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Ontologia e tecnologia:

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Marco Alves

on 18 April 2017

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Transcript of Ontologia e tecnologia:

Reflexões sobre tecnologia e realidade
Marco Antônio Sousa Alves
marcofilosofia@gmail.com
Percurso da apresentação:

1. Baudrillard e a hiper-realidade
2. Zizek e a virtualização do real
3. Heidegger: a tecnologia e o esquecimento do ser
4. Marcuse: racionalidade técnica e dominação política

Para começar a pensar sobre a questão:
“Do rigor na ciência” (in
História Universal da Infâmia
, 1935), de Jorge Luís Borges
“Naquele Império, a arte da cartografia logrou tal perfeição que o mapa de uma única província ocupava toda uma cidade, e o mapa do Império, toda uma província. Com o tempo, esses mapas desmedidos não satisfizeram, e os colégios de cartógrafos levantaram um mapa do Império que tinha o tamanho do Império, e coincidia pontualmente com ele. Menos dedicadas ao estudo da cartografia, as gerações seguintes decidiram que esse dilatado mapa era inútil e não sem impiedade entregaram-no às inclemências do sol e dos invernos. Nos desertos do oeste perduram despedaçadas ruínas do mapa habitadas por animais e por mendigos; em todo o país não há outra relíquia das disciplinas geográficas.”

1. Baudrillard e a hiper-realidade
“O assassinato do real”. In:
A ilusão vital
(2000), Jean Baudrillard
Algumas noções básicas:
Simulacro

Ambiência e
drogstore

Curiosidade e
méconnaissance
“Internet apenas simula um espaço de liberdade e de descoberta. Não oferece, em verdade, mais do que um espaço fragmentado, mas convencional, onde o operador interage com elementos conhecidos, sites estabelecidos, códigos instituídos. [...] Daí a confortável vertigem dessa interação eletrônica e informática, como uma droga. Podemos passar aí uma vida inteira, sem interrupção. A droga mesma nunca é mais do que o exemplo perfeito da louca interatividade em circuito fechado. [...] A virtualidade dá tudo, mas sutilmente. Ao mesmo tempo, tudo esconde. O sujeito realiza-se perfeitamente aí, mas quando este perfeitamente realizado, torna-se, de modo automático, objeto. Instala-se o pânico” (BAUDRILLARD.
Tela total
: mito-ironias da era do virtual e da imagem, p. 133).
“Precisamos virar o conto de ponta-cabeça: pois hoje não resta nada além de um mapa (a abstração virtual do território), e neste mapa alguns fragmentos do real ainda estão flutuando e perambulando” (BAUDRILLARD. “O assassinato do real”. In:
A ilusão vital
, p. 70).
Hiperrealidade
Realidade virtual, homogeneizada, colocada em números, operacionalizada, construída como simulacro, que tende a substituir o real por ser mais perfeita, mais “acabada”.
Internet das coisas
“O Real enquanto tal implica uma origem, um fim, um passado e um futuro, uma cadeia de causas e efeitos, uma continuidade e uma racionalidade. Não há real sem estes elementos, sem uma configuração objetiva do discurso. E seu desaparecimento é o deslocamento de toda essa constelação. É claro, estou me antecipando um pouco. De fato, esse extermínio perfeito só poderia ser alcançado se o
processo de virtualização
fosse realizado por inteiro. Não é este o caso, felizmente” (BAUDRILLARD. “O assassinato do real”. In:
A ilusão vital
, p. 69).
“Na realidade virtual, a transparência absoluta converge com a simultaneidade absoluta. Chamamos este curto-circuito e a instantaneidade de todas as coisas na informação global de “tempo real”. O tempo real pode ser visto como o Crime Perfeito perpetrado contra o próprio tempo: pois, com a ubiquidade e a disponibilidade instantânea da totalidade da informação, o tempo atinge o seu ponto de perfeição, que também é o seu ponto de desaparecimento. (BAUDRILLARD. “O assassinato do real”. In:
A ilusão vital
, p. 71-72).
“Sejamos claros quanto a isto: se o Real está desaparecendo, não é por causa de sua ausência – ao contrário, é porque existe realidade demais. Este excesso de realidade provoca o fim da realidade, da mesma forma que o excesso de informação põe um fim na comunicação” (BAUDRILLARD. “O assassinato do real”. In:
A ilusão vital
, p. 72).
“Indiferente a toda verdade, a realidade torna-se uma espécie de esfinge, enigmática em sua hiperconformidade, simulando a si própria como virtualidade ou espetáculo de realidade. A realidade torna-se
hiperrealidade
– paroxismo e paródia ao mesmo tempo” (BAUDRILLARD. “O assassinato do real”. In:
A ilusão vital
, p. 83).
“Que este nosso mundo real, esta materialidade restrita, obedeça a precisas leis da física não é suficiente para torná-lo verdadeiro, já que a coerência relativa é apenas a consequência paradoxal desta simplificação ontológica. [...] Contra o extermínio do mal, da morte, da ilusão, contra este Crime Perfeito, devemos lutar pela imperfeição criminosa do mundo. Contra este
paraíso artificial de tecnicidade e virtualidade
, contra a tentativa de construir um mundo totalmente positivo, racional e verdadeiro, precisamos resgatar os vestígios da opacidade e do mistério definitivos do
mundo ilusório
” (BAUDRILLARD. “O assassinato do real”. In:
A ilusão vital
, p. 80-81).
“Além do discurso da verdade, reside o valor poético e enigmático do pensamento. Pois, diante de um mundo que é ininteligível e problemático, nossa tarefa é clara: precisamos tornar este mundo ainda mais ininteligível, ainda mais enigmático” (BAUDRILLARD. “O assassinato do real”. In:
A ilusão vital
, p. 89).
2. Zizek e a virtualização do real
“Da realidade virtual à virtualização da realidade” (1996) de Slavoj Zizek
Conceito enigmático, construído simbolicamente, que tem a estrutura de uma ficção.
Real
“Longe de ser uma espécie de fragmento de nossos sonhos que nos previne de “ver a realidade como ela efetivamente é”, a fantasia é constituída daquilo que chamamos realidade: a “realidade” física mais comum é constituída via um desvio através do labirinto da imaginação” (ZIZEK. Da realidade virtual à virtualização da realidade).
Paradoxo do mapa da Inglaterra
Lewis Caroll
 “Em ver de ter o computador como um modelo para o cérebro humano, nós concebemos o cérebro em si mesmo como “um computador feito de carne e sangue”; onde, em vez de definir o robô como um homem artificial, concebemos o homem adequado como um “robô natural”, uma reversão que poderia ser mais distantemente exemplificada em um caso crucial a partir do domínio da sexualidade. Considera-se usualmente a masturbação como um ato sexual imaginário, isto é, um ato onde o contato corporal com um parceiro é apenas imaginado; não seria possível reverter os termos e pensar no próprio ato sexual, o ato com um parceiro real, como uma forma de “masturbação com um parceiro real” (ao invés de apenas imaginado)?” (ZIZEK. Da realidade virtual à virtualização da realidade).
 “A lição básica da realidade virtual é a virtualização da verdadeira realidade. Através da miragem da “realidade virtual”, a realidade “verdadeira” ela mesma é posicionada como um simulacro dela mesma, como uma simples construção simbólica” (ZIZEK. Da realidade virtual à virtualização da realidade).
3. Heidegger: a tecnologia e o esquecimento do ser
A questão da técnica
(1953) de Martin Heidegger
técnica vs. questão da técnica
Problema ontológico
 “O querer-dominar se torna tão mais natural quanto mais a técnica ameaça escapar do domínio dos homens” (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 376).
Crítica à noção de técnica como instrumento
 “A correta determinação instrumental da técnica não nos mostra ainda sua essência. [...] Devemos questionar: o que é o instrumental mesmo?” (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 377).
“Por onde nos perdemos? Questionamos a técnica e agora aportamos na alethéia, no desabrigar. O que a essência da técnica tem a ver com o desabrigar? Resposta: tudo. Pois no desabrigar se fundamenta todo produzir. [...] A técnica não é, portanto, meramente um meio. [...] Técnica é um modo de desabrigar. A técnica se essencializa no âmbito onde acontece o desabrigar e o desocultamento, onde acontece a
alethéia
” (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 380-381).
Tecnica antiga vs. Técnica moderna
(
poiésis
)
(
herausfordern
)
"Explorar, transformar, armazenar e distribuir são os modos de desabrigar." (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 382).
 “O campo é agora uma indústria de alimentação motorizada. O ar é posto para o fornecimento de nitrogênio, o solo para o fornecimento de minérios, o minério, por exemplo, para o fornecimento de urânio, este para a produção de energia atômica, que pode ser associada ao emprego pacífico ou à destruição. O pôr que desafia as energias naturais é um extrair (
Fördern
) em duplo sentido. É um extrair na medida em que explora e destaca” (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 382).
 “A central hidrelétrica está posta no rio Reno. Ela coloca (
stellt
) o Reno em função da pressão de suas águas fazendo com que, desse modo, girem as turbinas, cujo girar faz funcionar aquelas máquinas que geram a energia elétrica, para a qual estão preparadas as centrais interurbanas e sua rede de energia destinada à transmissão de energia. No âmbito dessas consequências engrenadas de encomenda de energia elétrica aparece também o rio Reno como algo encomendado. A central hidrelétrica não está construída no rio Reno como a antiga ponte de madeira, que há séculos une uma margem à outra. Pelo contrário, é o rio que está construído na central elétrica. Ele é o que ele agora é como rio; a saber, a partir da essência da central elétrica, o rio que tem a pressão da água. [...] Mas o Reno permanece, poderíamos objetar, um rio da paisagem. Pode ser, mas como? Nada mais do que um objeto encomendável para a visitação de grupos de turismo, que uma indústria de turismo encomendou (
bestellt
) para poderem visitar este local” (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 382).
Armação (
Ge-stell
)
Modo de desabrigar que impera na essência da técnica moderna.

O real é desabrigado enquanto subsistência (
Bestand
)

A tecnologia é um modo de pensar que serve à armação (
Gestell
) de uma nova ordem humana.

A técnica moderna faz a natureza aparecer como algo calculável, que permanece à nossa disposição.
“Seu modo de representar [do homem da era da técnica] põe a natureza como um complexo de forças passíveis de cálculo. A física moderna não é, por isso, física experimental porque coloca em ação aparelhos para questionar a natureza, pelo contrário: porque a física põe a natureza como pura teoria, para que ela se exponha como um contexto de forças previamente passível de ser calculado, por isso o experimento é requerido, a saber, para questionar se a natureza assim posta se anuncia e como ela se anuncia. [...] A técnica moderna somente entrou em curso quando ela pôde apoiar-se sobre a ciência exata da natureza. [...] A moderna teoria da física da natureza é a preparação, não da técnica, mas da essência da técnica moderna. [...] A física moderna é, em sua proveniência, a desconhecida precursora da armação” (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 386).
Alexandre Koyré
“Toda a nossa vida moderna está como que impregnada pela matemática” (KOYRÉ. Do mundo do mais-ou-menos ao universo da precisão).
"O descobrimento do que é passa sempre por um caminho de desabrigar. O destino (
Geschick
) do desabrigar sempre domina os homens". (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 388).
PERIGO:
 "A armação impede o aparecer e imperar da verdade" (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 390).
“A ameaça dos homens não vem primeiramente das máquinas e aparelhos da técnica cujo efeito pode causar a morte. A autêntica ameaça já atacou o homem em sua essência. O domínio da armação ameaça com a possibilidade de que a entrada num desabrigar mais originário possa estar impedida para o homem, como também o homem poderá estar impedido de perceber o apelo de uma verdade mais originária. Assim, pois, onde domina a armação, há perigo em sentido extremo” (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 390).
Perigo e salvação
 “Questionamos a técnica e pretendemos com isso preparar uma livre relação para com ela. A relação é livre se abrir nossa existência à essência da técnica” (HEIDEGGER.
A questão da técnica
, p. 375).
 “Quanto mais nos aproximamos do perigo, de modo mais claro começarão a brilhar os caminhos para o que salva, mais questionadores seremos. Pois o questionar é a devoção do pensamento” (HEIDEGGER. A
questão da técnica
, p. 396).
4. Marcuse: racionalidade técnica e dominação política
“O homem unidimensional” (1964) de Herbert Marcuse (especialmente o cap. 6: Do pensamento negativo para o positivo: racionalidade tecnológica e a lógica da dominação).
Racionalidade técnica
 “A sociedade se reproduz num crescente conjunto técnico de coisas e relações que inclui a utilização técnica do homem” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 143).


 “A racionalidade e a manipulação técno-científicas estão fundidas em novas formas de controle social” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 144).

Crítica da neutralidade da ciência e da técnica
 “A quantificação da natureza, que levou à sua explicação em termos de estruturas matemáticas, separou a realidade de todos os fins inerentes e, consequentemente, separou o verdadeiro do bem, a ciência da ética” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 144).
 “Fora dessa racionalidade, vive-se num mundo de valores, e os valores retirados da realidade objetiva se tornam subjetivos. [...] Os valores podem ter uma dignidade mais elevada (moral e espiritualmente), mas não são
reais
e, assim, têm menos importância no assunto real da vida” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 145).
 “Não insinuo que a filosofia da física contemporânea negue ou mesmo ponha em dúvida a realidade do mundo exterior, mas que, de um ou outro modo, suspende o julgamento sobre o que a realidade em si pode ser, ou considera a própria questão sem significado ou sem resposta. [...] Até o ponto em que essa concepção se torna aplicável e eficaz na realidade, esta é abordada como um sistema (hipotético) de instrumentos; o “ser-assim” metafísico cede lugar ao “ser-instrumento”. (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 148).
 “A filosofia científica moderna bem pode começar pela noção das duas substâncias
res cogitans
e
res extensa
– mas ao se tornar a matéria estendida compreensível em equações matemáticas que, traduzidas em tecnologia, “refazem” essa matéria, a
res extensa
perde o seu caráter como substância independente” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 149).
“A natureza matematizada, a realidade científica parece ser realidade ideacional” (MARCUSE. O homem unidimensional, p. 146).
Razão teórica e Razão política
 “O meu propósito é demonstrar o caráter instrumentalista
interno
dessa racionalidade científica em virtude da qual ela é tecnologia apriorística, e o
a priori
de uma tecnologia
específica
– a saber, tecnologia como forma de controle e dominação social” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 153).
“A ciência da natureza se desenvolve sob o
a priori
tecnológico que projeta a natureza como instrumento potencial, material de controle e organização” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 150).
“O
a priori
tecnológico é um
a priori
político considerando-se que a transformação da natureza compreende a do homem, e que as “criações de autoria do homem” partem de um conjunto social e reingressam nele. Poder-se-ia ainda insistir em que a maquinaria do universo tecnológico é, “como tal”, indiferente aos fins políticos. Um computador eletrônico pode servir ao mesmo tempo a uma administração capitalista ou socialista [...]. Contudo, quando a técnica se torna a forma universal de produção material, circunscreve toda uma cultura; projeta uma totalidade histórica – um
“mundo”.
(MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 150).
“O método científico que levou à dominação cada vez mais eficaz da natureza forneceu, assim, tanto os conceitos puros como os instrumentos para a dominação cada vez maior do homem pelo homem
por meio
da dominação da natureza. A razão teórica, permanecendo pura e neutra, entrou para o serviço da razão prática. A fusão resultou benéfica para ambas. Hoje, a dominação se perpetua e se estende não apenas através da tecnologia, mas
como
tecnologia” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 154).
“A dinâmica incessante do progresso técnico se tornou permeada de conteúdo político e o
Logos
da técnica foi transformado em
Logos
da servidão contínua. A força libertadora da tecnologia – a instrumentalização das coisas – se torna o grilhão da libertação; a instrumentalização do homem. Essa interpretação ligaria o projeto científico (método e teoria) a um projeto social específico,
anteriormente
a toda aplicação e utilização” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 154-155).
“O ponto que estou tentando mostrar é que a ciência,
em virtude de seu próprio método
e de seus conceitos, projetou e promoveu um universo no qual a dominação da natureza permaneceu ligada à dominação do homem – uma ligação que tende a ser fatal para esse universo em seu todo. A natureza, cientificamente compreendida e dominada, reaparece no aparato técnico da produção e destruição que mantém e aprimora a vida dos indivíduos enquanto os subordina aos senhores do aparato. Assim, a hierarquia racional se funde com a social” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 160).
“O processo da racionalidade tecnológica é um processo político. Somente no
medium
da tecnologia, o homem e a natureza se tornam objetos fungíveis de organização. [...] Em outras palavras, a tecnologia se tornou o grande veículo de
espoliação
– espoliação em sua forma mais madura e eficaz. A posição social do indivíduo e sua relação com os demais não apenas parecem determinadas por qualidades e leis objetivas, mas também essas leis e qualidades parecem perder seu caráter misterioso e incontrolável; aparecem como manifestações calculáveis da racionalidade (científica). O mundo tende a tornar-se o material da administração total, que absorve até os administradores. A teia da dominação tornou-se a teia da própria Razão, e esta sociedade está fatalmente emaranhada nela” (MARCUSE.
O homem unidimensional
, p. 162).
Muito obrigado!
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