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Frígida

Análise do poema de Cesário Verde
by

Teresa Antunes

on 27 May 2014

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Transcript of Frígida

Frígida: Análise do poema de Cesário Verde

Frígida
Análise Formal

• Imaginética feminina;
• Sentimento da humilhação ligado ao erotismo da “mulher fatal”;

Temáticas:
Metáfora:
E eu turbo-me ao deter
seus olhos cor das ondas
Recursos estilísticos
Antítese:
Traz o
espledendor do Dia e a palidez da Noite
Recursos estilísticos
Este é um poema urbano em que Cesário apresenta a mulher mais pelo lado da materialidade e menos atento a sua graça espiritual.
Temática Predominante
A Figura feminina
Este poema integra-se num conjunto em que o «eu» masculino castiga a mulher.
Segue-se, então, o retrato da mulher fatal do tempo. Recusando o cerebralismo balzaquiano, o poeta sente-se fascinado por tanta frieza, mas, paradoxalmente, queda-se por uma expectativa passiva.
-
Formosa, fria, distante, impassível, altiva, fatal, pálida, bela .

-
O poeta deseja e receia pois teme a humilhação, debatendo-se com o controlo dos seus impulsos nervosos .

-
Esta mulher tem grande valor erótico que simultaneamente desperta o desejo e arrasta para a 'morte' através da humilhação.

-
Retrata os valores da decadência e violência social.
Síntese
I
Balzac é meu rival, minha senhora inglesa!
Eu quero-a porque odeio as carnações redondas!
Mas ele eternizou-lhe a singular beleza
E eu turbo-me ao deter seus olhos cor das ondas.

II
Admiro-a. A sua longa e plácida estatura
Expõe a majestade austera dos invernos.
Não cora no seu todo a tímida candura;
Dançam a paz dos céus e o assombro dos infernos.

III
Eu vejo-a caminhar, fleumática, irritante,
Numa das mãos franzindo um lençol de cambraia!...
Ninguém me prende assim, fúnebre, extravagante,
Quando arregaça e ondula a preguiçosa saia!

IV
Ouso esperar, talvez, que o seu amor me acoite,
Mas nunca a fitarei duma maneira franca;
Traz o esplendor do Dia e a palidez da Noite,
É, como o Sol, dourada, e, como a Lua, branca!

V
Pudesse-me eu prostar, num meditado impulso,
Ó gélida mulher bizarramente estranha,
E trêmulo depor os lábios no seu pulso,
Entre a macia luva e o punho de bretanha!...

VI
Cintila ao seu rosto a lucidez das jóias.
Ao encarar consigo a fantasia pasma;
Pausadamente lembra o silvo das jibóias
E a marcha demorada e muda dum fantasma.

VII
Metálica visão que Charles Baudelaire
Sonhou e pressentiu nos seus delírios mornos,
Permita que eu lhe adule a distinção que fere,
As curvas da magreza e o lustre dos adornos!

VIII
Desliza como um astro, um astro que declina,
Tão descansada e firme é que me desvaria,
E tem a lentidão duma corveta fina
Que nobremente vá num mar de calmaria.

IX
Não me imagine um doido. Eu vivo como um monge,
No bosque das ficções, ó grande flor do Norte!
E, ao persegui-la, penso acompanhar de longe
O sossegado espectro angélico da Morte!

X
O seu vagar oculta uma elasticidade
Que deve dar um gosto amargo e deleitoso,
E a sua glacial impassibilidade
Exalta o meu desejo e irrita o meu nervoso.

XI
Porém, não arderei aos seus contactos frios,
E não me enroscará nos serpentinos braços:
Receio suportar febrões e calafrios;
Adoro no seu corpo os movimentos lassos.

XII
E se uma vez me abrisse o colo transparente,
E me osculasse, enfim, flexível e submissa,
Eu julgara ouvir alguém, agudamente,
Nas trevas, a cortar pedaços de cortiça!

Comparação:
Desliza
como um astro
, um astro que declina
Hipálage:
Quando arregaça e ondula a
preguiçosa saia

Cintila ao seu rosto
a lucidez das jóias
Apóstrofe:
No bosque das ficções,
ó grande flor do Norte!
Paradoxo:
O sossegado espectro
angélico da Morte!
No poema "Frígida", a figura feminina realça as formas e isso provoca a exaltação dos sentidos, tal qual as personagens baudelerianas: são os belos corpos, as cinturas estreitas, as mãos bem feitas, as roupas elegantes, a fineza e a música no andar, a fleuma aristocrática (inglesa) , a frieza arrogante,a palidez e os cabelos dourados que encantam o sujeito poético.
A mulher é inacessível e está marcada com os valores da modernidade.
Tais valores estão cobertos por uma névoa de negatividade.‏

Características da mulher:
12 estrofes
Composto por quadras

III

Eu/ ve/jo-a/ ca/mi/nhar/, fleu/má/ti/ca, i/rri/tan/te,

Nu/ma/ das/ mãos/ fran/zin/do um/ len/çol/ de/ cam/bra/ia!...

Nin/guém/ me/ pren/de a/ssim/, fú/ne/bre, ex/tra/va/gan/te,

Quan/do a/rre/ga/ça e on/du/la a /pre/gui/ço/sa/

sai/a!
Mulher Fatal

Mulher de trejeitos libertinos e venenosos
Dona de um olhar rebelde, devasso e insolente
Trouxera misteriosamente uma sufocante graça
Que deixou meu coração incandescente !

Comportava em sua aparência falsas gabolices
Com atrevido e enfeitiçado cinismo anormal
No amar envolvia um fingimento compulsivo
De querência de altivo domínio e de ser fatal !

Era despida de senso de humor e meiguiçe
Manifestava, por capricho, chatos desprezos
Todavia, infelizmente, em suas algemas bandidas
Confesso, meu coração foi amarrado e preso !

Quando a conheci imaginei que a mudasse
Com apaixonados agrados, carinhos e afeição
Hoje reconhecer que errei é quase uma comédia
Mas, embriagado de amor, fui traído pelo coração !

Sua provocante beleza ofuscou meus sentidos
E cego e amando, meu coração se deslumbrou
Senti-me culpado de loucamente ter se apaixonado
Por essa mulher que minha vida pra sempre marcou !

Passadas essas chuvas de sombrias desilusões
Confesso que em procurá-la quase hesitei
Extasiado de desejo, quis subir ladeiras de ilusões
E saudoso, conceder-lhe perdão, eu juro que pensei !!

Edson Amorim
Música
José de Oliveira Lopes
Corcunda de Notre Dame -
Fogo do Inferno
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