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Elementos fundamentais da cultura portuguesa

MPLNM
by

Diana OLiveira

on 5 December 2012

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Transcript of Elementos fundamentais da cultura portuguesa

Jorge Dias OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Jorge Dias, etnólogo português do século XX
HHH
Ensaio apresentado no “I Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros", realizado em Washington em 1950 Depois de:

- algumas ressalvas relativas à dificuldade e riscos da tarefa

- de um breve relato dos momentos mais relevantes da história de Portugual,

Jorge Dias estabelece os traços essenciais daquilo que designa como o “conteúdo espiritual” do povo português, i.e., a sua alma, o seu temperamento. Aventureiro e explorador, o Português é um sonhador, um idealista:

a sua acção é norteada pelo sonho, pela imaginação, pela emoção
n
a sua actividade cumpre uma função utilitária, mas a grande motivação é o ideal Pelo sonho é que vamos,

comovidos e mudos.


Chegamos? Não chegamos?


Haja ou não haja frutos,

pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos,

basta a esperança naquilo

que talvez não teremos. Sebastião da Gama Reconquista Cristã: recuperação de terra aliada ao desejo de expulsão do inimigo da fé cristã Descobertas: objectivos comerciais aliados ao desejo de expansão da fé cristã O Português:

não é adepto de manifestações efusivas e espontâneas de alegria, pois teme a opinião alheia e deixa-se perturbar pelo sentimento do ridículo;

não tem um sentido de humor apurado, mas é dono de um forte espírito crítico De facto, a crítica e a ironia têm longas raízes na cultura portuguesa (das Cantigas de Escárnio e Mal Dizer, na Idade Média, a Eça de Queirós, no século XIX, passando por Gil Vicente, na época quinhentista, em termos literários; nas alcunhas e apelidos, nos cantares ao desafio das classes populares). O Português aprecia o natural, o tangível e não é dado a rebuscamentos estéticos ou artificialismos.

Gosta de ostentar a riqueza material que, muitas vezes, não tem e aprecia o luxo que, não raramente, não pode financiar.

É vaidoso e facilmente abdica do conforto na privacidade do seu lar em prol de uma fatiota jeitosa para sair à rua. A este respeito, Jorge Dias sublinha a fraca assimilação do estilo gótico, ao nível da arquitectura, e regista a criação de um estilo arquitectónico próprio - o Manuelino, de que o Mosteiro dos Jerónimos é exemplo - com predomínio de motivos marítimos e pendor naturalista. “um pequeno empregado do comércio, de pouca ilustração e educação, faz mais figura na rua do que um intelectual alemão ou suíço, de boa família e com recursos. Da mesma maneira, qualquer empregadita, que mal ganha para se alimentar, anda vestida impecavelmente e pela última moda” É, no entanto, profundamente humano, sensível, amoroso e bondoso, capaz de uma solidariedade genuína e única:
entrega-se ao amor de corpo e alma e o coração é a medida de todas as coisas;
privilegia o lado humano das coisas em detrimento da dimensão material e utilitária.
São inúmeros os exemplos históricos e literários desta faceta, destacando-se o amor trágico de D. Pedro e Inês de Castro (com expressão literária n’Os Lusíadas), as cantigas de amor da época medieval ou a lírica camoniana.
certo sentimento anti-social, anti-norma, anti-aquilo-que-não-é-natural, como leis e organizações (“sinal de luzes” na estrada);
fraco vigor do espírito capitalista (pobre gestão da riqueza gerada após as Descobertas) e falta de racionalização de empresas;
falta de metodismo (situações problemáticas resolvidas à última da hora, pelo improviso). Exibe um estado de alma particular – a saudade – que ora o deprime (pela contemplação de imagens que evocam momentos de glória acabados) ora o anima (na ânsia da descoberta de novos mundos associada a ímpetos de exploração e aventura). O povo português é “um povo paradoxal e difícil de governar. Os seus defeitos podem ser as suas virtudes e as suas virtudes os seus defeitos, conforme a égide do momento”.
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