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Wilfred Bion - Contribuições para o trabalho com grupos: Gru

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Ana Paula Okubo

on 8 November 2013

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Transcript of Wilfred Bion - Contribuições para o trabalho com grupos: Gru

De acordo com Zimmerman (2001), Bion descreveu as dificuldades que encontrou no seu meio familiar, reconhecendo que o fato de ter vivido a infância na Índia deve ter contribuído para a formação de um modo de pensar com matizes místicas. Teve uma impressionante formação humanística, cabendo mencionar que estudou História Moderna em profundidade, obteve licenciatura em Letras com distinção e fez estudos avançados em Filosofia e teologia. Tinha conhecimentos de Linguística e das línguas grega e latina, além de ser leitor apaixonado dos clássicos, Shakespeare em especial. Foi um destacado atleta em esportes universitários, tendo ganho várias medalhas.

Exerceu a psiquiatria da Tavistock Clinic e no exército britânico, onde se alistou voluntariamente, tendo participado ativamente de operações militares no campo de combate e ganho uma importante medalha por atos de bravura. Transpôs todos os postos da Sociedade Britânica de Psicanálise.
Em 1968, a convite, radicou-se em Los Angeles, onde viveu e trabalhou o resto da vida, tendo feito visitas cientificas à Buenos Aires e, por quatro vezes, ao Brasil. Embora na atualidade tenha um reconhecimento quase que generalizado, nos primeiros tempos sua obra despertou uma profunda dissociação entre adoradores e detratores.

Faleceu em 1979 após algumas poucas semanas de evolução de uma leucemia mieloide aguda, em Oxford, aos 82 anos, em meio a uma viagem saudosismo à Inglaterra de onde estava afastado há 11 anos.

Wilfred Bion
Contribuições para o trabalho com grupos: Grupo de Suposto Básico e Grupo de Trabalho.
Mentalidade Grupal e Cultura do Grupo

Wilfred Ruprecht Bion (1897-1979) filho de ingleses, nasceu na Índia, onde seu pai trabalhava para o governo inglês. Aos sete anos foi enviado para a Inglaterra, a fim de iniciar sua formação escolar.
Aos 33 anos completou sua titulação acadêmica na capital britânica, se formando em Medicina, obtendo uma medalha de ouro em cirurgia e outros títulos honoríficos. Posteriormente fez sua formação psiquiátrica e psicanalítica, tendo como sua analista didática Melanie Klein, de quem foi discípulo e admirador.
Foi casado duas vezes, a primeira com a ex-atriz Elisabeth Jardine que faleceu em 1945 após complicações no parto de sua primeira filha, enquanto Bion estava fora em compromissos das forças militares. Em 1951, casou-se pela segunda vez com Fracesca, uma pesquisadora e sua assistente na clínica Tavistock, com quem permaneceu casado até o fim de sua vida e teve mais dois filhos. (Zimmerman, 2004).


Histórico e Influências
Na de 40, dedicou-se a experimentos com grupos. Na década de 50, inspirado pelas observações dos mecanismos psicóticos, tal como postulava Melanie Klein, e que estavam subjacentes na dinâmica grupal. Trabalhou intensamente nos atendimentos a pacientes em estados psicóticos, interessando-se, sobretudo pelos transtornos da linguagem, do pensamento, do conhecimento e da comunicação (Zimmerman, 2001). Bion faz uma releitura da psicanálise introduzindo o uso de metáfora para facilitar a comunicação do analista com o paciente porque acreditava que a linguagem verbal poderia ser falha.
De acordo com Sampaio (2002), Bion adotava uma postura de evitar resolver os conflitos que começassem a surgir entre os pacientes e evitava interferir até que os reclamantes tivessem amadurecido os problemas e suas soluções. No grupo terapêutico, Bion não estabelecia nenhuma regra de procedimento, ele simplesmente procurava convencer “grupos de doentes a aceitar como tarefa o estudo de suas tensões”.

Nos anos 60, aprofundou estes últimos estudos, de modo que essa década, reconhecida como sendo a mais rica, original e frutífera, pode ser chamada, como epistemológica. A década de 70, por sua vez, é considerada a de predominância mística.
Suas contribuições são tantas, tão originais, e com uma tal aplicabilidade na prática clínica do dia a dia de cada psicanalista, que não cabe hesitar em reconhecê-lo como um verdadeiro inovador das concepções psicanalíticas contemporâneas, constituindo uma escola própria.

O primeiro livro de Bion publicado em 1961, “Experiências com Grupos”, deu gêneses ao que atualmente chama-se de terapia grupal. A teoria dos grupos de Bion se baseia no fato que existe, segundo ele, um grupo de trabalho ou grupo refinado e os grupos de base, ou mentalidade grupal ou grupos de pressupostos básicos. No decorrer de seus estudos, Bion foi distinguindo três padrões distintos aos quais denominou pressupostos básicos: dependência, acasalamento e luta-fuga. (Sampaio, 2002).

Cabe também referir seus estudos sobre a dinâmica de grupos, os elementos de psicanálise, as psicoses, a formação e função dos pensamentos e da capacidade para pensar os pensamentos, a parte psicótica e a não psicótica da personalidade, a função continente-conteúdo, as condições necessárias mínimas que um psicanalista deve ter (como, por exemplo, a capacidade negativa, a intuição, a continência, a paciência e a empatia), os vínculos de amor, ódio e conhecimento os problemas relativos ao uso ou não das verdades, a angústia denominada terror sem nome, o fenômeno das transformações, principalmente o das alucinoses, os problemas relativos à gênese e utilização dos pensamentos, cujo registro gráfico aparece em sua famosa grade, os problemas relativos ao transtorno de linguagem e da comunicação, a abertura de novos vértices de percepção, recomendando para o analista uma visão binocular, a importância da dor psíquica na consecução de um crescimento mental, as especulações sobre o psiquismo fetal. (Zimmerman, 2001)




TEORIAS E CONCEITOS
Com a forte influência psicanalítica Freudiana e Kleiniana, Bion desenvolveu seu pensamento teórico a partir dos trabalhos com grupos, tendo como foco maior o grupo terapêutico e não o grupo de trabalho
Terapêutica de Grupo:

• tratamento de um certo número de indivíduos reunidos para sessões terapêuticas especiais

• um esforço planejado para desenvolver num grupo as forças que conduzem a uma atividade cooperativa de funcionamento livre.

Reabilitação:

A neurose (entendida como uma doença nervosa sem expressão em achados anatomo-patologicos; permaneceu um conceito coletivo. Para psicanálise e uma resistência inconsciente e o sintoma neurótico mera expressão de conflitos psicodinâmicos – DORSCH,2004) é apresentada como um problema do individuo, no entanto em um grupo, é apresentado como um problema do grupo.

Experiência na Ala de Reabilitação:

1) fazer uma hora de atividade física diária;

2) todos os homens deveriam fazer parte de algum grupo;

3) qualquer homem poderia formar um novo grupo;

4) o homem que se sentisse incapaz de frequentar algum grupo, poderia ir para a sala de repouso;

5) a sala de repouso era para ser mantida em tranquilidade.

Conceitos de “Bom Espírito de Grupo”

1) Propósito comum: seja ele vencer um inimigo ou defender e nutrir um ideal ou uma construção criativa no campo das relações sociais ou das comunidades físicas;
2) Reconhecimento comum: por parte dos membros do grupo, levando em consideração os limites e sua posição e função diante do grupo;
3) Capacidade de absorver novos membros e perder outros: sem medo de perder a individualidade grupal; o caráter do grupo deve ser flexível;
4) Liberdade: dos subgrupos internos de terem limites rígidos (caso se forme um subgrupo, este não deve tratar os outros membros do grupo principal como se eles não fizessem parte do grupo)
5) Cada membro individual é valorizado: por sua contribuição no grupo e possui liberdade de movimento dentro dele;
6) Capacidade de enfrentar o descontentamento dentro de si e possuir meios de tratar com ele;
7) Tamanho mínimo do grupo: três pessoas (relações interpessoal)


Experiências com Grupos:

Bion descreve várias experiências vivenciadas em grupo, das quais ele próprio foi designado pela Comissão Profissional da Clinica Tavistock (O Tavistock Institute of Human Relations é uma instituição de caridade, britânica, dedicada aos estudos e pesquisas em comportamento de grupo e comportamento organizacional. Foi criado em 1946).

Ex. descrição do estudo de caso

Silêncio no Grupo:

“Vocês (isto é, o grupo) sempre dizem que estou monopolizando, mas, se não falar, vocês ficam apenas sentados ai, como idiotas. Estou cheia de todos vocês. E você (apontando para um homem de 26 anos, que levanta as sobrancelhas numa eficiente afetação de surpresa) é o pior de todos! Por que fica sempre sentado ai, como um rapazinho bonzinho, nunca dizendo nada mas perturbando o grupo? O Dr. Bion é o único que sempre é escutado aqui e ele nunca diz nada de útil. Pois bem, então: calarei minha boca. Vamos ver o que vocês fazem a respeito, se eu não monopolizar.” (BION, 1970 p. 33)

Ausência de integrantes no grupo:

Bion repara que em uma sessão anterior, um membro ausente liderava o grupo. Os membros faltosos foram sentidos com não apenas desdenhando o grupo, mas também expressando esse descem em ações. Os membros presentes são seguidores.
A vida mental de grupo é essencial para a vida integral do individuo. O sentimento mais proeminente de um grupo é o sentimento de frustração, que nada mais é do que um sentimento desagradável do individuo que busca gratificação.

Conflito entre Mentalidade do Grupo e os desejos do Individuo:

• pessoas se reúnem para fins de preservação do grupo

• grupo se prende a duas técnicas de autopreservacao: luta ou fuga

• grupos que se mostram intolerantes as formas de luta-fuga, tolera, não obstante a formação de pares (acasalamento)

Grupo de Dependência

No grupo de dependência a fuga fica confinada ao grupo, e a luta ao terapeuta. O impulso do grupo é afastar-se do objeto hostil e o terapeuta aproximar-se dele. O objetivo do grupo de dependência é evitar experiências emocionais peculiares aos grupos de acasalamento e de luta-fuga.

Grupo de Trabalho ou Grupo Refinado:

1) A existência de um propósito comum;

2) Reconhecimento comum dos limites de cada membro, sua posição e sua função em relação às unidades e grupos maiores;

3) Distinção entre os subgrupos internos;

4) Valorização dos membros individuais por suas contribuições ao grupo;

5) Liberdade de locomoção dos membros individuais dentro do grupo;

6) Capacidade do grupo enfrentar descontentamentos dentro de si e de ter meios de lidar com ele;

Algumas outras visões de Grupos

1) MENTALIDADE GRUPAL: O grupo adquire uma unanimidade de pensamento e de objetivo, o qual transcende aos indivíduos;

2) CULTURA DO GRUPO: Resulta da oposição conflitiva entre as necessidades da “mentalidade grupal”, e as de cada indivíduo;

3) VALÊNCIA: Esse termo é tirado da química, e que designa a capacidade que o indivíduo tem em combinar com os demais, em função dos fatores inconscientes de cada um;

4) COOPERAÇÃO: É a interação das pessoas orientadas pela razão. Está relacionada com o “grupo de trabalho”;

5) GRUPO DE TRABALHO: Bion afirma que todo grupo opera sempre em dois níveis que são simultâneos, opostos e interativos, mas delimitados entre si. Um é o “grupo de trabalho” e o outro é o “grupo de base”. O “grupo de trabalho” está voltado para aspectos conscientes, para a tarefa;

6) O GRUPO DE (PRÉ) SUPOSTAS BÁSICAS (SB): Os grupos básicos funcionam pelas leis do inconsciente.

Suposto básico de dependência: O grupo necessita e elege um grupo de características carismáticas para receber proteção, segurança e alimentação material ou espiritual. Os vínculos com o líder tendem a adquirir uma natureza parasitária ou simbiótica, mais voltado para um mundo ilusório.

2. Suposto básico de luta e fuga: O inconsciente do grupo está dominado por ansiedades paranóides e, por essa razão, o grupo pode tomar dois posicionamentos: adotar uma postura defensiva e lutar com uma franca rejeição contra qualquer situação nova de dificuldade psicológica ou fugir, criando um inimigo externo, ao qual atribuem todos os males, e por isso, ficam unidos contra esse inimigo comum. O líder requerido por esse tipo de suposto básico grupal deverá ter características paranóides e tirânicas.

3. O suposto básico de acasalamento consiste no fato de que o grupo espera um redentor de todos. As esperanças messiânicas do grupo são depositadas em uma pessoa, uma idéia ou um acontecimento virá salvá-los e fazer desaparecer as dificuldades.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BION, Wilfred R. Experiências com Grupos. Rio de janeiro, Imago, 1970.

SAMPAIO, Jáder dos Reis. A “Dinâmica de Grupos” de Bion e as Organizações de Trabalho. Universidade Federal de Minas Gerais. Extraído em 28/10/2013 de http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=s0103-65642002000200015

ZIMMERMAN, David. Vocabulário contemporâneo da psicanálise. Porto Alegre: Artmed, 2001.

ZIMMERMAN, David. Bion: da Teoria à Prática, uma leitura didática. 2ª ed. Porto alegre: Artmed, 2004. Reimpressão 2008.
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