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O que há em mim é sobretudo cansaço - Álvaro de Campos - Apresentação Pedro Toste

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Pedro Toste

on 5 December 2014

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Transcript of O que há em mim é sobretudo cansaço - Álvaro de Campos - Apresentação Pedro Toste

Biografia
Nasceu a 13 de Outubro de 1890, em Tavira.
Profissão: Engenheiro (Formado em engenharia mecânica e naval).
Escreveu o Opiário.
Nasce quando Fernando Pessoa sente "um impulso para escrever".
Filho indisciplinado da sensação.
Traços da sua poesia
Poesia modernista.
Poesia sensacionista (odes).
Cantor das cidades e do cosmopolitanismo ("Ode triunfal).
Cantor da vida marítima em todas as suas dimensões ("Ode Marítima").
Cultor das sensações sem limite.
Poesia de verso torrencial e livre.
Poesia em que o tema do cansaço é fulcral.
Poeta da condição humana partilhada entre o nada da realidade e o tudo dos sonhos ("Tabacaria").
Observador do quotidiano da cidade através do seu desencanto.
Poesia da angústia existencial e da autoironia
O que há em mim é sobretudo cansaço
Análise do poema:
Análise interna e externa
Porque este poema em especial?
O que há em mim é sobretudo cansaço

Álvaro de Campos
"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
“O que o mestre Caeiro me ensinou foi a ter clareza; equilíbrio, organismo no delírio e no desvairamento,
e também me ensinou a não procurar ter filosofia nenhuma
”.
"sentir tudo
as maneiras"
de todas
Fases das suas obras
1ªFase -
Decandentismo - ("Opiário", "somente")
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...





2ªFase - Futurista/sensacionista
3ªFase - Pessimismo
Linhas temáticas
O canto do ópio.
O desejo dum Além.
O canto da civilização moderna.
O desejo de sentir em excesso.
A espiritualização da matéria e a materialização do espírito.
O delírio sensorial.
O pessimismo.
A inadaptação temática. A angústia, o tédio, o cansaço.
A nostalgia da infância.
A dor de pensar.
“Volto à Europa descontente, e em sortes/ De vir a ser um poeta sonambólico”.

Opiário

O poema divide-se em quatro partes lógicas, correspondentes às quatro estrofes
1ªEstrofe -
O sujeito poético refere que se sente cansado com o que o rodeia;
Não é um cansaço proveniente de algo em particular, é simplesmente
cansaço
.
2ªEstrofe -
Razões do cansaço da 1ªEstrofe;
"A subtileza das sensações inúteis, /As paixões violentas por coisa nenhuma, /Os amores intensos por o suposto alguém. /Essas coisas todas - /Essas e o que faz falta nelas eternamente -; /Tudo isso faz um cansaço, /Este cansaço, /Cansaço." (vv.6 a 13).
O poeta refere coisas que todos desejam (
sensações, paixões e amor
) para mostrar que nem tudo aquilo que ambicionamos tem sentido.

3ªEstrofe -
o sujeito poético compara-se àqueles que não sentem tédio face à vida.
. O poeta ironiza mesmo com os que aspiram a coisas que, para o “eu”, são impossíveis.
“Há sem dúvida quem ame o infinito, / Há sem dúvida quem deseje o impossível, /Há sem dúvida quem não queira nada” (vv. 14 a 16).
.
O poeta não se revê em nenhum destes ideais
(“e eu nenhum deles” (v.17)
, achando-os mesmo incorrectos.
o poeta demarca-se dos idealistas e ambiciona não apenas o sonho (o infinito e o impossível), mas também o finito e o possível.
“Porque eu amo infinitamente o finito, / Porque eu desejo impossivelmente o possível, / Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, / Ou até se não puder ser...” (vv.18 a 21).
4ªEstrofe -

Conclusão.
Para as outras pessoas há algo que as faz viver e sonhar de forma equilibrada
(“a média entre tudo e nada”).

Para o sujeito poético é bem diferente pois o facto de não ser compreendido e de não atingir os seus desejos traduz-se num

“supremíssimo cansaço/ Íssimo, íssimo, íssimo, / Cansaço...” (vv.28 a 30).
O poeta sente, com felicidade, um
infecundo cansaço
, pois encontra uma
razão
para tal fraqueza –
a incapacidade das realizações.
Traços característicos de Álvaro de Campos presentes no poema:
Linguaguem corrente
a aproximação à linguagem oral
A ausência de métrica e rima
Versos livres e longos
Estilo
esfuziante
,
torrencial
e
dinâmico
.
Recurso a inúmeras figuras de estilo
Processos estilísticos mais relevantes
Repetição
A repetição da palavra "cansaço", palavra que, aliás, está presente no início e no fim do poema, para mostrar que o cansaço é o tema fundamental deste poema.
" O que há em mim é sobretudo cansaço" v.1
"Cansaço assim mesmo, ele mesmo, cansaço".
v.4/5
A repetição de "íssimo" (v.29), correspondendo à repetição de supremíssimo, serve para hiperbolizar a intensidade do cansaço.


"Íssimo, íssimo, íssimo,"
v.29
Anáfora
As construções anafóricas realçam construções paralelistas.
"Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -"
vv. 14/15/16
Quiasmo
Expressividade dos vv. 23 e 24, que para além de conterem a anáfora, são ainda enriquecidos com o quiasmo:
"(...)uma vida
vivida
ou
sonhada
(...)
(...)sonho
sonhado
ou
vivido
(...)"
Gradação
A gradação das formas verbais - "
ame, deseje e queira
" (vv. 14, 15 e 16) - e as correspondentes "
amo, desejo e quero
" (vv. 18, 19 e 20) - permite distinguir não só os três ideários uns dos outros, mas também os três, em conjunto, do sujeito poético.
Hipérbole
A expressividade dos advérbios de frase "eternamente" (v. 10), "infinitamente" (v.18), "impossivelmente" (v.19), sempre com um intuito hiperbolizante.
"Essas e o que faz falta nelas
eternamente
-"
v. 10
"Porque eu amo
infinitamente
o finito,
Porque eu desejo
impossivelmente
o possível"
v. 18/19
Paradoxo
O paradoxo existente serve para reforçar o estado de cansaço e da não aceitação da sua própria condição.
"(...) infinitamente o finito"
"(...) impossivelmente o possível"
v. 18/19
Ironia
O seu desalento com a vida e o seu ódio por ter fracassado é expressado, num recurso à ironia em "felicidade" e pela utilização de "infecundo", resignando-se ao fracasso.
"Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço."
v.30/31/32
Análise formal/externa do poema:
-Ausência de rima (verso livre)
-Irregularidade de versos por estrofe
-Linguagem corrente, simples e repetitiva
-Composição poética: Quadra
-Recurso frequente à anáfora
-Utilização de aliterações, antíteses, hipérboles, paradoxos, repetições e quiasmos.
Conclusão:
FÉRIAS, PRESENTES, FAMÍLIA, PAI NATAL, JÁ ESTÁ QUASE
Verdadeira Conclusão
"Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo"

Álvaro de Campos
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