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Apresentação Dissertação Bianca Rückert

Apresentação desenvolvida para banca de defesa de Mestrado em Educação.
by

Bianca Ruckert

on 4 October 2014

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Transcript of Apresentação Dissertação Bianca Rückert

As Práticas de Saúde no MST do Vale do Rio Doce, MG:
Normas e Valores na Atividade

Mestranda: Bianca Rückert

Orientadora: Profa. Dra. Antônia Vitória Soares Aranha

Linha: Política, Trabalho e Formação Humana
Trabalho
Educação
Saúde
Minha inserção no Setor de Saúde do MST e as inquietações em torno da construção de experiências de saúde nos assentamentos e acampamentos.

O MST como um movimento social expressivo, que constrói experiências nas diversas áreas de atuação e mostra seu potencial formativo.

A necessidade de avançar na construção de práticas de saúde, construidas à partir própria dinâmica dos povos do campo.

Tais aspectos nos leva a indagar, inicialmente:

Como o potencial de construção de experiências do MST se concretiza no âmbito das práticas de saúde? Que experiências são essas? Como elas se constituem?
Aspectos Metodológicos
Ergologia
Saúde Coletiva
Ponto de Partida
Partindo do ideal de saúde do MST (normas prescritas), nos propusemos a identificar práticas de saúde no MST do Vale do Rio Doce que são coerentes com esse ideal. Essas práticas foram investigadas, tendo em vista analisar os valores e os confrontos de normas presentes nas mesmas.
Metodologia de pesquisa qualitativa: Estudo de caso

Trabalho de Campo
Entrevista de grupo focal com o Setor Regional de Saúde do Vale do Rio Doce: compreender como suas integrantes compreendem a saúde tal como proposta pelo MST e apontar práticas desenvolvidas na região que são condizentes com esse ideal de saúde.
Algumas práticas foram escolhidas.
Observação participante e registro fotográfico.
Entrevista semi-estruturada
O trabalho de campo foi desenvolvido entre os meses de março a novembro de 2011; consistiu de sete visitas à região (2 a 4 dias cada); e dez entrevistas (duranção mínima de 40 min e máxima de 120 min).
Comunicação permanente com o Setor.
Os Sujeitos e as Práticas
Segundo o Setor Regional de Saúde, a ‘Saúde no MST’ passa por:

“Acesso à terra; segurança alimentar; plantas medicinais e medicina natural; bem estar; cuidado; diálogo; construção de novos valores; novas relações; cuidado com o meio ambiente, os recursos naturais; educação e formação; luta contra o agronegócio; e luta pela construção de um projeto popular”.
Atividade agrícola na perspectiva agroecológica: Haydée, Francisco (1° de Junho) e Margarida (Oziel Alves)

Atividade docente envolvendo ações de saúde e ambiente nas escolas: Helenira (1° de Junho) e Iara (Juscelino dos Santos)

Atividade do cuidado desenvolvida pelo Coletivo de Mulheres Cuidadoras: Roseli (Barro Azul), Rosa e Clara (Ulysses de Oliveira), Dorcelina (Padre Gino) e Olga (Partilha).
As relações de produção, as condições de vida e a saúde na reforma agrária
A dimensão normativa nas práticas de promoção da saúde
A função da terapêutica
O cuidado como possibilidade de superação do ‘tecnicismo’ das ações assistenciais


Dificuldades: dependência de insumos e tecnologias do agronegócio, às condições ambientais das fazendas desapropriadas, à falta de incentivo para produção agrícola familiar e reforma agrária, etc.

Maior repercussão dessas experiências na promoção da segurança alimentar e da saúde do trabalhador e menor impacto na recuperação ambiental.


Atividade docente - fortalecimento dos saberes locais; o vínculo com as relações de produção; o estímulo ao protagonismo dos educandos; e o fortalecimento de saberes de bases sustentáveis no âmbito do cuidado em saúde e da agroecologia.

Atividade do cuidado: articula-se com os determinantes; busca descentrar-se de si mesma e avançar no sentido da promoção da autonomia e do direito à saúde.

Atividade agrícola: popularização e socialização de tecnologias sociais, autonomia no manejo dos insumos agrícolas, numa perspectiva crítica ao uso de agroquímicas.
Educação popular e saúde
Educação do campo
Saberes
Lutar por Reforma Agrária
é lutar por Saúde
indivíduo x coletivo
Saúde como capacidade de lutar
Sociedade x Estado
Processo organizativo
Eu fiz um desenho, a ideia pra mim de saúde é que eu acho que a saúde é o povo construindo Movimento, né? E construindo a luta. Acho que isso também é saúde, é acabar com os despejos, é conquistar a terra, acho que isso faz parte da saúde dentro do Movimento. Porque você vê o povo, o cansaço... Ontem eu vi Dorcelina falando: “- Eu não aguento mais, estou cansada”. Então é esse processo de despejo, de desgaste com a luta, que não saem as conquistas, né? Esse INCRA que não faz... Então essa concentração de terra é uma doença, é uma doença do mundo. O lixo é uma doença do mundo e a concentração também, de terra, de poder. E coloquei que eu acho que são as nossas plantas, os alimentos, o povo... Eu vinha pensando que estar junto é bom demais, a gente fica mais forte, fica mais saudável. E o estudo também, né? A importância de a gente estar fazendo o estudo, comendo bem, comendo as coisas que nós plantamos, que o povo planta na terra, trabalha, enfim (Dandara).
Políticas públicas
No arcabouço da "promoção da saúde" encontramos a atividade docente, atividade agrícola e atividade do cuidado.
Tais valores relacionam-se com:
Percebemos preocupações relacionadas a: uma agricultura saudável, o cuidado com o ambiente, a não adoção de produtos agroquímicos, a preservação e resgate da biodiversidade, dos recursos naturais, a promoção da saúde ambiental e da segurança alimentar.
Normas e valores que relacionam a saúde às condições sociais, condições de vida e relações de produção.

Ao trazerem em si valores relacionados ao fortalecimento da reforma agrária e enfrentamento do agronegócio no campo.
Valores
Renormalizações
Atividade
Eu sentia essa rejeição dos outros cuidarem de mim. Eu sentia isso, e na verdade, isso começou muito na família... Daquele cuidado com outras palavras, aquele cuidado agressivo, de levar para o hospital, de batalhar uma clínica, de fechar dentro do quarto, de que não podia isso, daí eu falei: “- Não, daí eu encontrei nós, MST, nós, os Sem Terra”. As meninas têm um carinho muito grande, e começamos. Eu já cheguei nessas reuniões de saúde tendo crise epilética. A Clara e a Dorcelina sabem o que elas passaram comigo... (Olga).
Para as mulheres do Coletivo, o cuidado se apresenta como uma atitude perante a vida e o outro. Algo inerente a elas próprias, que se expressa na forma de atenção, zelo, escuta, diálogo, carinho, prontidão, visa minimizar o sofrimento do outro e contribuir para a promoção da vida.

Valores como solidariedade, valorização da vida e das relações mais humanas e justas: contrapõem-se a uma visão restrita de saúde.

Percebemos um potencial humanizador da atividade, o resgate do cuidado como 'modo de ser'.

Para essas mulheres os recursos técnicos não são utilizados de forma neutra.
Não há apenas a dimensão técnica da atividade, mas também uma dimensão intersubjetiva, a circulação de valores, escolhas a serem desenvolvidas a todo momento, conforme nos mostra a Ergologia.
Uma coisa que me marcou foi a gente ver que, com todo esse pessoal que a gente atendeu até hoje, não tem nenhum chá que foi repetido. As pessoas podem ter a mesma doença, o mesmo problema, porém o tratamento precisa ser diferenciado. Por exemplo, uma dor de cabeça de duas pessoas você não cura com o mesmo remédio. (...) Então, a gente não trata a doença, trata é a pessoa (Rosa).
Na atividade do cuidado desenvolvida pelas mulheres do Coletivo identificamos um olhar para o organismo na sua totalidade e complexidade.

Uma atitude de respeito à "dinâmica da natureza", de deixá-la agir.

Crítica à onipotência da ciência médica e à passividade do ser "paciente"

Canguilhem:
O Normal e o Patológico
“Ah... Eu acho que está faltando um tiquinho de esforço nosso. É pegar com Deus e chegar lá. Um dia nós seremos livres dessas farmácias... (Clara)
Confronto de normas entre a medicina popular e a medicina convencional: para algumas delas não é possível aliar racionalidades tão distintas.

Uso das plantas medicinais e demais práticas populares de cuidado: autonomia dos sujeitos diante do fenômeno da medicalização.

Na base desta escolha encontramos uma ‘relação diferencida com a natureza’: energização, fortalecimento, admiração, e gratidão.

Elas mostram que outras racionalidades podem estar presentes na assistência, que não existe apenas uma racionalidade no trabalho.
A socialização do trabalho de cuidado e a solidariedade entre as mulheres
Perspectiva contraditória do trabalho de cuidado: por um lado, como potencial de emancipação, criação, resgate do valor e da dignidade humana, por outro, como potencial de adoecimento e desgaste, sobrecarga e desvalorização.

Conflitos que se instauram no âmbito da divisão sexual do trabalho.
Essa necessidade desse grupo já vem há um bom tempo, porque era muito isolado... Um aqui, um cuidava ali, uns sem saber de algumas coisas, e a gente nem tinha descoberto Roseli... E foi aí que a gente começou, e o grupo começou a juntar... (...) A gente estava reunindo todo mês na lua cheia... Foi uma data que escolhemos pra estarmos sempre reunidas na lua cheia, e a questão daquela reflexão... Que as mulheres estão mais alvoroçadas com as coisas. Parece que temos mais vontade de fazer as coisas... Cuidamos umas das outras, e também pra provocar os homens, porque nós estamos ali reunidas e dali podem sair coisas, e sai mesmo, e é mais uma conversa da luta das mulheres, também. Esse nosso grupo de saúde, né, de cuidadoras... Estamos aí com esse cuidado, umas com as outras. (Olga).
Valores como solidariedade, cooperação e emancipação das mulheres.

O processo organizativo do MST contribui fortemente para que o trabalho de cuidado ultrapasse a dimensão individual e assuma uma dimensão coletiva.
Os Princípios e Valores da Saúde no MST
1) Luta pela valorização da vida; 2) Saúde como uma conquista de luta popular; 3) Saúde como direito; 4) Lutar pela consolidação de Políticas Públicas em Saúde; 5) Respeito às diferenças; 6) Fortalecimento das práticas e saberes populares em saúde; 7) Educação permanente em saúde; 8) Socializar os conhecimentos e as informações (MST, 2007, p. 4).
Considerações Finais
Foi possível identificar a perspectiva de Saúde do MST nas atividades pesquisadas. Embora singulares, tais atividades incorporam o projeto/herança de Saúde do MST.

Percebemos a afirmação de valores relacionados:
à saúde como resultado de melhores condições de vida e trabalho para o campo;
ao direito à saúde;
à luta pela reforma agrária e pela transformação da sociedade;
à valorização das técnicas e dos saberes populares no âmbito da agroecologia e da saúde;
à promoção da autonomia dos sujeitos diante do modelo capitalista de desenvolvimento para o campo, da indústria alimentícia e do complexo médico-industrial;
ao cuidado com a vida e com a natureza;
à solidariedade.

A busca da renormalização passa por uma postura crítica paradigmática: Racionalidades que propõem uma concepção de ser humano integral, uma visão ampliada de saúde e uma visão de totalidade homem-natureza, para citar os aspectos mais significativos.
Mais do que uma crítica às normas biomédicas, tais valores se relacionam com os horizontes sociais mais amplos propostos pelo MST.

A renormalização das normas de saúde no MST passa pela organização política dos assentamentos e acampamentos de reforma agrária, na maioria das vezes, pela própria via organizativa do MST.

Os valores que circulam no cuidado nos mostram que a saúde como direito não se resume à luta por assistência, mas implica em propor valores próprios e mostrar novas formas de fazer em saúde.

Ainda são muitos os desafios para que a saúde como direito se efetive nos assentamentos e acampamentos da região do Vale do Rio Doce.

Levantamos a necessidade de o Setor de Saúde do Vale do Rio Doce voltar a sua atenção para as lutas por políticas públicas de saúde e outras políticas sociais.

Ressaltamos a importância de o MST continuar sistematizando experiências e elaborando referências que sirvam como orientadoras das práticas de saúde, no sentido normativo da atividade.
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