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CETICISMO E A DIVISÃO INTERIOR/EXTERIOR

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José Santos

on 15 May 2014

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Transcript of CETICISMO E A DIVISÃO INTERIOR/EXTERIOR

CETICISMO E A DIVISÃO INTERIOR/EXTERIOR
1) O paradoxo de Descartes
“Uma crença é conhecimento somente quando prova contra toda dúvida, até a mais hiperbólica.” (Descartes).
Sem eliminar a possibilidade de ludíbrio por um gênio maligno não se poderia conhecer o que ostensivamente se vê, nem a verdade de qualquer conclusão que possa ser inferida a partir de tais dados.
Esse argumento cético é naturalmente rejeitado por impor uma exigência excessivamente alta. Geralmente não exigimos nada tão rigoroso assim, a não ser apenas crenças bem justificadas.
A rejeição desse argumento cético parece superficial. Entretanto, à luz do que se chama Princípio da Exclusão (PE):

PE: Para conhecer um fato X, deve-se excluir qualquer possibilidade que se saiba incompatível com o conhecimento desse fato X (com o conhecimento de que X seja assim).

Em geral as crenças não satisfazem a exigência desse princípio.

Podemos compreender a impropriedade da supracitada rejeição do ceticismo de Descartes.
Mas em nenhuma parte isso quer dizer que para se conhecer p (um objeto), deve-se estar ABSOLUTA e justificadamente CERTO que p. Não estamos colocando os padrões muito altos, e sim lamentando de que não podemos alcançá-los.
2) Internalismo e externalismo epistêmico
A conhecida dialética mooreana consiste de três teses:

a. Saber que há aqui uma mão requer saber que não se está sonhando.
b. Eu sei que eis aqui uma mão.
c. Não sei que não estou sonhando

OBS: Nesse contexto, o “sonhar” quer dizer “sonhar filosoficamente”, definido da seguinte maneira; S sonha filosoficamente que p se e somente se S experiencia como se p, mas assim não-veridicamente.
Cético:

a. Saber que há aqui uma mão requer saber que não se está sonhando.
(b. Eu sei que eis aqui uma mão.)
b. Eu NÃO sei que eis aqui uma mão.
c. Não sei que não estou sonhando

Moore (comprometido com o que foi dado):

a. Saber que há aqui uma mão requer saber que não se está sonhando.
b. Eu sei que eis aqui uma mão.
(c. Não sei que não estou sonhando)
--c. Sei que não estou sonhando--

Externalistas contemporâneos:

(a. Saber que há aqui uma mão requer saber que não se está sonhando.)
a. Saber que há aqui uma mão NÃO requer saber que não se está sonhando.
b. Eu sei que eis aqui uma mão.
c. Não sei que não estou sonhando

Mas como pode-se estar justificado na crença sobre a mão exceto pela confiança na suposição de que se esteja acordado e não se esteja sonhando?

A justificação pertence a uma certa relação contingente causal entre a própria pessoa e seu ambiente circundante. Qual poderia ser o fundamento para pensar que tal relação de fato prevalece?

Se ela não é conhecida a priori então não é conhecida por meio de nenhum tipo de introspecção ou percepção direta, como então é conhecida?

Que razões deveriam ser oferecidas ao darmos suporte a um internalismo tal como o de Moore? Aqui temos dois suportes conhecidos:
1) Internalismo cartesiano da justificação:
A apropriabilidade do pensamento é uma questão puramente interna à mente do sujeito, e não depende daquilo que está além.

2) Internalismo chisholmiano da justificação:
O conceito de justificação epistêmica é interno, visto que se pode descobrir diretamente, por reflexão, o que é justificado na crença a qualquer tempo.

Reflexão:
i) introspecção
ii) intuição racional
iii)memória
iv) dedução
v)indução ou razão ampliativa que se constitui somente nas coisas produzidas pelos intens (i) - (iv) acima
Como se relacionam estas formas de internalismo?

Tese: o internalismo chisholmiano resulta do internalismo cartesiano tendo em vista que:

AI Acessibilidade Interior

Coisas puramente internas à mente, tais como propriedades mentais ocorrentes e atitudes proposicionais, podem sempre ser descobertas pela reflexão.


ASE Acessibilidade da Superveniencia Epistêmica

O fato de que uma crença pudesse alcançar, se alcança, e necessariamente alcançaria, um status epistêmico particular em virtude de certas propriedades não-epistêmicas pode ser descoberto pela reflexão

Chisholm: O internalista pensa que simplemente pela reflexão sobre o seu próprio estado consciente ele pode formular um conjunto de princípios epistêmicos que lhe permitirão descobrir, com respeito a qualquer crença possível que ele possa ter, se ele é ou não justificado ao ter essa crença.

Não depende de qualquer assistência externa. É preciso somente considerar o seu estado de mente.

Mas o que justifica essa suposição?
Por que supor, com o internalismo chisholmiano, que a reflexão espontânea e especulativa poderia sempre revelar que alguém esteja ou não justificado?

3) Internalismo chisholmiano
Deontologia, justificação (epistêmica) e internalismo constam como intimamente conectados e o internalismo de Chisholm tem sido explicado por meio dessas conexões.

Entendemos “internalismo” como principalmente chisholmiano: a visão de que possuímos acesso especulativo ao status epistêmico de nossas crenças.

Deontologismo
Estamos epistemicamente justificados (e sem merecer censura) em @-ar se e somente se, ao @-ar, estamos cumprindo nosso dever epistêmico.
@ se refere aos verbos que tem a ver com a formação de crenças: acreditar, pensar, julgar, achar, etc.

Concepção deontológica de justificação epistêmica:
S é justificado epistemicamente em t ao crer que p se e somente se S em t opta livremente por crer que p, embora justificadamente ciente de que ele deveria nesse caso crer que p

Onde está o internalismo nessa explicação combinada?

Se podemos conhecer isso somente pela reflexão, presumivelmente é pela reflexão que podemos saber que estamos epistemicamente justificados - circularidade.

É somente ao assumir, em primeiro lugar, o internalismo ontológico, que podemos então derivar o internalismo epistêmico de uma comcepção deontológica de justificação.

Além disso encaramos ainda:

a) o quanto não é obvio o fato de que a mente da pessoa deveria ser inteiramente transparente à sua própria reflexão como requer
AI


b) 0 o quanto não é obvio o fato de que o elemento fundamental de superveniencia da obrigação epistêmica da pessoa deveria sempre ser simples o bastante de modo que sua identidade estivesse acessível à nossa reflexão espontânea, como requer
ASE

A maioria dos epistemólogos de qualquer corrente, externalista ou não, certamente concordará que, por uma ampla e fundamental categoria de casos, o que foi dito em nome do internalista seja provavelmente verdadeiro.

Mas,

A definida noção de “justificação epistêmica” engloba um status epistêmico de interesse principal à epistemologia, inclusive para os “internalistas” em geral?

Se pararmos com a noção exposta de justificação deontológica, não estaremos falhando em nossos esforços de esclarecimento da justificação epistêmica internalista? Afinal de contas, existem outros status desejáveis a ser atingidos por nossas crenças.

Assim não é bom que uma crença não seja derivada de um esforço deliberado em acreditar no que é falso, de um tipo de “masoquismo epistêmico”. E é conveniente que uma crença não seja derivada da negligência.

Ao optar por uma concepção deontológica de justificação epistêmica, estamos abarcando todos os aspectos relevantes da excelência epistêmica “interna” que queremos esclarecer? Ou estaríamos falhando de maneira análoga às quais falharíamos se parássemos com a simples rejeição às concepções de rejeição ao masoquismo ou rejeição à negligência de justificação?

Se restringirmos a justificação epistêmica ao conceito deontológico, todas as crenças tornam-se indistinguíveis em relação à justificação epistêmica - nenhuma pode ser dita justificada.

A concepção mais ampla de justificação interna necessitaria, talvez, levar em consideração tanto a rejeição da negligência como a segurança da justificação deontológica - tanto uma como a outra seriam relevantes, de maneiras diferentes, para a justificação epistêmica interna.

Mas a concepção mais ampla teria de ir além dessas coisas da mesma maneira. Os contornos dessa concepção mais ampla ainda têm de ser traçados.

4) Justificação e o interior
Compare-se a si mesmo com um congênere vítima do gênio maligno. Suponha os dois, de maneira indistinguível, em cada um dos aspectos mentais correntes; se você tem uma experiência sensorial comum, seu congênere também a tem; se você tem determinada crença, seu congênere também a tem; se você defendesse sua crença apelando a determinadas razões, seu congênere também a faria, etc. e vice versa. Portanto os dois são, em todos os aspectos, réplicas em cada um dos aspectos mentais correntes.

Se ambos são epistemicamente justificados ao acreditar que estão defronte a uma mão, deveria ser o outro igualmente justificado ao sustentar a mesma crença? Do que poderia derivar uma diferença na justificação?

De acordo com Chisholm, para cada crença epistemicamente justificada, deve haver uma estrutura racional cuja presença na mente do sujeito produz essa justificação.
Sujeitos parecidos em suas disposições em responder à dialética socrática, às exigências de exposiçãoda própria justificação, serão semelhantes em suas justificações (contanto que seus fundamentos sejam igualmente seguros)

Mary e jane chegam à mesma conclusão C. Mary através de uma prova brilhante, Jane através de falácias. Mary e Jane possuem justificação chisholmiana, mas somente Mary possui justificação EP (etiológica pessoal)
Justificação chiholmiana depende apenas da habilidade presente de aduzir razões, e de sua estrutura presente de experiências e crenças. Ao contrário, justificação EP vai além, e também abarca a operação da experiência sensorial passada e a introspecção.

Que razão deveria existir para a preferência por uma dessas concepções de justificação, a chisholmiana restrita ao presente, e a outra, abarcando o passado?

Suponha que um professo erra na demonstração de um raciocínio. Você consequentemente acredita na mesma coisa, simplesmente porque o professor disse que é assim. Estaria você justificado?
Você é justificado de maneira chisholmiana e também de maneira EP.

Esse tipo de justificação é a “justificação de etiologia social”, pois depende não só da estrutura racional de suporte presente da crença, e também não só dessa estrutura junto com a qualidade de sua etiologia pessoal, través de faculdades como memória e raciocínio, mas depende também da sua etiologia social, na qual o testemunho deve ser uma figura crucial.

Até que ponto a justificação depende do exterior?

Tendo em vista a tendência da mente humana a incorrer no paradoxo, em que a própria razão aparentemente nos conduz ao erro, como podemos pensar na justificação produzida pela intuição? A mente humana está sujeita a erros inerentes.

Considere Bi como crença falsa contida no conjunto constituinte de paradoxo {B1,...Bn, Bn+1}

Ao aceitar Bi de maneira específica, o sujeito deixa assim de estar não-acidentalmente em contato com a verdade, sendo Bi falsa, o sujeito não está, por conta disso, realmente em contato com a verdade.

O assentimento de Bi seria um correlato de verdade ou está de acordo com ela, entretanto, desde que Bi nem sequer seja verdade.

Dessa forma existe algo errado no assentimento ao conteúdo de Bi, mas é algo comum exterior à mente, algo pertencente a um fato que, de certo modo, vai além daquilo que é determinado pelos conteúdos da mente.
Por fim o resultado é uma ambiguidade: o sujeito é subjetivamente justificado (memória, inferência, intuição), mas objetivamente injustificado.
Questões que surgem:

Haverá um elemento externalista fundamental até mesmo nas faculdades de reflexão, a saber, memória e razão, dedutiva e indutiva (incluindo, talvez a introspecção)?

Se o exterior é envolvido nessa justificação por que dar um fim a essas faculdades que produzem a justificação?

Porque não incluir a também a percepção do ambiente circundante, e ainda o testemunho dos sere humanos circundantes?

No que diz respeito à justificação epistêmica, a importância da quelauer divisão intuitiva interior/exterior é portanto colocada em questão.
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