Álvaro Diogo vai trabalhar, tendo Baltasar de convencer o matriculador de que está apto para o cargo. Baltasar consegue ficar com o emprego graças ao facto de o seu cunhado ter falado com o superior da obra e também por no dia anterior o espírito santo (na verdade a passarola) ter sobrevoado a obra.
Na terceira parte, (1ª frase, 5º parágrafo, cap. XVII), diz-se que o local onde Baltasar se encontra é chamado de “Ilha da Madeira” uma vez que ali todas as casas são feitas de Madeira e quase nenhuma de pedra, sendo no entanto muito resistentes.
Álvaro Diogo
Era pedreiro: "Álvaro Diogo já foi à sua vida, pôr pedra em cima de pedra (...)";
É um trabalhador que estava nas obras "desde a primitiva"; "é operário capaz e cumpridor"; De certa forma orgulhoso de trabalhar numa obra de tão grandes dimensões desde o 1º dia;
Solidário e carinhoso para com Baltasar, dispondo-se a ajudar o cunhado, Baltasar, a arranjar trabalho nas obras do convento.
4. Personagens
Baltasar Sete-Sóis

É descrito por Álvaro Diogo: "é meu cunhado, natural e morador em Mafra, que em Lisboa viveu muitos anos, mas agora voltou de vez à casa de seu pai, e quer trabalho";
Tinha sobrevoado o sítio da construção há três dias: "(...)há três dias sobrevoou Sete-Sóis este lugar(...)";
Desdenhoso ao início: fica admirado ao ver tanta gente a trabalhar e surpreendido ao ver Mafra cheia de gente e de construções ("Baltasar abre a boca de espanto, vem duma aldeia e entra numa cidade");
É "construtor de aeronaves" e ex-soldado;
Quando sai da vedoria: “nem [vai] triste nem alegre, um homem deve ser capaz de ganhar o seu pão de qualquer maneira e em qualquer lugar(…)”.
Matriculador
Primeiro não quer assumir responsabilidades sobre Baltasar; mas depois: ”vem de boa cara”, feliz por ajudar Baltasar.
 
“Rapazito”, Gabriel
Filho de Álvaro Diogo, sobrinho de Baltasar;
Trabalha na construção: "o rapazito já os deixou, foi ao serviço, acarretar cochos de cal".
José Saramago utiliza o narrador como meio para fazer diversas críticas quer à sociedade do século XVIII, em que decorre a ação, quer, por analogia, à sociedade do século XX.
Neste excerto encontram-se diversas críticas, tais como:
5. Comentário às críticas sociais, políticas, religiosas, ou outras:
“(…)vão encontrando pelo caminho outros homens da terra, que Baltasar conhece, vai tudo para a obra, por isso, talvez, é que estão abandonados os campos, não chegam velhos e mulheres para o amanho, e, como Mafra está no fundo duma cova, têm aqueles de subir por carreiros que já não são os de antigamente, cobriu-os o entulho que do alto da Vela vem sendo despejado (…)” (p.286)
Crítica à atitude do rei, que obriga todos os homens válidos a trabalhar no convento, não podendo estes ajudar as famílias nos campos de cultivo.
Reprovação dos métodos utilizados para tratar dos detritos: evidencia uma falta de organização e respeito pelo povo.
“(…)sete anos há que andam nisto, por este passo só no dia do juízo, e então não valeu a pena(…)”(p.286)

O narrador crítica o processo vagaroso da construção do convento.
“Baltasar abre a boca de espanto, vem duma aldeia e entra numa cidade(…)” (p.287)

Esta comparação de Lisboa a uma aldeia deve-se à surpresa de Baltasar ao ver a quantidade de telheiros necessários para abrigar todos os homens que ali trabalhavam. É como se de uma cidade se tratasse, sendo Lisboa reduzida a uma aldeia.
“Se Deus, que lá do alto vê tudo, vê tudo assim tão mal, então mais lhe valia andar cá pelo mundo, por seu próprio e divino pé, escusavam-se intermediários e recados que nunca são de fiar, a começar pelos olhos naturais, que vêem pequeno ao longe o que é grande ao perto(…)” (p.287)

Crítica à corrupção do clero.
“(…)pena não poder Baltasar apresentar a sua carta credencial de construtor de aeronaves, quando menos explicar que andou na guerra, se isso lhe serviria de alguma coisa, passaram catorze anos, vivemos felizmente em paz, que tem ele que vir para aqui falar de guerras, as guerras que acabaram é como se nunca tivessem acontecido.” (p.288)
Menosprezo pelos soldados que defenderam o país.
Através da ironia, o narrador faz vários juízos de valor em relação à sociedade do século XVIII, demonstrando a escravidão a que o povo foi sujeito para cumprir os caprichos megalómanos do Rei.
Introdução
O trabalho consiste na abordagem de um excerto do capítulo XVII, em que o grupo irá explicar certas terminologias e referências históricas, culturais, entre outras, feitas pelo autor, integrar a ação, referindo os acontecimentos anteriores que condicionam o que se passa nesta passagem e dividir o texto em partes lógicas. Iremos também apresentar as personagens que protagonizam o excerto, comentar críticas feitas pelo autor e identificar características da linguagem e estilo de Saramago. Para uma melhor compreensão do tema do excerto procederemos a uma leitura expressiva do mesmo.
Depois da realização do trabalho concluímos que José Saramago tece várias críticas, ao longo do excerto, de modo a denunciar o excesso de poder do rei e a hipocrisia do clero. Além de expor as classes poderosas, pretende que os leitores se consciencializem de que as situações de abuso de poder e opressão são intemporais, sendo, assim, necessário mudar a sociedade.
Conclusão
Trabalho realizado por:
1. Vocabulário e outras referências
6. Características da Linguagem e Estilo de Saramago
No excerto que nos foi proposto é possível a observação de várias referências históricas, culturais, religiosas, geográficas, etc.
Estas referências, tal como o vocabulário, vão agora ser identificadas e explicadas para melhor compreensão do excerto e do enquandramento da narrativa.
Existe uma referência histórica e geográfica quando se fala da igreja de Santo André, pois esta localiza-se em Mafra e já no tempo da narrativa estava eregida: “perto da igreja de Santo André” (l.3).
Na linhas 14-16 existe uma referencia à torre de Babel (uma construção imponente), quando fala nas paredes inacabadas do convento, que não parecem dignas de um convento tão grandioso como se diria que aquele seria. “Olhando cá de baixo(...)nenhuma torre de Babel.”
É feita uma referência às colónias portuguesas, tal como a do Brasil, as de África e da Índia, quando Baltasar entra nos estaleiros de construção, conhecidos como a “Ilha da Madeira”: “mas também de outras partes grandes e distantes, que são o Brasil, África e Índia” (l.38).
É feita uma referência às guerras da Sucessão, onde Baltasar perdera a mão esquerda, catorze anos antes: “quando menos explicar que andou na guerra, se isso lhe serviria de alguma coisa, passaram catorze anos”.
Vocabulário:

Cochos
-Tabuleiro para conduzir cal amassada
Vedoria
- espécie de sede dos inspetores das obras do convento
Matriculador
- pessoa que matricula os trabalhadores
José Saramago tem marcas muitos próprias na forma como redige Memorial do Convento, sendo uma das mais evidentes a pontuação. Como se pode verificar ao longo do excerto, é raro existir outra tipo de pontuação sem ser o ponto e a vírgula, sendo a vírgula, mais predominante. A vírgula é usada por este autor como forma de introduzir um discurso no meio da narração, como ponto de interrogação, exclamação, ponto final e evidentemente muitas vezes para desempanhar a função de vírgula.
Uma particularidade na narrativa desta obra, é o uso de um registo de língua familiar ou mesmo popular, dando a sensação de um discurso muito fluído e natural ao narratário, sendo isto facilitado por várias expressões da gíria que o autor aplica ao discurso das personagens ("Álvaro Diogo está cá desde a primitiva, é operário capaz e cumpridor, uma palavrinha sempre conforta.").
Outra das marcas de estilo de Saramago presente neste excerto é o recurso a termos anacrónicos, neste caso à analepse, alteração do tempo da narrativa em que o autor narra um acontecimento passado: “quando há três dias sobrevoou Sete-Sóis este lugar, levava tão agitada a alma que lhe pareceu ilusão dos sentidos o casario e os arruamentos”.
Bruno Leitão
Catarina Pinto
Filipa Martins
Manuel Bento
Sofia Geraldes
12ºC1
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