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Aquisição da Libras como 1ª Língua

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Ana Paula Arja Ribeiro

on 23 July 2016

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Transcript of Aquisição da Libras como 1ª Língua

Aquisição da Libras como
1ª Língua
As línguas de sinais possibilitam o desenvolvimento cognitivo da pessoa surda, pois favorecem o acesso destes aos conceitos e aos conhecimentos existentes na sociedade.
A língua de sinais preenche as mesmas funções que a lingua falada para os ouvintes.
Como ocorre com crianças ouvintes, espera-se que a língua de sinais seja adquirida na interação com usuários fluentes da mesma, os quais, envolvendo as crianças surdas em práticas discursivas e interpretando os enunciados produzidos por elas, insiram-se no funcionamento dessa língua. (PEREIRA, 2000).
A aquisição língua de sinais, tem um papel fundamental na aquisição da leitura e da escrita, pois possibilita a constituição de conhecimento de mundo, propiciando aos alunos surdos, entender o significado do que lêem, deixando de ser meros decodificadores da escrita.
Ex.: Livro
As Centopéias e seus Sapatinhos
Milton Camargo
As crianças surdas, filhas de pais surdos, adquirem as regras de sua gramática de forma muito similar às crianças ouvintes adquirindo línguas faladas.
Assim, percebe-se que a constituição da gramática da criança independe das variações das línguas e das modalidades em que as línguas se apresentam (Quadros, Lillo-Martin e Quadros, 2007).
Como diz Chomsky, seja a língua como for, a faculdade da linguagem é algo comum entre os seres humanos.
Vamos refletir:
Para Sánches (2002), apud Fernandes, (2006):
... bilinguismo dos surdos pressupõe o acesso pleno à língua de sinais como primeira língua, representando o elemento fundador de sua subjetividade/identidade na constituição de sentidos sobre o mundo e no acesso ao conhecimento.
Isso assegurado, o aprendizado das línguas que a sucederão será decorrente da necessidade de interação significativa com o meio social em que se inserem.
A aprendizagem significativa será dependente da função social atribuída a essa segunda língua nas relações cotidianas do aprendiz, não apenas da imposição de uma proposta política ou escolar planejada (p.122).
Trechos do filme:
E Seu Nome é Jonas.

Referências
Muitos surdos têm adquirido sua L1 (Libras) tardiamente, devido a uma incidência significativa de crianças surdas com pais ouvintes que não adquirem a língua de sinais no período comum de aquisição da linguagem.

Lennenberg (1967) propôs a existência de um período crítico para a aquisição da linguagem tendo como pressuposto que a linguagem é inata.

Inicia por volta dos 2 anos e se encerra por volta da puberdade. ( crítico porque seria aquele mais sensível à aquisição da linguagem)

O autor explica que o cérebro humano inicialmente tem
representação bilateral
das funções da linguagem e, mediante o processo de aquisição, na puberdade
apenas um hemisfério
se torna mais dominante em relação às funções da linguagem completando o período de aquisição da linguagem.

Caso a criança não adquira linguagem no período certo, seu desenvolvimento linguístico será prejudicado.
Em estudos realizados envolvendo crianças que foram privadas de qualquer forma de input (contato com a Língua) durante todo o período de aquisição, mostra que as crianças também apresentam problemas de ordem cognitiva, perceptuais e privação social.

KUBASKI, Cristiane; MORAES, Violeta Porto O Bilinguismo como Proposta Educacional para Crianças surdas.– UFSM
QUADROS Ronice Müller de ; PIZZIO, Aline Lemos - Aquisição da Língua de Sinais - UFSC 2011

Isso não significa que não possa haver aquisição em outros períodos da vida.
Mas....
Quadros, Cruz e Pizzio (2007) observaram alguns atrasos no desenvolvimento da linguagem de surdos com aquisição tardia.

BORTOLOTI Rosa Teresinha - LIBRAS COMO POSSIBILIDADE E ALTERNATIVA PARA O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ALUNO SURDO

Encontramos na LIBRAS uma possibilidade de proporcionar ao aluno surdo o desenvolvimento e a motivação necessárias à aprendizagem.

O surdo precisa conhecer os sinais da sua língua para entender o seu mundo, além de viver e conviver com os ouvintes, assimilar o processo da aprendizagem da Língua Portuguesa, que o auxilia nas práticas pedagógicas.
David Wright é um autor com surdez pós-linguística, que escreve do âmago de sua própria experiência e não como um historiador ou acadêmico escreve sobre um tema.
Ele conta sua experiência:
"Tornar-me surdo na época em que me tornei – se a surdez tinha de ser meu destino – foi uma sorte extraordinária. Aos sete anos de idade, uma criança provavelmente já compreende os fundamentos da língua, como eu compreendia. Ter aprendido naturalmente a falar foi outra vantagem – pronúncia, sintaxe, inflexão, expressões idiomáticas, tudo foi adquirido pelo ouvido. Eu possuía a base de um vocabulário que poderia ser ampliado sem dificuldade com a leitura. Tudo isso me teria sido impossível se eu tivesse nascido surdo ou perdido a audição mais cedo." David Wright
"[Minha surdez] ficou mais difícil de perceber porque desde o princípio meus olhos inconscientemente haviam começado a traduzir o movimento em som. Minha mãe passava grande parte do dia ao meu lado e eu entendia tudo o que ela dizia. Por que não? Sem saber, eu vinha lendo os seus lábios a vida inteira. Quando ela falava, eu parecia ouvir sua voz. Foi uma ilusão que persistiu mesmo depois de eu ficar sabendo que era uma ilusão. Meu pai, meu primo, todas as pessoas que eu conhecia conservaram vozes fantasmagóricas. Só me dei conta de que eram imaginárias, projeções do hábito e da memória, depois de sair do hospital. Um dia eu estava conversando com meu primo, e ele, num momento de inspiração, cobriu a boca com a mão enquanto falava. Silêncio! De uma vez por todas, compreendi que quando não podia ver eu não conseguia escutar." David Wright
SACKS Oliver W., Vendo Vozes: uma viagem ao mundo dos surdos; tradução Laura Teixeira Mota - São Paulo
Joseph nasceu surdo, mas a família so percebeu quando ele tinha 4 anos.
Com 11 anos não possuía língua de espécie alguma.
Joseph ansiava por comunicar-se, mas não conseguia.
Não sabia falar, escrever, nem usar a língua de sinais. Usava gestos e pantomima, além de uma notável habilidade para desenhar.
O que teria acontecido com ele?
O que se passa em seu íntimo?
Como foi que ele chegou a essa situação?
Quando exposto a LS pela 1ª vez:
Ele parecia vivo e animado, mas imensamente desconcertado: seus olhos eram atraídos pelas bocas que falavam e pelas mãos que gesticulavam.
Ele percebia que alguma coisa estava "acontecendo" entre nós, mas não conseguia entender o que era até então. Não tinha quase noção alguma da comunicação simbólica, do que era ter um meio de troca Simbólica, permutar pensamentos.
Anteriormente privado de oportunidades, já que nunca fora exposto a língua de sinais e prejudicado em sua motivação e estado de espírito (sobretudo no que se refere ao prazer que a brincadeira e a linguagem deveriam proporcionar) Joseph começa a aprender LS.
Ele queria ficar na escola o dia inteiro, a noite inteira, o fim de semana inteiro, o tempo todo. Ficava aflito ao ter que sair da escola, pois ir para casa, para ele, significava voltar ao silêncio, retomar a um vácuo de comunicação sem esperanças, onde ele não podia conversar, comunicar-se com os pais, vizinhos, amigos; significava ser deixado de lado, tonar-se novamente um ninguém.
Joseph era incapaz, por exemplo, de contar como passara o fim de Semana. ( não era possível perguntar a ele, mesmo na língua de sinais)
Não era capaz nem ao menos de entender a ideia de uma pergunta nem menos de formular uma resposta.
Não era apenas a língua que estava faltando: inexistia um claro senso do passado de “um dia atrás" como algo distinto de “um ano atrás".
Havia a estranha ausência de um senso histórico, a sensação de uma vida que não possuía dimensão autobiográfica e histórica, a sensação de uma vida que só existia naquele momento no presente.
Um ser humano não é desprovido de mente ou mentalmente deficiente sem uma língua, porém está gravemente restrito no alcance de seus pensamentos, confinado, de fato, ao mundo imediato, pequeno. SACKS, Oliver W.
A Língua de Sinais como primeira língua contribui não só no processo de construção de conhecimento, mas também no processo de formação identitária.
Aos oito anos de idade, quando ficou claro que sua surdez era incurável e que, sem medidas especiais, sua fala seria regredia, David foi mandado para uma escola especial na Inglaterra, uma das escolas “orais”, que se preocupam sobretudo em fazer os surdos falar.
O pequeno David Wright ficou pasmo no primeiro encontro com seus colegas que tinham surdez pré-lingüística:
Às vezes, eu tinha aulas junto com Vanessa. Ela foi a primeira criança surda que conheci. [...] Mas mesmo para uma criança de oito anos como eu, seus conhecimentos gerais pareciam estranhamente limitados.
Lembro-me de uma aula de geografia que estávamos tendo juntos, quando a Srta. Neville perguntou:
“Quem é o rei da Inglaterra?”
Vanessa não sabia; perturbada, ela olhou de esguelha para o livro de geografia.
Aberto no capítulo sobre a Grã-Bretanha que tínhamos estudado, tentando ler.
“Rei-rei”, ela começou.
“Prossiga”, ordenou a Srta Neville.
“Eu sei”, falei.
“Fiquei quieto”.
“Reino Unido”, disse Vanessa.
Caí na risada.
“Você é muito boba”, disse a Srta. Neville. “Como é que um rei pode chamar-se Reino Unido?”
“Rei Reino Unido”, tentou a pobre Vanessa, escarlate.
“Diga a ela, se souber, [David].”
“Rei Jorge v”, falei, todo orgulhoso.
“Não é justo! Isso não estava no livro!”

A menina não era nada estúpida, mas, tendo nascido surda, adquiriu lenta e penosamente um vocabulário que ainda era demasiado reduzido para lhe permitir ler por diversão e prazer.
Em consequência, não havia quase meios pelos quais ela pudesse adquirir a base de informações variadas e temporariamente inúteis que outras crianças adquirem de forma inconsciente nas conversas ou leituras ao acaso.
Quase tudo o que Vanessa sabia, alguém lhe ensinara ou ela fora obrigada a aprender.
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