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Análise do poema "O Infante" da Mensagem

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on 9 February 2015

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Transcript of Análise do poema "O Infante" da Mensagem

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
O Infante
Paráfrase
Estrutura Externa
Beatriz Ramirez nº6 12ºD
Análise do poema "O Infante" da Mensagem de Fernando Pessoa
Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972). - 57.
1º parte
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Os três sujeitos (Deus, o homem e a obra), dependentes mutuamente, praticam as suas acções: o primeiro quer, o segundo sonha, e a terceira nasce. Mas, sem a vontade do primeiro, o segundo não sonharia e a terceira não podia nascer.
Assíndeto
Gradação decrescente: Deus » Homem » obra
Formas verbais no presente do indicativo, de aspeto durativo.
2º parte
Momento 1
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Terra unida pela descoberta dos continentes (América, África, Europa e Ásia).
Perífrase: “a terra fosse toda uma” = (formação do) Império
“Deus quer”(v.1) no Presente do Indicativo por oposição a “Deus quis” (v.2) no Pretério Perfeito do Indicativo.
Anáfora: Repetição da palavra “Deus” no início do 1º e 2º versos“Deus quer (…) / Deus quis”
Momento 2
Sagrou-te, […]
Infante é "sagrado" para a missão divina, predestindo para iniciar os Descobrimentos, é o escolhido por Deus para a execução da obra desejada.
Aspecto perfectivo: a ação é apresentada como concluida
Que o mar unisse, já não separasse.
Deus quis a unidade da terra (isto é, que fosse toda conhecida), através do mar, de forma a servir de elemento de união entre os continentes e os povos.
“Que o mar unisse” = oração subordinada adjectiva relativa explicativa (entre vírgulas) – consiste numa explicação do verso anterior (desempenhando a função sintática de modificador apositivo do nome).
Assíndeto
Antítese: ideia de oposição entre “unisse” e “separasse” – relação de contraste.
Aliteração: repetição do “s” (“unisse” e “separasse”)
3º parte
Momento 3
[…] e foste desvendando a espuma.
O Infante é o escolhido por Deus para concretizar o seu projeto - é aquele que sonha, que tem a visão e finalmente foi “desvendando a espuma”, ou seja realizou a obra.
Metáfora: “desvendando a espuma”= desfazer o mistério ao descobrir os continentes e ilhas incógnitas.
E a orla branca foi de ilha em continente,
Referência à descoberta das ilhas da Madeira e dos Açores até à costa Africana.
Sinédoque: toma-se a parte pelo todo - “a orla branca” = rasto de espuma (esteira) dos barcos que partiram nos Descobrimentos » simboliza as caravelas e naus
Personificação: "E a orla branca foi de ilha em continente" - personificação da "orla branca" que nos sugere a rapidez imparável das descobertas.
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
Referência à passagem do Cabo das Tormentas: «até ao fim do mundo» para chegar à Índia.
“correndo” forma verbal no gerúndio dando a ideia de continuidade.
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Esta visão da terra sugere a ideia de que a obra dos portugueses é o realizar de um plano divino. O redondo, a esfera, é o símbolo da perfeição cósmica, da unidade, da totalidade, da obra completa e perfeita que Deus quis.
Gradação crescente: começou por desvendar «ilha(s)» e «continente(s)», chegando ao «fim do mundo» e dando assim a conhecer «a terra inteira»;
Aliteração do “rr”: “correndo/terra/repente/redonda
Há no texto vários elementos que transmitem a ideia de revelação:
a concretização da união da terra: “E viu-se a terra inteira”;
sair das sombras (sair da ignorância e atingir o conhecimento): “orla branca” “clareou”;
o seu carácter súbito: "de repente";
o aparecimento: "Surgir";
a ideia de origem, profundidade: "o azul profundo”(do mar imenso, do fundo do mistério).
Quem te sagrou criou-te português.
Deus sagrou o Infante e criou-o português, sendo assim símbolo do povo Português, o que significa que também ele foi assinalado, predestinado, escolhido por Deus para desvendar o mar desconhecido.
Perífrase: utilização de várias palavras “quem te sagrou” quando se podia usar uma palavra: “Deus”.
O sujeito poético dirige-se ao Infante na segunda pessoa do singular ("Sagrou-te, e foste…" ‑ v. 4); "Quem te sagrou criou-te" ‑ v. 9; "Do mar e nós em ti…" ‑ v. 10), o que traduz uma relação de proximidade e de cumplicidade.
Poema da segunda parte -
Mar Português
- da
Mensagem
,consagrada ao tema
Possessio Maris (
a posse do mar).
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Através do Infante Dom Henrique Deus revelou a sua vontade de os Portugueses partirem à Descoberta pelo mar.
Hipérbato: alteração da ordem natural das palavras na frase – ordem canónica: “e em ti nos deu sinal do mar (para) nós”
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Novo esquema: o sonho cumpriu-se (tese), desfez-se (antítese) e deu lugar a um novo sonho (síntese). Teríamos assim uma nova vontade divina, um novo sonho e uma nova acção.
“O Império se desfez” = queda do Império com a independência dos territórios do Brazil e da Índia.
A utilização das maiúsculas (Mar, Império) procura chamar a atenção para a riqueza significativa das palavras.
Senhor, falta cumprir-se Portugal
Apelo ao cumprimento do destino mítico de Portugal: uma nova e espiritual missão – o V Império (império imaterial e civilizacional), visto que a dimensão material do império já foi conseguida (na época do Descobrimentos), ou seja, falta que Portugal se cumpra como pátria e entidade nacional – atingindo a perfeição.
Frase exclamativa e em forma de vocativo “Senhor, falta cumprir-se Portugal!”
Apóstrofe: invocação de um interlocutor (“Senhor”=Deus)
Há um diálogo implícito entre o sujeito poético e Deus, o que acentua o carácter misterioso do poema.
Uso do presente do indicativo na forma verbal “falta” para exprimir urgência
Acto ilocutório directivo sob a forma de pedido
Estrofes Correspondentes
d'
Os Lusíadas
Canto IX
(1) Navegadores Portugueses
Argonautas: heróis gregos , a bordo de Argo, que foram buscar um velo de ouro guardado por um dragão que nunca dormia
(2) descuidadas
(3) Deusa do mar, esposa do Oceano
(4)vimortal
(5) primazias, distinções, excelências, grandezas
Infante Dom Henrique
Início do Império
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