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Saga - Sophia de Mello Breyner Anderson

Resumo do conto.
by

João Carlos

on 19 January 2014

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Transcript of Saga - Sophia de Mello Breyner Anderson

Saga - Sophia de Mello Breyner Anderson
"No porão o capitão chicoteou Hans em frente dos homens calados. No fim disse-lhe:
- Agora aprende a ter juízo.
Mas nessa madrugada, em segredo, Hans abandonou o navio."
"Através de grades de ferro pintadas de verde, espreitou o interior sussurrante de insondáveis jardins onde sob enormes arvoredos se abriam trémulos junquilhos. Parou em frente do ourives para olhar as montras, à porta das adegas respirou a frescura sombria e o cheiro do vinho entornado. Caminhou ao longo do rio, na margem onde as mulheres , descalças, carregavam cestos de areia enquanto outras discutiam, aos magotes, cortando com grandes brados e largos gestos o ar liso da manhã. Penetrou nas igrejas de azulejo e talha que não eram claras e frias como as igrejas do seu país, mas doiradas e sombrias, numa penumbra trémula de velas onde negrumes e brilhos, animavam o rosto das imagens que num incerto sorriso pareciam reconhecê-lo. Dormiu nos degraus de uma escada, sob os arcos da praça, nos bancos do jardim público e as noites pareceram-lhe mornas e transparentes."
“(…) e é nesse navio que, nas noites de tempestade, Hans sai da barra e navega para o Norte, para Vig, a ilha.”
"O mar do Norte, verde e cinzento, rodeava Vig, a ilha..."
"Hans concentrava o seu espírito para a exaltação crescente do grande cântico marítimo. Tudo nele estava atento como quando escutava o cântico do órgão da igreja luterana, na igreja austera, solene, apaixonada e fria. Ali, no respirar da vaga, ouvia o respirar indecifrado da sua própria paixão."
"Sören, pai de Hans, era um homem alto, magro, com os olhos cor de porcelana azul, os traços secos e belas mãos sensíveis que mais tarde, durante gerações, os seus descendentes herdaram. Nele, como na igreja luterana, havia algo de autero e solene, apaixonado e frio. Havia porém algo de taciturno e ansioso em Sören: ele pensava talvez que a integridade humana , mesmo a mais perfeita, nada podia contra o destino."
Maria, mãe de Hans
"Os seus irmão mais novos - Gustav e Niels - tinham morrido no naufrágio de um veleiro que lhe pertencia."
"Sören vendeu os seus barcos e comprou terras no interior da ilha. Dizia-se mesmo que nunca mais olhara o mar. Dizia-se mesmo que nesse dia tinha chicoteado o mar."
“Carregado de imaginações queria ser, como os seus tios e avós, marinheiro. Não para navegar apenas entre as ilhas e as costas do Norte, seguindo nas ondas frias os cardumes de peixe. Queria navegar para o Sul.”
“- Quero ser marinheiro- respondeu Hans. - Não. Escolhe outra coisa. Podes estudar leis ou medicina ou engenharia.”
“Promete –me que nunca serás homem do mar. Dá-me a tua palavra. Hans fitou a toalha.Baixo e devagar, respondeu: - Não posso.”
“Foi no «Angus» que Hans fugiu de Vig alistado como grumete.”

Foi então que um inglês chamado Hoyle que morava para o lado do rio o encontrou, a chorar, encostado ao muro da sua quinta e lhe bateu com a mão no ombro, o levou consigo e o recolheu.
Hoyle era armador e negociava no transporte de vinho para os países do Norte. Vivia naquela cidade há trinta anos, mas sempre como estrangeiro, sem aprender decentemente a língua da terra nem se habituar à sua comida. Só ao clima e aos vinhos se habituara. Para além das relações com os empregados, criados e alguns comerciantes não convivia com indígenas. As suas relações e amizades eram só com ingleses, só falava bem inglês, só lia jornais ingleses e comia só comida inglesa com mostarda inglesa, na sua casa mobilada com mesas, cadeiras, armários, camas, gravuras inglesas e onde pairava sempre um cheiro inglês a farmácia.

E, ora a bordo ora em terra, ora debruçado nos bancos da escola sobre mapas e cálculos, ora mergulhado em narrações de viagens, estudando, sonhando e praticando, ele preparava-se para cumprir o seu projeto: regressar a Vig como capitão de um navio, ser perdoado pelo Pai e acolhido na casa.
“Deus te perdoe, Hans, porque nos injuriaste e abandonaste. Manda-me o teu pai que te diga para não voltares a Vig pois não te receberá.”
“A fortuna não era a sua ambição, nem a sua aventura nem o seu jogo e nela nada de si próprio envolvia. Enriquecia porque a sua percepção e os seus cálculos estavam certos.”
“- Quando morrer- pediu Hans- mandem construir um navio em cima da minha sepultura.”
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