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A relação entre senhores e escravos no Antigo Regime

Apresentação do trabalho final da disciplina História do Brasil 1. Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Professora Silvia Hunold Lara. 1º semestre de 2013. Turma de 2012.
by

Guilherme Soler

on 8 July 2013

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Transcript of A relação entre senhores e escravos no Antigo Regime


Extima-se que entre 1500 e 1822 desembarcaram no Brasil mais de 3 milhões de africanos escravizados.
http://www.slavevoyages.org
A relação entre senhores e escravos no Antigo Regime
Quando o senhor mandava o escravo buscar lenha na mata, à noite, depois de ter trabalhado duro o dia todo o escravo se recusava dizendo que tinha medo dos mals espíritos da floresta.
Homens, mulheres e crianças foram trazidos para trabalhar em diversas atividades
MINERAÇÃO
CARGAS
CANA-DE-AÇUCAR
Os escravos eram vistos pelos senhores como ferramentas de trabalho e de produção.
Com os bois da fazenda haverá com eles grande cuidado em os mandar pastorear pelos melhores pastores, e se contarão todos os dias, e o que faltar mandará logo procurar;
Os negros serão contados todos os dias, e o que faltar se procurará logo por todas as vias.
O senhor achava o escravo um tolo por ter medo dessas lendas.
Mas o escravo achava o senhor um tolo porque o liberava do trabalho quando ele mentia dizendo que tinha medo.
Johann Moritz Rugendas: Festa de Nossa Senhora do Rosário.
Retirado de : http://digitalcollections.nypl.org/
Um episódio que pode ilustrar a complexidade dessa relação foi a revolta dos escravos no engenho Santa Anna, na Bahia.

As relações sociais desse período, normalmente são apresentadas a partir da seguinte dicotomia.
senhor dominante

africano escravizado
Os senhores não eram todos iguais, havia os senhores da coroa que vieram de portugal, havia os nascidos na terra que fizeram fortuna, havia aqueles que eram mais abastados, os traficantes ilegais e também os mais cruéis.
De maneira que não se pode falar "O senhor"
Os escravos também não eram todos iguais, não vieram do mesmo lugar, não falavam a mesma língua, não tinha as mesmas crenças, nem os mesmos costumes.
De maneira que não se pode falar "O escravo"
Essa dicotomia simplista desconsidera que cada escravo e cada senhor tem sua própria história.
A relação entre senhores e escravos era uma relação de dominação. Mesmo existindo a miscigenação, essa relação não era harmoniosa, mas também não era apenas de violência.
Bois e negros estão colocados no mesmo lugar
como bens de produção.
A violência existia, e o estalo do chicote era o que ditava o ritmo e a intensidade do trabalho, mas como os senhores pensavam no escravo como ferramenta de trabalho, os diversos tipos de castigos eram aplicados de forma que não atrapalhassem o trabalho do escravo.
Essa idéia está presente também no regimento
"O castigo que se fizer ao escravo, não há de ser com pau, nem tirar-lhe com pedras nem tijolos, e quando o merecer, o mandará botar sobre um carro, e dar-se-lhe-á com um açoite seu castigo e depois de bem açoitado o mandará picar com uma navalha ou faca que corte bem e dar-lhe-á com sal, sumo de limão e urina e o meterá alguns dias na corrente e, sendo fêmea, será açoitado à guisa de baiona dentro de uma casa com o mesmo açoite."
Podemos notar essa visão em trechos de um regimento que um senhor de engenho passou a seu feitor-mor com orientações das tarefas.
Cuidado com a boiada:
Contar os negros:
Os castigos não eram amenizados porque os senhores eram bondosos.
Eles estavam preocupados com o seu lucro. $$
E com a revolta que os escravos tinham contra os castigos.
Vamos ao arquivo de documentos e vejamos a carta do ouvidor geral do crime contando o ocorrido.
Os escravos se revoltaram, maratam o mestre de açucar, pegaram as ferramentas e fugiram pro mato deixando o senhor do engenho com medo de ser morto também.
mas depois de dois anos eles enviaram representantes ao engenho...
Propuseram-lhe um tratado com diversas exigências
E até o direito de festejar eles exigiram!
O senhor aceitou os termos do tratado, mas tempos depois prendeu os líderes da revolta e os vendeu para o Maranhão. O chefe da revolta ficou na cadeia aguardando seu castigo.
Reparem que entre os escravos haviam grupos diferentes.
Através da documentação podemos concluir que as relações entre senhores e escravos no Antigo Regime era muito mais tensa, complexa e diversificada do que costuma-se apresentar.
LARA, S. H. . Campos da Violencia: Escravos e Senhores Na Capitania do Rio de Janeiro, 1750-1808.. RIO DE JANEIRO: PAZ E TERRA, 1988.



"Tratado proposto a Manoel da Silva Ferreia pellos seus escravos durante o tempo em que se conservarão levantados" pud: S.B. Schwartz - "Resistence and acomodation in eighteenth-century Brazyl: The slaves'sview of slavery" The Hispanic Amrican Historical Review, 57 n.1 (1977) pp. 69-81.

"Regimento que há de guardar o feitor-mor do engenho..." in: J. A. Gonçalves de Melo - Um regimento de feitor-mor de engenho de 1663. Boltim do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 2 (1953): pp. 82-87.

Johann Moritz Rugendas: Punição Pública na praça Santa Ana.
Adaptado de: http://hitchcock.itc.virginia.edu
Adaptado de: http://natransversaldotempo.wordpress.com/2012/11/20/a-guerra-aos-brancos-e-outras-historias/
Edmund Ollier, Cassell's History of the United States (London, 1874-77), Vol. 2, p. 493
Adaptado de: http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/index.php
Henry Koster, Travels in Brazil (London, 1816), p. 336.
Adaptado de: http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/index.php

ENGENHOS
Carlos Juliao, Riscos illuminados de figurinhos de broncos e negros dos uzos do Rio de Janeiro e Serro do Frio (Rio de Janeiro, 1960), P. 41.
Adaptado de: http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/index.php
Daniel P. Kidder, Sketches of Residence and Travels in Brazil (Philadelphia and London, 1845, 2 vols.), vol. 2, p. 20.
Adaptado de: http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/index.php
Bibliografia:
Documentos:
Trabalho da disciplina HH384 História do Brasil 1.
Professora: Silvia Hunold Lara
Aluno: Guilherme Soler RA 023977
Primeiro semestre de 2013
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
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